Se os pilares do mundo, da sociedade, fossem a compaixão e o amor pelo outro, quantas tragédias seriam evitadas?
A sociedade violenta de consumo é como o mar que vomita lixo em suas ressacas, os dejetos mais sórdidos. Ela extrai do ser humano o que tem de mais abjeto: a ganância, o egoísmo, o sucesso a qualquer custo.
Na verdade a morte das centenas de jovens em Santa Maria custou em primeiro lugar sessenta e oito reais e cinquenta centavos, que era a diferença de preço entre um sputnik que pode ser usado em ambientes fechados e em ambientes abertos. O fogo começou com o sputnik. Fora todas as outras aberrações . Em nenhum momento a vida humana foi prioridade. A corrupção ajuda. Basta passar uma gorjeta para alguém que fecha os olhos e finge que não vê o extintor vencido, a falta de saídas de emergência, etc, etc.
Quando a vida do outro, os seus sentimentos, a sua dor, sua alegria, forem tão importantes quanto a minha vida, meus sentimentos , a minha dor, a minha alegria, tragédias coletivas não ocorrerão.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
A BRUXA DA CASA AMARELA
Além do meu neto Luis tenho dois netos de estimação: Kira e Astor Kay, filhos da Maya, filha do Juan, meu marido.
Kira tem um livro que fiz pela ed. Lê, belíssimo, ilustrado pela Elisabeth Teixeira. Kira agora tem seis anos e é realmente uma artista. Canta, dança, desenha, atua, sapateia. Além disso inventa histórias. Foi ela quem me deu a idéia para o conto que escrevi A Bruxa da Casa Amarela, meu próximo e-book, que dentro de uns dois meses estará disponível no meu site para as escolas. Ela estava brincando na varanda, junto ao fogão de lenha, com a minha linda vassoura de bruxa. Eu perguntei:
_Kira, você é uma bruxa?
Ela respondeu:
_Vovó, sou uma bruxa boa, eu cuido das flores do jardim.
Pronto, ela me deu a história. Agora que o livro já está sendo ilustrado pelo Caó para virar e-book, Kira, lá de Barcelona me diz que gostaria de ter um desenho seu no livro. Escrevi então uma apresentação que sairá com o desenho da Kira.
Kira tem um livro que fiz pela ed. Lê, belíssimo, ilustrado pela Elisabeth Teixeira. Kira agora tem seis anos e é realmente uma artista. Canta, dança, desenha, atua, sapateia. Além disso inventa histórias. Foi ela quem me deu a idéia para o conto que escrevi A Bruxa da Casa Amarela, meu próximo e-book, que dentro de uns dois meses estará disponível no meu site para as escolas. Ela estava brincando na varanda, junto ao fogão de lenha, com a minha linda vassoura de bruxa. Eu perguntei:
_Kira, você é uma bruxa?
Ela respondeu:
_Vovó, sou uma bruxa boa, eu cuido das flores do jardim.
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
CISNE E PEDRA
Chove. O dia está fechado feito um molusco. Mergulho em minha águas e são muitas dores e muitos tesouros. A poesia é a minha pele , por dentro e por fora.
POESIA
juntar cisne e pedra
caminhar pela existência
com esse talho na garganta
no redemoinho das hoas
um barco e nas mãos
um punhado de aurora
um poema se faz
com o avesso das águas
in Poesia Essencial, ed. Manati, 2002
POESIA
juntar cisne e pedra
caminhar pela existência
com esse talho na garganta
no redemoinho das hoas
um barco e nas mãos
um punhado de aurora
um poema se faz
com o avesso das águas
in Poesia Essencial, ed. Manati, 2002
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
TRAGÉDIA
Como falar de uma tragédia que poderia ter sido evitada não fosse a tragédia que é o descaso do Brasil com suas leis? O silêncio de mais de duzentos jovens, o silêncio para sempre, não pode ser dito. Nenhuma palavra, nenhuma frase, nem todo o idioma pode dizer a imensidão deste silêncio.
sábado, 26 de janeiro de 2013
REENCONTROS
Ontem na Casa da Leitura tive várias surpresas maravilhosas. Chegaram Ângela, Felipe e Leila, do nosso Clube de Leitura . Angela com seu primeiro livro, a história do seu avô e um sorriso maior do que o mundo. Felipe levou a mãe e a tia. Leila levou sua amiga Lais que também vai entrar para o Clube e minha irmã Evelyn chegou com Luis, meu cunhado, que havia chegado do México ontem mesmo e me trouxe um xale maravilhoso.
A platéia estava lotada de crianças. Contei o livro da Nana e os Quatro Jabutis, Guga fez seu Livro-Concerto Caixinha de Música. As crianças participaram muito e infelizmente não pudemos ficar para o encontro delas com a contadora de histórias Ilana, pois ontem era sexta feira e a volta para Saquarema é bem complicada. Ilana gentilmente nos cedeu seu horário para que pudéssemos voltar mais cedo.
Estou aqui, ouvindo as coisas incríveis que meu neto fala. Agora está apaixonado pelo livro Sanduíche da Maricota de Avelino Guedes, ed. Moderna. Agora só quer comer sanduiches. E pela história do Peter Pan que já contei quatrocentas vezes. Quando termino ele fala: _ Vovó, outra vez!
A platéia estava lotada de crianças. Contei o livro da Nana e os Quatro Jabutis, Guga fez seu Livro-Concerto Caixinha de Música. As crianças participaram muito e infelizmente não pudemos ficar para o encontro delas com a contadora de histórias Ilana, pois ontem era sexta feira e a volta para Saquarema é bem complicada. Ilana gentilmente nos cedeu seu horário para que pudéssemos voltar mais cedo.
Estou aqui, ouvindo as coisas incríveis que meu neto fala. Agora está apaixonado pelo livro Sanduíche da Maricota de Avelino Guedes, ed. Moderna. Agora só quer comer sanduiches. E pela história do Peter Pan que já contei quatrocentas vezes. Quando termino ele fala: _ Vovó, outra vez!
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
CARAVANA DE ESCRITORES
Hoje estarei na Casa da Leitura , em Laranjeiras, no Rio de Janeiro às 14hs num projeto intitulado "Caravana de Escritores", que é um encontro entre o escritor(a) com seus leitores.
A Casa da Leitura me traz caudalosas recordações. Um dia, na década de 90 , Fernando Lébeis, que deve estar sempre encantando as estrelas com suas histórias, sua voz maravilhosa, me indicou para o Proler. Minha entrevista foi na Casa da Leitura. E lá eu fui dar uma oficina em algum lugar do sul, a minha primeira viagem de dezenas de viagens pelo Brasil, no projeto mais louco e ousado que conheço e que já fez história. Aí sim, éramos uma caravana de artistas e jogávamos nossas âncoras em alguma cidade, às vezes um grupo pequeno, outras vezes um grupo imenso e ficávamos por 5 dias. Pela manhã eram 4 horas de conferências sobre leitura e aprendi muito. Pela tarde eram 4 horas de oficinas de leitura, escrita, cinema, fotografia, contação de histórias. E à noite, em algum barzinho, enraizamos elos eternos. O projeto do Proler neste formato acabou. Era um projeto muito caro, pois a idéia era o intercâmbio e viajar não é barato. Mas sabemos que por onde nossa caravana passava, as pessoas mudavam. Criávamos um anseio. Era um vento novo, era um sonho. As pessoas aprendiam a ler o mundo de outra maneira. Tenho um agradecimento profundo por aquelas viagens, aqueles anos. Eles me ensinaram muito, foram a minha grande escola. Conheci pessoas extraordinárias que ficaram na minha vida para sempre. Hoje estarei na Casa da Leitura. A Casa da Leitura mudou, eu mudei, mas de alguma maneira é um reencontro. O evento é aberto e haverá o Livro-Concerto Caixinha de Música com meu filho Guga Murray. Quem estiver por perto e puder estar junto com a gente, agradecemos.
A Casa da Leitura me traz caudalosas recordações. Um dia, na década de 90 , Fernando Lébeis, que deve estar sempre encantando as estrelas com suas histórias, sua voz maravilhosa, me indicou para o Proler. Minha entrevista foi na Casa da Leitura. E lá eu fui dar uma oficina em algum lugar do sul, a minha primeira viagem de dezenas de viagens pelo Brasil, no projeto mais louco e ousado que conheço e que já fez história. Aí sim, éramos uma caravana de artistas e jogávamos nossas âncoras em alguma cidade, às vezes um grupo pequeno, outras vezes um grupo imenso e ficávamos por 5 dias. Pela manhã eram 4 horas de conferências sobre leitura e aprendi muito. Pela tarde eram 4 horas de oficinas de leitura, escrita, cinema, fotografia, contação de histórias. E à noite, em algum barzinho, enraizamos elos eternos. O projeto do Proler neste formato acabou. Era um projeto muito caro, pois a idéia era o intercâmbio e viajar não é barato. Mas sabemos que por onde nossa caravana passava, as pessoas mudavam. Criávamos um anseio. Era um vento novo, era um sonho. As pessoas aprendiam a ler o mundo de outra maneira. Tenho um agradecimento profundo por aquelas viagens, aqueles anos. Eles me ensinaram muito, foram a minha grande escola. Conheci pessoas extraordinárias que ficaram na minha vida para sempre. Hoje estarei na Casa da Leitura. A Casa da Leitura mudou, eu mudei, mas de alguma maneira é um reencontro. O evento é aberto e haverá o Livro-Concerto Caixinha de Música com meu filho Guga Murray. Quem estiver por perto e puder estar junto com a gente, agradecemos.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
NEANDERTAIS
Faz algum tempo li uma série de livros, uma saga, sobre os neandertais. Sempre fui apaixonada por esta outra espécie de homens e seu desaparecimento me deixa perplexa.
Agora leio que um grande cientista diz que em breve poderemos fabricar um neandertal a partir de seu genoma. E que seria muito interessante saber como pensavam. Diz que no futuro poderemos misturar espécies, clonar seres humanos, etc e que na verdade já se pode. É interessante e horripilante ao mesmo tempo pensar sobre o tema. E diz também que no futuro, através da engenharia genética estaremos livres de doenças.
Hoje vou renovar meu passaporte. Há toda uma trama absurda de fronteiras e passaportes e sempre penso em arames farpados, cachorros latindo e farejando e seres humanos impedidos de entrar e sair.
A Terra deveria ser de todos com livre trânsito. Para isso as desigualdades sociais teriam que mudar radicalmente. Que cada um faça algo para que isso aconteça, o que estiver ao seu alcance.
Agora leio que um grande cientista diz que em breve poderemos fabricar um neandertal a partir de seu genoma. E que seria muito interessante saber como pensavam. Diz que no futuro poderemos misturar espécies, clonar seres humanos, etc e que na verdade já se pode. É interessante e horripilante ao mesmo tempo pensar sobre o tema. E diz também que no futuro, através da engenharia genética estaremos livres de doenças.
Hoje vou renovar meu passaporte. Há toda uma trama absurda de fronteiras e passaportes e sempre penso em arames farpados, cachorros latindo e farejando e seres humanos impedidos de entrar e sair.
A Terra deveria ser de todos com livre trânsito. Para isso as desigualdades sociais teriam que mudar radicalmente. Que cada um faça algo para que isso aconteça, o que estiver ao seu alcance.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
CASA DE AVÓ
Hoje chega meu neto Luis. Estou tão feliz que daria cambalhotas, se pudesse. Casa de avó sem neto é uma casa meio vazia, faltam estrelas no teto, as paredes ficam opacas.
