Hoje se meu maravilhoso amigo Latuf não tivesse ido embora do planeta Terra, estaríamos comemorando o seu aniversário. Mas é impressionante como os mortos continuam vivos. Nenhum dia se passa sem a sua presença dentro de mim, sem que ele converse comigo, sem que eu divida com ele as minhas mais profundas emoções. Ele dizia que eu era a sua idiche mama, sua mãe judia, embora ele fosse mais velho do que eu. Mas como toda mãe judia , eu adorava lhe dar de comer, fazia iguarias para ele, eu o mimava. Nosso país era a literatura, país magnífico, onde nunca e sempre somos estrangeiros. E ele , Doutor em tantas coisas, me dizia, a tua poesia é bela. Todos os dias agradeço. Ele , libanês e eu, judia, com certeza resolveríamos a questão do Oriente Médio com amor e poesia. Nós nos amávamos. Nós nos amamos.
Eu o vejo com suas túnicas esvoaçantes. Latuf era um poema andarilho.
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
POESIA DE MANHÃ
Gosto de abrir meu dia com um poema. Depois de ler o jornal no café da manhã.
Hoje o poema do dia:
DOIS CORPOS
Dois corpos frente a frente
são às vezes duas ondas
e a noite é oceano.
Dois corpos frente a frente
são às vezes duas pedras
e a noite deserto.
Dois corpos frente a frente
sâo às vezes raízes
na noite enlaçadas.
Dois corpos frente a frente
são às vezes navalhas
e a noite relâmpago.
Dois corpos frente a frente
são dois astros que caem
em um céu vazio.
Octavio Paz, Obra Poética I, in A Duas Vozes, Eduardo Jardim, ed. Civilização Brasileira
Hoje o poema do dia:
DOIS CORPOS
Dois corpos frente a frente
são às vezes duas ondas
e a noite é oceano.
Dois corpos frente a frente
são às vezes duas pedras
e a noite deserto.
Dois corpos frente a frente
sâo às vezes raízes
na noite enlaçadas.
Dois corpos frente a frente
são às vezes navalhas
e a noite relâmpago.
Dois corpos frente a frente
são dois astros que caem
em um céu vazio.
Octavio Paz, Obra Poética I, in A Duas Vozes, Eduardo Jardim, ed. Civilização Brasileira
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
TODAS AS CORES DENTRO DO BRANCO
Em 2004 publiquei um livo "Todas as Cores dentro do Branco" pela ed. Nova Fronteira com belas edições da Edineuza Bezerril. O livro ficou meio encalhado e decidi desfazer o contrato. Os livros restantes foram doados para a Secretaria de Educação de Duque de Caxias que os distribuiu pelas escolas.
Quando Isa Pessoa me convidou para fazer parte da coleção Poemas para Ler na Escola pela Objetiva, decidimos fazer uma antologia e eu dei os poemas do livro, eles estão misturados na bela colcha de retalhos que Hebe Coimbra arrumou.
Hoje leio que as mulheres enxergam as nuances das cores melhor do que os homens. Achei isso muito curioso.
Dividi o livro original por cores, o que não foi mantido na antologia.
Eis um poema "verde":
ESPERANÇA POUSADA NO UMBRAL DA PORTA
A manhã começa verde:
pulo da cama,
estendo os braços,
para apagar os últimos
vestígios de um sonho,
mordo a maçã,
arrumo o mapa
do meu coração
e parto como um barco
de madeira antiga
para as surpresas do dia.
Pousada no umbral da porta,
a Esperança me olha
como folha verde na água,
como esmeralda encantada.
in Poemas para Ler na Escola, ed. Objetiva
Quando Isa Pessoa me convidou para fazer parte da coleção Poemas para Ler na Escola pela Objetiva, decidimos fazer uma antologia e eu dei os poemas do livro, eles estão misturados na bela colcha de retalhos que Hebe Coimbra arrumou.
Hoje leio que as mulheres enxergam as nuances das cores melhor do que os homens. Achei isso muito curioso.
Dividi o livro original por cores, o que não foi mantido na antologia.
Eis um poema "verde":
ESPERANÇA POUSADA NO UMBRAL DA PORTA
A manhã começa verde:
pulo da cama,
estendo os braços,
para apagar os últimos
vestígios de um sonho,
mordo a maçã,
arrumo o mapa
do meu coração
e parto como um barco
de madeira antiga
para as surpresas do dia.
Pousada no umbral da porta,
a Esperança me olha
como folha verde na água,
como esmeralda encantada.
in Poemas para Ler na Escola, ed. Objetiva
terça-feira, 4 de setembro de 2012
OZIRETES
Ontem tive uma linda surpresa . Fui convidada para um encontro com os alunos da E.M Osiris Palmier da Veiga, aqui em Saquarema.
A escola fica frente da lagoa e tem a vista mais bonita do mundo. Foi toda reformada e ampliada e não parece uma escola, mas sim uma casa acolhedora.
Angela , a professora da Sala de Leitura me levou até este espaço mágico e eu fiquei boquiaberta. A escola antiga não tinha sala de leitura e apenas 150 livros., Agora tem uma sala imensa com 1.500 livros, um tapete mágico com almofadas, estantes lindas, duas mesas redondas com cadeiras e um sofá maravilhoso para as visitas. Pois a idéia é cada vez mais receber a visita dos pais na Sala de Leitura.
Angela me conta: ela criou o CLEO, um Clube de Leitura. São quinze alunos que ficam de meio-dia até às 14hs na escola, com autorização dos pais, para ler na Sala. Ficam duas horas lendo. De fevereiro até agora já leram 280 livros. O objetivo é que leiam TODOS os livros.
Os livros estão catalogados e arrumados de uma maneira genial, pelos membros do clube. Angela me disse: "Roseana, diga um número de 1 a 800." Eu disse "626" . Ela perguntou: "quem quer encontrar o livro? Vários alunos queriam e um deles foi até lá e em segundos trouxe o livro que é arrumado por letras e números. Na seção A ficam os mais difíceis, na B vai facilitando, até chegar aos livros sem texto. Por cada livro lido os alunos da escola inteira recebem uma moeda: a ozirete. É uma anotação num caderno. Cada livro tem um valor. Os mais difíceis valem mais. Os pais que buscam um livro para ler na biblioteca também ganham oziretes. Em novembro a sala de leitura fará um bazar com livros e artigos de papelaria e eles receberão as cédulas oziretes para que possam comprar. Só quem tiver oziretes poderá participar. A professora de matemática está aproveitando a idéia para falar de economia.Eles estão fazendo uma poupança, aprendendo a poupar.
Todos cuidam da Sala de Leitura como se fosse mesmo mágica e ela pode ser usada a QUALQUER HORA. Eles fazem fichas de cada livro lido com uma pequena resenha.
Fiquei muito emocionada com o encontro. Eles eram educadíssimos e muito interessados em tudo. Já sonham em ser engenheiros, veterinários, advogados, escritores.
Que a E.M Oziris e a Angela sirvam de inspiração.
A escola fica frente da lagoa e tem a vista mais bonita do mundo. Foi toda reformada e ampliada e não parece uma escola, mas sim uma casa acolhedora.
Angela , a professora da Sala de Leitura me levou até este espaço mágico e eu fiquei boquiaberta. A escola antiga não tinha sala de leitura e apenas 150 livros., Agora tem uma sala imensa com 1.500 livros, um tapete mágico com almofadas, estantes lindas, duas mesas redondas com cadeiras e um sofá maravilhoso para as visitas. Pois a idéia é cada vez mais receber a visita dos pais na Sala de Leitura.
Angela me conta: ela criou o CLEO, um Clube de Leitura. São quinze alunos que ficam de meio-dia até às 14hs na escola, com autorização dos pais, para ler na Sala. Ficam duas horas lendo. De fevereiro até agora já leram 280 livros. O objetivo é que leiam TODOS os livros.
Os livros estão catalogados e arrumados de uma maneira genial, pelos membros do clube. Angela me disse: "Roseana, diga um número de 1 a 800." Eu disse "626" . Ela perguntou: "quem quer encontrar o livro? Vários alunos queriam e um deles foi até lá e em segundos trouxe o livro que é arrumado por letras e números. Na seção A ficam os mais difíceis, na B vai facilitando, até chegar aos livros sem texto. Por cada livro lido os alunos da escola inteira recebem uma moeda: a ozirete. É uma anotação num caderno. Cada livro tem um valor. Os mais difíceis valem mais. Os pais que buscam um livro para ler na biblioteca também ganham oziretes. Em novembro a sala de leitura fará um bazar com livros e artigos de papelaria e eles receberão as cédulas oziretes para que possam comprar. Só quem tiver oziretes poderá participar. A professora de matemática está aproveitando a idéia para falar de economia.Eles estão fazendo uma poupança, aprendendo a poupar.
Todos cuidam da Sala de Leitura como se fosse mesmo mágica e ela pode ser usada a QUALQUER HORA. Eles fazem fichas de cada livro lido com uma pequena resenha.
Fiquei muito emocionada com o encontro. Eles eram educadíssimos e muito interessados em tudo. Já sonham em ser engenheiros, veterinários, advogados, escritores.
Que a E.M Oziris e a Angela sirvam de inspiração.
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
POESIA ESSENCIAL
Meu livro Poesia Essencial é uma mistura de quatro livros. Quando morei em Madrid me propus escrever um livro que falasse das cidades e da casa, já que viajávamos muito e eu estava numa cidade estrangeira. Ficou muito bonito. Eu já tinha o Paredes Vazadas, Pássaros do Absurdo, e Caravana, inédito, que ganhou um concurso nacional de poesia, com muito prestígio , mas sem publicação. Mostrei o original As Cidades e a Casa para a Bia-Hetzel e Silvia Negreiros e elas quiseram ver outros trabalhos (para adultos) e quando leram tudo , decidiram fazer uma antologia dirigida pela Hebe Coimbra.
O livro, para nossa surpresa, recebeu resenhas lindas , foi muito bem acolhido e foi conquistando leitores desde a sua publicação em 2002. No ano passado ele entrou num projeto, o Portal do Saber e vendeu quase 500.000 exemplares que foram distribuidos para os alunos do Ensino Médio. Ele começou com uma capa verde, mas agora tem uma belíssima e discretíssima capa azul. Seus poemas possuem muita força e continuam impulsionando o livro como um vento bom.
CÁLICE
nem ao menos sei
se soletras meu nome
com a água da chuva
se misturas meu nome
às sombras que habitam
vez por outra
o teu coração
se derramas meu nome
no cálice da noite
como um cavalo que amoroso
com suas patas possuísse
a terra
in Poesia Essencial, ed. Manati
O livro, para nossa surpresa, recebeu resenhas lindas , foi muito bem acolhido e foi conquistando leitores desde a sua publicação em 2002. No ano passado ele entrou num projeto, o Portal do Saber e vendeu quase 500.000 exemplares que foram distribuidos para os alunos do Ensino Médio. Ele começou com uma capa verde, mas agora tem uma belíssima e discretíssima capa azul. Seus poemas possuem muita força e continuam impulsionando o livro como um vento bom.
CÁLICE
nem ao menos sei
se soletras meu nome
com a água da chuva
se misturas meu nome
às sombras que habitam
vez por outra
o teu coração
se derramas meu nome
no cálice da noite
como um cavalo que amoroso
com suas patas possuísse
a terra
in Poesia Essencial, ed. Manati
domingo, 2 de setembro de 2012
LUNA
Luna, minha gata, se mudou para a lavanderia, uma casinha que fica no fundo do quintal. Ela não gostava mais da casa, talvez porque já tenha 12 anos e a Nana, nossa outra gata, ainda criança, quer sempre brincar. Luna deu vários avisos: fazia xixi e cocô fora da caixinha, em vários lugares da casa e já não queria mais comer nem entrar em casa. Tive a idéia de arrumar um apartamentozinho para ela na lavanderia e deu certíssimo. Abri mão de uma esteira onde fazia ginástica que era o seu sonho de consumo e agora ela tem a esteira, um tapetinho em cima da esteira, a sua comida, água, e o banheirinho. A porta da lavanderia fica aberta e ela entra e sai quando quer. Fechamos quando anoitece e ela já está lá na sua cama esperando a porta ser fechada. Passa o dia no jardim , às vezes vem até aqui dentro visitar a casa e volta para a lavanderia. Agora come, está feliz, dá para notar. É uma gata-ermitã.
sábado, 1 de setembro de 2012
O LAGO E A LUA
Ontem a lua estava linda. O mar prateado. A igrejinha no alto do morro iluminada de azul. Um cenário onírico. Fazia frio e eu adoro o frio. Era bom.
