sexta-feira, 20 de abril de 2018

O QUE NÃO TENHO PARA TE DAR

O que não tenho
para te dar:
os centauros
que galoparam
nos prados doloridos
da infância e que escaparam
para nunca mais,
os anos que já vivi,
as ruínas onde
me aninho às vezes
quando não sei decifrar
a esfinge na orla
do deserto,
os dons que nunca
me habitaram
e são como países
longínquos
que nunca verei,
o escaravelho dourado,
que te daria se pudesse,
mas não é meu.
Roseana Murray
Poema Inédito

quarta-feira, 18 de abril de 2018

DIA NACIONAL DO LIVRO INFANTIL

No Dia Nacional do Livro Infantil, o que tenho a dizer é muito simples.
Que bênção ter crianças como leitores.
As histórias maravilhosas que já vivi do contato das crianças com a minha poesia são o paraíso.
Quando o editor fica em dúvida se a criança entenderá o que escrevo, sem dúvida nenhuma ela entenderá.
Numa palestra do Saramago em que eu estava presente, ele disse que era a favor de que sempre se oferecesse à criança um pouco mais. Também penso assim. 
Comecei a escrever para as crianças por puro acaso, como já contei tantas vezes. Não foi uma decisão. Não pensei: Vou fazer literatura infantil.
Mas esse acaso iluminou a minha vida para sempre.
E continua iluminando.

terça-feira, 17 de abril de 2018

GENTE ESQUISITA

Quando li "Mulheres que correm com os Lobos" da Clarissa Pinkola Estes, na década de 90, fiquei muito impactada com muitas coisas.
Por exemplo: ela diz que os outros sabem quando você é uma pessoa autêntica, quando você é você. E sentem-se bem ao seu lado.
Em nosso Identidades: Atelier Poético Psinalítico, William Amorim leu um texto da Clarice Lispector onde ela fala maravilhosamente sobre o tema: Se eu fosse eu.
Acontece que é muito difícil ser o que se é mesmo.
Ê muito difícil que a tua fala, a tua vida e teu corpo estejam em sintonia, dizendo a mesma coisa.
Isso é um trabalho de anos. Clarice dizia mais ou menos isso ( não sei se alguém me contou ou se li em algum lugar):
Tem gente que costura para fora. Eu costuro para dentro.
De tanto costurar para dentro, sou apaixonada por pessoas que são elas mesmas. Que deixam sua singularidade aflorar. Sou apaixonada por gente que é meio fora da norma, do rebanho. Gente esquisita.
A Elvira Vigna sempre me dizia: - "Você é muito esquisita." Para mim era um elogio melhor do que se me dissesse: Você é tão doce, bonita, etc, etc.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

TEMPO ESTRANHO

Vivemos um tempo estranho, tempo de ódio, onde as palavras viram facas ou pedras.
Um tempo de guerra. 
Não só verbal, pois as armas precisam ser vendidas e usadas. Afinal, o mercado de armas e drogas move o mundo. Então, seja aqui ou do outro lado do mundo, o sofrimento tinge manhãs, tardes e noites. Talvez se Gagárin visse hoje a Terra do alto, sua famosa frase mudasse de cor. Quem sabe diria " A Terra é vermelha", mas vermelha de sangue.
Desde a Segunda Guerra não se vê tanta gente deslocada.
Desde a Guerra Fria o perigo do uso de armas nucleares nunca foi tão presente.
Qual seria a saída? Há saída?
Talvez mergulhar no melhor do humano.
Resgatar esse melhor do humano submerso, escondido entre os ossos. O melhor em nós.
Esse é um longo trabalho. O trabalho de uma vida.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

VISITA

Uma pessoa maravilhosa de Goiânia fez sua dissertação de Mestrado sobre a minha obra.
Porque o destino quis, eu a conheci, já que uma Faculdade de Pedagogia de Goiânia me chamou para falar. Eu avisei que não era acadêmica nem formada em Pedagogia.
Depois Gloria Kirinus, que publicou o magnífico Synthomas de Poesia, imprescindível para quem se preocupa com o tema, me deu licença poetica para falar apenas como poeta.
Pois bem, a pessoa que escreveu a dissertação, estava na plateia e foi amor ao primeiro encontro.
Ela fez um jantar maravilhoso, porque além de tudo o que faz, cozinha divinamente, convidou algumas pessoas especiais, entre elas a Gaby, uma freira mexicana absolutamente incrível.
Pois bem, Sônia Santos chega hoje na minha Casa Amarela. Nunca mais, desde aquele dia distante, perdemos o contato.
Amor é coisa séria.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

VOLTA

Volto para Saquarema depois de passar 10 dias em Mauá, depois de dar uma oficina no Instituto Estação das Letras no Rio de Janeiro, depois de visitar Paquetá, o que não fazia desde 1999.
Em Visconde de Mauá tive um encontro lindíssimo na Casa Beatles com umas 30 professoras. Falamos sobre a vida, sobre leitura, sobre poesia. O Atelier Identidades com William Amorim foi maravilhoso. Os dois encontros se entrelaçaram cheios de emoção.
Quando volto para casa, onde para usar uma imagem marítima, sinto como o meu barco mais estável, aqui tenho um escritório com mesa e computador, as correspondências transbordam, os pedidos de tantas coisas transbordam, os gatos me ignoram porque fiquei muito tempo longe.
Mas enfim, cheguei, tento colocar todos os pedidos em dia e me preparo para receber uma visita especial: Sonia Santos, de Goiânia.
Além de minha leitora, ela fez a dissertação de Mestrado sobre a minha obra. Eu a conheci pessoalmente e ela é adorável e agora me preparo para recebê-la.
Começo a pensar no próximo Atelier Poético-Psicanalítico sobre Intolerância, matéria farta em nossos dias, em nosso mundo, que deve acontecer em julho. Começo a me preparar para o lançamento do meu livro Poemas para Metrônomo e Vento, que acontecerá no Babel Restaurante, do meu filho André Murray, no dia 10 de maio.
Alguns amigos de longe irão ao lançamento. O Coral do Visconde deve cantar ( e meu filho Guga Murray compôs uma música para um poema) sob a batuta da Márcia Patrocínio. 
Para costurar tudo isso tenho a minha fábrica de poemas.
Hoje dizia para um amigo querido: poesia é dom e ofício.
Escrevo como respiro, mas escrevo sempre e isso ajuda na fabricação do poema, onde além de imagens e palavras entram tantas coisas, nossa alma, nossos desejos, nossa bagagem de vida, nossas estradas, nossos medos. 