CASA DE AVÓ
Casa de avó
é navio pirata
em alto-mar,
estrela cadente
para sempre no ar.
Avó tem um pouco
de fada, um pouco
de árvore encantada.
Quando a avó anda,
o mundo inteiro balança,
e uma onda de amor
varre quem está junto dela.
Dentro da casa da avó,
todos os caminhos vão dar,
no país sem luar.
in Casas, ed. Formato
CASA DE AVÓ
Casa de avó
é navio pirata
em alto-mar,
estrela cadente
para sempre no ar.
Avó tem um pouco
de fada, um pouco
de árvore encantada.
Quando a avó anda,
o mundo inteiro balança,
e uma onda de amor
varre quem está junto dela.
Dentro da casa da avó,
todos os caminhos vão dar,
no país sem luar.
in Casas, ed. Formato
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
FRANJA
Abro o jornal cedinho e a franja da Michelle Obama é notícia de primeira página! E eu que nem tinha reparado. O que me tocou foi o discurso do Obama e suas idéias de igualdade para mulheres, gays, imigrantes. Sorte nossa que Obama foi reeleito e Obama abre a discussão sobre as armas. Temo sempre por sua vida. O que seria do mundo se um fanático religioso armado até os dentes estivesse em seu lugar, louco para brincar de guerra. Vida longa para Obama.
Acabo de reler O Físico de Noah Gordon pois estou pensando nele como próximo livro do Clube de Leitura. Quero um best seller bem escrito e o livro é uma aventura eletrizante. Ele me leva até a Idade Média e realmente o patamar de violência mudou e vivemos no melhor dos mundos. Já não podem me queimar na fogueira e nem minha cidade será atacada de um momento para o outro e as mulheres violentadas e as crianças assassinadas ou escravizadas. Mas em alguns lugares do mundo a situação da mulher ainda é muito precária. Em muitos lugares do mundo ainda temos guerras e fome. Tomara que no ano 3000 os habitantes possam dizer : um dia os homens foram violentos, antes os homens matavam.Como mudamos.
CAVERNA
Houve um dia,
no começo do mundo,
em que o homem
ainda não sabia
construir sua casa.
Então disputava
a caverna com bichos
e era aí a sua morada.
Deixou para nós
seus sinais,
desenhos desse mundo
muito antigo.
Animais, caçadas, danças,
misteriosos rituais.
Que sinais
deixaremos nós
para o homem do futuro?
in Casas, ed. Formato
Acabo de reler O Físico de Noah Gordon pois estou pensando nele como próximo livro do Clube de Leitura. Quero um best seller bem escrito e o livro é uma aventura eletrizante. Ele me leva até a Idade Média e realmente o patamar de violência mudou e vivemos no melhor dos mundos. Já não podem me queimar na fogueira e nem minha cidade será atacada de um momento para o outro e as mulheres violentadas e as crianças assassinadas ou escravizadas. Mas em alguns lugares do mundo a situação da mulher ainda é muito precária. Em muitos lugares do mundo ainda temos guerras e fome. Tomara que no ano 3000 os habitantes possam dizer : um dia os homens foram violentos, antes os homens matavam.Como mudamos.
CAVERNA
Houve um dia,
no começo do mundo,
em que o homem
ainda não sabia
construir sua casa.
Então disputava
a caverna com bichos
e era aí a sua morada.
Deixou para nós
seus sinais,
desenhos desse mundo
muito antigo.
Animais, caçadas, danças,
misteriosos rituais.
Que sinais
deixaremos nós
para o homem do futuro?
in Casas, ed. Formato
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
MOINHO
Segunda-feira e gira o moinho da vida, suas águas calmas e caudalosas arrastam sempre uma torrente de memórias que se mistura com o que vai sendo vivido como misturamos na massa do pão além da farinha, do azeite e fermento,as nossas mãos, o sal, o carinho, o alecrim.
Leio que estudos científicos comprovados com imagens do cérebro nos dizem os benefícios da meditação. O maior de todos é a atenção, o foco no que estamos fazendo. Viver o momento presente. De nada adianta projetarmos o filme do que vai acontecer amanhã, pois lá vem a vida, um vento e muda o roteiro.
Hoje o dia está magnífico. Meio nublado e ainda agora vi um lindo arco-íris lá pelos lados da montanha. A minha alegria com o arco-íris é infantil, é um arrebatamento o que sinto e logo me vem um pensamento mágico: vai dat tudo certo, todos os desejos de saúde, de felicidade para os filhos, de livros novos, de reencontros, vai dar tudo certo.
Leio que estudos científicos comprovados com imagens do cérebro nos dizem os benefícios da meditação. O maior de todos é a atenção, o foco no que estamos fazendo. Viver o momento presente. De nada adianta projetarmos o filme do que vai acontecer amanhã, pois lá vem a vida, um vento e muda o roteiro.
Hoje o dia está magnífico. Meio nublado e ainda agora vi um lindo arco-íris lá pelos lados da montanha. A minha alegria com o arco-íris é infantil, é um arrebatamento o que sinto e logo me vem um pensamento mágico: vai dat tudo certo, todos os desejos de saúde, de felicidade para os filhos, de livros novos, de reencontros, vai dar tudo certo.
sábado, 19 de janeiro de 2013
CANTANTE
Soube que Salgado Maranhão já voltou dos Estados Unidos para onde foi como autor convidado percorrendo várias Universidades com a sua muito bela poesia. E como hoje é sábado, dia de cantar e festejar, encontrar amigos, fazer planos bem loucos, dançar, um poema musical para o sábado:
CANTANTE
Estou bêbado de canções
e azul.
Estou cantante para nada,
para ninar a madrugada.
(O cantar de um galo em férias.)
Canto até para o vento
que não tem começo nem fim;
canto até para as pedras
que silenciam para aplaudir.
Salgado Maranhão , in A Cor da Palavra, ed. Imago
CANTANTE
Estou bêbado de canções
e azul.
Estou cantante para nada,
para ninar a madrugada.
(O cantar de um galo em férias.)
Canto até para o vento
que não tem começo nem fim;
canto até para as pedras
que silenciam para aplaudir.
Salgado Maranhão , in A Cor da Palavra, ed. Imago
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
A VOZ DO PAULO COELHO
Em 1998 Juan Arias fez um livro de entrevista com o Paulo Coelho "Confissões de Um peregrino" que saiu pela Objetiva e foi um grande sucesso. Passamos uma semana indo todos os dias até sua casa em Copacabana. A verdade é que ficamos muito amigos e nos encontramos muitas vezes e eu o adoro, pois ele é de uma generosidade impressionante. Agora Juan queria escrever um blog no El País sobre a situação atual na Europa e no mundo e fez algumas perguntas ao Paulo. Ele respondeu em forma de entrevista gravada e eu transcreví , pois ficava mais fácil para o Juan trabalhar. Passei uma hora ouvindo a sua voz , tão minha conhecida, eu a tenho no ouvido desde aquela época remota! Fiquei com saudades e gostaria de rever o Paulo tão simples, tão diferente de como a gente imagina um pop star. Ele diz uma coisa linda: que a criança, por ver o mundo com olhos de assombro, acha sempre uma solução criativa para tudo.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
A MOCINHA DO MERCADO CENTRAL
Ontem li A MOCINHA DO MERCADO CENTRAL de Stella Maris Rezende. O livro acaba de ganhar o Prêmio Jabuti 2012 e merece quantos mais prêmios houver. O livro é complexo, sua estrutura interessantíssima. A fina névoa que existe entre a realidade e a ficção se esgarça e já não sabemos mais o que é real e o que é fantasia da mocinha que vai se desdobrando em nomes , em muitas, já que somos uma multidão dentro da gente. O significado dos nomes que vão aparecendo e norteando as aventuras da menina são de uma poesia avassaladora. É uma menina em busca do pai? Em busca do amor? Seu encontro com os livros, com os poetas , com o ator por quem se apaixona e que sai do filme como na "Rosa Púrpura do Cairo", para encontrá-la na Confeitaria Colombo, são cenas lindíssimas. A mocinha tem uma misto de ingenuidade e sabedoria. Tem coragem.Viaja no tempo. E quer reescrever a sua história. O romance vai sendo escrito diante dos olhos do leitor. E a mescla de terrível e belo nos deixa sem fôlego. Há um estupro, há um suicídio, há a busca, que é a de todos nós, da identidade. Há a busca, que é a de todos nós, a busca do amor. A mocinha é de uma beleza, de uma leveza, para ela, não há separação entre o real e o imaginário, ela até fala com os mortos. Maria, o núcleo do seu nome, vai passando incólume por todos os perigos, sozinha, nas cidades por onde se aventura. Como se fosse um anjo.
Recomendo com ardor.
Recomendo com ardor.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
LUA
Terminei um livro de poemas , como já contei, a duas mãos. Minha nora, Patricia de Arias fez os poemas de lua e eu fiz os poemas de sol. Fio de Lua & Raio de Sol está na Sala de Espera, sala iluminada de sol e luar. Para mim a lua é poesia e beleza em estado puro. Quando era criança e voltava da praça Edmundo Rego, no Grajaú, a lua me seguia desde a pracinha até a entrada do prédio e eu ficava muito impressionada: a lua sabia onde eu morava! Para mim a lua nunca desperta nenhuma tristeza, mas hoje leio Florbela Espanca e sua lua é triste. Mas o poema é tão bonito que não resisto:
DUAS QUADRAS
Não sei se tens reparado
Quando passeia, o luar
Pára sempre à tua porta
E encosta-se a chorar:
E eu que passo também
Na minha mágoa a cismar
Paro junto dele, e ficamos
Abraçados a chorar!
in L&PM POCKET, Poesia de Florbela Espanca
Assim que assinarmos o nosso contrato, eu e Patrícia choraremos lágrimas de luar e alegria, pois Patricia escreve lindos poemas e é seu primeiro livro.
DUAS QUADRAS
Não sei se tens reparado
Quando passeia, o luar
Pára sempre à tua porta
E encosta-se a chorar:
E eu que passo também
Na minha mágoa a cismar
Paro junto dele, e ficamos
Abraçados a chorar!
in L&PM POCKET, Poesia de Florbela Espanca
Assim que assinarmos o nosso contrato, eu e Patrícia choraremos lágrimas de luar e alegria, pois Patricia escreve lindos poemas e é seu primeiro livro.
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
BELÍSSIMA TROCA
Hoje leio na Revista Amanhã do O Globo, uma matéria sobre a mais linda troca: comida por lixo. Acontece na Cidade do México. As pessoas levam garrafas pet, papéis, material eletrônico e saem com as mãos cheias de comida e de flores. É um incentivo aos pequenos agricultores locais e uma maneira de transformar lixo em algo maravilhoso. Por que não copiamos
Arrumando a estante com a Mariana vão surgindo tesouros desenterrados do centro do caos.
Um poema que sempre esteve e está em meu coração, do livro AINDA do Pablo Neruda:
Nós, os perecíveis, tocamos metais,
vento, margens do oceano, pedras,
sabendo que continuarão, imóveis ou ardentes,
e eu fui descobrindo, nomeando todas as coisas:
foi meu destino amar e despedir-me
Pablo Neruda, Ainda, ed. José Olympio
Arrumando a estante com a Mariana vão surgindo tesouros desenterrados do centro do caos.