O LAGO E A LUA
Na pele da água
do lago
onde a noite flutua
como um barco,
a Lua é tatuagem
de prata.
Se balança a Lua
feito um gato,
equilibrida num fio
de vento.
Vai e vem
vem e vai
cai não cai...
A Lua do firmamento.
in Caixinha de Música, ed. Manati
O LAGO E A LUA
Na pele da água
do lago
onde a noite flutua
como um barco,
a Lua é tatuagem
de prata.
Se balança a Lua
feito um gato,
equilibrida num fio
de vento.
Vai e vem
vem e vai
cai não cai...
A Lua do firmamento.
in Caixinha de Música, ed. Manati
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
ARCO-ÍRIS
Ao levantar bem cedinho para preparar o café da manhã encontro o jardim molhado. Durante a noite choveu, que maravilha, o jardim molhado falava comigo baixinho. Busco o jornal na caixa do correio. E na primeira página encontro uma foto linda do Rio com um imenso arco-íris. Diz o jornal que ontem houve uma chuva de arco-íris e recebo a imagem ao pé da letra e vejo as cores caindo do céu.
OURO NO FUNDO DO POTE
No final do arco-íris
brilha o ouro no fundo do pote.
Para alcançá-lo basta
caminhar sem rumo
em tardes de chuva e sol.
Basta olhar o céu
e deixar o pensamento
virar nuvem, água, estrela,
cavalo comendo relva
úmida e fresca
nos imensos campos da memória,
onde cada instante
vira ouro no fundo do pote.
in Poemas para Ler na Escola, ed. Objetiva
OURO NO FUNDO DO POTE
No final do arco-íris
brilha o ouro no fundo do pote.
Para alcançá-lo basta
caminhar sem rumo
em tardes de chuva e sol.
Basta olhar o céu
e deixar o pensamento
virar nuvem, água, estrela,
cavalo comendo relva
úmida e fresca
nos imensos campos da memória,
onde cada instante
vira ouro no fundo do pote.
in Poemas para Ler na Escola, ed. Objetiva
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
LÁ VEM O LUIS
Quando meu neto Luis nasceu fiz um livro para ele: Lá vem o Luis, que a ed. Leya publicou. Hoje o Luis faz 3 anos e ainda está em Granada. Mas lá vem o Luis morar no Brasil no final de setembro e realmente a minha felicidade é imensa. Perder o cotidiano do neto é muito triste . Eu o vejo pelo skype, maravilha, mas não posso sentir o seu cheiro, nem beijar, nem morder, nem apertar.
Lá vem o Luis pra vovó mimar, estragar e nem adianta reclamação de pai e de mãe. Coração de avó é uma cadeira de balanço! É bicicleta, é pipa no ar.
A rua onde o Luis mora em Granada termina numa pracinha cheia de crianças e brinquedos e ontem foi a festa do Luis. De manhã cedo ele já me contou tudo e tenho a sua voz tão linda em meus ouvidos.
Lá vem o Luis!
Luis dança o dia inteiro
toca cavaquinho ,
violão e pandeiro.
Do quarto para a sala,
lá vem o Luis de avião,
a lingua que fala
não cabe na boca,
é enrolada
feito macarrão.
Luis gosta do sol
e gosta da lua,
às vezes chora, às vezes ri
e sapateia e pula
quando quer ir
pro meio da rua.
Todos os dias
Luis descobre o mundo,
faz uma pirueta
bota as mãos na cabeça
e joga coloridos beijos.
in Lá Vem o Luis, ed. Leya
Lá vem o Luis pra vovó mimar, estragar e nem adianta reclamação de pai e de mãe. Coração de avó é uma cadeira de balanço! É bicicleta, é pipa no ar.
A rua onde o Luis mora em Granada termina numa pracinha cheia de crianças e brinquedos e ontem foi a festa do Luis. De manhã cedo ele já me contou tudo e tenho a sua voz tão linda em meus ouvidos.
Lá vem o Luis!
Luis dança o dia inteiro
toca cavaquinho ,
violão e pandeiro.
Do quarto para a sala,
lá vem o Luis de avião,
a lingua que fala
não cabe na boca,
é enrolada
feito macarrão.
Luis gosta do sol
e gosta da lua,
às vezes chora, às vezes ri
e sapateia e pula
quando quer ir
pro meio da rua.
Todos os dias
Luis descobre o mundo,
faz uma pirueta
bota as mãos na cabeça
e joga coloridos beijos.
in Lá Vem o Luis, ed. Leya
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
ESCOLA LITERÁRIA
Ontem vi um vídeo maravilhoso que me fez chorar: um israelense postou no facebook um vídeo que gravou no youtube onde se dirige aos iranianos para dizer que não tem nada contra eles, que nunca nenhum iraniano lhe fez nenhum mal , que não quer nenhuma guerra, que sente por eles apenas amor. E para sua surpresa, os iranianos responderam nos mesmos termos.
Sempre pensei que as mulheres, os artistas, os seres sensíveis deveriam decidir os problemas numa mesa de negociação. Não haveria guerra. Que mãe quer ver seu filho morto na guerra? As guerras existem para vender armas. Mas a paz é mais lucrativa, deveriam pensar nestes termos os senhores da guerra.E investir este dinheiro em arte e educação.
E leio hoje um artigo magnífico do escritor espanhol Gustavo Martin Garzo onde diz que as escolas teriam que ser literárias, seria uma mudança radical. Só a literatura nos conduz ao nosso centro. E o professor seria um contador de histórias, o condutor da aventura.
Transcrevo um pedaço, peço um esforço para que leiam em espanhol:
"...Por eso la escuela debe ser literaria y el maestro, antes que nada, alguien que cuenta cosas. Un maestro no necesita para esta tarea que los niños le entiendan, debe arreglárselas para que le sigan, para que vayan donde él va. Como el flautista de Hamelin, debe contagiar a los niños su felicidad y su arma para lograrlo son las palabras. No las palabras de las creencias, que le dicen al niño cómo debe pensar y vivir; sino las palabras libres del relato, que le animan a encontrar su propio camino. Sherezade encanta al sultán con sus historias y así logra salvar la vida; la Pequeña Cerillera ilumina el mundo con sus frágiles fósforos, y en un cuento de Las mil y una noches un muchacho ve cómo un grupo de ladrones hace abrirse la montaña donde guardan sus tesoros con una palabra. Las palabras de la escuela deben ser ese ¡ábrete Sésamo! capaz de abrir las piedras y llevar al niño a la cueva donde se guardan los tesoros del corazón humano. Pero también, como las llamas de la cerillera, deben ayudarle a ver el mundo. No sólo a ver mejor, sino a ver lo mejor, como quería Juan de Mairena.
Rainer Maria Rilke escribió que la verdadera patria del hombre es la infancia. Frente a la idea de la infancia como un mero estadio de transición hacia el estado adulto, el poeta alemán postula la autonomía radical de la infancia. Aún más, la ve como un estadio superior de la vida, como esa patria a la que antes o después es necesario volver. George Bataille dijo que la literatura es la infancia recuperada; George Braque, que cuando dejamos de ser niños estamos muertos; y J. M. Barrie, el autor de Peter Pan, que los dos años son el principio del fin. No se trata de que el niño no deba crecer, sino de valorarle por eso que es en sí mismo y que le hace ser soberano de un reino del que solo él tiene la llave.
Las palabras de la literatura hablan de esa patria perdida. Hacen vivir las preguntas, nos enseñan a ponernos en lugar de los demás y tienden puentes entre realidades separadas: el mundo del sueño y el mundo real, el de los vivos y los muertos, el de los animales y los hombres. Las palabras de la escuela deben seguir esta senda. ¿Cómo podría ponerse en contacto un maestro o una maestra, que son adultos, con un niño si no es con palabras así?
La educación debe tener un contenido romántico. Se educa al niño para decirle que en este mundo, por muy raro que pueda parecer, es posible la felicidad. Educar es ayudar al niño a encontrar lugares donde vivir, donde encontrarse con los otros y aprender a respetarles. Lugares, a la vez, de dicha y de compromiso. Donde ser felices y hacernos responsables de algo. Blancanieves huye al bosque, se encuentra con la casa de los enanitos y pasa a ser una más en su pequeña comunidad; Ricitos de oro, al utilizar los platos, sillas y camas de los osos se está preguntando sin saberlo por su lugar entre los otros. Una casa hecha para escuchar a los demás y estar pendiente de sus deseos y sueños, donde hacernos cargo incluso de lo que no entendemos, así deberían ser todas las escuelas."
Gustavo Martin Garzo
Sempre pensei que as mulheres, os artistas, os seres sensíveis deveriam decidir os problemas numa mesa de negociação. Não haveria guerra. Que mãe quer ver seu filho morto na guerra? As guerras existem para vender armas. Mas a paz é mais lucrativa, deveriam pensar nestes termos os senhores da guerra.E investir este dinheiro em arte e educação.
E leio hoje um artigo magnífico do escritor espanhol Gustavo Martin Garzo onde diz que as escolas teriam que ser literárias, seria uma mudança radical. Só a literatura nos conduz ao nosso centro. E o professor seria um contador de histórias, o condutor da aventura.
Transcrevo um pedaço, peço um esforço para que leiam em espanhol:
"...Por eso la escuela debe ser literaria y el maestro, antes que nada, alguien que cuenta cosas. Un maestro no necesita para esta tarea que los niños le entiendan, debe arreglárselas para que le sigan, para que vayan donde él va. Como el flautista de Hamelin, debe contagiar a los niños su felicidad y su arma para lograrlo son las palabras. No las palabras de las creencias, que le dicen al niño cómo debe pensar y vivir; sino las palabras libres del relato, que le animan a encontrar su propio camino. Sherezade encanta al sultán con sus historias y así logra salvar la vida; la Pequeña Cerillera ilumina el mundo con sus frágiles fósforos, y en un cuento de Las mil y una noches un muchacho ve cómo un grupo de ladrones hace abrirse la montaña donde guardan sus tesoros con una palabra. Las palabras de la escuela deben ser ese ¡ábrete Sésamo! capaz de abrir las piedras y llevar al niño a la cueva donde se guardan los tesoros del corazón humano. Pero también, como las llamas de la cerillera, deben ayudarle a ver el mundo. No sólo a ver mejor, sino a ver lo mejor, como quería Juan de Mairena.
Rainer Maria Rilke escribió que la verdadera patria del hombre es la infancia. Frente a la idea de la infancia como un mero estadio de transición hacia el estado adulto, el poeta alemán postula la autonomía radical de la infancia. Aún más, la ve como un estadio superior de la vida, como esa patria a la que antes o después es necesario volver. George Bataille dijo que la literatura es la infancia recuperada; George Braque, que cuando dejamos de ser niños estamos muertos; y J. M. Barrie, el autor de Peter Pan, que los dos años son el principio del fin. No se trata de que el niño no deba crecer, sino de valorarle por eso que es en sí mismo y que le hace ser soberano de un reino del que solo él tiene la llave.