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Redes

Quando em 1997 fui com Juan Arias a Lanzarote fazer uma longa entrevista com Saramago, fomos recebidos por Pilar del Rio. Eu conhecia Pilar das dedicatórias de seus livros. E de repente ela era de carne, osso e amor.
No último dia Juan entrevistou Pilar. E ela disse: José escreve porque precisa ser amado.
Todos queremos ser amados . É o primeiro mandamento do humano.
Por isso queremos ser lidos, elogiados, vistos, compartilhados.
Que possamos estar em contato com milhares de pessoas ao redor do mundo ao mesmo tempo, é algo muito novo. Ainda é muito cedo para avaliarmos as consequencias, para o bem e para o mal. Já que todos sabemos que bem e mal caminham juntos.
Algumas coisas são do conhecimento de todos: a privacidade acabou, vivemos no tempo da construção de imagens. Já sabemos também que estamos inundados por notícias falsas e manipulações. Sabemos que "eles" , que não sei quem são, escolhem o que será veiculado. Começamos a saber que as "curtidas" podem ser compradas!
As redes sociais são uma extensão das nossas vidas, na palma da nossa mão, a um clique.
Para disseminar o bem e o mal.
Ser leitor é mais do que importante para sabermos como é que nos movimentamos nessa intrincada floresta.
Mais do que nunca a literatura é nosso anjo da guarda.

terça-feira, 27 de março de 2018

LIVROS NOVOS

Este ano alguns livros estão em andamento, alguns já quase saindo e não pode existir alegria maior.
De repente o Governo deixou de comprar livros de literatura, acho que em 2015, para as Salas de Leitura e Bibliotecas e nestes anos muitas editoras fecharam e outras diminuiram drasticamente suas publicações.
É triste para todos. As escolas precisam estar sempre recebendo coisas novas, os editores precisam vender, os autores precisam publicar, os ilustradores precisam ilustrar. Para que o moinho não pare.
Mas algumas editoras pequenas se animam e vou por esse caminho.
Sempre amei as editoras pequenas. Posso falar com o editor, me sinto ouvida e acolhida. Posso até indicar o ilustrador.
As grandes são distantes e frias. Quase invisíveis para mim. Publicarei por duas editoras do Nordeste. Uma do Ceará e outra do Piauí.
E tenho meus E Books no site. São gratuitos e lindos. Podem ser lidos nas escolas e foi por isso que os criei. Não ganho nada com eles. Aliás, o que nos dá felicidade muitas vezes não dá dinheiro mas a felicidade é um bem maior, já que não é um produto, não posso comprar a quilo no mercado.
A felicidade é sutil feito um perfume.
Estou extremamente feliz nesse momento em que sairão livros novos para os meus leitores.
E hoje estarei no Sarau das Artes da UFF, às 18hs, em Icaraí, Niterói, como poeta homenageada. Vou rever amigos.
Momento luminoso.

segunda-feira, 26 de março de 2018

SOBRENOME

O que é um sobrenome? A marca de um clã, a marca da tribo, um sinal de pertencimento.
Quando me casei, num passado distante, era obrigatório colocar o nome do marido.
Como já tinha um sobrenome estrangeiro, achei melhor ficar apenas com Murray e retirei o Kligerman.
Acrescentei ao meu primeiro nome um país que não conheço, que não pulsa em meu sangue. 
Quando comecei a publicar como Roseana Murray, aconteceram duas coisas:
Meu pai ficou triste ao não ver seu sobrenome na capa dos livros.
Meu sogro, filho de escoceses, ficou feliz mas achava os meus livros muito fininhos. Ele me perguntava: - Quando vai escrever um livro grosso, um livro de verdade?
Quando meu pai morreu, tentei acrescentar o Kligerman no meio. Mas não deu certo. Como pronunciar esses nomes complicados? Não era sonoro. Fiquei num grande conflito. Mas fui pragmática e mantive apenas o Murray.
É o sobrenome dos meus filhos e se nem conheço a Escócia e falo muito mal inglês, meus filhos estão aí, sempre colados em mim.
Meu pai pode ficar tranquilo. Sei bem quem sou. E ele vive dentro de mim todos os dias, todas as horas. Faz parte dos que se mudaram para dentro de mim, tenho certeza de que os carrego com muito cuidado, nas entrelinhas dos meus poemas.
Quanto ao meu sogro, que me amava tanto, eu o decepcionei. Meus livros são finos, mas meus poemas voam.

domingo, 25 de março de 2018

COREOGRAFIA

Hoje o espetáculo na lagoa era a dança e o canto das centenas de gaivotas e outros pássaros. Todos brancos.
E misturados. Perguntei a um bombeiro se sabia quais eram seus nomes e me disse que que os de tamanho médio se chamavam trinta réis.
Algumas garças solitárias pontilhavam a água. Lindas. Com porte de rainha.
De repente o bando inteiro alçava voo para dançar no azul e era uma coreografia estonteante.
Um pouco mais tarde vieram os patos.
Estávamos nessa contemplação depois do café da manhã na Padaria da Ponte, quando uma mulher se aproximou com uma criança no colo e disse:
- Fotografei vocês. Achei tão bonito vocês aí sentados no caramanchão.
E me mostrou a foto. Perguntei seu nome:
Nathália Reis, me disse.
Perguntei se era professora e me disse que sim, mas estava de licença.
Perguntei se não me conhecia e disse meu nome.
Ela disse que sim, que nunca poderia imaginar que fosse a Roseana dos poemas!
E me deu a foto de presente.
Bom domingo para todos.

quarta-feira, 21 de março de 2018

RACISMO

Que pais se sintam ofendidos a ponto de pedir a retirada de um livro por conter referências à Cultura Africana me parece um absurdo tão grande, tão chocante, que é difícil entender.
O que é que incomoda esses pais?
Que verdades podem ser descobertas e são perigosas?
Como a árvore mais frondosa, de imensas raízes, assim o flamboyant do meu jardim. Assim a Cultura Africana no Brasil. A árvore mais frondosa numa mescla impressionante de culturas. Um país que já foi estudado por sua tolerância, porém...
Um legado de valor inestimável e as crianças, num país onde metade de seus habitantes são negros ou mestiços, precisam ter contato com as suas raízes. Genealogia devia ser matéria.
Aliás, todos viemos da África. Gosto de pensar no tempo sem divisões. Milhares de anos atrás era agora.
As escolas precisam estar atentas. Retirar um livro que fale de princesas africanas para agradar os pais, para mim é crime de racismo.
Sou judia e me interessam todas as religiões, parte do humano.
(Omo-Oba, autora: Kiusam de Oliveira, livro retirado do Sesi . O Sesi voltou atrás por protestos)

terça-feira, 20 de março de 2018

Marielle

Tudo o que li sobre a Marielle é magnífico.E li tudo o que pude, já que não a conhecia, não conhecia seu trabalho, não sou simpatizante do PSOL.
Ela foi de uma coerência total e lutava pela paz. Pela paz na favela, pela paz no asfalto, por uma cidade que não fosse partida.
Não havia ódio em seu discurso. Havia um chamamento para a paz.
Havia sim revolta, porque esse país está abaixo da linha de dignidade.
Acho que Marielle traz para a luz do dia toda a truculência da sociedade brasileira.
Agora não há como não discutir a violência e o racismo abertamente. Somos uma sociedade quebrada, como um país em guerra.
A Alemanha diz que a Síria é mais segura que o Brasil.
Pois em cinco anos o Brasil matou mais que a Guerra da Síria.
Mas Marielle desperta em nós a chama de uma tênue esperança. Sua voz é a de todos que acreditam que assim não pode continuar.

