Ontem no fim da tarde fui ao encontro do meu neto em sua escola, Fomos até a sua sala. Eles estavam numa rodinha ouvindo histórias e quando Luis me viu se levantou correndo e veio me abraçar. Nove meses depois. desde a última vez em que estivemos juntos. Foi um longo abraço.
Hoje passamos a manhã inteira juntos. É um amor monumental.
Agora subo para Visconde de Mauá onde ficarei alguns dias sem internet.
Até a volta!
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
CONVERSAS SOBRE O INVISÍVEL
A alegria de recuperar um livro que foi emprestado e perdido: "Conversaciones sobre lo invisible" de Jean Audouze, Michel Cassé e Jean-Claude Carrière.
Leio, ou melhor, releio, vinte anos depois :
Michel Cassé, astrofísico, diz:
" Sim, somos todos filhos das estrelas, esta é hoje nossa mais elevada afirmação. Inclusive é a descoberta mais essencial dos últimos vinte anos. Nosso olho está formado pela mesma matéria que constitui o sol. Foi formada pelo sol e é por isso que vemos. Entre o olho e o sol o contato é constante, íntimo. O mesmo fala com o mesmo. O átomo da estrela fala com o átomo do nosso olho a linguagem da luz."
E assim, maravilhada, sabendo que também sou estrela, fecho a porta de casa e inicio a minha viagem .
Leio, ou melhor, releio, vinte anos depois :
Michel Cassé, astrofísico, diz:
" Sim, somos todos filhos das estrelas, esta é hoje nossa mais elevada afirmação. Inclusive é a descoberta mais essencial dos últimos vinte anos. Nosso olho está formado pela mesma matéria que constitui o sol. Foi formada pelo sol e é por isso que vemos. Entre o olho e o sol o contato é constante, íntimo. O mesmo fala com o mesmo. O átomo da estrela fala com o átomo do nosso olho a linguagem da luz."
E assim, maravilhada, sabendo que também sou estrela, fecho a porta de casa e inicio a minha viagem .
terça-feira, 25 de setembro de 2012
A MALA DO VIAJANTE
Já tenho a mala aberta em cima da cama. Levo muitos livros, presentes para o Luis, meu neto (livros) e roupa para 15 dias.
Vou amanhã cedo para Resende. Dia 1 começo meu trabalho no com o Projeto Fala Autor do Sesc Barra Mansa. Serão muitos encontros. Estou feliz.
Houve uma época na minha vida em que viajei muito com o Proler. Estava sempre na estrada. Parece que esta época voltou. Todos aqueles que viajam sem parar sabem que em terra firme somos habitantes provisórios. Parece que já fazemos parte da estrada:
"Ay, viajero!
No vas y no regresas:
eres en los caminos."
fragmento de Pablo Neruda, Antologia General, Real Academia Española.
Não poderei escrever todos os dias, mas farei o possível.
Notícias da minha gata Nana: enlouqueceu. Pensa que é pássaro. Vive pendurada nas árvores, na trave de madeira que atravessa a sala, com quatro metros de altura. Fica horas aí, empoleirada como uma galinha.
Ficamos em pânico. Esta noite dormiu aí . Como, por favor, entender os gatos?
Vou amanhã cedo para Resende. Dia 1 começo meu trabalho no com o Projeto Fala Autor do Sesc Barra Mansa. Serão muitos encontros. Estou feliz.
Houve uma época na minha vida em que viajei muito com o Proler. Estava sempre na estrada. Parece que esta época voltou. Todos aqueles que viajam sem parar sabem que em terra firme somos habitantes provisórios. Parece que já fazemos parte da estrada:
"Ay, viajero!
No vas y no regresas:
eres en los caminos."
fragmento de Pablo Neruda, Antologia General, Real Academia Española.
Não poderei escrever todos os dias, mas farei o possível.
Notícias da minha gata Nana: enlouqueceu. Pensa que é pássaro. Vive pendurada nas árvores, na trave de madeira que atravessa a sala, com quatro metros de altura. Fica horas aí, empoleirada como uma galinha.