Las palabras de la literatura hablan de esa patria perdida. Hacen vivir las preguntas, nos enseñan a ponernos en lugar de los demás y tienden puentes entre realidades separadas: el mundo del sueño y el mundo real, el de los vivos y los muertos, el de los animales y los hombres. Las palabras de la escuela deben seguir esta senda. ¿Cómo podría ponerse en contacto un maestro o una maestra, que son adultos, con un niño si no es con palabras así?
La educación debe tener un contenido romántico. Se educa al niño para decirle que en este mundo, por muy raro que pueda parecer, es posible la felicidad. Educar es ayudar al niño a encontrar lugares donde vivir, donde encontrarse con los otros y aprender a respetarles. Lugares, a la vez, de dicha y de compromiso. Donde ser felices y hacernos responsables de algo. Blancanieves huye al bosque, se encuentra con la casa de los enanitos y pasa a ser una más en su pequeña comunidad; Ricitos de oro, al utilizar los platos, sillas y camas de los osos se está preguntando sin saberlo por su lugar entre los otros. Una casa hecha para escuchar a los demás y estar pendiente de sus deseos y sueños, donde hacernos cargo incluso de lo que no entendemos, así deberían ser todas las escuelas."
Gustavo Martin Garzo
terça-feira, 28 de agosto de 2012
CHEGADA
Cheguei em Saquarema . São dois mundos tão diferentes que parece que fiz uma viagem interplanetária.
Aqui em Saquarema, mal chego o mar já assume o comando.
Foi maravilhoso estar alguns dias na montanha. Meus filhos precisavam de mim e eu precisava deles. Minha irmã dormiu uma noite na minha casinha junto com sua amiga de adolescência que é minha amiga também e que veio de Boston. Conversamos horas com o fogão de lenha aceso.
Li muito e escrevi muitos haicais. Pretendo publicar um terceiro livro destes pequenos e singelos poemas . São como vaga lumes.
Aqui em Saquarema, mal chego o mar já assume o comando.
Foi maravilhoso estar alguns dias na montanha. Meus filhos precisavam de mim e eu precisava deles. Minha irmã dormiu uma noite na minha casinha junto com sua amiga de adolescência que é minha amiga também e que veio de Boston. Conversamos horas com o fogão de lenha aceso.
Li muito e escrevi muitos haicais. Pretendo publicar um terceiro livro destes pequenos e singelos poemas . São como vaga lumes.
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
MONTANHA
Amanhã vou muito cedo para Visconde de Mauá. É longa a viagem, como diz minha neta Kira, dois ônibus e um carro. Decidi de um minuto para o outro, passou um vento e a mala já está aberta em cima da cama.
Em Mauá não tenho internet e na minha casinha nem o celular pega. Para falar com alguém preciso ir até o Babel Restaurante, do meu filho André e da minha nora Dani Keiko. O caminho da minha casinha até o Babel é completamente mágico. E perfumado. De vez em quando preciso ir, a montanha me chama.
Mas hoje vou ao encontro de crianças do Educandário do Bem aqui em Saquarema, uma ONG, dirigida pela Fátima, que faz arte com crianças. Jorge Vale está montando uma peça com meus poemas e quer me mostrar o que já foi feito. Será um lindo encontro, com certeza. Ele já fez uma belíssima montagem do meu livro Classificados Poéticos com estas mesmas crianças.
Ficarei alguns dias sem escrever aqui no blog. Volto no dia 28. Por favor, não me esqueçam!
Em Mauá não tenho internet e na minha casinha nem o celular pega. Para falar com alguém preciso ir até o Babel Restaurante, do meu filho André e da minha nora Dani Keiko. O caminho da minha casinha até o Babel é completamente mágico. E perfumado. De vez em quando preciso ir, a montanha me chama.
Mas hoje vou ao encontro de crianças do Educandário do Bem aqui em Saquarema, uma ONG, dirigida pela Fátima, que faz arte com crianças. Jorge Vale está montando uma peça com meus poemas e quer me mostrar o que já foi feito. Será um lindo encontro, com certeza. Ele já fez uma belíssima montagem do meu livro Classificados Poéticos com estas mesmas crianças.
Ficarei alguns dias sem escrever aqui no blog. Volto no dia 28. Por favor, não me esqueçam!
terça-feira, 21 de agosto de 2012
PRESENTE
Hoje recebo um presente tão imenso que precisaria de uma galáxia para guardá-lo. O poeta Salgado Maranhão escreveu sobre meu livro Diário da Montanha:
A poética de Roseana Murray flui tão genuinamente em sua harmonia verbal, que se instaura em nós como uma conversa iluminada.
Há nela uma densidade que não é de pedra nem de fúria, mas de brisa, porque porosa em nos aconchegar.
Neste seu Diário da Montanha, fala de pedras com palavras-nuvens; fala de vento com palavras-lume.
Desata os sentidos e as camadas por onde o mistério das coisas se oculta. Trata-se de uma poesia inaugural em que as costuras
conceituais não se exibem para denunciar citações. Sua voz sopra de uma paisagem sintática unicamente sua, como uma fonte que só para ela brotasse.
Daí a sua enorme aceitação junto ao leitor, semelhante aos ancestrais da sua família poética,
como Manoel Bandeira, Cecília Meirelles, Mário Quintana e Manoel de Barros.
Salgado Maranhão.
A poética de Roseana Murray flui tão genuinamente em sua harmonia verbal, que se instaura em nós como uma conversa iluminada.
Há nela uma densidade que não é de pedra nem de fúria, mas de brisa, porque porosa em nos aconchegar.
Neste seu Diário da Montanha, fala de pedras com palavras-nuvens; fala de vento com palavras-lume.
Desata os sentidos e as camadas por onde o mistério das coisas se oculta. Trata-se de uma poesia inaugural em que as costuras
conceituais não se exibem para denunciar citações. Sua voz sopra de uma paisagem sintática unicamente sua, como uma fonte que só para ela brotasse.
Daí a sua enorme aceitação junto ao leitor, semelhante aos ancestrais da sua família poética,
como Manoel Bandeira, Cecília Meirelles, Mário Quintana e Manoel de Barros.
Salgado Maranhão.
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
ABIDJAN
Por ter passado dois dias aqui em casa, meu ex cunhado Jesus me trouxe de volta Abidjan onde morava com a minha irmã no começo da década de 80 quando fui visitá-los. Sempre fui louca para ir a África e quando minha irmã foi morar na Costa do Marfim decidi fazer tudo o que estivesse ao meu alcance para ir. O apelo que sentia era grande demais. Vendi um colar de ouro, presente da minha mãe, peguei emprestado algum dinheiro com a minha tia e lá fui eu via Dakar. Já em Dakar, no aeroporto , o meu susto foi grande demais: as cores, os cheiros, a beleza estonteante de homens e mulheres.
Nosso avião para Abidjan era uma lata enferrujada toda amarrada com arame. Dentro do avião os africanos não paravam quietos, todos se levantavam e iam visitar alguém lá do outro lado. Mas chegamos são e salvos.
Ao sair do avião, uma lufada de ar quente foi como um soco e embaçou meus óculos. Era a umidade da floresta. Minha irmã me esperava com o Jesus. Já na saída do aeroporto compramos banana da terra frita em rodelas que se chama aloko, ainda me lembro, assim como me lembro do nome de um frango preparado com um molho incrível e servido com cuscuz: kedjenu. Banana socada no pilão ou o inhame também desmanchado no pilão e cozido era servido com molho de peixe e se chamava futu.
Minha irmã morava perto de um mercado e não há nada mais incrível do que um mercado africano com seus quilômetros de tecidos coloridos no chão . Caminhávamos muito e eu pensava: estou dentro de uma noite africana e a emoção era intensa.
Nesta época Abidjan era calma, não havia guerra, todas as dezenas de etnias com suas linguas conviviam em paz. E havia a lingua do mercado , o djula, que todos falavam. E depois veio a guerra civil, a mais tenebrosa invenção humana .
Nosso avião para Abidjan era uma lata enferrujada toda amarrada com arame. Dentro do avião os africanos não paravam quietos, todos se levantavam e iam visitar alguém lá do outro lado. Mas chegamos são e salvos.
Ao sair do avião, uma lufada de ar quente foi como um soco e embaçou meus óculos. Era a umidade da floresta. Minha irmã me esperava com o Jesus. Já na saída do aeroporto compramos banana da terra frita em rodelas que se chama aloko, ainda me lembro, assim como me lembro do nome de um frango preparado com um molho incrível e servido com cuscuz: kedjenu. Banana socada no pilão ou o inhame também desmanchado no pilão e cozido era servido com molho de peixe e se chamava futu.
Minha irmã morava perto de um mercado e não há nada mais incrível do que um mercado africano com seus quilômetros de tecidos coloridos no chão . Caminhávamos muito e eu pensava: estou dentro de uma noite africana e a emoção era intensa.
Nesta época Abidjan era calma, não havia guerra, todas as dezenas de etnias com suas linguas conviviam em paz. E havia a lingua do mercado , o djula, que todos falavam. E depois veio a guerra civil, a mais tenebrosa invenção humana .
domingo, 19 de agosto de 2012
AMIGOS
O final de semana foi para os amigos. Preparei ontem um arroz espanhol que se chama arroz caldoso, muito bom, com açafrão e frutos do mar. Hoje comemos o que sobrou de ontem mas fiz umas batatas ao forno absolutamente divinas. Celebramos o circuito do Salgado Maranhão , grande poeta, por 50 universidades americanas falando sobre a sua poesia. Salgado, premiadíssimo, nos enche de orgulho. E Jesus, meu ex cunhado, que não é ex, pois cunhado é para sempre, que dá um show de cultura e conhecimento me traz memórias antigas. Suas histórias são fantásticas. Ele me conta uma delas. Voltava para casa e no Flamengo viu uma jovem muito bem vestida sentada ao lado de um mendigo. Ficou esperando a jovem se levantar meio assustado e então lhe perguntou o que estava acontecendo, se ela precisava de alguma coisa, e ela respondeu: _Não, está tudo bem, eu apenas me sentei ao lado dele para ler um poema do Fernando Pessoa. Ele adorou. Faço isso às vezes.
Hoje passamos horas no jardim falando sobre a vida e me sinto grata, foi muito bom. Ele me aconselhou o livro "A Duas Vozes" de Octavio Paz e Hannah Arendt. Vou comprar agora. E o que ainda tenho de horas neste domingo, para ler e saborear uma justa preguiça.
Hoje passamos horas no jardim falando sobre a vida e me sinto grata, foi muito bom. Ele me aconselhou o livro "A Duas Vozes" de Octavio Paz e Hannah Arendt. Vou comprar agora. E o que ainda tenho de horas neste domingo, para ler e saborear uma justa preguiça.
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
A VOZ DE DENTRO
Recebi uma entrevista de um amigo psicanalista falando sobre a paternidade. Ele toca num tema doloroso: hoje os pais dão objetos para os filhos, ao invés de palavras.
Ele diz ainda que para ser pai e mãe precisamos nos "lembrar", o insconsciente sabe. Um dia , quando nascemos, fomos tocados, embalados, acariciados. Então ninguém precisa nos ensinar: sabemos.
E quem foi abandonado ao nascer ? Ao se transformar em pai e mãe terá que ouvir uma voz muito longinqua, será mais difícil lembrar. Mas não impossível. Guardamos nossa ancestralidade em nossa memória. Mas com todo o barulho reinante em nosso mundo, com o tempo tão acelerado, fica difícil ouvir a voz de dentro.
Hoje um arco-íris nascia do mar. A imagem maravilhosa ainda lateja em meu corpo.
Ele diz ainda que para ser pai e mãe precisamos nos "lembrar", o insconsciente sabe. Um dia , quando nascemos, fomos tocados, embalados, acariciados. Então ninguém precisa nos ensinar: sabemos.
E quem foi abandonado ao nascer ? Ao se transformar em pai e mãe terá que ouvir uma voz muito longinqua, será mais difícil lembrar. Mas não impossível. Guardamos nossa ancestralidade em nossa memória. Mas com todo o barulho reinante em nosso mundo, com o tempo tão acelerado, fica difícil ouvir a voz de dentro.