Um poema que sempre esteve e está em meu coração, do livro AINDA do Pablo Neruda:
Nós, os perecíveis, tocamos metais,
vento, margens do oceano, pedras,
sabendo que continuarão, imóveis ou ardentes,
e eu fui descobrindo, nomeando todas as coisas:
foi meu destino amar e despedir-me
Pablo Neruda, Ainda, ed. José Olympio
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
BEM CEDINHO
Bem cedinho fui fazer meditação na praia. Não havia nenhum humano. Passarinhos que corriam pela areia e dois filhotes de garça, maravilhosas garças, pescavam na beira da água. É uma experiência muito forte.
Hoje eu e Mariana começamos a arrumar minha estante de livros e realmente eu me superei: o caos é completo e nem se sabe por onde começar. Mas com certeza vamos pescar tesouros. Tenho a coleção completa do Sítio do Pica-Pau Amarelo que comprei para o André, meu filho, quando ele aprendeu a ler. A minha relação com os livros é estranha. Não sou possessiva, dou tudo, empresto, perco, é dentro de mim que os livros que leio moram dedinitivamente. Mas às vezes quero reler um livro que tinha e tenho que comprar novamente!
Finalmente saí da Viena do final do século XIX, pois acabei de ler o romance O Caminho para a Liberdade de Arthur Schnitzler, ed. Record. O ar da época, o dandismo, a decadência, o cinismo, está tudo lá. Não gostei do livro, mas é muito bom, isso acontece.
Agora releio O Físico de Noah Gordon, eu tinha o livro e perdi o emprestei ou dei e tive que comprar outro! Quero indicar para o próximo Clube de Leitura, para o encontro de abril, vamos ver se todos já leram, então, neste caso, eu trocaria por outro. Quero que leiam um best seller bem escrito, interessantíssimo.
Não falo de política, mas reafirmo sempre minha paixão pela liberdade.
Hoje eu e Mariana começamos a arrumar minha estante de livros e realmente eu me superei: o caos é completo e nem se sabe por onde começar. Mas com certeza vamos pescar tesouros. Tenho a coleção completa do Sítio do Pica-Pau Amarelo que comprei para o André, meu filho, quando ele aprendeu a ler. A minha relação com os livros é estranha. Não sou possessiva, dou tudo, empresto, perco, é dentro de mim que os livros que leio moram dedinitivamente. Mas às vezes quero reler um livro que tinha e tenho que comprar novamente!
Finalmente saí da Viena do final do século XIX, pois acabei de ler o romance O Caminho para a Liberdade de Arthur Schnitzler, ed. Record. O ar da época, o dandismo, a decadência, o cinismo, está tudo lá. Não gostei do livro, mas é muito bom, isso acontece.
Agora releio O Físico de Noah Gordon, eu tinha o livro e perdi o emprestei ou dei e tive que comprar outro! Quero indicar para o próximo Clube de Leitura, para o encontro de abril, vamos ver se todos já leram, então, neste caso, eu trocaria por outro. Quero que leiam um best seller bem escrito, interessantíssimo.
Não falo de política, mas reafirmo sempre minha paixão pela liberdade.
domingo, 13 de janeiro de 2013
BORDADOS
Minha vida gira em torno dos livros que estou lendo, dos que estou escrevendo, dos meus leitores. Às vezes recebo presentes lindos pelo correio. Ganhei, faz algum tempo, duas fronhas bordadas com meus haicais. Uma toalha bordada com meu nome. É muito curioso , pois os dois presentes estão em contato comigo no meu cotidiano.
Às vezes algum leitor ou leitora vem me conhecer, como a Mariana que agora está aqui em casa. Ela trouxe seu exemplar do Classificados Poéticos que era a sua paixão quando tinha oito anos.
A relação do autor com o editor não é a mesma que o autor tem com seus leitores. Esta semana uma editora recusou um original meu dizendo que este ano a editora vai publicar apenas obras com um viés de cultura popular e sua matriz. Não sei o nome disso e tenho medo. É alguma orientação ideológica? O que escrevo é humano e universal, qualquer um entende, qualquer um se emociona. Vou ter que escrever cordel, trovas populares?
Às vezes o autor dá sorte e o editor também é um leitor que gosta de verdade da sua obra, independente do fato do governo comprar ou não. As pessoas me pedem ajuda para publicar, mas infelizmente não posso ajudar, o mundo editorial é difícil. A relação entre o autor e o editor muitas vezes é estranha.
Em 1990 fui receber um prêmio em Garibaldi. Uma mulher que estava na platéia veio falar comigo no final e me disse que sua filha de 8 anos queria me conhecer. Ela havia tido uma paralisia temporária e um poema do Classificados Poéticos havia sido a sua força. Fui até a sua casa conhecê-la , ela era tímida e me entregou uma cartinha. Ela me dizia: "você é a poetisa das crianças. Nunca deixe de escrever ".
Às vezes algum leitor ou leitora vem me conhecer, como a Mariana que agora está aqui em casa. Ela trouxe seu exemplar do Classificados Poéticos que era a sua paixão quando tinha oito anos.
A relação do autor com o editor não é a mesma que o autor tem com seus leitores. Esta semana uma editora recusou um original meu dizendo que este ano a editora vai publicar apenas obras com um viés de cultura popular e sua matriz. Não sei o nome disso e tenho medo. É alguma orientação ideológica? O que escrevo é humano e universal, qualquer um entende, qualquer um se emociona. Vou ter que escrever cordel, trovas populares?
Às vezes o autor dá sorte e o editor também é um leitor que gosta de verdade da sua obra, independente do fato do governo comprar ou não. As pessoas me pedem ajuda para publicar, mas infelizmente não posso ajudar, o mundo editorial é difícil. A relação entre o autor e o editor muitas vezes é estranha.
Em 1990 fui receber um prêmio em Garibaldi. Uma mulher que estava na platéia veio falar comigo no final e me disse que sua filha de 8 anos queria me conhecer. Ela havia tido uma paralisia temporária e um poema do Classificados Poéticos havia sido a sua força. Fui até a sua casa conhecê-la , ela era tímida e me entregou uma cartinha. Ela me dizia: "você é a poetisa das crianças. Nunca deixe de escrever ".
sábado, 12 de janeiro de 2013
VARIAÇÕES SOBRE SILÊNCIO E CORDAS
Tenho no meu site o belíssimo e-book VARIAÇÕES SOBRE SILÊNCIO E CORDAS com ilustrações de Elvira Vigna. O e-book tem quase 15.000 acessos . É pouco pelo tempo que já está no ar, mas ao mesmo tempo é muito, no mínimo 15.000 pessoas "folhearam" o livro. É grátis e as escolas que possuem internet podem oferecer o livro.
Agora ando pensando em fazer outro para crianças, já que o "variações sobre silêncio e cordas" é para jovens e adultos. É um projeto caro, e ao invés de ganhar com a venda do livro, eu tenho que pagar todo o seu custo. Mas é como se eu estivesse dando um presente aos meus leitores e dar um presente é muito gratificante. Hoje amanheci com este desejo.
Agora ando pensando em fazer outro para crianças, já que o "variações sobre silêncio e cordas" é para jovens e adultos. É um projeto caro, e ao invés de ganhar com a venda do livro, eu tenho que pagar todo o seu custo. Mas é como se eu estivesse dando um presente aos meus leitores e dar um presente é muito gratificante. Hoje amanheci com este desejo.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
CARAVANA DE ESCRITORES
Os trabalhos já começam a aparecer. Fui convidada para um projeto chamado Caravana de Escritores na Casa da Leitura e não sou poeta impunemente. Não se pode falar a palavra caravana ao meu lado que já vejo camelos, tapetes voadores, ânforas lindíssimas e já estou pronta para as mil e uma noites. Portanto, estarei na Casa da Leitura dia 25 de janeiro às 14hs , em Laranjeiras, com meu filho Guga Murray e seu Livro-Concerto Caixinha de Música.
Estarei em Búzios dia 8 de março para um Sarau de Poesia organizado pela Secretaria de Educação e Cultura no Hotel Atlântico, não sei mais detalhes por enquanto, só sei da felicidade que é ir a Búzios jogar meus poemas como malabares.
Amanhã chega minha amiga e leitora Mariana, que um dia quis me conhecer e comemorar seu aniversário aqui em nosso Clube de Leitura e entrou nas nossas vidas para sempre. Sou sua poeta preferida, ela diz. Mariana é dançarina e vai me ajudar arrumar a minha estante de livros cujo caos é tão completo que só de olhar entro em pânico.
E ontem terminei um livro novo que se intitula Fio de Lua & Raio de Sol que fiz em parceria com Patricia de Arias, ela fez os poemas de lua, eu fiz os poemas de sol e o livro está lindíssimo, vamos ver se a sorte nos ajuda e encontramos um editor.
Estarei em Búzios dia 8 de março para um Sarau de Poesia organizado pela Secretaria de Educação e Cultura no Hotel Atlântico, não sei mais detalhes por enquanto, só sei da felicidade que é ir a Búzios jogar meus poemas como malabares.
Amanhã chega minha amiga e leitora Mariana, que um dia quis me conhecer e comemorar seu aniversário aqui em nosso Clube de Leitura e entrou nas nossas vidas para sempre. Sou sua poeta preferida, ela diz. Mariana é dançarina e vai me ajudar arrumar a minha estante de livros cujo caos é tão completo que só de olhar entro em pânico.
E ontem terminei um livro novo que se intitula Fio de Lua & Raio de Sol que fiz em parceria com Patricia de Arias, ela fez os poemas de lua, eu fiz os poemas de sol e o livro está lindíssimo, vamos ver se a sorte nos ajuda e encontramos um editor.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
POEMA SUJO
Um livro foi o passaporte para que eu pudesse, ousasse fazer poesia: POEMA SUJO, do Ferreira Gullar.
O meu exemplar é bem antigo, de 1977 e ganhei de presente de uma amiga que naquela época era a minha alma gêmea, com ela, dentro dos livros, eu podia respirar, sair um pouco da vida asfixiante que levava. Para mim não havia saída: ou a loucura ou a poesia. Tenho uma linda dedicatória no livro:
" Mudar de casa já era / um aprendizado de vida.
Ainda estou viva / e vejo /
e vejo uma amiga.
Rose e Ana
76/77
Li o livro em voz alta dezenas de vezes andando pela casa. De todos os livros que já li na vida e não foram poucos, nenhum me provoca um terremoto emocional de tal magnitude.
" Como se o tempo
durante a noite
ficasse parado junto
com a escuridão e o cisco
debaixo dos móveis e
nos cantos da casa
(mesmo dentro
do guarda-roupa,
o tempo,
pendurado nos cabides)"
Poema Sujo, Ferreira Gullar, ed. Civilização Brasileira, pg 46
A beleza do Poema Sujo para mim é sempre explosão.
O meu exemplar é bem antigo, de 1977 e ganhei de presente de uma amiga que naquela época era a minha alma gêmea, com ela, dentro dos livros, eu podia respirar, sair um pouco da vida asfixiante que levava. Para mim não havia saída: ou a loucura ou a poesia. Tenho uma linda dedicatória no livro:
" Mudar de casa já era / um aprendizado de vida.
Ainda estou viva / e vejo /
e vejo uma amiga.
Rose e Ana
76/77
Li o livro em voz alta dezenas de vezes andando pela casa. De todos os livros que já li na vida e não foram poucos, nenhum me provoca um terremoto emocional de tal magnitude.
