segunda-feira, 9 de março de 2015

MORTE EM VENEZA

No último encontro do Clube de Leitura da Casa Amarela discutimos dois livros que se entrelaçam e são opostos. Marca D'Água de Joseph Brodsky é um mergulho do olhar na beleza, não uma busca pela beleza, pois simplesmente ela está em tudo e o poeta e suas entranhas navegam sem tensão.
Se Marca D'Água se passa no inverno, Morte em Veneza de Thomas Mann se passa no verão, num calor que tudo apodrece, até mesmo o mundo interno tão bem construído do personagem escritor.
Falamos das premonições, Cristiano lembrou que se em Marca D'Água o poeta é o narrador e personagem, em Morte em Veneza temos o narrador separado do personagem.
A busca pela beleza em sua escrita, em sua vida, é cheia de tensão, o escritor nunca relaxa, ele não é um poeta que mergulha  que se deixa perder, mas um caçador. Disciplinado, atento e tenso. Sua vida até então é uma arquitetura muito bem construída que começa a ruir já na escolha do seu destino, quando o destino se impõe. E rui definitivamente quando encontra Tadzio, o menino de beleza deslumbrante.
Fernando pergunta: " a sua paixão por Tadzio é homossexual ou apenas a busca da beleza perfeita"?
Todos achamos que é uma mistura das duas coisas. Maria Clara fala do mito de Narciso. E diz que o amor homossexual é narcísico, o que gerou muita discussão.
Cristiano trouxe dados concretos da vida de Thomas Mann.
E falamos do contraste entre a "velhice" do escritor e a extrema juventude de Tadzio, apenas um menino. E como tudo se soma para desembocar na morte.
Falamos muito. É um livro muito rico. Magnificamente estruturado.
Discutir dois livros tão belos dá fome. Um almoço maravilhoso preparado pela Vanda, nossa caseira, vinho e pão feito em casa (por mim). E no final uma homenagem aos que fizeram ou fariam aniversário. Na verdade, Suzana e Leila, mas muitos também quiseram a homenagem e foi divertido. Cantamos parabéns, e já somos uma família.
Próximo encontro: dia 16 de maio às 11hs
Livros: As Cidades Invisíveis, Italo Calvino, alguma crônica do Rubem Braga e um poema da Elizabeth Bishop.

  

 

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