Hoje um arco-íris nascia do mar. A imagem maravilhosa ainda lateja em meu corpo.
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
DUAS CARTAS
Hoje falo sobre duas cartas que recebí. A primeira, de uma professora de Itabira me pede ajuda para trabalhar com poesia com suas crianças. Ela tem nas mãos meu livro Fábrica de Poesia, ed. Scipionne e eu pedi que me mandasse o poema que quer trabalhar. Ela me enviou cinco poemas e escolhi o Moinho de Palavras que reproduzi acima. Sugeri o seguinte exercício:
As crianças teriam nas mãos revistas coloridas. Elas recortariam apenas palavras. Depois, num papel elas colariam as palavras escolhidas e ao lado de cada palavra tentariam fabricar outras partindo da palavra original. Pode ser um jogo, quem fabricar mais palavras ganha.
A outra carta, também de Minas, da cidadezinha de Estiva, me pedia algumas palavras para seus alunos e um poema. Enviei a mensagem pedida e o poema e ela me mandou um agradecimento tão lindo que reproduzo aqui:
"Roseana estou muito emocionada não acredito que você me respondeu você é maravilhosa te adoramos ai Roseana quem sabe você consegue um espacinho em sua agenda e vem nos visitar vou estar te enviando algumas fotos de nosso festival de poesias nosso mural com sua fotos e poemas. Roseana gostaria muito de ter um livro de poemas seu autografado por você o que devo fazer para conseguir você é nossa inspiração e motivação e de muita alegria para nossos trabalhos e para essa geraçao de pequeninos maravilhosos que são nossas crianças te adoro muitooooooo! Roseana muito obrigada por ter me enviado seu poema essa mensage...m linda para meus alunos você é demais! Aguardo seu retorno qualquer coisa me de um endereço seu mandarei o livro que tenho de você para autografar ou você me manda e me manda um boleto com o valor do livro mas por favor não me deixe sem um livro seu sem ser autografado por você por favor atende o pedido de uma super fã sua! que Deus te aben çoe muito e que você tenha muita inspiraçao para continuar nos emocionando , alegrando com seus poemas maravilhosos e que você continue bem proxima de nós nos dando essa honra de estarmos proximas de uma pessoa iluminada e maravilhosa! Obrigada por tudo! Super abraços e muitos beijos de meus aluninhos les disseram que você é a melhor poetisa de todo o mundo eles estão apaixonados e entusiasmado por você mandar o poema para eles e mandar um recado muito lindo para eles! muitos beijos para você!"
As crianças teriam nas mãos revistas coloridas. Elas recortariam apenas palavras. Depois, num papel elas colariam as palavras escolhidas e ao lado de cada palavra tentariam fabricar outras partindo da palavra original. Pode ser um jogo, quem fabricar mais palavras ganha.
A outra carta, também de Minas, da cidadezinha de Estiva, me pedia algumas palavras para seus alunos e um poema. Enviei a mensagem pedida e o poema e ela me mandou um agradecimento tão lindo que reproduzo aqui:
"Roseana estou muito emocionada não acredito que você me respondeu você é maravilhosa te adoramos ai Roseana quem sabe você consegue um espacinho em sua agenda e vem nos visitar vou estar te enviando algumas fotos de nosso festival de poesias nosso mural com sua fotos e poemas. Roseana gostaria muito de ter um livro de poemas seu autografado por você o que devo fazer para conseguir você é nossa inspiração e motivação e de muita alegria para nossos trabalhos e para essa geraçao de pequeninos maravilhosos que são nossas crianças te adoro muitooooooo! Roseana muito obrigada por ter me enviado seu poema essa mensage...m linda para meus alunos você é demais! Aguardo seu retorno qualquer coisa me de um endereço seu mandarei o livro que tenho de você para autografar ou você me manda e me manda um boleto com o valor do livro mas por favor não me deixe sem um livro seu sem ser autografado por você por favor atende o pedido de uma super fã sua! que Deus te aben çoe muito e que você tenha muita inspiraçao para continuar nos emocionando , alegrando com seus poemas maravilhosos e que você continue bem proxima de nós nos dando essa honra de estarmos proximas de uma pessoa iluminada e maravilhosa! Obrigada por tudo! Super abraços e muitos beijos de meus aluninhos les disseram que você é a melhor poetisa de todo o mundo eles estão apaixonados e entusiasmado por você mandar o poema para eles e mandar um recado muito lindo para eles! muitos beijos para você!"
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
MÚSICA E CARTA DE UMA LEITORA
Hoje recebo uma carta lindíssima de uma leitora de Natal:
"Olá Roseana, sou natalense semana passada tive a imensa satisfação de te conhecer pessoalmente,já a conhecia um pouco através de seus lindos poemas e através do seu blog.
sou aquela que pediu para tirar uma foto sua qd parou ao meu lado no seminário prazer em ler. (Já mostrei a foto para muitos alunos)
trabalho como mediadora de leitura na Escola municipal Emmanuel Bezerra e amo muito o que faço! procuro passar para os alunos todo a minha paixão pela literatura.Essa escola foi uma das vencedoras no concurso Escolas de leitoras com seu projeto de leitura. Nossas principais ações: mediações(1 x por semana para cada turma) Empréstimos de livros, Cantinho de Leitura na hora do recreio, Concerto Literário( na rádio da escola, no momento cívico, nas reuniões de pais, eventos, qd os pais estão aguardando os toque para pegar seus filhos), Corredor Literário(exposição de novos acervos de livros), Aperitivo Literário(são textos espalhados pelo corredor de vários Gêneros Literários(no momento há dois poemas seus no corredor) É gratificante quando vejo algum aluno parar diante de um destes textos e depois me perguntar se a biblioteca possui o livro que foi extraído aquele texto ou outro do mesmo autor (comportamento leitor!)Ah, fazemos também, mensalmente, ações fora da escola como: leitura na feira livre, leitura para os que estão em abrigos de idosos, ou nas paradas de ônibus. É isso.
Um abraço Vera Lúcia"
E leio no Segundo Caderno do O Globo sobre todas as orquestras que estão sendo formadas pelo Brasil afora e seus efeitos maravilhosos, mágicos, na vidas das crianças e jovens envolvidos nos respectivos projetos, já que são muitos projetos diferentes. São crianças pobres, muitas vezes com problemas familiares dramáticos e o seu abandono seria o seu fim: a rua, o crime, as drogas. A música os reconduziu a um ninho de afeto. Música e poesia salvam vidas.
terça-feira, 14 de agosto de 2012
ARDOR GUERREIRO
Termino de ler pela quarta vez um livro que me emociona até a medula: Ardor Guerrero de Antonio Muñoz Molina por quem sou apaixonada. Acho que este livro não existe em português.
Ele narra, é uma memória pessoal, os catorze meses em que passou confinado no exército. A sua fragilidade, a insegurança, o terror, as injustiças que sofreu, as humilhações, as amizades, a violência sempre prestes a explodir.A estrutura absurda daquele universo irreal, paralelo, onde as leis do mundo do lado de fora não vigoram. A arbitrariedade dos superiores.
Eu me identifico tanto, eu viro aquele menino-quase-homem que ainda não é escritor mas sabe que quer escrever. Como ele eu também quando menina nunca gostei de esportes, meu refúgio eram os livros. Para aguentar as horas em que tinha que passar no pátio, imóvel, em formação, ele decorava poemas do Borges e recitava para dentro.
Penso que um eco da estrutura militar ressoa nas escolas. A campainha estridente. Por que ? Não poderiam dividir o tempo com música? Com um poema ? Aquela campainha destrói qualquer harmonia interior.
Os uniformes. Acho que cada criança deveria pintar os seu uniforme para que ele deixasse de ser... uniforme e fosse único. Cada aluno deveria "enlouquecer" o seu unifrome.Um aluno sentado atrás do outro, José Pacheco, o fundador da Escola da Ponte em Portugal,em sua palestra falou sobre isso, o que o aluno vê é a nuca do outro. E isso faria melhorar o aprendizado? Acho que sim. A mente fica alerta quando cria, quando pensa.
Transformar as escolas em ambientes não agressivos, acolhedores onde cada aluno e aluna se sinta único(a) e criativo(a) é um sonho possível. Então uma escola não lembrará um quartel.
Ele narra, é uma memória pessoal, os catorze meses em que passou confinado no exército. A sua fragilidade, a insegurança, o terror, as injustiças que sofreu, as humilhações, as amizades, a violência sempre prestes a explodir.A estrutura absurda daquele universo irreal, paralelo, onde as leis do mundo do lado de fora não vigoram. A arbitrariedade dos superiores.
Eu me identifico tanto, eu viro aquele menino-quase-homem que ainda não é escritor mas sabe que quer escrever. Como ele eu também quando menina nunca gostei de esportes, meu refúgio eram os livros. Para aguentar as horas em que tinha que passar no pátio, imóvel, em formação, ele decorava poemas do Borges e recitava para dentro.
Penso que um eco da estrutura militar ressoa nas escolas. A campainha estridente. Por que ? Não poderiam dividir o tempo com música? Com um poema ? Aquela campainha destrói qualquer harmonia interior.
Os uniformes. Acho que cada criança deveria pintar os seu uniforme para que ele deixasse de ser... uniforme e fosse único. Cada aluno deveria "enlouquecer" o seu unifrome.Um aluno sentado atrás do outro, José Pacheco, o fundador da Escola da Ponte em Portugal,em sua palestra falou sobre isso, o que o aluno vê é a nuca do outro. E isso faria melhorar o aprendizado? Acho que sim. A mente fica alerta quando cria, quando pensa.
Transformar as escolas em ambientes não agressivos, acolhedores onde cada aluno e aluna se sinta único(a) e criativo(a) é um sonho possível. Então uma escola não lembrará um quartel.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
SUBSTÂNCIA
Somos humanos . Precisamos trocar, tocar, abraçar o outro. É no espelho dos olhos do outro que nos vemos, é no som da sua voz que afinamos as nossas cordas vocais, a nossa harpa. Sem um outro humano que confirme a minha existência, perco minha substância :
SUBSTÂNCIA
Dividirmos isso:
essa substância humana
esse líquido que habita
nossos ossos
como se divide um pão
o sol e a sombra
no mesmo prato
como se divide uma alucinação
no deserto
os sonhos boiando num fio
de água
como se divide a água
a noite e o dia no mesmo leito
como se divide o ar
in Pássaros do Absurdo, ed. Tchê, 1990
SUBSTÂNCIA
Dividirmos isso:
essa substância humana
esse líquido que habita
nossos ossos
como se divide um pão
o sol e a sombra
no mesmo prato
como se divide uma alucinação
no deserto
os sonhos boiando num fio
de água
como se divide a água
a noite e o dia no mesmo leito
como se divide o ar
in Pássaros do Absurdo, ed. Tchê, 1990
domingo, 12 de agosto de 2012
A VOZ DA POESIA
Hoje, no café da manhã, lendo o jornal O Globo, no meio das habituais notícias terríveis que nos chegam de todos os lados, encontro uma clareira mágica : um artigo belíssimo do Affonso Romano de Sant"anna sobre poesia e silêncio. Seu artigo é poesia em estado puro, labareda e deveria ocupar a primeira página inteira do jornal, deveria ser leitura obrigatória em todas as escolas, repartições públicas, supermercados, em todos os lugares onde as pessoas circulassem.
Affonso nos diz: " A poesia exige um silêncio abismal. E isto pode levar à vertigem.
Ou: A poesia é quando se está à beira de si mesmo."
E no final do artigo nos diz: "Repito: poesia exige um silêncio abismal.
Ler, escrever ou ouvir poesia é abismar-se."
Indico, por favor, a leitura do artigo completo para que o domingo adquira outro significado. E agradeço.