domingo, 18 de março de 2018

SONHO

Domingo, como meus leitores deste espaço já sabem, é dia de tomar café na Padaria da Ponte, com vista para a lagoa e a montanha. Saímos de casa às 6.15h. Tudo deserto. Só a maravilha da luz prateada sobre o mar para encher nossos olhos. Depois do café atravessamos a rua e nos sentamos debaixo do caramanchão para contemplar.
E falávamos, eu e Juan:
E se o homem não tivesse a violência inscrita no seu DNA?
E se todo o dinheiro investido em guerras e armas, em drogas, fosse usado para a paz e o bem estar das pessoas?
E se acolher o outro fosse natural, pois o instinto de matar não estaria em nós?
Leio que na Islândia o governo conseguiu diminuir drasticamente o alcoolismo e as drogas entre os jovens, simplesmente oferecendo Centros ou Clubes de esportes e artes...
E se a crueldade e o ódio desaparecessem para sempre de nossa genética?
E se confiar no outro fosse natural pois todos se ajudariam e a alegria seria a moeda de troca?
Mas infelizmente, a crueldade e a violência, corre nas veias do ser humano. Em alguns mais, em outros menos, em poucos privilegiados em doses ínfimas, quase que não se pode detectar (penso nos que dão ou dedicam sua vida aos outros).
Sonho com um dia, no ano 3.000, em que o homem terá dado esse passo imenso em direção à sua humanidade. Terá que ter outro nome, pois passará de homo sapiens, o que destrói e mata, para outra categoria. Outra espécie de humano.
E a morte provocada estará apenas nos livros de história.

sexta-feira, 9 de março de 2018

MOMO

Cada vez que vejo um varredor de rua compenetrado em seu ofício, me lembro do Beppo, personagem de Momo, do Michael Ende e sua filosofia de vida.
A sua tarefa era imensa: varrer um grande emaranhado de ruas. Mas ele não pensava no que ainda teria que varrer. Ele simplesmente se concentrava naquele pedacinho na sua frente. Então não se afligia, não se angustiava.
Cada momento que vivo, cada cena que vejo, me traz alguma coisa que li, ao longo do tempo.
Os livros não são apenas lidos e acariciados. Eles entram na corrente sanguínea, tenho certeza que meu sangue está cheio de palavras mágicas.
E a varredora de rua ( é uma mulher) segue na minha frente, varrendo a pracinha, varrendo, varrendo... se estivesse ventando o vento me traria o poema do Bandeira...
" O vento varria as folhas
O vento varria os frutos
O vento varria as flores
...................................................................................

quinta-feira, 8 de março de 2018

Dona Maria

No Dia Internacional da Mulher quero evocar a minha amiga camponesa D.Maria, que me ensinou a fazer pão.
Ela não deixou nenhuma obra de arte, não descobriu nada, mas talvez seja o símbolo das mulheres silenciosas do seu tempo. Se estivesse viva teria uns cem anos.
Passei horas e horas sentada na beira do seu fogão de lenha em Visconde de Mauá, no Vale do Pavão, ouvindo as suas histórias, ouvindo a sua vida que não era nada fácil.
Criou muitos filhos, 14 ou 16, não sei. Naquela época os partos eram em casa.
Seu marido podia ser violento quando bebia.
Perdeu dois filhos já adultos. Um por suicídio.
Mas carregava suas dores mansamente, sem uma queixa, com a doçura de um bezerro.
Tinha uma pequena horta. As galinhas entravam na cozinha.
Sempre me acolheu com café, pão quente que fazia pra vender e sustentar a casa e que nunca me deixou pagar.
Sempre saía da sua casa mais rica e aquecida.
Ela era o pilar e o esteio daquela família imensa.
No fim da vida me disse que os filhos queriam levá-la para a cidade, mas ela queria morrer na sua casa.
A vida e a morte para ela estavam tão entrelaçadas que eram a sua grande sabedoria.
Hoje, quando passo por seu casarão fechado sinto uma grande saudade.
Ela era puro amor e aceitação.
Minha homenagem a essa mulher que representa um tempo bem próximo de nós onde dizer sim e aceitar era a regra. Ainda bem que não é mais assim. Mas ainda é em muitas casas, em muitos lugares do mundo. E porque não é mais assim os homens matam.
D.Maria não sabia ler nem escrever.
Mas leu meu coração naquelas horas diante do fogo enquanto nós duas dividiamos as nossas vidas.

quarta-feira, 7 de março de 2018

MULHERES

Se quisermos chegar ao passado mais remoto, basta dar a mão a um antepassado e outro e outro... 
Cada mulher pode buscar suas ancestrais, as que lavavam roupa no rio, as que eram escravas, as que sempre diziam sim e as que diziam não e de uma maneira ou de outra foram queimadas. As obedientes e as transgressoras. As que dançavam para a lua e sabiam o segredo das ervas e unguentos, o segredo do fogo, dos acalantos.
Para que estivéssemos aqui hoje, com todos os direitos e tudo o que ainda resta conquistar:
Um mundo mais compassivo e feminino, por exemplo, onde as fronteiras seriam apagadas.

segunda-feira, 5 de março de 2018

VISITA

A gente se prepara para receber visita. Ainda mais quando é uma visita rara: a minha neta.
Mas, com as chuvas caíram tantas barreiras na Serra de Visconde de Mauá, que minha família ficou ilhada.
Agora sim abriram um pedaço da estrada e minha neta poderá chegar.
Ela é uma princesa ao avesso.
Gosta de monstros, de aventuras,é um caldeirão de surpresas. Adora bruxa e lobo mau.
Abram alas: Gabi vai chegar. 

sexta-feira, 2 de março de 2018

VOLTEI

Voltei.
Na verdade, como escrevo no facebook, me dá preguiça escrever no blog também.
Mas prometo espanar a preguiça e escrever sempre que puder.
Começo contando que reli agora meu e book Livros e Leitores com as belas ilustrações da minha amiga que virou estrela, Elvira Vigna.
E se você não leu, pediria que lesse, porque quando leio a minha vida, com distanciamento, como fiz agora, acho impressionante. É uma história de superação.
Hoje contei: já fiz 15 cirurgias! E sempre consegui transformar a dor em poesia.
Estou investindo nos E Books. Eles podem entrar nas salas de aula, de informática , de leitura. São lindos e os alunos , todos podem ler sem custo nenhum.
Acabo de ver a última prova do Poesia Essencial que vai entrar no ar esta semana.
Fica feito o meu convite.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

OEIRAS

Começo hoje minha longa viagem a Oeiras, no Sertão do Piauí. De Saquarema até lá é muito céu e chão.
Estou radiante com essa viagem, pelo maravilhoso motivo de que aí a educação é prioridade, de que a alfabetização é prioridade, de que cada criança conta. Obrigada, Oeiras, obrigada, Tiana Tapety, por me receber com tanto carinho.
Obrigada, Cineas Santos, um poeta apaixonado pela educação, pelo Piauí.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