" Como se o tempo
durante a noite
ficasse parado junto
com a escuridão e o cisco
debaixo dos móveis e
nos cantos da casa
(mesmo dentro
do guarda-roupa,
o tempo,
pendurado nos cabides)"
Poema Sujo, Ferreira Gullar, ed. Civilização Brasileira, pg 46
A beleza do Poema Sujo para mim é sempre explosão.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
ESPELHO
Diz Takuboku Ishikava, grande poeta japonês, nascido em 1885 e morto em 1912:
Fumaça que se desfaz no céu azul
fumaça que se desfaz melancolicamente
meu espelho
Quando me olho o que vejo? Fumaça, já que toda imagem se desmancha, escorre pelos desvãos do tempo. Quando me olho há uma do lado de fora, há muitas do lado de dentro.
O que sou quando alguém pronuncia meu nome?
O que sou dentro dos olhos do outro, às vezes meu espelho?
Maravilhoso poema de Takuboku.
Fumaça que se desfaz no céu azul
fumaça que se desfaz melancolicamente
meu espelho
Quando me olho o que vejo? Fumaça, já que toda imagem se desmancha, escorre pelos desvãos do tempo. Quando me olho há uma do lado de fora, há muitas do lado de dentro.
O que sou quando alguém pronuncia meu nome?
O que sou dentro dos olhos do outro, às vezes meu espelho?
Maravilhoso poema de Takuboku.
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
SISTEMAS FORA DO AR
Fui hoje até o mar bem cedo e havia uma piscina. Pude entrar. Era inacreditável, o mar de Saquarema não é para qualquer um. Não havia ninguém na praia. A minha alegria era tamanha que eu poderia explodir a qualquer momento. Romper meus limites é quase como virar luz. A água estava gelada quase como água de rio na montanha, mas amei e pude guardar estes momentos de bem estar absoluto no meu cofre de felicidades. Quem tem dor quase o tempo todo sabe do que estou falando.
Depois fui ao cartório reconhecer uma firma, a instituição mais idiota que já inventaram neste país. O contrato de edição não era de 2013, logo, me avisou o atendente, a firma só poderia ser reconhecida por semelhança e não por autenticidade. Mas havia um problema, o sistema estava fora do ar sem previsão de volta. Respirei fundo e pensei : por semelhança ou autrenticidade, o importante é que continuo sendo eu mesma com todas as minhas crenças e idiossincrasias. Fui para o correio cheia de envelopes e o sistema estava... fora do ar, sem previsão de volta.
E se todos os sistemas do mundo saíssem do ar? E se acabasse o petróleo? Hoje leio que vão racionar a luz, provavelmente. Ainda bem que de vez em quando eu também saio do ar, senão ninguém aguenta.
Depois fui ao cartório reconhecer uma firma, a instituição mais idiota que já inventaram neste país. O contrato de edição não era de 2013, logo, me avisou o atendente, a firma só poderia ser reconhecida por semelhança e não por autenticidade. Mas havia um problema, o sistema estava fora do ar sem previsão de volta. Respirei fundo e pensei : por semelhança ou autrenticidade, o importante é que continuo sendo eu mesma com todas as minhas crenças e idiossincrasias. Fui para o correio cheia de envelopes e o sistema estava... fora do ar, sem previsão de volta.
E se todos os sistemas do mundo saíssem do ar? E se acabasse o petróleo? Hoje leio que vão racionar a luz, provavelmente. Ainda bem que de vez em quando eu também saio do ar, senão ninguém aguenta.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
CARTEIRO
Sexta-feira passada apareceu um carteiro novo. Enquanto eu assinava a entrega da corresposdência ele me dizia:
"Li muitos poemas seus na escola."
Perguntei em qual escola.
E ele respondeu que na E.M Gustavo Campos.
Ele passou no Concurso para carteiros e não se esqueceu dos meus poemas.
Continuo amando os carteiros, apesar de cartas serem raras. Mas recebo livros e são sempre uma surpresa maravilhosa.
Em homenagem aos carteiros meu poema do livro ARTES E OFÍCIOS, ed. FTD:
OS CARTEIROS
Abrir uma carta,
o coração batendo,
é precioso ritual.
O que terá dentro?
Um convite, um aviso,
uma palavra de amor
que atravessou oceanos
para sussurrar em meu ouvido?
São como conchas as cartas,
guardam o barulho do mar,
o ar das montanhas.
Para mim os carteiros
são quase sagrados,
unicórnios ou magos
no meio dessa vida barulhenta.
"Li muitos poemas seus na escola."
Perguntei em qual escola.
E ele respondeu que na E.M Gustavo Campos.
Ele passou no Concurso para carteiros e não se esqueceu dos meus poemas.
Continuo amando os carteiros, apesar de cartas serem raras. Mas recebo livros e são sempre uma surpresa maravilhosa.
Em homenagem aos carteiros meu poema do livro ARTES E OFÍCIOS, ed. FTD:
OS CARTEIROS
Abrir uma carta,
o coração batendo,
é precioso ritual.
O que terá dentro?
Um convite, um aviso,
uma palavra de amor
que atravessou oceanos
para sussurrar em meu ouvido?
São como conchas as cartas,
guardam o barulho do mar,
o ar das montanhas.
Para mim os carteiros
são quase sagrados,
unicórnios ou magos
no meio dessa vida barulhenta.
domingo, 6 de janeiro de 2013
APRENDIZADO
Todos os dias gastamos nossas reservas de tempo, às vezes tão distraidamente, como água que se joga fora. Assim que abrimos os olhos convém afiar os olhos. Assombro. Para que cada segundo se torne único.
3 DE MAIO
Aprendi com meu filho de dez anos
que a poesia é a descoberta
das coisas que eu nunca vi.
OSWALD DE ANDRADE , in Os Melhores poemas e canções contra o tédio, Antologia, ed. Objetiva.
3 DE MAIO
Aprendi com meu filho de dez anos
que a poesia é a descoberta
das coisas que eu nunca vi.
OSWALD DE ANDRADE , in Os Melhores poemas e canções contra o tédio, Antologia, ed. Objetiva.
sábado, 5 de janeiro de 2013
A VERDADEIRA HISTÓRIA DO ALFABETO
Ganhei de presente de aniversário do meu amigo Dr. Messias um livro curioso, estranho, extraordinário. Leio aos poucos, tamanho o impacto que me causa. Estou começando a letra P
Para cada letra, a autora Noemi Jaffe, em seu livro A Verdadeira História do Alfabeto, ed. Companhia das Letras, inventa uma história que pode se passar em qualquer tempo, desde o primeiro dia do mundo com Adão e Eva. Mistura personagens verdadeiros, inventados, por exemplo, Bach e Borges e a narrativa é poética e belíssima. Os textos curtos podem ser lidos como contos, separadamente. Podem ser lidos em sua ordem de A a Z, mas nenhum relato se une ao outro, a não ser pela sequencia das letras. O livro é tão singular que resiste a qualquer classificação. Non sense, literatura fantástica, mitologia, poesia...
Letra A : " Era o ano de 341 AC. quando Epicuro partiu de Samos para Téos, e, após ter se frustrado com o filósofo Pânfilo, ouviu notícias sobre o pensamento atomista. Depois de muitos estudos, Epicuro concluiu que a inclinação de um átomo por outro pode ocorrer não somente por necessidade, mas por atração e desejo. Foi por essa época, também, e em função da constatação sobre o desejo que os átomos sentiam uns pelos outros, que Epicuro desenvolveu a letra A."
...............................................................................................................................................................
Que lindo o alfabeto começar com atração e desejo!.
Para cada letra, a autora Noemi Jaffe, em seu livro A Verdadeira História do Alfabeto, ed. Companhia das Letras, inventa uma história que pode se passar em qualquer tempo, desde o primeiro dia do mundo com Adão e Eva. Mistura personagens verdadeiros, inventados, por exemplo, Bach e Borges e a narrativa é poética e belíssima. Os textos curtos podem ser lidos como contos, separadamente. Podem ser lidos em sua ordem de A a Z, mas nenhum relato se une ao outro, a não ser pela sequencia das letras. O livro é tão singular que resiste a qualquer classificação. Non sense, literatura fantástica, mitologia, poesia...
Letra A : " Era o ano de 341 AC. quando Epicuro partiu de Samos para Téos, e, após ter se frustrado com o filósofo Pânfilo, ouviu notícias sobre o pensamento atomista. Depois de muitos estudos, Epicuro concluiu que a inclinação de um átomo por outro pode ocorrer não somente por necessidade, mas por atração e desejo. Foi por essa época, também, e em função da constatação sobre o desejo que os átomos sentiam uns pelos outros, que Epicuro desenvolveu a letra A."
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Que lindo o alfabeto começar com atração e desejo!.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
PARA FUGIR DOS IMPOSTOS
Gérard Dépardieu agora é russo? Para fugir do pagamento de impostos! Alguém que é um símbolo do cinema francês!
Seria maravilhoso que todas as fronteiras fossem abolidas, que o planeta Terra fosse de todos, que cada um pudesse escolher onde morar, mas como escolha pessoal e não para fugir de uma situação de miséria ou violência. Que cada país soubesse enraizar de tal maneira seus habitantes numa teia de bem estar,que eles não precisassem buscar outros lugares a não ser por um espírito de aventura.
Mas que um ser humano rico, milionário, escolha trocar de país para não pagar impostos, é horrível. Nós os mortais, pagamos todos os impostos e o pior, não recebemos quase nada em troca aqui no Brasil. A filha do meu caseiro está com o rim esquerdo comprometido e não consegue tratamento pelo SUS. Antes que precise fazer hemodiálise. Mas na França os benefícios são imensos e seria mais do que justo que um super rico pagasse impostos mais altos para que toda a população pudesse se beneficiar.
Gérard Dépardieu já me deu momentos maravilhosos, personagens inesquecíveis. Mas como gente como a gente, deixa a desejar.
Seria maravilhoso que todas as fronteiras fossem abolidas, que o planeta Terra fosse de todos, que cada um pudesse escolher onde morar, mas como escolha pessoal e não para fugir de uma situação de miséria ou violência. Que cada país soubesse enraizar de tal maneira seus habitantes numa teia de bem estar,que eles não precisassem buscar outros lugares a não ser por um espírito de aventura.
Mas que um ser humano rico, milionário, escolha trocar de país para não pagar impostos, é horrível. Nós os mortais, pagamos todos os impostos e o pior, não recebemos quase nada em troca aqui no Brasil. A filha do meu caseiro está com o rim esquerdo comprometido e não consegue tratamento pelo SUS. Antes que precise fazer hemodiálise. Mas na França os benefícios são imensos e seria mais do que justo que um super rico pagasse impostos mais altos para que toda a população pudesse se beneficiar.
Gérard Dépardieu já me deu momentos maravilhosos, personagens inesquecíveis. Mas como gente como a gente, deixa a desejar.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
PARA LER EM SILÊNCIO
Ontem ganhei de presente o livro "PARA LER EM SILÊNCIO", ed. Moderna, do Bartolomeu Campos de Queirós, agora para sempre estrela. O livro nos fala do ofício de escrever e além dos poemas que abrem cada capítulo, o texto é prosa poética belíssima. Tenho muitas afinidades com a escrita do Bartolomeu e também com suas inquietações. Como ele amo o silêncio que para mim é matéria prima, eu também trabalho com a palavra e o silêncio. Diz Bartolomeu na página 53:
" Nenhuma palavra vive sozinha. Toda palavra é composta. Se escrevo mar, nessa palavra rolam ondas, viajam barcos, cantam sereias, brilham estrelas, algas, conchas e outras praias. Se digo pai, é aquele que me ama ou aquele que não conheci ou aquele, ainda, que me abandonou.