Affonso nos diz: " A poesia exige um silêncio abismal. E isto pode levar à vertigem.
Ou: A poesia é quando se está à beira de si mesmo."
E no final do artigo nos diz: "Repito: poesia exige um silêncio abismal.
Ler, escrever ou ouvir poesia é abismar-se."
Indico, por favor, a leitura do artigo completo para que o domingo adquira outro significado. E agradeço.
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
CASA DE SABERES
Ontem de manhã, em Natal, fui até a Casa de Saberes E.E Hegésippo Reis. A escola é uma casinha muito fofa, a sala de leitura é super acolhedora, adorável, mas o que acontece lá dentro é que faz toda a diferença. Ao chegar me encontrei com crianças que são agentes de leitura. Eles possuem uma mala cheia de livros e uma vez por mês visitam uma família com um bule mágico para chá de chocolate e abrem a mala, contam histórias. A mala fica na casa da família até o próximo chá em outra casa.
Eles também levam uma caixa de livros para locais públicos do bairro, supermercados, farmácias, açougues e fazem performances, lendo alguns livros, o bairro então é chamado de Bairro Leitor.
Na Sala de Leitura acontecem muitas coisas :Concursos, Piqueniques Literários, Formação de Crianças, Jovens e Adultos Mediadores e Mediadoras de Leitura, etc. As salas de aula também são diferentes, são oficinas e as crianças vão trocando de sala: oficina de números, oficina de linguagem...
Em cada mês é trabalhado um valor, por exemplo, em agosto , este mês, estão trabalhando a solidariedade.
Como a escola só vai até a quinta série, os ex alunos que quiserem podem trabalhar como voluntários na escola e encontrei alguns com o lindo avental de agentes de leitura.
Como a comunidade está inteiramente envolvida com a escola, todos amam a escola.
As crianças definem e desenvolvem junto com os professores temas de estudo e pesquisa.
Fiquei muito emocionada com a bela apresentação das crianças .Elas me entregaram uma carta onde me contam a leitura incrível que fizeram dos meus poemas e como meus poemas agiram neles.
Claudia, que foi quem me levou para Natal (ela passou sete meses na Escola da Ponte em Portugal ), me conta que Natal tem 180 Escolas Leitoras, cada uma com seus projetos de leitura.
QUE MARAVILHA!!!
Eles também levam uma caixa de livros para locais públicos do bairro, supermercados, farmácias, açougues e fazem performances, lendo alguns livros, o bairro então é chamado de Bairro Leitor.
Na Sala de Leitura acontecem muitas coisas :Concursos, Piqueniques Literários, Formação de Crianças, Jovens e Adultos Mediadores e Mediadoras de Leitura, etc. As salas de aula também são diferentes, são oficinas e as crianças vão trocando de sala: oficina de números, oficina de linguagem...
Em cada mês é trabalhado um valor, por exemplo, em agosto , este mês, estão trabalhando a solidariedade.
Como a escola só vai até a quinta série, os ex alunos que quiserem podem trabalhar como voluntários na escola e encontrei alguns com o lindo avental de agentes de leitura.
Como a comunidade está inteiramente envolvida com a escola, todos amam a escola.
As crianças definem e desenvolvem junto com os professores temas de estudo e pesquisa.
Fiquei muito emocionada com a bela apresentação das crianças .Elas me entregaram uma carta onde me contam a leitura incrível que fizeram dos meus poemas e como meus poemas agiram neles.
Claudia, que foi quem me levou para Natal (ela passou sete meses na Escola da Ponte em Portugal ), me conta que Natal tem 180 Escolas Leitoras, cada uma com seus projetos de leitura.
QUE MARAVILHA!!!
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
ENCONTRO
Ontem foi belíssimo o meu encontro com a platéia pela manhã. Houve um entendimento total. A energia era linda. Falei de vida, leitura, poesia, formação de leitores. Depois autografei uns 300 livros, nunca passei por nada igual.Recebí toneladas de amor.
Estou com uma gripe horrível, muito forte, febril e não me sinto nada bem. Com todo este mar nordestino na minha frente, ficarei deitada num quarto de hotel em Natal! Mas acontece.
Almoçarei com a minha sobrinha e irei conhecer a sua casa.
Estou com uma gripe horrível, muito forte, febril e não me sinto nada bem. Com todo este mar nordestino na minha frente, ficarei deitada num quarto de hotel em Natal! Mas acontece.
Almoçarei com a minha sobrinha e irei conhecer a sua casa.
terça-feira, 7 de agosto de 2012
NATAL
Cheguei a Natal ontem às 14hs e a temperatura amena, o perfume do nordeste, o sotaque cantante já me abraçaram.
Da janela do meu quarto tenho uma vista esplêndida:o mar e um belo casario entrecortado por arranha-céus .
Jantamos num restaurante chamado Camarões, o nome já diz tudo, com o pessoal do Seminário que é financiado pela C&A. Estava presente uma psicanalista, ainda não sei o que faz no Seminário e a coincidência: ela tem casa em Saquaremna e vai todois os fins de semana .Ao meu lado estava sentada Lucília Helena do Carmo Garcez que mora em Brasília, é escritora e tb tem um Clube de Leitura. Passamos horas falando de livros. Conheci José de Castro, mineiro que vive aqui desde a década de 80. E outra escritora, Salizete, minha leitora apaixonada . Estava presente um silencioso Senhor José que trabalhou 35 anos na Escola da Ponte em Portugal e vai abrir uma Escola da Ponte no Brasil.
Agora pela manhã é a minha fala. Depois conto. Torçam por mim.
Da janela do meu quarto tenho uma vista esplêndida:o mar e um belo casario entrecortado por arranha-céus .
Jantamos num restaurante chamado Camarões, o nome já diz tudo, com o pessoal do Seminário que é financiado pela C&A. Estava presente uma psicanalista, ainda não sei o que faz no Seminário e a coincidência: ela tem casa em Saquaremna e vai todois os fins de semana .Ao meu lado estava sentada Lucília Helena do Carmo Garcez que mora em Brasília, é escritora e tb tem um Clube de Leitura. Passamos horas falando de livros. Conheci José de Castro, mineiro que vive aqui desde a década de 80. E outra escritora, Salizete, minha leitora apaixonada . Estava presente um silencioso Senhor José que trabalhou 35 anos na Escola da Ponte em Portugal e vai abrir uma Escola da Ponte no Brasil.
Agora pela manhã é a minha fala. Depois conto. Torçam por mim.
domingo, 5 de agosto de 2012
DOMINGO
Já arrumei a mala para Natal. Levo alguns exemplares do Diário da Montanha, meu novo livro, já que terei um encontro com leitores e um momento de autógrafos. Se alguém quiser o livro terei para vender, se for permitido. Afinal desisti do meu conceito de mala pequena pois só os livros ocupam mais de metade da mala e contra os meus próprios princípios levo uma mala grande.
Hoje li uma entrevista maravilhosa na Revista de Domindo do O Globo com um menino de 19 anos que levou um projeto de bibliotecas para a Ilha de Marajó em Belém . O projeto se chama Casas de Papel, que é um nome lindíssimo. Os efeitos, os desdobramentos ,as consequencias maravilhosas do projeto fazem a gente acreditar na humanidade. Ele se chama Luti e é um exemplo magnífico. Para aitudes assim tão belas não há contra indicação.
Escreverei de Natal.
Hoje li uma entrevista maravilhosa na Revista de Domindo do O Globo com um menino de 19 anos que levou um projeto de bibliotecas para a Ilha de Marajó em Belém . O projeto se chama Casas de Papel, que é um nome lindíssimo. Os efeitos, os desdobramentos ,as consequencias maravilhosas do projeto fazem a gente acreditar na humanidade. Ele se chama Luti e é um exemplo magnífico. Para aitudes assim tão belas não há contra indicação.
Escreverei de Natal.
sábado, 4 de agosto de 2012
NATAL
Segunda-feira vou para Natal . Participarei do Sexto Seminário Potiguar Prazer em Ler.
Vou falar no dia 7 às 8:30hs da manhã sobre Livros, Poesia e Formação de Leitores no Centro Aluízio Alves - CEMURE.
A minha felicidade é tamanha que não cabe nesta página. Eu amo o nordeste, sua luz e seu vento, suas pessoas, suas comidas. Além disso vou ver minha sobrinha Julia que agora mora em Natal.
Fui a Natal na década de 90 por duas vezes, uma vez me hoispedei na casa de uma pessoa maravilhosa, a dona de uma livraria, não lembro seu nome e ela me levou até Pipa e me recebeu como uma flor delicada. Outra vez com o Proler e eu e José Mauro Brant ficamos mais um dia para passear, foi maravilhoso, inesquecível. Andamos de jipe pelas dunas.Sou nordestina de coração.
Vou falar no dia 7 às 8:30hs da manhã sobre Livros, Poesia e Formação de Leitores no Centro Aluízio Alves - CEMURE.
A minha felicidade é tamanha que não cabe nesta página. Eu amo o nordeste, sua luz e seu vento, suas pessoas, suas comidas. Além disso vou ver minha sobrinha Julia que agora mora em Natal.
Fui a Natal na década de 90 por duas vezes, uma vez me hoispedei na casa de uma pessoa maravilhosa, a dona de uma livraria, não lembro seu nome e ela me levou até Pipa e me recebeu como uma flor delicada. Outra vez com o Proler e eu e José Mauro Brant ficamos mais um dia para passear, foi maravilhoso, inesquecível. Andamos de jipe pelas dunas.Sou nordestina de coração.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
LINGUAGEM
Em setembro vou para o Recife falar sobre leitura e fui presenteada com um título lindo para a minha fala:
"Os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo"
Quero partir de um poema inédito. E do que diz o filósofo espanhol Savater: a diferença entre um pobre e um rico está no número de palavras que eles possuem.
Quanto menos palavras possuo menos posso entender o mundo. Não posso me defender.
LINGUAGEM
Como nasceu a primeira palavra,
de um rio que corria
dentro da garganta?
veio antes ou junto do gesto,
de que linhagem,
das estrelas, dos caramujos,
de um susto ou de um eclipse
veio a linguagem?
Para dizer o indizível, caçada,
amor, vida, morte, nascimento?
Para nomear tudo o que existe,
o que já existiu,
o que ainda existirá,
assim nasceu a palavra?
Se digo árvore não preciso carregar
a própria árvore debaixo do braço
e também digo a sua sombra,
seus frutos, raízes e o pássaro azul
que faz ninho em seus galhos
e voa sobre a página em que escrevo
e pousa no teu olhar.
"Os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo"
Quero partir de um poema inédito. E do que diz o filósofo espanhol Savater: a diferença entre um pobre e um rico está no número de palavras que eles possuem.
Quanto menos palavras possuo menos posso entender o mundo. Não posso me defender.
LINGUAGEM
Como nasceu a primeira palavra,
de um rio que corria
dentro da garganta?
veio antes ou junto do gesto,
de que linhagem,
das estrelas, dos caramujos,
de um susto ou de um eclipse
veio a linguagem?
Para dizer o indizível, caçada,
amor, vida, morte, nascimento?
Para nomear tudo o que existe,
o que já existiu,
o que ainda existirá,
assim nasceu a palavra?
Se digo árvore não preciso carregar
a própria árvore debaixo do braço
e também digo a sua sombra,
seus frutos, raízes e o pássaro azul
que faz ninho em seus galhos
e voa sobre a página em que escrevo
e pousa no teu olhar.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
ESTRADA
Não gosto de falar de política aqui. Mas torço para que a partir de hoje com o julgamento do Mensalão, o Brasil escolha um novo caminho. Todos nós, brasileiros de bem, que trabalhamos e pagamos nossos impostos e vemos estarrecidos a situação de tantas coisas, o que se poderia fazer com todo o dinheiro desviado, escolas, hospitais, trens, bibliotecas,gostaríamos de ver poderosos corruptos sendo punidos. Acho que o julgamento do Mensalão toca a cada um de nós, porque escolheremos o Brasil em que vamos viver. Se dinheiro público, que deve ser sagrado, é usado sem nenhuma cerimônia para outros fins que não sejam o do bem estar da população, as próximas gerações receberão um cheque em branco para o roubo e o cinismo.