CAFÉ, PÃO E TEXTO

Eram 12 professoras e uma contadora de histórias, a Emilly. Vieram de Macaé, das Escolas Municipais Amil Tanos e
Zelia de Souza Aguiar.
Chegaram e Claudia Marcia recitou meu poema " Quero asas de borboleta azul" bem no portão.
Ela disse que eu faço parte da sua vida desde sempre.
Foi a manhã mais maravilhosa do mundo, onde falamos de leitura, Salas de Leitura, Rodas de Leitura, Clubes de Leitura e Professor Leitor! Ufa!!!
Vieram atrás de ideias.
Me trouxeram presentes: mangas maduras, queijos, requeijão, manteiga,sabonetes maravilhosos. Vanda Oliveira fez o café com leite e os sucos. Samuel, nosso jardineiro, foi decretado Mestre das Orquídeas.
Acho que não saíram com as mãos vazias.
Fazia a manhã de paraíso que um encontro desses pede. Eu havia feito os bolos ontem e o pão recheado hoje bem cedinho. Foi servido ainda quente.
Emilly nos contou uma história linda.
Li alguns poemas.
Um segredo: a felicidade existe e tem todas as cores.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

UMA GARÇA

As águas calmas sempre me fazem bem.
Água de lago, logo sou transportada para dentro de um conto de fadas. A lagoa, espelho de nuvens, suas águas me fazem flutuar devagarinho por dentro. E de repente sou a garça que vejo. Ela me carrega em seu voo, em sua beleza:

Uma garça
rasga o céu,
carrega
essa música
tão
azul e silenciosa,
essas vogais
que pressinto,
impregnadas
de beleza
e do infinito
que existe
dentro de cada
segundo.
Seu voo
é o meu.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

PROJETO BOTINHO

Em Saquarema tenho um escritório ao ar livre: no café, bar, restaurante Marisco.
Posso ficar ali horas pensando e olhando a lagoa. Já me conhecem e o moço do balcão sabe exatamente como gosto do meu pingado.
E hoje de repente passou por mim um grupo com, sei lá, no mínimo 100 pessoas, entre crianças e jovens, conduzidos por salva-vidas, andando e cantando, rumo ao mar.
Era tão bonito de se ver, a alegria deles, palpável feito uma baleia esguichando água.
É uma colonia de férias, um Projeto que se chama Botinho do Corpo de Bombeiros.
Eu me senti sugada para dentro daquele grupo, embora meu corpo continuasse ali, no mesmo lugar, mas minha alma era criança.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

IDENTIDADES: ATELIER POÉTICO-PSICANALÍTICO

Neste ano de 2018 estou colocando no ar, junto com o psicanalista William Amorim, de S.Luis do Maranhão, um Atelier especial:
Identidades: atelier poético-psicanalítico.
Misturar poesia com psicanálise é pura magia.
Oferecemos nosso Atelier para Secretarias de Educação, Feiras, Escolas.
William tem um trabalho reconhecido em sua área, mas além disso fez sua formação em literatura e é um leitor extraordinário.
Identidades: atelier poético-psicanalítico, tem o objetivo de sensibilizar o leitor com a poesia de Roseana Murray, contos de Clarice Lispector e a abordagem psicanalítica de William Amorim, para as várias possibilidades de uso e fruição de qualquer texto literário.
A oficina percorre com textos e depoimentos orais e escritos, todas as fases da existência: nascimento, infância, adolescência, a descoberta do amor e do outro, até o momento atual. Vida e Morte.
Um mergulho nas identidades, desejos e memórias de cada um.
Público Alvo: professores.
Tempo de duração: 8 horas
Custo: passagens, alimentação, hospedagem.
Pró labore R5.000,00

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

OEIRAS

Estou preparada para ir a Oeiras no dia 26 de janeiro.
A oficina para os professores já está no papel, na cabeça, no coração e nas mãos da Tiana Tapety .
William Amorim , grande psicanalista em S.Luis, reconhecido por seu trabalho com crianças, especialista em autismo, será meu companheiro de oficina.
William é meu leitor desde 1990, quando nos conhecemos, numa Feira do Sesc.
Misturar literatura e psicanálise, poesia e psicanálise é um grande luxo e a primeira formação do William foi letras, fez sua dissertação de mestrado sobre Uma Aprendizagem, O Livro dos Prazeres de Clarice Lispector
Falaremos sobre identidades: Nosso nome, infância, adolescência, o amor, o outro, nossa tribo.
Cinéas Santos, poeta, é quem sugeriu meu nome para ser a homenageada da Flor, a Feira Literária de Oeiras. Não é a primeira vez que Cinéas me leva para o Piauí. É a terceira.
Mas agora, durante todo este ano, seis mil alunos estarão lendo meus poemas. É uma emoção de tirar o fôlego.
Vou agora ser apresentada aos Professores e Diretores e volto em novembro para a culminância da Flor.
Tiana Tapety, a Secretária de Educação, me fala do seu grande sonho:
Todos os seis mil alunos muito bem alfabetizados e leitores críticos.
Assim se construiria um outro Brasil.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

BABEL

Um dia estava na minha casinha no bosque e recebi a visita maravilhosa de Angela Carneiro e Gisele Toledo.
Não nos conhecíamos. Nessa época ela vivia em Itamonte, num sítio e sem que ninguém desconfiasse logo a sua vida mudaria radicalmente.
Gisele era adorável e logo depois foi para a África.
As duas passaram o dia comigo e fomos almoçar no Babel, o Restaurante do meu filho Andre Murray, a 50 metros da minha casinha.
Angela, grande conhecedora de tantas coisas, tinha um blog sobre comida. Ela amou o Babel e agora, tantos anos depois, me escreve:
"O melhor restaurante do MUNDO. E quem fala é quem ganhou bolsa de um mes em Paris comendo diariamente nos restaurantes incríveis de lá. Babel é uma maravilha!!!!!! Comida criativa , combinação perfeita de sabores. Quantidade de gente, não de passarinho. Satisfação."
Andre e Daniela Keiko Takahagui Murray optaram por sair de uma grande cidade e fazer algo diferente. Um restaurante na casa do Chef.
Não é nada fácil. Mas é maravilhoso conseguir manter o Restaurante, ano após ano.
Muita gente diz o que disse Angela, o Babel é inesquecível.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

MEDOS E CORAGENS

Fui a Bacaxá, o bairro que fica a 6 km de Saquarema, onde fica o comércio.
É uma confusão, de cada loja sai uma música diferente, em volume altíssimo. Mas mesmo assim acho interessante essa mixórdia. Gosto de me sentar na Bela Bel com meu café e ficar olhando toda a gente que passa, que pára, que come.
Mas hoje me deparei com uma arte urbana que puxou meus olhos quase para dentro do muro. " A vida começa onde termina o medo".
Alguém escreveu com spray e stencil . Alguém precisou escrever isso para vencer o próprio medo?
Escrevi um livro, Tantos Medos e Outras Coragens, ed. FTD, que me colocou entre os melhores do mundo em 1994.
Quando me separei, em 1993, tinha medos tão paralisantes, que era quase uma múmia precisando se desenfaixar.
Consegui descobrir as minhas coragens para vencer aqueles medos paralisantes.
Claro que tenho ainda tantos medos. Mas as minhas outras coragens me ajudam a viver.
Às vezes os medos são necessários, mas aí, me diz Mariana Esteves, não é medo, é prudência.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