Toda palavra brinca de esconder outras palavras.
Quando se lê uma palavra o coração escreve mais outras. Escrever é escutar a palavra e registrar o que ela nos pede. É a palavra que nos inscreve."
" Nenhuma palavra vive sozinha. Toda palavra é composta. Se escrevo mar, nessa palavra rolam ondas, viajam barcos, cantam sereias, brilham estrelas, algas, conchas e outras praias. Se digo pai, é aquele que me ama ou aquele que não conheci ou aquele, ainda, que me abandonou.
Toda palavra brinca de esconder outras palavras.
Quando se lê uma palavra o coração escreve mais outras. Escrever é escutar a palavra e registrar o que ela nos pede. É a palavra que nos inscreve."
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
COTIDIANO
Hoje a vida de todos os dias, a festa simples do cotidiano, cheia de milagres, cheiros e afazeres. Evoco as aranhas: há que tecer cada segundo, minuto, cada hora uma volta da teia.
O dia amanheceu fresco, silencioso. Nâo há sol. No jardim uma orquídea nos oferece um cacho de belas flores. O feijão para o almoço está de molho.
Por pura coincidência leio com um mínimo intervalo, o segundo livro sobre a Viena no final do século XIX e princípio do século XX. Ainda não inventaram nenhuma máquina do tempo melhor do que um belo livro. Passeio por Viena a quualquer hora do dia. E leio que em breve cientistas conseguirão ler pensamentos. Então será preciso inventar um cofre lacrado dentro da mente para guardar nossos pensamentos secretos, para que se tornem invioláveis. Dar a chave dos nossos pensamentos secretos será a maior prova de amor no futuro.
Recomeçamos, sempre recomeçamos.
OUVIR ESTRELAS
Mergulhar os ossos
na tinta fresca do universo
apanhar com a boca o voo
dos peixes e pássaros
arrancar da terra as palavras
e guardá-las em algum lugar obscuro
da casa
pegar das estrelas
seu grito de pavor e luz.
in Pássaros do Absurdo, ed. Tchê, esgotado.
O dia amanheceu fresco, silencioso. Nâo há sol. No jardim uma orquídea nos oferece um cacho de belas flores. O feijão para o almoço está de molho.
Por pura coincidência leio com um mínimo intervalo, o segundo livro sobre a Viena no final do século XIX e princípio do século XX. Ainda não inventaram nenhuma máquina do tempo melhor do que um belo livro. Passeio por Viena a quualquer hora do dia. E leio que em breve cientistas conseguirão ler pensamentos. Então será preciso inventar um cofre lacrado dentro da mente para guardar nossos pensamentos secretos, para que se tornem invioláveis. Dar a chave dos nossos pensamentos secretos será a maior prova de amor no futuro.
Recomeçamos, sempre recomeçamos.
OUVIR ESTRELAS
Mergulhar os ossos
na tinta fresca do universo
apanhar com a boca o voo
dos peixes e pássaros
arrancar da terra as palavras
e guardá-las em algum lugar obscuro
da casa
pegar das estrelas
seu grito de pavor e luz.
in Pássaros do Absurdo, ed. Tchê, esgotado.
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
PRIMEIRO DE JANEIRO
Nana, minha gata me acordou às 6hs da manhã, tentei dialogar, convencer, nada. Eu dizia, Nana, fui dormir tarde, mas os gatos são muito intransigentes e tive que me levantar.
Passamos a virada sozinhos, eu e Juan. Fizemos uma ceia simples e maravilhosa, na varanda, onde o vento tornava a noite amena, agradável. Antes, no final da tarde, levamos flores para Iemanjá, colhidas no jardim e ficamos na praia até o sol desaparecer. Uma família enorme, com umas 7 crianças, fazia a nossa alegria. O mar de Saquarema é violento, nunca posso entrar, mas enche os olhos de beleza.
Fizemos bruschetas com presunto Pata Negra que a editora Maeva nos enviou por correio da Espanha e "pimientos de piquillo", da Galícia. Depois uma pasta com gorgonzola que Juan preparou e estava no ponto exato. De sobremesa um queijo brie com geléia de laranja. Um vinho "rioja" espanhol e pronto, Espanha e Itália, os dois países do Juan estavam na mesa e logo pusemos cadeiras na nossa calçada para ver passar a multidão. Uma cena impressionante. Quase todas as meninas de branco e prata ou branco e dourado. A luz da rua, na frente da nossa casa estava queimada o que tornava tudo mais bonito e férico. E depois os fogos a partir da Igreja no alto do morro. Muitos amigos telefonaram, Gaby, da Guatemala, minha sobrinha Julia, de Natal, e na verdade embora estivéssemos sozinhos, a casa estava cheia.
Hoje fui cedinho para a praia. Juan foi caminhar na areia, mas eu não posso caminhar em terrenos instáveis então fiquei olhando o mar, belíssimo, a praia inteiramente vazia. Eu já estava em casa quando Juan voltou. Tocou a campainha e me disse: o mar me trouxe um presente. E trazia uma cesta de palha enorme e lindíssima.
Que 2013 nos deixe encher a cesta com pães, amor, livros, amigos novos e antigos, filhos, netos, surpresas.
E que a cesta se multiplique infinitamente.
Passamos a virada sozinhos, eu e Juan. Fizemos uma ceia simples e maravilhosa, na varanda, onde o vento tornava a noite amena, agradável. Antes, no final da tarde, levamos flores para Iemanjá, colhidas no jardim e ficamos na praia até o sol desaparecer. Uma família enorme, com umas 7 crianças, fazia a nossa alegria. O mar de Saquarema é violento, nunca posso entrar, mas enche os olhos de beleza.
Fizemos bruschetas com presunto Pata Negra que a editora Maeva nos enviou por correio da Espanha e "pimientos de piquillo", da Galícia. Depois uma pasta com gorgonzola que Juan preparou e estava no ponto exato. De sobremesa um queijo brie com geléia de laranja. Um vinho "rioja" espanhol e pronto, Espanha e Itália, os dois países do Juan estavam na mesa e logo pusemos cadeiras na nossa calçada para ver passar a multidão. Uma cena impressionante. Quase todas as meninas de branco e prata ou branco e dourado. A luz da rua, na frente da nossa casa estava queimada o que tornava tudo mais bonito e férico. E depois os fogos a partir da Igreja no alto do morro. Muitos amigos telefonaram, Gaby, da Guatemala, minha sobrinha Julia, de Natal, e na verdade embora estivéssemos sozinhos, a casa estava cheia.
Hoje fui cedinho para a praia. Juan foi caminhar na areia, mas eu não posso caminhar em terrenos instáveis então fiquei olhando o mar, belíssimo, a praia inteiramente vazia. Eu já estava em casa quando Juan voltou. Tocou a campainha e me disse: o mar me trouxe um presente. E trazia uma cesta de palha enorme e lindíssima.
Que 2013 nos deixe encher a cesta com pães, amor, livros, amigos novos e antigos, filhos, netos, surpresas.
E que a cesta se multiplique infinitamente.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
PARA VIAJAR
Como é que se vai para a Atlândida?
De cavalo marinho?
E de unicórnio,
dá para chegar nas montanhas da lua?
Para o centro da Terra
vamos de dragão dourado?
De maria-fumaça a gente atravessa
o tempo?
in Pêra, Uva ou Maça? , ed. Scipione
Desejo que para subir a bordo dos 365 dias de 2013, todos afiem seus sonhos .
De cavalo marinho?
E de unicórnio,
dá para chegar nas montanhas da lua?
Para o centro da Terra
vamos de dragão dourado?
De maria-fumaça a gente atravessa
o tempo?
in Pêra, Uva ou Maça? , ed. Scipione
Desejo que para subir a bordo dos 365 dias de 2013, todos afiem seus sonhos .
domingo, 30 de dezembro de 2012
POEMAS E COMIDINHAS
Recebo a quinta edição do meu livro Poemas e Comidinhas da ed. Paulus. O livro é uma delícia em todos os sentidos : a partir de um poema sempre uma receita gostosa testada pelo meu filho, o Chef André Murray.
Deixo aqui então uma sugestão para um dos pratos da ceia do final de ano: um risoto de flores. Mas antes o poema com a sugestão de que comer beleza é a melhor coisa do mundo:
ELFOS
Elfos comem o perfume
das flores trazido pelo
vento,
comem os mais belos pensamentos,
e as cores do dia
que o galo faz.
Comem o canto do galo,
as melodias dos pássaros
]azuis,
comem a luz que cintila
na folha cheia de orvalho.
Elfos comem a sombra da lua,
o brilho da estrela
que já não existe mais.
RISOTO DE FLORES
Ingredientes:
1 xícara de arroz (de preferência tipo arbório, especial para risoto)
Meia cebola picada
2 colheres de (sopa) de água de rosas (pode ser encontrada em casas de produtos árabes)
3 xícaras de caldo de frango
1 pitada de açafrão em pó
Um quarto de xícara de queijo parmesão ralado
Um oitavo de tablete de manteiga
pétalas de rosas de cores variadas.
Preparo:
Refogue a cebola sem deixar dourar. Junte o arroz, a água de rosas e 1 xícara de caldo de frango.
Mexa sem parar até quase secar. Junte mais 1 xícara do caldo, junte o açafrão e mexa sem parar até quase secar.
Nesta última adição pode não ser necessário usar todo o caldo, então experimente a textura do risoto.
Acrescente o queijo, a manteiga e as pétalas de flores. Prove para saber se está bom de sal. Caminhe até a floresta mais próxima e convide um elfo para dividir este delicioso risoto.
Deixo aqui então uma sugestão para um dos pratos da ceia do final de ano: um risoto de flores. Mas antes o poema com a sugestão de que comer beleza é a melhor coisa do mundo:
ELFOS
Elfos comem o perfume
das flores trazido pelo
vento,
comem os mais belos pensamentos,
e as cores do dia
que o galo faz.
Comem o canto do galo,
as melodias dos pássaros
]azuis,
comem a luz que cintila
na folha cheia de orvalho.
Elfos comem a sombra da lua,
o brilho da estrela
que já não existe mais.
RISOTO DE FLORES
Ingredientes:
1 xícara de arroz (de preferência tipo arbório, especial para risoto)
Meia cebola picada
2 colheres de (sopa) de água de rosas (pode ser encontrada em casas de produtos árabes)
3 xícaras de caldo de frango
1 pitada de açafrão em pó
Um quarto de xícara de queijo parmesão ralado
Um oitavo de tablete de manteiga
pétalas de rosas de cores variadas.
Preparo:
Refogue a cebola sem deixar dourar. Junte o arroz, a água de rosas e 1 xícara de caldo de frango.
Mexa sem parar até quase secar. Junte mais 1 xícara do caldo, junte o açafrão e mexa sem parar até quase secar.
Nesta última adição pode não ser necessário usar todo o caldo, então experimente a textura do risoto.