Torço por um julgamento onde culpados sejam punidos.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
PROFESSORA FABRÍCIA
Recebo um pacote de cartas dos alunos da Professora Fabrícia da escola Casinha Feliz de Bom Jesus da Lapa. As crianças me escrevem cartas lindas, algumas com fotos. E Fabrícia, a professora, me escreve uma carta onde conta que seus alunos se apaixonaram pelo meu conto "Sete Sonhos e Um Amigo" de tal maneira, que não querem mais parar de ler, o livro os deixou transtornados. Um aluno chegou a me dizer que eu teria que ir até lá conhecê-los já que fui eu que criei o livro que fez com que eles se apaixonassem por livros!
Dia 6 vou para Natal falar sobre leitura e tenho mais esta bela história para contar.
Hoje muito cedinho o mar estava todo rosa e vi golfinhos!
terça-feira, 31 de julho de 2012
PERGAMINHO DE MEMÓRIAS
Meu filho Guga que voltará para o Brasil em setembro depois de oito anos vivendo na Espanha, me telefona hoje de manhã:
_Mãe, achei a escola pro Luis.
A família viverá em Resende onde Guga fará uma Escola de Música.
A escola se chama Artes e Manhas e fica ao lado de onde vai morar. Tem capoeira, judô, aula de espanhol, belo espaço físico,e, milagres da tecnologia, ele conversou com a diretora enquanto falava comigo pelo skype e foi muito bem recebido.
Luis começa as aulas dia 24 de setembro e entrará na escola sem falar português. Mas certamente aprenderá em uma semana, já que entende tudo.Patrícia, minha nora, oferecerá aulas de flamenco para as crianças.
Não parece verdade que terei meu neto perto de mim. E a escola tem todo mês o Dia das Avós que deveria ser matéria obrigatória em todas as escolas. As avós são um pergaminho de memórias e já me vejo contando histórias para a turma do Luis.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
MOMENTO
Uma fotografia do momento:
Da minha mesa que dá para as montanhas ouço o mar rugir atrás de mim. A casa vibra, quase balança, me sinto em alto-mar. Bastaria um par de velas e a casa se transformaria em barco. Um sudoeste envolve o cenário.
Nana, minha gata, dorme em cima de uma cadeira dourada, herança da minha mãe, é a sua última paixão. Escuto Cazuza e cachorros latem na casa ao lado.
domingo, 29 de julho de 2012
JORGE AMADO EM PRAGA
Hoje o jornal O GLOBO publica um lindo caderno sobre Jorge Amado que faria 100 anos dia 10 de agosto.
É impressionante como antes da internet, antes da globalização, Jorge Amado já levava o Brasil para o mundo.
Em 2001 fui a Praga. Fiquei hospedada num apartamento num prédio incrível, na frente da Ponte Carlos. A dona do apartamento se chamava Zdena e ficamos amigas. Ela alugava o apartamento e nós o encontramos por acaso. Era aconchegante, maravilhoso, queria ter ficado aí por alguns meses, mas infelizmente só tinhamos uma semana. Zdena falava um inglês horroroso, como o meu, mas nos entendemos maravilhosamente. Ela me contou que o prédio era muito antigo, talvez do ano 1200 e tinha uma passagem subterrânea que levava ao Castelo. Ela me contou que o prédio era da sua sogra e que o devolveram quando mudou o regime.
No dia da nossa partida finalmente ela me convidou para ir até a sua casa e ela já tinha internet, pude mostrar meu site. O seu escritório tinha uma estante cheia de livros e ela foi até a estante , retirou um volume e me mostrou: Jorge Amado. Era um livro bem antigo e gasto. Ela também me presenteou com um livro de um amado poeta tcheco de nome impronunciável.
Logo depois Roger Mello iria a Praga, acho que era no ano seguinte. Então consegui uma tradutora através do Consulado, paguei a tradução do meu livro Tantos Medos e Outras Coragens e Roger levou para Zdena.
Depois nos perdemos. Que pena.Tentei muitas vezes encontrá-la. Em vão.
sábado, 28 de julho de 2012
UM DIA ESPECIAL
Hoje eu e Juan fazemos 12 anos de casamento. Em 1994, ao ir para a Europa para receber meu prêmio, entrar na lista de honra do I.B.B.Y, no aeroporto Tom Jobim sentei ao lado de um homem. Começamos a conversar. Ele era jornalista , o fundador do caderno Babelia, do El País. Falei que era poeta e que ia a Sevilha. Ele me perguntou se eu passaria por Madrid. Respondi que sim, ficaria 3 dias em Madrid. Ele me convidou para conhecer o seu jornal e levar algum livro de poesia, quem sabe ele pudesse publicar algum poema . Fui ao seu jornal com uma amiga. Fiquei muito impactada com a sua cultura, a sua força. De lá fui para Paris e lhe mandei um cartão agradecendo a acolhida. Recebi um exemplar do jornal, em um atigo ele havia publicado um pedaço de um poema do livro Classificados Poéticos. Começamos a trocar poemas , numa longa correspondência . Ele se apaixonou pela minha poesia.
Em 1997 ele veio ao Brasil para me ver. Em 1998 fui morar com ele em Madrid. Em 1999 viemos para o Brasil, ele já como correspondente. Em 2000, no dia 28 de julho, nos casamos num cartório no Estácio, no Rio de Janeiro. Chegamos no cartório e havia uma fila de gente bem simples esparramada pela rua. Com suas melhores roupas. Os meus filhos foram nossos padrinhos. O Juiz nos casou em segundos, não fez nenhum discurso , acho que ele estava com muita pressa.
Nunca nestes 12 anos comemoramos a data, quase nunca nos lembrávamos. Mas este ano tenho vontade de comemorar. De relembrar as 1001 viagens que fizemos juntos, os livros que publicamos, as árvores que plantamos, só não fizemos filhos porque eu já não podia mais.Passamos o dia inteiro juntos, trabalhamos no mesmo espaço, eu leio o que ele escreve, ele também lê o que escrevo.
Um almoço só para nós dois, uma bela pasta italiana,pão fresco feito em casa, vinho espanhol.Comemorar o milagre de estarmos vivos e apaixonados.
sexta-feira, 27 de julho de 2012
A AVENTURA DO CONTO PERDIDO
Estou escrevendo um livro de contos. Já tenho 50 páginas. Assim como escrever poesia para mim é simples como respirar, a poesia é o sangue que corre em minhas veias, escrever ficção é outra história. Primeiro preciso inventar uma história e as pessoas precisam acreditar nela. Depois tenho que encontrar a escrita para a história. É bastante complicado quando não nascemos com este talento. Mas vou mastigando pedras e acabo conseguindo. Pois bem, estava rearrumando os contos, mudando alguns de lugar, quando o conto que eu estava querendo trocar de lugar, simplesmente desapareceu, ficou invisível. Sumiu. Eu não tinha cópia. Isso aconteceu quando estava em Mauá.Revirei o computador pelo lado do avesso e não encontrei meu conto. Voltei para Saquarema com o conto desaparecido ocupando um lugar imenso dentro de mim. Ele assumiu a forma de uma tristeza difusa. O Valdinei, o menino que me ajuda nas horas cruciais estava viajando e só voltou ontem. Ele também virou e revirou o computador, espremeu, quase fez um suco de letras e ... achou o conto bem escondidinho num desvão , atrás de alguma escada.
O alívio, a felicidade, eu jamais conseguiria escrever meu conto outra vez!
Ah, diria a minha avó, habitante das estrelas, isso não aconteceria se você fizesse cópias...
quinta-feira, 26 de julho de 2012
NA CASA DO MEU IRMÃO
Ontem fui ao Rio e dormi na casa do meu irmão.
Somos meio-irmãos, já que ele é filho de outra mãe, que morreu muito antes do meu nascimento.
Mas nosso amor é antigo, quando eu nasci ele já estava lá e nosso amor não é um meio-amor, é um amor inteiro.
Ele sempre se engana e me chama pelo nome da sua filha.
Quando nos juntamos sempre falamos do nosso pai. Meu filho André se parece com meu pai e com ele.
Ontem ele não estava, mas minha cunhada me recebeu com um banquete, como faz sempre e tomamos um proseco juntas, só nós duas, para celebrar a vida, a saudade. Falamos do passado, dos filhos, dos netos. Sempre me lembro dela cozinhando e meu irmão sempre me diz: _ Ela gosta muito de você, ela só cozinha para quem gosta.
Voltei bem cedo. Gosto de passar pelas fazendas que margeiam a estrada. A luz era linda e há um túnel verde de árvores entrelaçadas em certo trecho da estrada que produz uma emoção intensa.Juan me esperava na esquina.
Pequenas felicidades tecem a vida.
quarta-feira, 25 de julho de 2012
EMBARQUE E DESEMBARQUE
Recebi muitas mensagens pelo meu texto de ontem aqui no blog. Todos me pedem que eu não desembarque.
Eunice da Silva Rosado me escreve:
"Roseana, li o texto de hoje no seu blog e queria te dizer que não desembarque não! As escolas precisam e devem oferecer momentos de sensibilidade, emoção, solidariedade, beleza aos alunos, porque violência eles já têm de sobra, às vezes até em casa.
Seus poemas são verdadeiros oásis! Não desanime!!!!"
Claro que não vou desembarcar nem vou desistir. Era só um desabafo diante de uma carnificina. Pelo contrário, embarco todos os dias num barco iluminado que é a vida.
Escrevo todos os dias e acredito fervorosamente que a violência pode ser neutralizada com beleza, eu ia escrever combatida, mas combate vem de guerra e se repararmos bem a nossa linguagem está cheia de palavras que nos remetem à guerra!
Acredito na bondade, solidariedade, delicadeza, poesia, beleza. Acredito que podemos transformar o lugar em que vivemos com gestos simples.Com amor.
Acredito no amor e na compaixão.
terça-feira, 24 de julho de 2012
NO ESCURINHO DO CINEMA
Jabor escreve hoje no O Globo uma crônica maravilhosa, imperdível, sobre o massacre no cinema, na estréia do filme Batman, nos Estados Unidos.
Os jovens replicam na realidade o que lhes é oferecido em doses cavalares em seu cotidiano: violência gratuita. Nos filmes, nos jogos, nas relações interpessoais.
A sociedade é absolutamente responsável pelos monstros que alimenta. O escurinho do cinema foi construido para sonhar e namorar, para refletir,para voar de olhos bem abertos. Banalizar a violência é perigoso e desemboca em toneladas de insensibilidade, frieza, sadismo, ruelas cheias de cadáveres, a eliminação do diferente, campos de extermínio.
Não dá para desembarcar do mundo, mas algumas atitudes simples melhorariam o mundo: a eliminação das armas, a eliminação dos filmes e jogos com violência gratuita.Sabemos que o cérebro é plástico e pode ser modificado com simples pensamentos, imaginem com toda esta exposição à violência. Claro que estes desejos são irrealizáveis , são utopia. Então , por favor, parem o mundo. Eu quero desembarcar.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
MINHA VIDA COM MAMÃE
Angela, leitora do nosso Clube de Leitura, me trouxe de presente o livro "Minha Vida com Mamãe" de Bety Orsini. Ela me disse : "você vai adorar".
Ontem meu filho André me ligou e disse :"Mãe, você está fazendo muita falta". Estive sete dias na minha casinha em Visconde de Mauá e todos os dias passávamos algumas horas juntos em sua casa, no Babel Restaurante. Ontem falei pelo skype com meu filho Guga , que mora em Granada. Todos os dias preciso falar com meus filhos. Todos os meus pensamentos são para eles.