SELO DISTINÇÃO

Meu livro DUAS CASAS, Lê Ed, ganhou o Selo Distinção da Cátedra Unesco.
É uma felicidade grande demais.
Porque por dois anos não consegui publicar nenhum original. Porque foi o último trabalho de ilustração da minha amiga Elvira Vigna e ela amou o meu texto. Conversamos muitas vezes sobre o livro. Ela queria tanto que ele saísse. Não deu tempo de que ela o visse na rua. Isso é muito triste.
Mas ele está na rua e já começa honrando o seu nome. Cada pintura é um quadro maravilhoso.
Mal deu tempo de que o livro esfriasse as suas tintas, ele acaba de sair e já ganha esse selo tão importante.
Quando a felicidade é muita o coração cria asas!
Agradeço a minha editora Lourdinha esse belo presente.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

AGRADECIMENTO

" O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim:
Esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem".
Guimarães Rosa
Todo fim de ano, já que somos humanos e precisamos dividir o tempo contínuo, fazemos um balanço, traçamos sonhos, metas, catalogamos desejos.
Faço uma lista das dádivas recebidas em 2017:
Ninguém da família ficou doente. Não precisamos fazer nenhuma cirurgia.
Eu pude caminhar o ano inteiro.
Todas as viagens que fiz a trabalho foram maravilhosas e pude rever amigos reais, fazer amigos, conhecer fisicamente leitores. Além de voltar a Joinville onde me fizeram flor e conhecer e me apaixonar pelos adolescentes do Instituto Zanette, onde Silvane Silva trabalha com horta, jardim e leitura.
Pude fazer encontros mensais com as escolas aqui na minha casa em Saquarema.
Pude passar alguns dias na montanha quase todos os meses com a minha família.
Li os livros mais maravilhosos.
Todos os encontros do Clube de Leitura da Casa Amarela foram magníficos.
Vi amanhecer. Vi entardecer.
Escrevi poemas de madrugada.
Tenho certeza que esse foi um dos anos mais belos da minha vida.
Agradeço a cada pessoa que vive dentro de mim.
Dentro de mim as ruas são largas e o tempo é um fio luminoso amarrado em meu pulso.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

TRÊS ARTIGOS

Ontem li três artigos que me fortaleceram.
Gao Xing Jian, Prêmio Nobel chinês, mas fora da China por motivos óbvios, perseguições, prisão, etc, diz o que estou amadurecendo desde que a esquerda no Brasil, dentro de mim se quebrou em mil pedaços a partir de suas tenebrosas alianças e corrupção e populismo.
Cresci numa casa progressista. Meu pai era simpatizante do PCB. Mas ele, que nunca pode estudar ( se alfabetizou sozinho ), teve a maior decepção da sua vida quando a União Soviética invadiu a então Tchecoslováquia(assistam ao belíssimo filme Kolia). Algo imenso se quebrou dentro dele também.
Nunca fui simpatizante de nenhuma direita, tenho a esquerda no meu DNA, mas não essa que está aí nem o comunismo que matou milhões de pessoas e só existe como um regime nefasto na Coréia do Norte e Miammar.
Um comunismo utópico que não existe nem nunca existiu.
Pois bem, Gao Xin Jian diz o que ansiava ouvir e é tão raro ouvir: estamos aprisionados em ideologias do Século XX, e enquanto se fortalecem os populismos ditos de esquerda e a direita fascista, teríamos que inventar um Renascimento para fazer frente a esse capitalismo destruidor e selvagem. A essa onda horrorosa de moralismo e perseguição aos artistas e a própria arte e literatura. Algo novo.
Que coloque o bem estar do ser humano acima de qualquer projeto de poder. Que seja semeador de alegrias.
E Guy Standing, num outro artigo, o inventor do projeto de renda mínima, nos coloca frente ao absurdo que é o mercado de trabalho onde só o que vale é a produção. E o tempo que nos dedicamos a cuidar dos idosos, das crianças, dos bichos, o tempo que é usado para pensar, ler, escrever, fazer algum esporte, estudar música, esse tempo não é considerado trabalho. Mas é esse tempo que nos humaniza.
Daniel Becker, Pediatra e Pesquisador, completa: as crianças precisam BRINCAR com outras livremente para aprender a viver, para aprender a solucionar conflitos, para aprender a perder e a ganhar sem ter os pais cono mediadores.
E li também vários artigos maravilhosos sobre a importância da arte e literatura nas escolas.
Sem arte e literatura estaremos muito longe de um Renascimento, uma mudança de paradigma.
Apenas reproduziremos os seres humanos terríveis que somos, estaremos alimentando os populismos, alimentando os salvadores da pátria, ajudando a fabricar falsos ídolos.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

CORRESPONDÊNCIA

Se fosse possível escrever cartas para o céu o trânsito de carteiros seria imenso.
Pai, mãe, tios, tias, amigos queridos e insubstituíveis, artistas que nunca deveriam partir, escritores que amamos, nesse caminho sem volta.
Quantas coisas que ainda queriamos dizer, tantas frases inacabadas.
Nosso livro do Clube de Leitura da Casa Amarela do mês de dezembro é de um autor uruguaio bem desconhecido no Brasil: Ángel Rama e o livro, Terra sem Mapa, começa assim:
" Queria poder escrever no envelope desta encomenda " À minha mãe, no céu da Galícia"
e que ele chegasse a seu destino."
A última frase quase me sufoca de emoção.
O livro é belíssimo.
As páginas que evocam a Galícia são quadros, são poemas.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

SILÊNCIO

Há muito barulho no mundo.
O silêncio é raro e um bem inestimável, um tesouro.
Sempre busquei o silêncio, desde muito pequena. Por isso amo viver dentro da natureza. Os sons da natureza são música e não machucam o silêncio.
Os sons que o homem fabrica podem ser ásperos e rudes ou até mesmo infernais.
Há nesta confusão de ruídos humanos um desentendimento.
Quando um tema é lançado na rede o que ouvimos são agressões e impropérios, o que de certa maneira replica os ruídos da vida real, as buzinas dos carros e ônibus, as músicas a todo volume ( que não seriam necessariamente o que eu escolheria para ouvir), os gritos.
Acho que dentro da silêncio aprendemos a delicadeza.
Eu me lembro de um verso de uma música do Manduca, filho do poeta Thiago de Mello: " Gentileza é pedra rara, não se acha pelo chão...". Pedra cada vez mais rara.
Junto com todo esse barulho, virtual e real, sementes de ódio voam daqui para lá e isso é absolutamente assustador.
O silêncio é necessário para que a gente ouça a nossa voz mais profunda.O silêncio é unguento.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

TRÊS RIOS

Amanhã estarei em Três Rios, no Sesc, com Flávio Carneiro e Daniel Ribas.
Um carro virá me buscar.
O SESC me paga um hotel, pois é bem longe ir e voltar no mesmo dia.
Espero que tudo certo, pois assim foi combinado.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

HUMANOS

Isso é coisa de judeu.
Isso é coisa de preto.
Só podia ser mulher.
Isso é coisa de veado.
Quantas vezes já ouvimos isso?
Porque um humano, absolutamente mortal, com a vida sempre por um fio, se sente superior a outro?
Tudo é coisa de humanos.
O Brasil é um país racista, classista, homofóbico, um país de castas.
Sentir-se superior a outro, por isso ou aquilo é absolutamente terrível.
Ser o melhor humano possivel, deveria ser a nossa busca.
A isso devemos dedicar a vida.
Desfazer preconceitos é um trabalho diário e deve começar na escola, no ensino básico.
De preferência com literatura para exercitar a empatia.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