Acrescente o queijo, a manteiga e as pétalas de flores. Prove para saber se está bom de sal. Caminhe até a floresta mais próxima e convide um elfo para dividir este delicioso risoto.
sábado, 29 de dezembro de 2012
REAJA
Recebemos aqui em casa o livro REAJA do Cristovam Buarque, ed. Garamond. O livro é inspirado no manifesto "INDIGNEZ-VOUS" (Indignem-se) de Stéphane Hessel, filósofo francês de 95 anos, texto que varreu a Europa como um vendaval. Cristovam, que se inspirou então no belo texto de Stéphanie , faz uma proposta ao leitor no final do livro:
"Ao fechar um livro que leu até o final, reaja ao que leu. E não reaja apenas por reagir. Aja. Para isto, escreva seu próprio livro, com suas idéias e ações. Esta será uma forma de reagir."
Transcrevo um pequeno trecho já que além de poeta luto com as poucas armas que tenho, a minha voz, por uma educação mais justa e criativa aqui no Brasil e me identifico com o que escreve meu querido Cristovam:
"Reaja contra as desigualdades; mas, sobretudo, contra a mãe de todas elas: a educação desigual.
Veja com horror a cara do futuro do país retratada nas decrépitas escolas de hoje. Veja e reaja. Seja um educacionista: no lugar de querer um país rico para só então fazer a boa escola para todos como o caminho de fazer o país rico. Lute para que os filhos dos trabalhadores estudem nas mesmas escolas dos filhos dos patrões. E cada um evolua conforme seu talento, vocação e persistência - não pela sorte lotérica da genética e da renda dos pais. Lute pelo direito democrático de funcionamento das escolas privadas, e para que um dia elas se tornem desnecessárias, graças à qualidade de toda escola pública".
in Reaja, Cristovam Buarque, ed. Garamond , página 13.
Indico pois o livro como leitura obrigatória para os últimos dias de dezembro. E que no dia 1 de janeiro cada um escreva seu próprio manifesto.
"Ao fechar um livro que leu até o final, reaja ao que leu. E não reaja apenas por reagir. Aja. Para isto, escreva seu próprio livro, com suas idéias e ações. Esta será uma forma de reagir."
Transcrevo um pequeno trecho já que além de poeta luto com as poucas armas que tenho, a minha voz, por uma educação mais justa e criativa aqui no Brasil e me identifico com o que escreve meu querido Cristovam:
"Reaja contra as desigualdades; mas, sobretudo, contra a mãe de todas elas: a educação desigual.
Veja com horror a cara do futuro do país retratada nas decrépitas escolas de hoje. Veja e reaja. Seja um educacionista: no lugar de querer um país rico para só então fazer a boa escola para todos como o caminho de fazer o país rico. Lute para que os filhos dos trabalhadores estudem nas mesmas escolas dos filhos dos patrões. E cada um evolua conforme seu talento, vocação e persistência - não pela sorte lotérica da genética e da renda dos pais. Lute pelo direito democrático de funcionamento das escolas privadas, e para que um dia elas se tornem desnecessárias, graças à qualidade de toda escola pública".
in Reaja, Cristovam Buarque, ed. Garamond , página 13.
Indico pois o livro como leitura obrigatória para os últimos dias de dezembro. E que no dia 1 de janeiro cada um escreva seu próprio manifesto.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
VOLTA
Ainda é dezembro com o fogo das flores do flamboiã do jardim e o calor e o mar me recebem de volta aqui em Saquarema. Ainda é dezembro de 2012, ontem passei meu aniversário em Visconde de Mauá num almoço esplêndido preparado pelo André, meu filho e Dani Keiko, minha nora, no Babel Restaurante, rodeada de amor: Juan, filhos, noras, minha irmã Evelyn Kligerman , meus grandes amigos-irmãos Messias e Kátia , seu filho Gustavo e Fabiana que vieram da Itália onde moram, Salvador, meu grande amigo ermitão que saiu da sua toca no mais alto da montanha e Vanda, nossa caseira que viajou para estar comigo. E... meu neto Luis que apanhava flores no jardim e nos presentava durante o almoço.
Ainda é dezembro e pude estar , antes de ir para Mauá, com o Clube de Leitura da Edith Lacerda, e presenciar a discussão amorosa do meu livro Diário da Montanha. Foi uma experiência impactante.
Ainda é dezembro e passamos um dia , toda a família, num Hotel Fazenda em Bananal, indicação preciosa da Ione Duque e do André, que foi meu taxista no Projeto Fala Autor, do Sesc! A casa de mais de duzentos anos nos abriu as portas e aguçou a nossa curiosidade, queríamos saber tudo! Onde ficava a senzala, o que guardavam no porão onde fazíamos as refeições?
Ainda é dezembro e recebo hoje um exemplar da Revista Poesia Sempre da Biblioteca.Nacional, (com três anos de atraso) trazendo um artigo maravilhoso sobre a minha obra. E também um ensaio que me fez chorar, da Vera Tiezman sobre meu livro Poemas para Ler na Escola.
Ainda é dezembro e o mundo não acabou, mas acaba todos os dias, recomeça todos os dias e estamos vivos, eu, você que está me lendo e tanta gente que amo e isso é simplesmente fantástico.
Ainda é dezembro e pude estar , antes de ir para Mauá, com o Clube de Leitura da Edith Lacerda, e presenciar a discussão amorosa do meu livro Diário da Montanha. Foi uma experiência impactante.
Ainda é dezembro e passamos um dia , toda a família, num Hotel Fazenda em Bananal, indicação preciosa da Ione Duque e do André, que foi meu taxista no Projeto Fala Autor, do Sesc! A casa de mais de duzentos anos nos abriu as portas e aguçou a nossa curiosidade, queríamos saber tudo! Onde ficava a senzala, o que guardavam no porão onde fazíamos as refeições?
Ainda é dezembro e recebo hoje um exemplar da Revista Poesia Sempre da Biblioteca.Nacional, (com três anos de atraso) trazendo um artigo maravilhoso sobre a minha obra. E também um ensaio que me fez chorar, da Vera Tiezman sobre meu livro Poemas para Ler na Escola.
Ainda é dezembro e o mundo não acabou, mas acaba todos os dias, recomeça todos os dias e estamos vivos, eu, você que está me lendo e tanta gente que amo e isso é simplesmente fantástico.
domingo, 16 de dezembro de 2012
SUPERAÇÃO
Ontem vi um documentário emocionante no TV 5: Thalassa.
A história de um homem que perdeu metade das duas pernas e dos dois braços num acidente e que é um oos maiores nadadores do mundo. Com uma prótese e pés de pato para as pernas e uma prótese para ps braços, ele atravessou a nado os cinco continentes: Canal da Mancha, Estreito de Gibraltar, Canal de Bhering, etc. Com um companheiro ao seu lado, com barcos monitorando a travessia, a história deste homem , sua alegria, é uma grande lição de vida.
No documentário há um momento em que ele se encontra com um sobrevivente de um Campo de Concentração que também é um mergulhador. O número tatuado em seu braço e todos os anos de vida, não o impedem de mergulhar e ter uma relação belíssima com a vida.
Alegria: eis a palavra chave, a palavra mágica, a que abre todas as portas.
Amanhã vou para o Rio e de lá para Visconde de Mauá , onde mergulho num mundo com outra medida de tempo. Volto dia 28.
A história de um homem que perdeu metade das duas pernas e dos dois braços num acidente e que é um oos maiores nadadores do mundo. Com uma prótese e pés de pato para as pernas e uma prótese para ps braços, ele atravessou a nado os cinco continentes: Canal da Mancha, Estreito de Gibraltar, Canal de Bhering, etc. Com um companheiro ao seu lado, com barcos monitorando a travessia, a história deste homem , sua alegria, é uma grande lição de vida.
No documentário há um momento em que ele se encontra com um sobrevivente de um Campo de Concentração que também é um mergulhador. O número tatuado em seu braço e todos os anos de vida, não o impedem de mergulhar e ter uma relação belíssima com a vida.
Alegria: eis a palavra chave, a palavra mágica, a que abre todas as portas.
Amanhã vou para o Rio e de lá para Visconde de Mauá , onde mergulho num mundo com outra medida de tempo. Volto dia 28.
sábado, 15 de dezembro de 2012
SEM PALAVRAS
Os Maias erraram. O fim do mundo foi ontem, dia 14 de dezembro de 2012, quando crianças pequenas foram brutalmente assassinadas dentro de uma escola nos Estados Unidos, onde se pode comprar qualquer arma como se fosse aspirina e onde prevalece a cultura da violência, onde os fracos são abandonados e o sucesso é buscado a qualquer preço. A sociedade americana de consumo é brutal. E ama a guerra. É a cultura do desperdício. Nada vale nada. A vida humana nada vale.
Nem todas as palavras de todas as linguas podem dizer o horror de ter um filho assassinado dentro de uma escola.
Nem todas as palavras de todas as linguas podem dizer o horror de ter um filho assassinado dentro de uma escola.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
DESTINO
Será que você acredita em destino? Algo tem que acontecer ou não tem que acontecer? Destino é diferente de acaso ? O dicionário me diz que não. Se busco a palavra acaso, encontro dentro de várias possibilidades: destino.
EXISTÊNCIA
Será que o destino
é um mapa
e se conseguir decifrar
o que está oculto,
os rios subterrâneos,
as pegadas no chão
de terra,
poderei responder ao poeta
"existirmos, a que será
que se destina?"
Será que o destino
é uma teia
e somos nós as aranhas
e fabricamos as esquinas,
as bifurcações
com nossa saliva?
Basta seguir a seta
onde se lê a palavra
vida?
in Diário da Montanha, ed. Manati
EXISTÊNCIA
Será que o destino
é um mapa
e se conseguir decifrar
o que está oculto,
os rios subterrâneos,
as pegadas no chão
de terra,
poderei responder ao poeta
"existirmos, a que será
que se destina?"
Será que o destino
é uma teia
e somos nós as aranhas
e fabricamos as esquinas,
as bifurcações
com nossa saliva?
Basta seguir a seta
onde se lê a palavra
vida?
in Diário da Montanha, ed. Manati
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
UM SOPRO
Sonhei com a minha mãe que morreu em 2009. Ela estava bem viva aqui em casa, com toda a família e fazia suco de laranja na cozinha para todos. Um sonho bem simples e prosaico. Mas está chegando o meu aniversário. Será que é uma mensagem de que mãe é alimento sempre? E de que mesmo tendo partido ela ainda me alimenta?
UM SOPRO
Como chegar ao coração
dos mortos
esse duro coração de hera
perdido entre as águas da memória
como um barco de outros tempos?
Um sopro ainda vive
como uma flauta longínqua.
in Pássaros do Absurdo, ed, Tchê, esgotado.
UM SOPRO
Como chegar ao coração
dos mortos
esse duro coração de hera
perdido entre as águas da memória
como um barco de outros tempos?
Um sopro ainda vive
como uma flauta longínqua.
in Pássaros do Absurdo, ed, Tchê, esgotado.
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
FIM
Já que no dia 21 de dezembro o mundo vai acabar, convém sorver toda a beleza possível com sofreguidão, acreditar com muita força que todos os problemas insolúveis do planeta serão resolvidos a tempo, que não haverá mais fome, que a poesia, como a flor que brota entre as frestas do cimento , estará ao alcance de todos, basta parar e soprar as suas pétalas . Já que no dia 21 de dezembro o mundo vai acabar, convém dizer eu te amo a todas as pessoas que amamos e trocar corações com os amigos. Convém avivar a nossa chama .