Bety Orsini escreve crônicas deliciosas do seu cotidiano com a mãe. E me traz a minha mãe de volta e também a mãe que eu sou. Ela nos diz algo tão simples: as mães não são eternas, elas são mortais e enquanto existem devemos todos os dias falar com elas do nosso amor por elas, já que o amor delas é como o universo, não dá para medir.
A imagem mais forte que o livro me traz, é a imagem da minha própria mãe, é dela me esperando em seu apartamento em Teresópolis, já terminal, toda vestidinha no sofá, com a sua melhor roupa, me esperando feliz, com seus 40 quilos , e a primeira coisa que ela me dizia: "Roseana,que saudade, você está tão bonita".
E de súbito eu a vejo na minha infância trabalhando todos os dias e horas e minutos para que nós pudessemos estudar, para que tivessemos uma vida digna, ela comia em pé muitas vezes para não perder nem um segundo do seu precioso tempo. Eu me sentia abandonada, triste, cuidada por mãos estranhas, mas hoje entendo que ela só queria que estudassemos numa boa escola, que pudessemos comprar livros, fazer um curso de dança ou de música e o dinheiro da casa era tão pouco, ela fazia verdadeiros milagres.
Porque não falei mais vezes que a amava?
Quem ainda tem a sua mãe bem viva, que corra hoje para abraçá-la.Pois as mães , por um erro terrível da natureza, embora imortais dentro da gente, são mortais .
domingo, 22 de julho de 2012
LUZ
A luz de Saquarema nesta época do ano é quase líquida, se mistura com o mar e a lagoa e transtorna nossos sentidos.
Da minha janela vejo as montanhas distantes com uma nitidez imensa como se pudesse alcançá-las com a mão.
Todos sairam para caminhar,o barulho do mar embrulha a casa.
Já alimentei os jabutis e coloquei frutas nas árvores para os passarinhos. Minhas primeiras tarefas.
Hoje começo a colocar a correspondência em dia, sete dias sem internet e é uma avalanche prestes a despencar em cima de mim, mensagens e mais mensagens.
Hoje vivemos em uma teia, a rede que mergulhamos no mundo nunca volta vazia e é como colocar frutas para os pássaros, há que alimentar os que estão em nossa rede com palavras.
sábado, 21 de julho de 2012
CLUBE DE LEITURA DA CASA AMARELA
Cheguei de Visconde de Mauá ontem para o almoço . Passei sete dias na minha casinha dentro da mata, como todos sabem, sem nenhuma tecnologia.
Havia convidados na casa aqui em Saquarema, nem pude abrir a internet. E hoje já seria o nosso encontro do Clube de Leitura da Casa Amarela.
Salvador, meu amigo ermitão, que mora bem acima do nosso sítio, veio comigo pois ontem foi o aniversário do Juan. Eles são muito amigos.
E o nosso encontro de hoje foi na casa rural de um dos membros do clube. Lugar magnífico com anfitriões magníficos.
Nosso encontro foi debaixo de uma mangueira imensa, na beira da lagoa, entre pavões e galinhas d'angola. Estavam todos, menos a Cris que não conseguiu vir do Rio.Mas outros vieram , Dr. Messias, Kátia, Angela, Leila, Felipe e a namorada, Andrea. Vieram do Rio para o nosso encontro e isso me comove muito.E o pessoal daqui de Saquarema, Flora, Hector, Francisco, Maria Clara, Gil.
O Amante da Marguerite Duras, foi tema de muitos temas paralelos. Falamos da estrutura do livro, do texto como fotografias, falamos do interdito, do amor, da paixão, da simplicidade beleza e densidade da escrita. Falamos sobre a memória. Francisco disse que o verdadeiro amor, o que nunca se apaga é o amor dos amantes, o que não cai na rotina. E isso foi muito discutido. E no livro o amor de um chinês por uma jovem "branca" de quinze anos está cercado de proibições por todos os lados. Falamos dos segredos, de como a casa onde se encontravam era ao mesmo tempo escondida e exposta , num equilíbrio precário. Falamos de como a família da jovem nos lembrava o romance Dois Irmãos do Milton Hatoum. De toda a ambiguidade que reinava nas relações daquela família. Falamos de incesto. Da fragilidade do amante, do seu pai opressor em contraponto com a mãe louca da jovem. Falamos de amor.Das muitas formas de amor, no passado e hoje.
Muitos acharam o livro difícil. Felipe e a namorada passaram dois dias lendo o livro em voz alta um para o outro e ele reclamou das lacunas do livro e das oscilações do texto. Mas depois da nossa discussão todos gostaram do livro. Hector nos chamou a atenção para a fluidez das relações hoje, do ser humano como objeto descartável. Messias disse que caminhamos para algo novo. Encontraremos um equiliíbrio entre razão e desejo.Juan falou da hipocrisia das relações antigamente e de como estamos indo em direção a algo muito melhor.
O conto do James Joyce OS MORTOS foi lido por poucos e não pode ser muito discutido. Quem leu ficou comovido com a beleza do conto.
Cada um levou um poema do Drummond e foi maravilhoso ouvir a sua poesia naquele cenário estonteante. Fernando esqueceu os óculos, mas o Hélio leu para ele.
O almoço era tão espetacular, uma mesa tão farta de iguarias, que nem sabíamos por onde começar. Hélio fez um discurso lindíssimo pelo aniversário do Juan e o bolo e a sobremesa mereciam um tratado .
Depois do almoço cada membro do clube plantou uma árvore. Eu escolhi um cajá manga, mas na verdade quem plantou para mim foi meu amigo Salvador, pois a árvore era pesada, a pá nem se fala e a minha coluna complicada como sempre.
O próximo encontro será dia 15 de setembro. O livro: A DAMA DO CACHORRINHO de Anton Tchekov da ed.LPM, livro de bolso. E um poema do Quintana. Cada um escolha o seu.
quinta-feira, 12 de julho de 2012
BARRA DE SÃO JOÃO
Lá vou eu com a minha sacola de livros para Barra de São João. Qual livro escolho, o que levarei na bagagem? Gosto de fazer dinâmicas com as crianças a partir dos poemas, brincadeiras com os versos, o conteúdo, as palavras. Faço a platéia interagir. E hoje também conversarei com os pais. E isso é uma boa idéia. Um encontro com os filhos e outro com a família.
Antes preparo um almoço para Gisela e Arnaldo, o casal de taxistas que me leva para cima e para baixo. Eles são adoráveis e já fazem parte da família. Teremos que almoçar como os camponeses, pois terei que chegar na escola às 13.30hs e são duas horas de viagem até lá. Mas o caminho é lindo, vamos seguindo a imensa lagoa de Araruama. É um privilégio viver nesta região.
quarta-feira, 11 de julho de 2012
CARTA DE UMA LEITORA
Angela, nossa companheira do Clube de Leitura da Casa Amarela, pessoa de extraordinária sensibilidade, não conseguiu ir ao lançamento do meu livro em Mauá. E ficou muito triste, pois já estava tudo arquitetado .Então me fez uma surpresa : semana passada ela foi a Mauá, foi ao atelier de cerâmica da minha irmã Evelyn Kligerman e foi almoçar no Babel. Ela queria ver os lugares por onde o livro Diário da Montanha passou. E hoje ela deixou um comentário tão emocionante aqui no blog que eu reproduzo no post. Agradecida, orgulhosa, vaidosa:
Roseana!
No dia 07 de julho conheci e almocei com a minha sobrinha Clarissa, talvez, no mais belo restaurante da cidade de Visconde Mauá. Tudo nele me surpreendeu e me fez acreditar ainda mais no que o amor é capaz de fazer, pois só com muito amor e respeito pelo próximo se é capaz de criar algo assim tão acolhedor.
Fiquei impactada com tanta criatividade e bom gosto.
Enquanto esperava os nossos pratos que estavam sendo preparados, fiquei olhando atentamente a natureza a nossa volta procurando, não sei a razão, para o sucesso do restaurante.
Diante daquela vista maravilhosa pensei:
_ Meu DEUS, só pode ser isso, eu encontrei a razão maior: A NATUREZA REVERENCIOU ESSE LUGAR. Ela aceitou muito bem o seu mais novo habitante. Dá para entender perfeitamente, agora, o sucesso dessa casa que alimenta não só o nosso corpo, mas, sobretudo a nossa a alma.
É como se a natureza e os habitantes da belíssima floreta quisessem todo o tempo lhe dizer:
_ Obrigada, querido restaurante.
Nós os habitantes da floresta agradecemos a sua presença entre nós, pois você recebe com amor os alimentos que lhe oferecemos e com o esse mesmo amor, sabedoria e habilidade artística retribui com uma verdadeira dádiva, uma obra prima que DEUS reconhece.
Nossa eu pensei:
Tudo nesse restaurante foi construído com o coração nos mínimos detalhes, desde onde se lava as mãos com sabonetes de diferentes aromas (eu amo sabonete), as toalhas da mesa com algumas barras bordadas e trocadas a todo o momento que sai um cliente, os utensílios usados e o prato maravilhoso que nos é servido.
É para se comer em silêncio e agradecendo o momento.
Tudo ali tem um toque de elegância, de sofisticação, de requinte e, sobretudo de família, pois para mim, família é tudo.
Parece que em cada pedacinho daquele lugar está gravado o amor e um desejo: da mãe, do pai, da tia, (percebi o toque artístico da tia Evelyn Kligerman), da gatinha BABEL que foi homenageada com o nome do restaurante. Está gravado no comentário do escritor Juan Arias na contracapa do cardápio, nas frases da mãe Roseana Murray e no carinho de amigos para que tudo dê muito certo, e já está acontecendo.
A natureza aprovou e se ela aprovou não há como contestar.
Saí de lá muito feliz e agradecida. A lareira ainda não estava acesa, mas certamente mais tarde seria a testemunha mais viva do calor que ali se renova a cada dia.
Voltei orgulhosa, pois estive diante de dois grandes Chefs de cozinha (marido e mulher) e professores de gastronomia que são os proprietários do restaurante. Os dois nos acolheram com carinho, bem como a todos que estavam ali almoçando.
Eu gostaria, então de aproveitar esse espaço no BLOG da escritora Roseana Murray e agradecer a você André Murray e Dani Keiko a acolhida carinhosa e a comida maravilhosa que nos foi servida com capricho e refinamento e idealizada com criatividade.
Quando constatei todo respeito de vocês pelos seus clientes, me veio a palavra africana SAWABONA que quer dizer:
_“Eu te respeito, eu te Valorizo você é importante pra mim”
Eu acho André, Dani, Paula, e outros funcionários que aí trabalham que essa é a razão maior para o êxito do restaurante. É muito bom a outra pessoa se sentir assim, e em retribuição dizemos: SHIKOBA que quer dizer:
“Então eu existo para você”.
Vocês, André e Dani merecem tudo de bom e tenho certeza que ainda verei os seus nomes dentre os maiores Chefs de cozinha.
Eu agradeço a você também Roseana pela preocupação comigo e com a minha sobrinha desejando que ficássemos muito bem.
Pois é, leitores do BLOG eu falei muito, mas acabei de falar do belíssimo restaurante BABEL no VALE DO PAVÃO.
Se alguém pensa que estou exagerando por estar falando do filho da escritora Roseana Murray, é só dar uma chegadinha em Visconde Mauá (uma cidade mágica) e conferir.
Ninguém vai se arrepender, eu tenho certeza.
Com carinho,
Angela Quintieri
DE MALAS PRONTAS
Sexta-feira volto para Visconde de Mauá. Hoje encontrei a Maria Clara, do nosso Clube de Leitura , e ela me perguntou:
- De novo? Agora você mora lá?
Não, eu moro em Saquarema! Mas aproveito a presença do meu filho André em todos os dias de julho com seu restaurante aberto para ficar be perto dele, pois saudades de mãe nunca acaba. E levo trabalho, pois em Mauá nada me distrai. Tenho que refazer meus contos e pensar em outros.