Ficamos em pânico. Esta noite dormiu aí . Como, por favor, entender os gatos?
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
VENTO
O vento percorre toda a minha poesia como se fosse a sua coluna vertebral. Amo o vento, as tempestades.
Amo o mar em sua fúria. Não sei explicar o que sinto, parece que meu corpo se desmancha, parece que me dissolvo , que volto a um tempo primordial.
Hoje, aqui em Saquarema, faz frio, venta muito, o mar está imenso, esplêndido.
Releio Madame Bovary, tenho uma ternura imensa por esta mulher perdida, sempre fui apaixonada por ela. Releio Madame Bovary 38 anos depois e como mudou a minha leitura, como melhorei como leitora. Um dia, no passado, também estive perdida de mim. Mas ao contrário da Bovary, os livros me salvaram, a escrita me salvou. Hoje habito meu centro. Minha mandala está bem costurada.
Amo o mar em sua fúria. Não sei explicar o que sinto, parece que meu corpo se desmancha, parece que me dissolvo , que volto a um tempo primordial.
Hoje, aqui em Saquarema, faz frio, venta muito, o mar está imenso, esplêndido.
Releio Madame Bovary, tenho uma ternura imensa por esta mulher perdida, sempre fui apaixonada por ela. Releio Madame Bovary 38 anos depois e como mudou a minha leitura, como melhorei como leitora. Um dia, no passado, também estive perdida de mim. Mas ao contrário da Bovary, os livros me salvaram, a escrita me salvou. Hoje habito meu centro. Minha mandala está bem costurada.
domingo, 23 de setembro de 2012
POESIA DO ACRE
Na mesa em Rio Branco dividi o espaço com Gloria Kirinus e a poeta Francis Mary, conhecida como Bruxinha. Ela faz uma poesia cheia de referências locais, ao mundo mágico da floresta. Ela foi companheira de luta de Chico Mendes . A sua apresentação foi linda. Ela projetou imagens da floresta enquanto lia seus poemas e trouxe alguns amigos músicos para acompanhá-la. Aliás, a fala da Gloria foi tão envolvente que ninguém queria ir embora nunca mais. O público ficou. A mediadora dizia, então acabou, e nada. Ninguém se levantava.
Eu tentei falar sobre o tempo. Se não se pode dividir o tempo ,então, todos , desde a pré-história, são meus contemporâneos. Talvez tenha me enrolado um pouco. Li um texto magnífico do Galeano onde ele nos fala de quem são seus contemporâneos e vai ao encontro do que penso. A poesia habita todos os tempos e seu lugar é sempre.
DESCONVERSA
O Kaxinauá disse assim:
você já bebeu voo de tucano
com sangue de açaí?
Eu desconversei
e saí caçando meus passos
guardados no saco
de sernambí.
Isso aconteceu
num dia de chuva
quati, quati...
Francis Mary
Eu tentei falar sobre o tempo. Se não se pode dividir o tempo ,então, todos , desde a pré-história, são meus contemporâneos. Talvez tenha me enrolado um pouco. Li um texto magnífico do Galeano onde ele nos fala de quem são seus contemporâneos e vai ao encontro do que penso. A poesia habita todos os tempos e seu lugar é sempre.
DESCONVERSA
O Kaxinauá disse assim:
você já bebeu voo de tucano
com sangue de açaí?
Eu desconversei
e saí caçando meus passos
guardados no saco
de sernambí.
Isso aconteceu
num dia de chuva
quati, quati...
Francis Mary
sábado, 22 de setembro de 2012
CLUBE DE LEITURA DA CASA AMARELA
Nosso encontro de hoje do Clube de Leitura da Casa Amarela foi marcado por ausências. Não vieram, Felipe, Andrea e Cris, de Duque de Caxias. Leila não veio . Messias não veio.
Mas vieram todos os outros: Hélio e Fernando, Maria Clara, Chico, Gil, as duas Ângelas, e Ivo, pela primeira vez.