CARTA PERIGOSA

Anda circulando pelas Igrejas Evangélicas uma carta conclamando os professores cristãos que tenham Mestrado para que se inscrevam num programa do MEC para avaliar livros didáticos e para denunciar a ideologia de gênero.
Professor não pode ser censor.
Professor tem que incentivar o livre pensamento, as discussões, honrar os grandes pensadores, dividir com seus alunos as inquietações do nosso tempo.
Ninguém é obrigado a aceitar nada . Mas tudo pode ser discutido.
Faço um chamado aos Professores Evangélicos para uma leitura crítica e apaixonada da vida de Jesus.
Jesus aceitava e acolhia os diferentes. Era aberto´ao novo. Só não tolerava maus tratos e injustiça e perseguições.
Professor não é censor.
Esse não é um caminho digno para um professor.
Professor não persegue. Não é polícia.
Não deixe que qualquer religião o impeça de transitar por todos os temas com seus alunos.
Nada deixa de existir porque silenciamos.
O mundo do Século XXI não é o mesmo dos séculos anteriores e todos os grandes homens e pensadores nunca tiveram medo do que é novo e diferente. Jesus não teve medo. Morreu por pensar diferente. Tocava as mulheres quando um judeu não poderia tocá-las. Um dos grandes tabus do seu tempo.
Professor, não se deixe aliciar. A liberdade de pensamento é o maior bem que temos.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

CAMPOS

Amanhã estarei em Campos, no SESC, para um encontro literário com Flávio Carneiro e mediação de Daniel Ribas.
Esse formato de encontro é maravilhoso par quem está no palco e para quem está na plateia.
Campo foi onde minha mãe passou a infância.
Lembro da casa da minha avó Fayga, uma das primeiras imagens que tenho é a da minha avó limpando a carne dando pedaços para um gato.
Lembro da casa da minha Tia Cecília, seu quintal cheio de frutas. Eu me sentava debaixo de uma árvore de carambolas com um guardanapo amarrado no pescoço para comer aquelas frutas estranhas e maravilhosas.
Campos era bela e pacata, já maior eu adorava ir ao centro de ônibus com a minha prima Laís.
O petróleo destrói tudo, qualquer cidade onde se faz a sua extração.
Tomara que não construam nenhum porto aqui em Saquarema.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

FEIJÃO COM ARROZ

Mesmo com todas as nuvens sombrias que cobrem o país, acho que não iria embora se pudesse.
Há algo no Brasil que amo e acho insubstituível: a espontaneidade e comunicação entre as pessoas.
Apesar de todo o clima negativo, isso ainda perdura.
As pessoas falam umas com as outras. As pessoas se tocam, se abraçam.
Não saberia viver sem isso.
Eu sou da primeira geração da minha família que nasceu no Brasil. Mas me sinto brasileira até a medula. O que é ser brasileira é algo bem difícil de explicar. O que nos une além da língua?
Não sei .
Comer tudo misturado no mesmo prato?

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

QUINDIM

Dar de presente para uma criança que não poderia ter, a assinatura de um Clube de Leitura, é o melhor investimento que se pode fazer.
Escolhi o Quindim por considerá-lo execpcional na escolha dos títulos, no carinho com que a criança é tratada.
Escolhi uma criança e aposto no seu futuro de grande leitor. Quero que ele tenha as mesmas oportunidades que meu neto, que também tem uma assinatura do Quindim.
Em nossa família até os gatos são leitores.
E o nosso leitor adotado promete!

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

ÁFRICA

Na década de 80 li o livro Ségou, de Maryse Condé.
Uma aula magistral sobre como o Islamismo entrou na África. Matando, destruindo, aniquilando as religiões ancestrais.
Ou a conversão ou a morte.
Como fez o Cristianismo .
A África tem cicatrizes profundas por essa separação brutal de suas raízes.
É impressionante o horror que o fundamentalismo é capaz de semear. Deveríamos lutar com todas as forças contra o fundamentalismo que nesse momento assola o Brasil.
Nenhuma religião é dona de nenhum Deus.
Nenhuma religião tem o direito de sentir-se superior a qualquer outra. Nenhuma religião pode ditar as leis que regem um país.
O sagrado, o divino, é assunto particular e íntimo de cada um.
Se somos todos mortais e nenhum Deus pode nos salvar da nossa terrivel condição humana.
Faz muito tempo assistimos a destruição lenta de um Continente inteiro, que tem que lidar com a doença, a miséria, a fome, o terrorismo.
Faz tempo assistimos os naufrágios, o mar está cheio de gente que, arriscando a vida, tenta chegar a um destino melhor.
Mas parece que a África não interessa mais.
Tudo já foi roubado.
Então não causa espanto que a mídia não dê importância aos mortos africanos.
A África, berço da humanidade . Abandonada pelos donos do mundo.
Sempre me senti africana e quando estive em Abidjan eu me esquecia que era branca.
Pude constatar a delicadeza, a sutileza, o requinte da sua gente.
Há que chorar pela África . Já que somos impotentes.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

VÍDEOS

Muitas escolas, quando estão fazendo algum projeto com meus livros, me pedem para gravar um vídeo. Mas hoje recebi um pedido diferente. A Professora Joceli Costa, de Aracruz, queria que eu falasse sobre tecnologia e arte para uma Mostra Cultural da sua escola.
Não sou teórica e nem especialista em nada. Sou poeta e vou escrevendo a vida, o que vejo, o que me toca, o que vai acontecendo, o que penso.
Então só posso falar do que sei.
Sei que a minha relação com o leitor mudou depois do advento da internet e das redes sociais.
Escrevo meus poemas no celular, já que escrevo muito e o celular está sempre por perto. Se coloco um poema na rede social, em segundos tenho a resposta. Antes eu poderia nunca saber. A rede social, o site, funcionam como um espaço físico onde as pessoas me encontram. Onde os leitores chegam bem perto de mim. Uma espécie de casa em outra dimensão.
As escolas marcam um encontro comigo através do MSN para o projeto Café, Pão e Texto.
Com o whatsup tenho a família e os amigos distantes na palma da mão. Estamos juntos em tempo real.
Qualquer informação que se precise também está a um clique.
Publico livros digitais com acesso gratuito no meu site.
Posso acessar qualquer museu do mundo a qualquer instante.
Compro meus livros sem sair de casa, já que aqui em Saquarema não existe livraria.
As opiniões circulam através das redes como ondas que penetram várias camadas sociais.
A arte circula como nunca antes e as polêmicas em relação ao que é arte e não é arte também.
Enfim, o conceito de espaço- tempo mudou radicalmente com a tecnologia.
Deixo o assunto na mão de vocês, meu leitores.
Lembro que Machado de Assis e Diderot já conversavam com seus leitores em seus livros, trazendo o leitor para a cena.
Imagina se tivessem facebook.