Tenho acompanhado a série que está saindo no O Globo sobre as escolas públicas que dão certo. A receita é simples: dedicação, aulas de reforço, afeto, mais horas na escola, a família na escola. O fracasso do aluno é o fracasso do professor. E muita leitura.
- De novo? Agora você mora lá?
Não, eu moro em Saquarema! Mas aproveito a presença do meu filho André em todos os dias de julho com seu restaurante aberto para ficar be perto dele, pois saudades de mãe nunca acaba. E levo trabalho, pois em Mauá nada me distrai. Tenho que refazer meus contos e pensar em outros.
Tenho acompanhado a série que está saindo no O Globo sobre as escolas públicas que dão certo. A receita é simples: dedicação, aulas de reforço, afeto, mais horas na escola, a família na escola. O fracasso do aluno é o fracasso do professor. E muita leitura.
terça-feira, 10 de julho de 2012
EM QUE LIVRO?
Gustavo Garzo, escritor espanhol, faz a seguinte pergunta:
" Em que livro você gostaria de morar" ?
Imagino que a pergunta tenha uma longa curvatura e retroceda até a infância. Pois eu não tenho nenhuma dúvida: queria morar no Sítio do Pica-Pau-Amarelo para sempre. Aliás, quando compramos o sítio em Visconde de Mauá em 1976 o meu modelo era o Pica-Pau Amarelo. E as tardes tinham cheiro de bolo de fubá e bolinho de chuva que eu fazia para meus filhos pequenos.
Alguns livros sao magníficos mas não gostaríamos de morar dentro deles.
Quando era jovem li "Como era verde o meu vale" do escritor Richard Llevellyn e a imagem que ficou fortissima dentro de mim foi a de um vale inundado por música, a imagem me acompanha até hoje, no entanto, não gostaria de viver aí ,nesta época, numa região mineira. Adoro Madame Bovary, mas não viveria aí. Amo Cartas a Milena , já li tantas vezes que gastei as páginas do livro, mas não quereria viver aí , em Praga, nos anos vinte, com todo o frio e o antissemitismo.
Que cada um faça a sua lista e escolha um livro para morar!
" Em que livro você gostaria de morar" ?
Imagino que a pergunta tenha uma longa curvatura e retroceda até a infância. Pois eu não tenho nenhuma dúvida: queria morar no Sítio do Pica-Pau-Amarelo para sempre. Aliás, quando compramos o sítio em Visconde de Mauá em 1976 o meu modelo era o Pica-Pau Amarelo. E as tardes tinham cheiro de bolo de fubá e bolinho de chuva que eu fazia para meus filhos pequenos.
Alguns livros sao magníficos mas não gostaríamos de morar dentro deles.
Quando era jovem li "Como era verde o meu vale" do escritor Richard Llevellyn e a imagem que ficou fortissima dentro de mim foi a de um vale inundado por música, a imagem me acompanha até hoje, no entanto, não gostaria de viver aí ,nesta época, numa região mineira. Adoro Madame Bovary, mas não viveria aí. Amo Cartas a Milena , já li tantas vezes que gastei as páginas do livro, mas não quereria viver aí , em Praga, nos anos vinte, com todo o frio e o antissemitismo.
Que cada um faça a sua lista e escolha um livro para morar!
segunda-feira, 9 de julho de 2012
O AMANTE
Releio O AMANTE de Marguerite Duras para o nosso encontro do Clube de Leitura da Casa Amarela dia 21. Sua escrita dura, precisa, cortante. A história é terrível. Acho que será um grande encontro.
Conto os dias para a chegada do meu filho da Espanha. Ele chega em setembro. Com meu neto na algibeira. Guga fará uma Escola de Música em Resende que irá funcionar dentro da Escola de Cozinha do André, meu filho mais velho. Patrícia, minha nora, dará aulas de Flamenco em alguma escola de dança. Gosto muito da idéia de misturar atividades diferentes no mesmo espaço. O nome Babel , que é como se chama a Escola de Cozinha, será também o nome da Escola de Música e cai como uma luva, linguas diferentes na mesma Torre de poesia. E Babel era a nossa gata siamesa que se desdobrou em livros , restaurante e etc. Gosto de pensar que Babel, nossa gatinha amada está viva em todos estes lugares.
Quinta-feira vou a Barra de São João falar numa escola. A cidade é linda com seu rio, a ruazinha de casas coloniais, o Museu Casemiro de Abreu, a Igreja antiga que precisa de uma reforma urgente. Todas as escolas deveriam ter uma disciplina que se chamasse OLHAR. Eu me alimento de olhares.
Conto os dias para a chegada do meu filho da Espanha. Ele chega em setembro. Com meu neto na algibeira. Guga fará uma Escola de Música em Resende que irá funcionar dentro da Escola de Cozinha do André, meu filho mais velho. Patrícia, minha nora, dará aulas de Flamenco em alguma escola de dança. Gosto muito da idéia de misturar atividades diferentes no mesmo espaço. O nome Babel , que é como se chama a Escola de Cozinha, será também o nome da Escola de Música e cai como uma luva, linguas diferentes na mesma Torre de poesia. E Babel era a nossa gata siamesa que se desdobrou em livros , restaurante e etc. Gosto de pensar que Babel, nossa gatinha amada está viva em todos estes lugares.
Quinta-feira vou a Barra de São João falar numa escola. A cidade é linda com seu rio, a ruazinha de casas coloniais, o Museu Casemiro de Abreu, a Igreja antiga que precisa de uma reforma urgente. Todas as escolas deveriam ter uma disciplina que se chamasse OLHAR. Eu me alimento de olhares.
domingo, 8 de julho de 2012
CHUVA
Chove torrencialmente. O mar está negro. As ondas altas. Gosto do tempo assim. Parece que o tempo fica mais lento, quase anda para trás. A casa, mais do que nunca, assume a sua função primordial de abrigo. E range e oscila como se fosse um barco.
sexta-feira, 6 de julho de 2012
CONTOS
Ontem fui ao encontro de uma editora que publicará meu livro de contos, o que estou escrevendo. Conversamos sobre o que falta ao livro, sobre o que sobra no livro. Assim como a poesia flui em mim como um rio, a ficção é dura e não me obedece, me dá muito trabalho escrever um pequeno conto. Mas ao ler um conto novo, que ainda não tinha lido, a minha editora se emocionou e sua emoção foi o meu presente.
Enquanto não compro o livro do poeta Adonis que a Cia das Letras publicou, o que farei hoje, busco alguma coisa na rede e só encontro em espanhol:
Canción al significado
No es este tiempo inicial ni el final de los tiempos,
es el río de la herida que fluye del pecho de Adán.
Su significado penetra en la tierra
y el sol es su imagen premonitoria.
Acho linda a imagem do rio do tempo que escorre desde o primeiro homem e que ao mesmo tempo que é imóvel, flui .
Enquanto não compro o livro do poeta Adonis que a Cia das Letras publicou, o que farei hoje, busco alguma coisa na rede e só encontro em espanhol:
Canción al significado
No es este tiempo inicial ni el final de los tiempos,
es el río de la herida que fluye del pecho de Adán.
Su significado penetra en la tierra
y el sol es su imagen premonitoria.
Acho linda a imagem do rio do tempo que escorre desde o primeiro homem e que ao mesmo tempo que é imóvel, flui .
quinta-feira, 5 de julho de 2012
MÃOS E PÉS
Ainda jovem eu pulava
as pedras do rio, sentia
sua dureza em meus pés,
as nuvens corriam junto
comigo, céu e terra
me esmagavam em seu abraço
e meu corpo latejava
com os dias que ainda existiriam.
Aquelas pedras se inscreveram
profundamente em minha pele,
são as minhas consoantes em dias de espera.
Mergulhava as mãos na água fria
e minhas linhas da mão se desfaziam,
corriam junto com o rio,
quando ainda era jovem.
Hoje meus pés gostam de caminhar
sobre a névoa, a fina película
de irrealidade que cobre a vida,
e minhas mãos tentam apreender
o voo das borboletas.
in DIÁRIO DA MONTANHA, ed. Manati
as pedras do rio, sentia
sua dureza em meus pés,
as nuvens corriam junto
comigo, céu e terra
me esmagavam em seu abraço
e meu corpo latejava
com os dias que ainda existiriam.
Aquelas pedras se inscreveram
profundamente em minha pele,
são as minhas consoantes em dias de espera.
Mergulhava as mãos na água fria
e minhas linhas da mão se desfaziam,
corriam junto com o rio,
quando ainda era jovem.
Hoje meus pés gostam de caminhar
sobre a névoa, a fina película
de irrealidade que cobre a vida,
e minhas mãos tentam apreender
o voo das borboletas.
in DIÁRIO DA MONTANHA, ed. Manati
quarta-feira, 4 de julho de 2012
AMIGOS JAPONESES
Recebo uma carta dos nossos amigos (virtuais) japoneses, Kats e Yuki, que traduziram um livro do Juan Arias, meu marido.
Eles são delicadíssimos. E nos contam um pouco da sua trajetória super cheia de aventuras.
Kats se apaixonou pelo meu livro Carteira de Identidade e está tentando publicá-lo. Não é tarefa fácil, mas saber que alguém do outro lado do mundo passeia às margens de um rio mastigando meus poemas é maravilhoso. Yuki, sua esposa, me conta: ele anda triste e meus versos o acalmam.
]
Enquanto escrevo o Hospital Pedro Ernesto no Rio de Janeiro pega fogo num incêndio que , parece, começou no almoxarifado. . Messias, meu grande amigo, Diretor da Nesa, me manda um torpedo: o prejuízo será enorme , mas não há vítimas.
Talvez, quem sabe, aproveitem para refazer o Hospital que abriga projetos maravilhosos e que literalmente caia aos pedaços. Havia o desejo de fazer uma biblioteca para os adolescentes e eu seria a madrinha, pelas mãos da Dra. Heloisa Groissman, a Loló.
Eles são delicadíssimos. E nos contam um pouco da sua trajetória super cheia de aventuras.
Kats se apaixonou pelo meu livro Carteira de Identidade e está tentando publicá-lo. Não é tarefa fácil, mas saber que alguém do outro lado do mundo passeia às margens de um rio mastigando meus poemas é maravilhoso. Yuki, sua esposa, me conta: ele anda triste e meus versos o acalmam.
]
Enquanto escrevo o Hospital Pedro Ernesto no Rio de Janeiro pega fogo num incêndio que , parece, começou no almoxarifado. . Messias, meu grande amigo, Diretor da Nesa, me manda um torpedo: o prejuízo será enorme , mas não há vítimas.
Talvez, quem sabe, aproveitem para refazer o Hospital que abriga projetos maravilhosos e que literalmente caia aos pedaços. Havia o desejo de fazer uma biblioteca para os adolescentes e eu seria a madrinha, pelas mãos da Dra. Heloisa Groissman, a Loló.
terça-feira, 3 de julho de 2012
O MAR OUTRA VEZ
Cheguei em Saquarema ontem na hora do almoço, exausta, como se tivesse feito uma viagem interplanetária. Havia acordado às 5hs da manhã e ver o sol iluminando as montanhas na hora da partida foi um espetáculo único, deslumbrante.
Toneladas de trabalho me esperavam e ainda me esperam. Não consegui fazer quase nada. Sempre que volto de Mauá sinto um cansaço imenso, paralisante, que não sei explicar.
Agora é colocar o trabalho em dia, continuar com meu livro de contos , e deixar que o mar novamente corra em minhas veias.
Toneladas de trabalho me esperavam e ainda me esperam. Não consegui fazer quase nada. Sempre que volto de Mauá sinto um cansaço imenso, paralisante, que não sei explicar.
Agora é colocar o trabalho em dia, continuar com meu livro de contos , e deixar que o mar novamente corra em minhas veias.
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