Lemos A DAMA DO CACHORRINHO de Anton Tchékhov. Cada um falou do seu conto predileto, daquele que mais tocou seu coração. O conto Vanka, do menino que escreve a carta para o avô foi uma paixão geral. Hélio se debruçou sobre o coração do menino. Todos nos emocionamos com a história tão triste do menino que quer voltar para junto do seu avô. Falamos do conto nas suas minúcias. Maria Clara identifica o avô com o Papai Noel, é um conto de natal.
Gil escolheu como seu o conto da Corista e fez uma leitura belíssima . Falou da bondade da corista, da sua sensibilidade e era apenas uma prostituta.
Juan falou do conto A Irrequieta e de como o nosso tesouro está quase sempre ao nosso lado e não o vemos .
Todos concordamos que o autor nos leva a um desfile impressionante de personagens e conhece conmo poucos a alma humana. A Russia dos tzares hoje esteve em nossa sala.
Todos amaram o pequeno livro imenso. Todos ressaltaram a abertura dos contos, nenhum final é fechado.
E esse tempo, único, que não existe mais, existe. Basta abrir o livro em qualquer conto e já estaremos instalados numa troika, numa casa de um nobre, de um camponês, um burguês. E a manivela do tempo, a literatura, com todas as suas engrenagens , trará até nós , estas cenas de um passado tão rico, tão denso.
Celebramos com pão, vinho e uma comida maravilhosa preparada pela Vanda, nossa caseira de nome russo, a alegria de discutirmos um belo livro. E cantamos parabéns com uma torta maravilhosa de nozes e chocolate branco, pois Vanda fez 50 anos.
Mas vieram todos os outros: Hélio e Fernando, Maria Clara, Chico, Gil, as duas Ângelas, e Ivo, pela primeira vez.
Lemos A DAMA DO CACHORRINHO de Anton Tchékhov. Cada um falou do seu conto predileto, daquele que mais tocou seu coração. O conto Vanka, do menino que escreve a carta para o avô foi uma paixão geral. Hélio se debruçou sobre o coração do menino. Todos nos emocionamos com a história tão triste do menino que quer voltar para junto do seu avô. Falamos do conto nas suas minúcias. Maria Clara identifica o avô com o Papai Noel, é um conto de natal.
Gil escolheu como seu o conto da Corista e fez uma leitura belíssima . Falou da bondade da corista, da sua sensibilidade e era apenas uma prostituta.
Juan falou do conto A Irrequieta e de como o nosso tesouro está quase sempre ao nosso lado e não o vemos .
Todos concordamos que o autor nos leva a um desfile impressionante de personagens e conhece conmo poucos a alma humana. A Russia dos tzares hoje esteve em nossa sala.
Todos amaram o pequeno livro imenso. Todos ressaltaram a abertura dos contos, nenhum final é fechado.
E esse tempo, único, que não existe mais, existe. Basta abrir o livro em qualquer conto e já estaremos instalados numa troika, numa casa de um nobre, de um camponês, um burguês. E a manivela do tempo, a literatura, com todas as suas engrenagens , trará até nós , estas cenas de um passado tão rico, tão denso.
Celebramos com pão, vinho e uma comida maravilhosa preparada pela Vanda, nossa caseira de nome russo, a alegria de discutirmos um belo livro. E cantamos parabéns com uma torta maravilhosa de nozes e chocolate branco, pois Vanda fez 50 anos.
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
BIBLIOTECA DA FLORESTA E SAQUAREMA
Cheguei agora em Saquarema. Foi uma longa viagem, uma longa estadia em Rio Branco. Não pude escrever depois do primeiro dia, não tive tempo de ir até a Biblioteca Estadual usar o computador.
Estou exausta mas conto: entendi o Acre a partir da visita que fiz à Biblioteca da Floresta, a única Biblioteca temática do mundo.
É lindíssima e impressionante. Um mergulho profundo na alma e na história do Acre, seu povo, suas lutas, revoluções.