segunda-feira, 16 de outubro de 2017

SEGUNDA-FEIRA

Ao contrário de quase todo mundo, eu adoro as segundas-feiras. Parece que o tempo é uma manivela e que ao girá-la, tanta coisa se põe em movimento.
A minha vida é feita de acontecimentos desenhados no ar. Nunca sei se ocorrerão de verdade.
Uma viagem aqui e outra ali. Uma palestra, um lançamento, um livro novo. Mas há um momento em que são meras possibilidades. Acontecerão mesmo? Dirão os anjos que sim? Ou feito bolha de sabão com um arco-íris dentro terão sido apenas a imagem do que poderia ter sido?
Aos domingos tenho uma flor invisível atrás da orelha que se chama melancolia. Leio bem cedo o jornal inteiro e acho que o mundo vai acabar.
Mas aí chega a segunda- feira e acho que não, que não vai acabar, que muito pelo contrário, o amor faz milagres e que cada um nos seus afazeres dando de si o melhor possível, todos sobreviveremos e nos salvaremos do pior, nos salvaremos dos que só acreditam em armas e grades e dinheiro. Na segunda-feira acordo cheia de promessas outra vez.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

PASSEIO DE DOMINGO

Nosso programa de domingo é simples e magnífico.
Caminhamos, eu e Juan Arias, pela orla até a Padaria da Ponte. O mar está calmo. Parece um lago. A temperatura foi fabricada no paraíso. O vento é uma caricia e o azul nos envolve. São dois quilômetros de caminhada e nos cruzamos com um homem e dois cachorros. Apenas.
Na padaria já nos conhecem. Já sabem como gosto do meu pingado: no copo e muito quente. Ao chegar está tudo vazio, mas pouco a pouco as pessoas vão chegando. Familias. Encontramos sempre uma jovem mãe e seus dois filhos, uma menina de uns 8 anos e um bebê de um ano e algo, que come seu pão de queijo concentradíssimo.
Saquarema não tem cinemas, livrarias, exposições, mas nos dá lições de humanidade todos os dias. Caminhando todos se dão bom dia. Ainda existe delicadeza entre as pessoas.
Então eu mergulho profundamente na natureza onde estou inserida, mar, lagoa, montanha e penso. Gosto de pensar. E leio. Varios livros ao mesmo tempo. E escrevo poemas.
Penso, por exemplo, que há um fenômeno hoje no Brasil que deve ser estudado. 60% dos que declaram seu voto ao Bolsonaro são jovens.
Como ocorre essa identificação? Também na França a Marine Le Pen teve muito apoio dos jovens. Um fenômeno mundial?
O que faz um jovem que deveria encarnar a vanguarda apoiar a retaguarda ? Será que acha que a retaguarda é vanguarda?
E por que os artistas foram pegos como bodes expiatórios?
De quem é a responsabilidade por esses jovens apoiarem politicos que representam o que há de pior no ser humano?
Se os jovens apoiam o lixo humano devo me horrorizar.
Li muitos livros sobre Mussolini para saber do que estou falando. Lembro de um romance especialmente, não me lembro o nome do autor: Historia de Pobres Amantes. O fascismo veio chegando devagarinho, como um vento maligno. Havia essa identificação dos jovens com a brutalidade, a força.
Não vejo outro antidoto a não ser a Educação. E por favor, aulas de Historia através da litetatura.

sábado, 7 de outubro de 2017

Duas Casas

Vem aí meu livro Duas Casas, com as maravilhosas pinturas da Elvira Vigna.
Tenho certeza de que é o seu mais belo trabalho da nossa longa parceria de tantos livros.
Elvira não viu o livro pronto e me emociona pensar no quanto ficaria feliz.
Falamos muitas vezes sobre o livro .
Faz muito tempo que não consigo publicar nenhum livro novo.
Mas o Duas Casas é tão lindo que vale o tempo da espera.
A Lê Editora, a Lourdinha Mendes, sempre fez meus livros com um carinho ímpar. Que nosso livro lhe traga muitas alegrias. O livro entra na gráfica e logo estará nas mãos dos leitores.
Estou muito emocionada. Elvira está viva, bem na minha frente. Estamos tomando um café e filosofando sobre a vida, que era o que mais gostávamos de fazer.
Ela, que foi a primeira pessoa a me dizer em 1999:
- Rose, você não sabe o valor que tem a tua poesia.
Estamos juntas outra vez.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

CONSTRUINDO MUNDOS

Que cada um fabrique para si uma realidade paralela para poder viver, pois o real é duro demais.
Chego em casa depois de uma longa viagem e os últimos e tenebrosos acontecimentos me invadem. O exército na Rocinha, o Partido Nazista no Parlamento alemão.
Esses dois fatos distantes geograficamente se tocam no que possuem de violência, no que carregam em seu rastro. Na sua memória nefasta.
Mas enquanto faço o café, a música do mar envolve a casa e me abraça.
Penso na beleza dos encontros, na beleza dos afetos, no amor que nos justifica.
E que construir pequenos mundos, criar qualquer coisa que seja, nos salva.

Flores perfumadas de sol
e vento
semeadas pela mesa,
pela casa, pelos quatro
cantos do tempo.
In Jardins

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

SAQUAREMA

Viver numa cidade tão pequena como Saquarema, para mim é um luxo imenso.
As pessoas se dizem bom dia. No Marisco, onde tomo meu pingado depois do Pilates me conhecem e também na papelaria. No correio a Marta, que me atende, fala de livros. Já levei três livros meus para a sua filha.
Na farmácia do Moisés há sempre um ambiente festivo, nem parece farmácia.
A cidade, com tanta água, mar e lagoa, com tanto azul, me acolhe e abraça.
Nem sei como devolver esse amor.
Dia 20 estarei outra vez na E.M.Bonsucesso, junto com a Manoela Peres, a Prefeita que está dando todo o apoio ao Projeto de uma escola inovadora, junto com o Secretário de Educação e as Professoras que estão tocando esse barco: Fatima Alves e Roseléa Olímpio.
Para que um projeto ousado como esse, que implica mudanças de hábito radicais dê certo, o apoio do Diretor ou Diretora da escola é imprescindível, e do Governo e da Secretaria de Educação também. Todos sabemos como é difícil fazer mudanças externas e internas.
Alguma coisa também se move na área cultural. Mudanças geram mudanças.
Uma Orquestra Jovem de Niterói virá tocar numa escola. Isso é inédito.
A minha função na vida que me coube é sensibilizar. Fazer com que o humano em nós seja da melhor qualidade.
Lembro sempre que Nelson Mandela, na prisão, conseguiu sensibilzar até os guardas mais frios e desumanos com uma horta!
O amor e a arte, a poesia, a literatura, são instrumentos muito potentes .
Devemos usá-los ao invés de armas, bombas, ódio e preconceito.
Todos precisamos ser acolhidos.
Quando no livro O Amor possivel de Juan Arias com Saramago, Juan perguntou ao Saramago porque escrevia, foi Pilar quem respondeu Escreve para ser amado.
Todos precisamos de amor.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

PENSAMENTO LIVRE

PENSAMENTO LIVRE
Ontem soube, através da Professora Roseléa Olímpio, que a E.M.Bonsucesso, a Escola inovadora de Saquarema, está fazendo o maior sucesso. Outras escolas já querem renovar.
O que mais destaco no projeto é a Plenária, um espaço, uma sala linda, para discutir e pensar. Não vale nota.
Mais do que nunca é preciso pensar.
Abracem essa bandeira.
O pensamento livre derruba preconceitos.
O pensamento livre não admite a intolerância.
O pensamento livre não julga precipitadamente.
O pensamento livre não é um bloco de gelo, uma parede, um muro, um cadeado, uma prisão.
O pensamento livre aceita e acolhe o diferente.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