E para o fim do mundo o poema FIM de Murilo Mendes:
Eu existo para assistir ao fim do mundo.
Não há outro espetáculo que me invoque.
Será uma festa prodigiosa, a única festa.
Ó meus amigos e comunicantes,
tudo o que acontece desde o princípio é a sua preparação.
Eu preciso assistir ao fim do mundo
para saber o que Deus quer comigo e com todos
a para saciar minha sede de teatro.
Preciso assistir ao julgamento universal,
ouvir os coros imensos,
as lamentações e as queixas de todos,
desde Adão até o último homem.
Eu existo para assistir ao fim do mundo,
eu existo para a visão beatífica.
Murilo Mendes, in Os Melhores Poemas e Canções Contra o Tédio, ed. Objetiva
E para o fim do mundo o poema FIM de Murilo Mendes:
Eu existo para assistir ao fim do mundo.
Não há outro espetáculo que me invoque.
Será uma festa prodigiosa, a única festa.
Ó meus amigos e comunicantes,
tudo o que acontece desde o princípio é a sua preparação.
Eu preciso assistir ao fim do mundo
para saber o que Deus quer comigo e com todos
a para saciar minha sede de teatro.
Preciso assistir ao julgamento universal,
ouvir os coros imensos,
as lamentações e as queixas de todos,
desde Adão até o último homem.
Eu existo para assistir ao fim do mundo,
eu existo para a visão beatífica.
Murilo Mendes, in Os Melhores Poemas e Canções Contra o Tédio, ed. Objetiva
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
FAIXA ETÁRIA
É comum chegar numa escola e as crianças apresentarem um poema dramatizado. Na minha última visita a uma escola aqui em Saquarema, pequenos leitores declamavam poemas dos meus livros infantis e alguns poemas do meu livro Poesia Essencial que eu pensava ter escrito para adultos. Adoro isso, a mistura. Para qual faixa etária? Acho que a frointeira nós inventamos, vejo que as crianças trafegam bem entre as duas margens.
O tempo virou e o mar também. As ondas estão grandes e não há sol. Mas olho pela janela e vejo meu filho, minha nora e meu neto na praia. Meu neto: pequenininho lá na areia , naquele espaço imenso e meu coração quase explode de amor.
O tempo virou e o mar também. As ondas estão grandes e não há sol. Mas olho pela janela e vejo meu filho, minha nora e meu neto na praia. Meu neto: pequenininho lá na areia , naquele espaço imenso e meu coração quase explode de amor.
domingo, 9 de dezembro de 2012
PARTICIPAÇÃO
Leio sobre o movimento de alunos de escolas municipais e estaduais nas redes sociais para revelar publicamente as mazelas de suas escolas, o descaso dos Estados e Municípios com o espaço físico das escolas. Claro que existem escolas públicas maravilhosas e aqui em Saquarema todas são lindíssimas. mas já vi escolas depredadas e denunciar nas redes é uma ferramenta maravilhosa de participação do aluno na defesa do seu patrimônio físico e afetivo, afinal estar num espaço limpo, bonito e bem cuidado aumenta a auto estima de qualquer um. Leio também que a denúncia funciona, logo consertam um buraco, um vazamento e retiram entulhos. Uma pena que seja preciso denunciar e fazer pressão. Escola pública limpa, bonita, bem cuidada deveria ser matéria obrigatória .
Hoje é um domingo raro: terei os filhos reunidos para o almoço. Para um domingo especial, a flor-estrela que abriu esta manhã:
Hoje é um domingo raro: terei os filhos reunidos para o almoço. Para um domingo especial, a flor-estrela que abriu esta manhã:
sábado, 8 de dezembro de 2012
A LEBRE COM OLHOS DE ÂMBAR
Estou nas últimas páginas de um livro maravilhoso que comecei a ler com muita dificuldade, o livro era pedregoso, complicado. Mas de repente A LEBRE COM OLHOS DE ÂMBAR de Edmund de Waal, ed. Intrínseca, se revelou uma imensa tapeçaria e diante dos meus olhos que não são de âmbar, o século XIX parecia um jogo de montar finalmente todo montado. A partir de pequenas miniaturas japonesas entalhadas em madeira e marfim , o autor reconstrói o esplendor e queda de uma família e de todo o Império Austro-Húngaro. Além disso, como há ramificações da família em Paris, passeamos por seus salões, visitamos os impressionistas e Proust. A partir destes netsuquês, coleção que sobreviveu ao saque dos nazistas, o autor rastreia, através de documentos, o dia a dia de seus ancestrais. Finalmente os netsuquês voltam ao Japão pelas mãos do seu herdeiro, um tio-avô do autor. O livro é uma mistura de memória com ensaio e umas pinceladas de ficção ou imaginação, porque a partir de uma simples fotografia ou documento, como se girasse a manivela do tempo para trás e desse corda aos personagens estáticos da foto ou desse vida às palavras, temos de volta uma cena com todos os cheiros e cores da época. Belíssimo livro.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
ACELERA BRASIL
Hoje passei boa parte da manhã conversando com os alunos da E.M João Laureano. É uma escola rural aqui em Saquarema, perto de Sampaio Correia e foi muito agradável o nosso encontro. A Diretora Andrea é empenhadíssima em oferecer o melhor para as crianças. Hoje algumas turmas tinham um passeio e o ônibus não foi buscá-los! Ela conseguiu três carros e eles puderam ir. Mas realmente o meu transbordamento veio por acaso. Eu já estava indo embora quando uma professora me chamou para conhecer a sua turma que está trabalhando com o Projeto Acelera Brasil do Instituto Ayrton Senna. E fiquei em estado de choque. A turma inteira me contava sobre o trabalho. O entusiasmo deles era imenso. Tudo o que eu penso sobre uma nova educação está ali: os temas são trabalhados a partir de textos. A leitura ocupa o primeiro lugar. Trabalham juntos numa roda, não existe uma carteira atrás da outra, muitas aulas de leitura fora da sala, muitos livros são lidos por todos, aprendem a pensar e a trabalhar a auto-estima. Mas, infelizmente, só uma turma trabalha desta maneira. A minha pergunta é : se o resultado é tão esplêndido, por que a escola inteira não pode fazer uma educação assim? E por que todas as escolas não fazem uma educação assim criativa se todos sabemos como os resultados são incríveis?
Li com eles o meu livro Quatro Jabutis, ed. Lê e a partir de um texto tão simples falamos de muitas coisas. Eles representaram meu poema Galinha D"Angola que foi usado no Projeto África. Contei para êles que quando fui visitar minha irmã na Costa do Marfim vi num casamento um griot de verdade!
Li com eles o meu livro Quatro Jabutis, ed. Lê e a partir de um texto tão simples falamos de muitas coisas. Eles representaram meu poema Galinha D"Angola que foi usado no Projeto África. Contei para êles que quando fui visitar minha irmã na Costa do Marfim vi num casamento um griot de verdade!
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
LIVRO-CONCERTO
Estou de férias!!! Embora amanhã tenha algumas horas com pequenos leitores numa escola rural aqui em Saquarema. A casa se encherá de filhos e novos barulhos, Luis, meu neto para lá e para cá, André, meu filho-Chef cozinhando maravilhas... E é verão e o mar está latejando de azul.
O Livro-Concerto Caixinha de Música com Guga Murray , ontem à noite no Sesc Barra Mansa foi emocionante, pois era num teatro e não havia nenhuma interferência externa. A platéia participou em ondas de felicidade. É um trabalho tão bonito que gostaria de levá-lo para onde pudesse!!! E quando se tem um teatro... é a perfeição.
Este ano foi magnífico,cheio de viagens e acontecimentos. Agora finalmente passarei algum tempo em casa .Ou entre as casas, pois passarei o Natal em Mauá.
Aprendi com os astrofísicos que somos feitos com a mesma matéria das estrelas. Niemeyer voltou então ao estado original: agora é novamente estrela pura. Fiquem atentos, esta noite já estará brilhando na Via Láctea.
O Livro-Concerto Caixinha de Música com Guga Murray , ontem à noite no Sesc Barra Mansa foi emocionante, pois era num teatro e não havia nenhuma interferência externa. A platéia participou em ondas de felicidade. É um trabalho tão bonito que gostaria de levá-lo para onde pudesse!!! E quando se tem um teatro... é a perfeição.
Este ano foi magnífico,cheio de viagens e acontecimentos. Agora finalmente passarei algum tempo em casa .Ou entre as casas, pois passarei o Natal em Mauá.
Aprendi com os astrofísicos que somos feitos com a mesma matéria das estrelas. Niemeyer voltou então ao estado original: agora é novamente estrela pura. Fiquem atentos, esta noite já estará brilhando na Via Láctea.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
ESTRADA
Amanhã irei às 5hs da manhã para Resende e dia 5 estarei às 19hs no SESC BARRA MANSA para o encerramento do Projeto FALA AUTOR!
Vou escrevendo...
Vou escrevendo...
ENCONTROS EM CAMPOS
Tivemos grandes encontros em Campos. Chegamos , eu e meu filho Guga Murray, depois de 4 horas de viagem com uma parada num lugar encantador, bastante bucólico, já perto de Macaé, almoçamos correndo pois já era a nossa hora na Caverna da Bienal. A caverna era um espaço bem interessante, meio verde, o público, pais, mães, crianças, avós, alguns adolescentes, se sentavam no chão. Apresentei alguns dos meus livros e Guga fez o seu Concerto Didático com o livro Caixinha de Música projetado na parede, pois era um cinelivro, idéia maravilhosa da Suzana Vargas. De poema em poema, Guga foi envolvendo a platéia. Teve até um concurso de quem lia o poema "Unidunitê" mais rápido! Os pequenos leitores, com 7 anos, se sairam muito bem. Para o poema "Tempo" Guga preparou uma instalação musical. Ficou belíssimo! A platéia toda fazendo tic-tac e um sonzinho com os dedos na palma da mão , além de um som com conduites que ele distribuiu pela platéia. Pura música contemporânea! A platéia cantou um rap e 2 canções belíssimas com os poemas.
À noite Tino Freitas, meu amigo querido chegou para o jantar. Ficamos 3 horas inteiras conversando junto com a poeta Lila, braço direito da Suzana Vargas, que acaba de ganhar um concurso de poesia importantíssimo no Paraná. Guga e Tino, dois músicos, se entenderam e ficaram amigos de infância. Tino estava vestido de Chef de Cozinha, o seu desejo secreto.
Repetimos a dose no dia seguinte pela manhã, ontem, e foi ótimo. No camarim, antes do encontro na Caverna, Mano Melo começou a ler meu livro Diário da Montanha e não largava mais e fiquei tão feliz e lisonjeada que quase explodi. Pode acontecer.
Tino Freias também nos mostrou no camarim suas canções maravilhosas para um disco para crianças e ganhei um livro de poesia belo e premiado da poeta campista Amélia Alves.
Na volta paramos para almoçar num lugar fantástico chamado Panela de Barro, muito coisa da roça, e comemos tanto por causada nossa felicidade, comi até doce de abóbora cristalizado, como os da minha infância e tabletinhos de doce de leite, eu que não como doces!
À noite Tino Freitas, meu amigo querido chegou para o jantar. Ficamos 3 horas inteiras conversando junto com a poeta Lila, braço direito da Suzana Vargas, que acaba de ganhar um concurso de poesia importantíssimo no Paraná. Guga e Tino, dois músicos, se entenderam e ficaram amigos de infância. Tino estava vestido de Chef de Cozinha, o seu desejo secreto.