Há dez grupos de estudos interdisciplinares que se se reúnem na Biblioteca. Há cinema, vídeo, instalações maravilhosas, exposições. Há um grupo de filósofos que faz uma imersão na floresta para estudar o tempo e o espaço dos índios e raz este saber de volta para a biblioteca.. Há um espaço indígena no andar de cima, tão forte e emocionante que o visitante fica com falta de ar. Há documentos originais incríveis, por exemplo a carta escrita por Galvez declarando a independência do Acre. Na Biblioteca estão representados todos os povos que habitam o Acre. Há uma carta na entrada que diz isso:
" NOSSA CASA
Nós somos os povos da floresta. Somos pessoas, animais e árvores convivendo na maior biodiversidade do planeta.
Ainda procuramos nos descobrir e descobrir o mundo que nos acolhe e nos cerca.
Esta casa é nossa luz. Nosso espírito mora e trabalha dentro dela."
Há um painel belíssimo com os rostos do Acre: seringueiros, índios, descendentes de sírios , libaneses, nordestinos, etc, etc.
Há uma carta original do Chico Mendes para os habitantes de 2120, onde ele fala dos seus sonhos. E então a Biblioteca fez uma caixa fechada com 5.000 cartas de pessoas que falam dos seus sonhos. Esta caixa será aberta em 2120 . Não estaremos aqui para ouvir a leitura das cartas.
O trabalho em Rio Branco foi bonito, foi emocionante. Estou em casa e amanhã é o nosso encontro do Clube de Leitura da Casa Amarela.
Estou exausta mas conto: entendi o Acre a partir da visita que fiz à Biblioteca da Floresta, a única Biblioteca temática do mundo.
É lindíssima e impressionante. Um mergulho profundo na alma e na história do Acre, seu povo, suas lutas, revoluções.
Há dez grupos de estudos interdisciplinares que se se reúnem na Biblioteca. Há cinema, vídeo, instalações maravilhosas, exposições. Há um grupo de filósofos que faz uma imersão na floresta para estudar o tempo e o espaço dos índios e raz este saber de volta para a biblioteca.. Há um espaço indígena no andar de cima, tão forte e emocionante que o visitante fica com falta de ar. Há documentos originais incríveis, por exemplo a carta escrita por Galvez declarando a independência do Acre. Na Biblioteca estão representados todos os povos que habitam o Acre. Há uma carta na entrada que diz isso:
" NOSSA CASA
Nós somos os povos da floresta. Somos pessoas, animais e árvores convivendo na maior biodiversidade do planeta.
Ainda procuramos nos descobrir e descobrir o mundo que nos acolhe e nos cerca.
Esta casa é nossa luz. Nosso espírito mora e trabalha dentro dela."
Há um painel belíssimo com os rostos do Acre: seringueiros, índios, descendentes de sírios , libaneses, nordestinos, etc, etc.
Há uma carta original do Chico Mendes para os habitantes de 2120, onde ele fala dos seus sonhos. E então a Biblioteca fez uma caixa fechada com 5.000 cartas de pessoas que falam dos seus sonhos. Esta caixa será aberta em 2120 . Não estaremos aqui para ouvir a leitura das cartas.
O trabalho em Rio Branco foi bonito, foi emocionante. Estou em casa e amanhã é o nosso encontro do Clube de Leitura da Casa Amarela.
terça-feira, 18 de setembro de 2012
RIO BRANCO
Estou neste momento na Biblioteca Pública do Acre, belíssima, deslumbrante. Um espaço onde se pode estar durante horas. Aqui foi uma escola. Da antiga escola nada restou , apenas a cópia do piso hidráulico. A biblioteca tem vários andares e todos nos convidam a relaxar e ler. E um cinema que é um luxo total. Todos os dias há várias sessões. Agora está acontecendo o Festival Jorge Amado.
Na sala de leitura para crianças há uma Arca das Letras para a área rural. Ela viaja e faz pouso na casa de alguma família, então é uma arca mágica.
Cheguei no meio da madrugada. Exausta. A viagem é longa. Passei a manhã meio tonta, mas à tarde já estava recuperada e fui ao encontro da Helena Carloni de quem recebi o convite para estar aqui.
André, um menino muito gentil, foi designado como meu guia e lá fomos nós para a Gameleira onde nasceu Rio Branco, na beira do Rio Acre. O rio, ele me conta, já foi muito maior e muito navegável, mas agora ... já sabemos.