RESISTÊNCIA

Meu pai não sabia em que dia nasceu, nem o mês, lá na Polônia.
Então ao chegar ao Brasil, antes da Segunda Guerra, escolheu uma data, porque amava esse país: 7 de setembro.
Meu pai faria muitos anos hoje, não sei quantos, não sou boa em matemática.
Então hoje, uma data onde se comemora o Brasil e o aniversário do Sr. Lejbus Kligerman, que foi pobre na infância, que viu seu pai ser assassinado, que passou fome e frio, que se naturalizou brasileiro, que amava o sol, não há nada a comemorar. Apenas os valores que meu pai me deixou de herança. Inquebrantáveis.
O Brasil está destruido e algo novo terá que nascer, terá que vir.
São milhões de jovens à deriva, milhões de crianças que recebem migalhas.
São tantas mortes que é quase como se estivéssemos em guerra.
Mas sobreviveremos.
E faço um chamado a todos que como eu trabalham no pequeno, cozinhando arroz com poesia, não vamos desistir.
Roubaram meus sonhos, minhas utopias, minhas esperanças. Mas sobraram alguns sonhos, algumas utopias, algumas esperanças.
Faço um chamado aos poetas, pintores, músicos, ficcionistas, faço um chamado aos contadores de histórias, esses seres maravilhosos, sempre equilibrando as palavras com o seu sopro, como malabares, gente do teatro, cientistas, gente do circo,professores, educadores, filósofos,não vamos desistir.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

PÁSSAROS DO ABSURDO

Em 1990 ganhei um concurso nacional de poesia, da Associação Gaúcha de Escritores com meu original Pássaros do Absurdo.
Enviei o original no último minuto e devo isso ao meu amigo que partiu tão cedo, Carlos Louzada.
Nos sentamos num bar em Copacabana. Ele já estava bem doente. Ele tirou um pedaço de papel no bolso e me deu o papel. Disse: _ Por favor, manda teus poemas.
Fui receber o Prêmio em Garibaldi, R.S. Era tudo um sonho de contos de fadas.
Fui recebida pelo poeta Luiz Miranda. Fiquei num hotel maravilhoso. A cidade era belíssima. O Prêmio tinha dinheiro e publicação. Lya Luft escreveu sobre a minha poesia. Pink Weiner me deu a capa do livro de presente.
Mas um dia, um caminhão parou no portão do meu prédio no Rio Comprido e despejou 2000 livros na minha porta. Não havia distribuição.
Fui doando o livro, vendendo onde ia, tentando que ele circulasse.
Tenho ainda alguns exemplares.
Mas alguns poemas se salvaram . Estão no livro Poesia Essencial, que ao entrar no Programa Portal do Saber, foi parar em todas as Bibliotecas do Estado de São Paulo, foram 500.000 livros.
Cada livro tem uma trajetória e uma história.
O Poesia Essencial perdeu a sua casa, a Ed. Manati e será meu próximo E Book gratuito, para preservá-lo.
Cada livro é um barco, uma jangada , uma garrafa no mar. O que a gente deseja é que encontre um porto.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

PROJETO RENOVAR

Prometi contar o meu encontro com a turma da quinta série da E.Municipalizada Bonsucesso, em Saquarema, entre Bacaxá e Araruama.
É a primeira experiência de fazer educação de outro jeito que acontece aqui no município e o Projeto se chama Renovar. Ele é conduzido por Fatima Alves e Roseléa Olímpio ,com o apoio da Prefeita Manuela.
Roselea veio me buscar às 13 horas. Pegamos a estrada que vai para Araruama. Saímos do asfalto à esquerda e logo ali já era a escola em pleno funcionamento.
O Projeto começou este mês e os milagres já são visíveis.
Cada porta de cada sala é pintada de uma cor e as crianças trocam de sala para cada matéria. ( De primeira a quinta).
A sala de matemática se chama Clube dos Desafios. E todos os dias a professora coloca um desafio na porta, pode ser uma conta, um problema... a porta só abre quando o desafio for resolvido, é a senha.
A sala de Português se chama Estúdio da Comunicação .
História e Geografia, Sala de Embarque.
Ciências, Planeta Terra.
Foram os professores qie pintaram as portas super coloridas e pintaram as salas por dentro com desenhos instigantes e incriveis.
A imaginação é o personagem principal.
Entrei no Estúdio da Comunicação em plena aula. Uma delícia. Estavam aprendendo frases positivas e negativas.
As crianças trabalham em grupo.
E lá fui eu para a Plenária , a sala do pensamento, onde um tema é discutido sem valer nota.
Eu lancei o tema Cidades.
Bonsucesso é um bairro na estrada. Eles vivem entre duas cidades.
Comecei lendo um poema ( ah, a Plenária é lindíssima!!!) e depois perguntei se Bonsucesso tinha ruas. Tinha. E foram me dando alguns nomes:
Rua da Antiga Estrada de Ferro, Rua dos Eucaliptos, Rua da Usina.
Falamos da beleza desses nomes. Falamos dos trens e das usinas e da escravidão com sua mão de obra grátis para as usinas.
Perguntei se Bonsucesso tinha algum lugar que fosse uma referência como Saquarema tem a Igreja e um aluno respondeu:.
-Tem sim . A escola!
Elegemos um Prefeito para dizer que mudanças faria. Ele faria uma praça para que as crianças pudessem brincar. Asfaltaria as ruas. Colocaria manilhas para que as ruas não se alagassem com a chuva e colocaria ônibus escolares para as crianças, já que muitas caminham 4 km de casa até a escola.
Ele entende as necessidades do bairro. E é um menino de 10 anos.
Falamos das megalópolis. Das profissões que estão desaparecendo.
Lemos poemas.
Doei livros. E vou doar um tapete para a Sala de Leitura.
E finalmente foram convidados para um Café, Pão e Texto.
Moram tão perto de Saquarema e muitos não conhecem o mar.
Todos estão felizes e muito entusiasmados com as mudanças na escola. Estão muito orgulhosos com a beleza das salas.
A alegria deles é imensa.
Raphael Coutinho, o Diretor, está radiante e todos os professores estão também.
Eu estou no Mundo da Lua!
Vou inventar uma rua
Onde se cante e dance
Se pinte e borde
Se faça e aconteça
Se plantem corações
Uma rua onde todos vivam
No mundo da lua

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

CIDADES

A E.Municipalizada Bonsucesso está na rota das escolas inovadoras no Brasil. O novo caminho começou em agosto e hoje irei conhecer a escola e me encontrar com os alunos na Plenária, um espaço dedicado ao pensamento.
Propus discutirmos o tema CIDADES. Os alunos vivem entre duas cidades e vamos ver o que vai sair deste nosso encontro.
Já começo a me arrumar.
Dentro de pouco tempo virão me buscar.
Estou emocionada e ansiosa. Com um pouquinho de medo também. Tudo isso junto faz um coquetel de adrenalina boa.