Repetimos a dose no dia seguinte pela manhã, ontem, e foi ótimo. No camarim, antes do encontro na Caverna, Mano Melo começou a ler meu livro Diário da Montanha e não largava mais e fiquei tão feliz e lisonjeada que quase explodi. Pode acontecer.
Tino Freias também nos mostrou no camarim suas canções maravilhosas para um disco para crianças e ganhei um livro de poesia belo e premiado da poeta campista Amélia Alves.
Na volta paramos para almoçar num lugar fantástico chamado Panela de Barro, muito coisa da roça, e comemos tanto por causada nossa felicidade, comi até doce de abóbora cristalizado, como os da minha infância e tabletinhos de doce de leite, eu que não como doces!
sábado, 1 de dezembro de 2012
CAMPOS
Hoje vou a Campos. Minha avó que hoje teria uns 130 anos se fosse viva, não reconheceria a cidade. Nada deve ter sobrado do casarão onde morava, da cidade pequena e pacata onde chegou, jovem, com seus filhos, da Polonia. Havia uma comunidade judaica na cidade. Tenho vagas lembranças, quase uma fumaça. Lembro de mim na cozinha com minha avó, ela limpava carne e dava pedaços para o seu gato e eu achava a cena lindíssima. Lembro de um quintal com árvore de carambola e me sentavam debaixo da árvore e meu primo, muito mais velho, subia na árvore e me jogava as frutas. Minha mãe me contava da sua juventude em Campos, dos bailes, das amigas, dos namoros antes do meu pai. Antes de morrer minha mãe gostava de visitar Campos em pensamento, com seus dezoito anos, e me falava : _"eu era tão namoradeira"!
A última vez que fui a Campos fiquei chocada. O que o petróleo conseguiu fazer com a cidade! Mas há uma notícia maravilhosa, os próximos contratos do pré sal deverão destinar os royalties para a educação. Há que investir em conhecimento , literatura e arte e não em calçadas de mármore ou inchar a lista de funcionários públicos pagando com o dinheiro do petróleo. Ou deixar que os royalties escorram como esgoto para os ralos da corrupção. Dinheiro dos royalties para a educação. Comemoremos. Pois até aqui não temos muito o que comemorar.
A última vez que fui a Campos fiquei chocada. O que o petróleo conseguiu fazer com a cidade! Mas há uma notícia maravilhosa, os próximos contratos do pré sal deverão destinar os royalties para a educação. Há que investir em conhecimento , literatura e arte e não em calçadas de mármore ou inchar a lista de funcionários públicos pagando com o dinheiro do petróleo. Ou deixar que os royalties escorram como esgoto para os ralos da corrupção. Dinheiro dos royalties para a educação. Comemoremos. Pois até aqui não temos muito o que comemorar.
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
NETO NA CASA
Meu neto já está na estrada. Chegará junto com o final da tarde. Agradeço. Neto é dádiva.
Amanhã , às 9hs da manhã um carro virá de Campos nos buscar, eu e Guga Murray, meu filho, participaremos da Bienal. Guga com seu Concerto Didático Caixinha de Música, eu com minha sacola de livros.
É tão bonito trabalhar junto com meu filho, uma experiência única.
Este ano tem sido muito bom, cheio de viagens, trabalho, novos livros. Agradeço.
Amanhã , às 9hs da manhã um carro virá de Campos nos buscar, eu e Guga Murray, meu filho, participaremos da Bienal. Guga com seu Concerto Didático Caixinha de Música, eu com minha sacola de livros.
É tão bonito trabalhar junto com meu filho, uma experiência única.
Este ano tem sido muito bom, cheio de viagens, trabalho, novos livros. Agradeço.
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
PARA TOCAR NO RÁDIO
Hoje uma pequena imensa notícia no O Globo, enquanto tomava café da manhã, me enlouqueceu de alegria. Fico sabendo que : "Aos 97 anos, Maruja Venegas, entrou para o Guiness: está há 77 anos como locutora, 60 à frente de um programa de rádio para crianças."
Não sei se no Brasil as crianças ouvem rádio, não tenho esta informação. Na minha infância, sim, ouvíamos muito rádio. Esperávamos os programas com enorme impaciência. A idéia de programas pelo rádio para crianças é absolutamente linda e com uma vovó de 97 anos, o programa fica então muito mais saboroso. Que Maruja viva ainda mais cem para alegrar as crianças.
Aqui em Saquarema houve uma época em que a E.M.Gustavo Campos tinha uma rádio e a Sala de Leitura inventou um programa maravilhoso: Um Minuto de Poesia Todo Dia.
Cláudia, professora responsável pela sala, a inventora, lia os poemas e criava a maior expectativa entre todos. Já pela manhã os alunos passavam pela Sala de Leitura para saber qual seria o poema. Infelizmente a rádio acabou , mas deixo aqui a idéia para ser copiada.
Não sei se no Brasil as crianças ouvem rádio, não tenho esta informação. Na minha infância, sim, ouvíamos muito rádio. Esperávamos os programas com enorme impaciência. A idéia de programas pelo rádio para crianças é absolutamente linda e com uma vovó de 97 anos, o programa fica então muito mais saboroso. Que Maruja viva ainda mais cem para alegrar as crianças.
Aqui em Saquarema houve uma época em que a E.M.Gustavo Campos tinha uma rádio e a Sala de Leitura inventou um programa maravilhoso: Um Minuto de Poesia Todo Dia.
Cláudia, professora responsável pela sala, a inventora, lia os poemas e criava a maior expectativa entre todos. Já pela manhã os alunos passavam pela Sala de Leitura para saber qual seria o poema. Infelizmente a rádio acabou , mas deixo aqui a idéia para ser copiada.
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
PROCESSO DE CRIAÇÃO
Nunca planejo meus livros. Eles chegam como os gatos. Entre um suspiro e outro, quando me dou conta, a idéia do livro já germina dentro de mim.
O Diário da Montanha nasceu assim. Eu estava lá, na minha casinha do bosque e de repente escrevi um poema e depois outro, então pensei: vou fazer um diário, com tudo o que for me acontecendo. Escrevia a mão, como já não faço desde muito tempo, num caderno lindo de papel vegetal. E o diário foi crescendo e às vezes, quando já não estava lá e sim aqui em Saquarema, eu pensava na casinha , no Diário e queria escrever, então pegava o caderno na gaveta, pois sempre o trazia de volta e escrevia algum poema que não se passava lá, mas falava sobre isso, a ausência, a vontade de estar lá. Ás vezes era algum pensamento que me vinha, alguma reflexão, como nos dois poemas abaixo:
OS PRIMEIROS
O que me separa do primeiro homem,
da primeira mulher do mundo,
dos seus medos, pavores, desejos,
anseios?
O que me separa quando o último
fio de lua ilumina a última
folha da mata
e em silêncio a manhã já se desgarra?
Uma fina película de tempo,
um grão de poeira de tempo.
03.12.2011
BASTAM SEIS
Dizem que bastam seis,
seis homens ou mulheres
para que se alcance
qualquer pessoa perdida
em qualquer lugar
sobre a face da Terra.
E os que se mudaram para as estrelas,
os que já se foram e apagaram o cnério,
os que perdemos para sempre,
como alcançá-los, como atravessar
seu silêncio espesso, a sua falta
de substância, a sua dolorosa luz?
06.12.2011
in Diário da Montanha, ed. Manati
Agora trabalho com três livros ao mesmo tempo. Um já está navegando, já pegou um bom vento, o outro nem começou, mas sinto sua vida se formando dentro de mim e o terceiro é um livro de contos de amor que está quase pronto. Leio mais do que escrevo, mas preciso estar sempre envolvida com algum livro que está começando ou que ainda vai começar.
O Diário da Montanha nasceu assim. Eu estava lá, na minha casinha do bosque e de repente escrevi um poema e depois outro, então pensei: vou fazer um diário, com tudo o que for me acontecendo. Escrevia a mão, como já não faço desde muito tempo, num caderno lindo de papel vegetal. E o diário foi crescendo e às vezes, quando já não estava lá e sim aqui em Saquarema, eu pensava na casinha , no Diário e queria escrever, então pegava o caderno na gaveta, pois sempre o trazia de volta e escrevia algum poema que não se passava lá, mas falava sobre isso, a ausência, a vontade de estar lá. Ás vezes era algum pensamento que me vinha, alguma reflexão, como nos dois poemas abaixo:
OS PRIMEIROS
O que me separa do primeiro homem,
da primeira mulher do mundo,
dos seus medos, pavores, desejos,
anseios?
O que me separa quando o último
fio de lua ilumina a última
folha da mata
e em silêncio a manhã já se desgarra?
Uma fina película de tempo,
um grão de poeira de tempo.
03.12.2011
BASTAM SEIS
Dizem que bastam seis,
seis homens ou mulheres
para que se alcance
qualquer pessoa perdida
em qualquer lugar
sobre a face da Terra.
E os que se mudaram para as estrelas,
os que já se foram e apagaram o cnério,
os que perdemos para sempre,
como alcançá-los, como atravessar
seu silêncio espesso, a sua falta
de substância, a sua dolorosa luz?
06.12.2011
in Diário da Montanha, ed. Manati
Agora trabalho com três livros ao mesmo tempo. Um já está navegando, já pegou um bom vento, o outro nem começou, mas sinto sua vida se formando dentro de mim e o terceiro é um livro de contos de amor que está quase pronto. Leio mais do que escrevo, mas preciso estar sempre envolvida com algum livro que está começando ou que ainda vai começar.
terça-feira, 27 de novembro de 2012
HAICAIS
Tenho dois livros de haicais. Um deles amo especialmente, O XALE AZUL DA SEREIA, da ed. Larousse Junior.
O poema que dá título ao livro já publiquei num outro post e é assim:
Sereias costuram
com fios de horizonte
seus xales azuis
****************
Sinos na varanda
o rumor azul do mar,
música de vento.
Fazer haicais me acalma. Tenho que contar as sílabas, é um brinquedo. Tenho que fazer uma pintura .E não sou pintora. Tenho que fazer música com três versos e não sei fazer música. Mas tenho as palavras e com elas pinto, faço música.
Como se tecesse uma teia de aranha com palavras, cuidadosamente:
Teia de aranha
fios de seda e luz
amarram o sol.
Hoje por alguns momentos tivemos sol no jardim. As flores explodiam em todas as cores. Passarinhos transportavam alegria para lá e para cá. E isso merece um haicai que costuro agora mesmo:
Passarinhos voam
alegria em suas asas
num raio de sol
O poema que dá título ao livro já publiquei num outro post e é assim:
Sereias costuram
com fios de horizonte
seus xales azuis
****************
Sinos na varanda
o rumor azul do mar,
música de vento.
Fazer haicais me acalma. Tenho que contar as sílabas, é um brinquedo. Tenho que fazer uma pintura .E não sou pintora. Tenho que fazer música com três versos e não sei fazer música. Mas tenho as palavras e com elas pinto, faço música.
Como se tecesse uma teia de aranha com palavras, cuidadosamente:
Teia de aranha
fios de seda e luz
amarram o sol.
Hoje por alguns momentos tivemos sol no jardim. As flores explodiam em todas as cores. Passarinhos transportavam alegria para lá e para cá. E isso merece um haicai que costuro agora mesmo:
Passarinhos voam
alegria em suas asas
num raio de sol
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