Fui até a Casa da Leitura da Gameleira. O bairro homenageia com seu nome a belíssima gameleira, marco do começo da cidade. A cidade recebeu um enorme contingente de sírios e libaneses. A Casa da leitura é antiga e lindíssima, parece saída das páginas de um conto de fadas. Mas estava vazia e acho, fiquei com a impressão, de quem tem que ser mais ágil na captura de leitores.
Depois visitamos o Cine Teatro Recreio, o primeiro teatro de Rio Branco, lindo. Na entrada há um projetor enorme e antigo fabricado pela Empresa Cinematográfica TRIUMPHO, assim, com ph .
Na Rua da beira do Rio, no Calçadão da Gameleira, as casinhas coloridas possuem uma placa om a memória da casa, assim: aqui viveu fulano no ano de... como na Europa.
À noite fui para a praça do Mercado Velho e assisti a uma dupla maravilhosa, bolivianos, poetas, cantores fantásticos, seu conjunto se chama Negro y Blanco. Foi emocionante.
E hoje de manhã já tomei café com a minha amiga querida Gloria Kirinus.
Hoje falo às 5hs da tarde e me deram uma pergunta de presente:
"Há espaço para a poesia no século XXI?"
Na sala de leitura para crianças há uma Arca das Letras para a área rural. Ela viaja e faz pouso na casa de alguma família, então é uma arca mágica.
Cheguei no meio da madrugada. Exausta. A viagem é longa. Passei a manhã meio tonta, mas à tarde já estava recuperada e fui ao encontro da Helena Carloni de quem recebi o convite para estar aqui.
André, um menino muito gentil, foi designado como meu guia e lá fomos nós para a Gameleira onde nasceu Rio Branco, na beira do Rio Acre. O rio, ele me conta, já foi muito maior e muito navegável, mas agora ... já sabemos.
Fui até a Casa da Leitura da Gameleira. O bairro homenageia com seu nome a belíssima gameleira, marco do começo da cidade. A cidade recebeu um enorme contingente de sírios e libaneses. A Casa da leitura é antiga e lindíssima, parece saída das páginas de um conto de fadas. Mas estava vazia e acho, fiquei com a impressão, de quem tem que ser mais ágil na captura de leitores.
Depois visitamos o Cine Teatro Recreio, o primeiro teatro de Rio Branco, lindo. Na entrada há um projetor enorme e antigo fabricado pela Empresa Cinematográfica TRIUMPHO, assim, com ph .
Na Rua da beira do Rio, no Calçadão da Gameleira, as casinhas coloridas possuem uma placa om a memória da casa, assim: aqui viveu fulano no ano de... como na Europa.
À noite fui para a praça do Mercado Velho e assisti a uma dupla maravilhosa, bolivianos, poetas, cantores fantásticos, seu conjunto se chama Negro y Blanco. Foi emocionante.
E hoje de manhã já tomei café com a minha amiga querida Gloria Kirinus.
Hoje falo às 5hs da tarde e me deram uma pergunta de presente:
"Há espaço para a poesia no século XXI?"
domingo, 16 de setembro de 2012
BIENAL DOS POVOS DA FLORESTA
Hoje vou para o Acre. É uma longa viagem em todos os sentidos, já que vou ao encontro do que não conheço e esta perspectiva é sempre maravilhosa.
Conhecerei lugares que meus olhos nunca viram, pessoas que aumentarão a dose de afeto em minhas veias.
Não tenho nenhum preparo acadêmico, vou apenas com o que sou , com a minha poesia , a minha bagagem de vida, os meus leitores ecoando dentro de mim. Não tenho verdades, apenas dúvidas e assombros. Para mim, a vida é aventura. Nunca sabemos o que cada dia deixará em nossas portas.
Meu passaporte para a vida é a poesia e o amor.
Conhecerei lugares que meus olhos nunca viram, pessoas que aumentarão a dose de afeto em minhas veias.
Não tenho nenhum preparo acadêmico, vou apenas com o que sou , com a minha poesia , a minha bagagem de vida, os meus leitores ecoando dentro de mim. Não tenho verdades, apenas dúvidas e assombros. Para mim, a vida é aventura. Nunca sabemos o que cada dia deixará em nossas portas.
Meu passaporte para a vida é a poesia e o amor.
sábado, 15 de setembro de 2012
PEDRA SÓ
Como tem acontecido nos últimos dias, me levantei às 4hs da manhã. A casa oscilava em seu silêncio entre as ondas do mar. Fiz meu café, abri o livro de poemas PEDRA SÓ, ed. Escrituras, de José Inácio Vieira de Melo , que o correio me trouxe ontem. E levei um susto.
A sua poesia é bela . José escreve desde a fazenda Pedra Só em Alagoas , escreve desde a seca. Mas a sua poesia é torrencial e nos arrasta, é , dentro da seca, cheia de água, cheia de imagens lindíssimas e emoção. José escreve desde um lugar : o começo do mundo, o começo do tempo. José escreve a saga do homem: os sonhos.
Separo alguns fragmentos :
........................................
"É da natureza do poeta
sonhar a essência do vento
e soprar na harpa os outros nomes
da pedra e da água."
pg 97
.............................................
"A arte da pedra é ser o silêncio que cresce"
pg 29
............................................
Na Pedra Só,
as formigas tecem as escrituras
no abismo da noite tão enorme
e o espantalho veste a seda do orvalho
para receber de braços abertos,
o sabor das auroras, o sagrado.
pg 25
.......................................................
Eu chego no silêncio que acende
as quatro ferraduras do tempo
e encontro a inesgotável jazida,
catedral do rubi que me habita.
pg 73
...........................................................
E a sua poesia, água, seca, pedra, rubi, vento, silêncio, ficou latejando no resto da noite que ainda havia e quando vi, a manhã havia chegado.
A sua poesia é bela . José escreve desde a fazenda Pedra Só em Alagoas , escreve desde a seca. Mas a sua poesia é torrencial e nos arrasta, é , dentro da seca, cheia de água, cheia de imagens lindíssimas e emoção. José escreve desde um lugar : o começo do mundo, o começo do tempo. José escreve a saga do homem: os sonhos.
Separo alguns fragmentos :
........................................
"É da natureza do poeta
sonhar a essência do vento
e soprar na harpa os outros nomes
da pedra e da água."
pg 97
.............................................
"A arte da pedra é ser o silêncio que cresce"
pg 29
............................................
Na Pedra Só,
as formigas tecem as escrituras
no abismo da noite tão enorme
e o espantalho veste a seda do orvalho
para receber de braços abertos,
o sabor das auroras, o sagrado.
pg 25
.......................................................
Eu chego no silêncio que acende
as quatro ferraduras do tempo
e encontro a inesgotável jazida,
catedral do rubi que me habita.
pg 73
...........................................................
E a sua poesia, água, seca, pedra, rubi, vento, silêncio, ficou latejando no resto da noite que ainda havia e quando vi, a manhã havia chegado.
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
NANA
Recebo como um presente meu novo livro para crianças bem pequenas: NANA
As ilustrações são absolutamente maravilhosas, da Bebel Callage. O livro sai pela Ed. Prumo e é o primeiro de uma grande fornada que vem por aí entre livros novos e reedições. Tenho a impressão de que minha gata Nana, se soubesse ler, adoraria o livro. Bebel conseguiu captar a sua alma!
Enquanto escrevo aqui no blog Nana dorme enrodilhada na cesta de papéis. É uma gata maravilhosa, falante, muito expressiva e eu a entendo como se ela fosse a minha própria poesia.
Escrevo em vários registros e isso é muito bom, é como se eu fosse feita em camadas, nunca me esqueço da criança que eu era , nem da adolescente, nem da jovem mulher. Hoje sou um novelo bem encorpado de todas as vidas que já vivi, muitas. E é assim que escrevo, com tudo o que tenho, com todas as idades.
Não sei porque as pessoas mais velhas às vezes se envergonham das suas idades, pois o tempo é apenas uma convenção. Somos um acúmulo de vida e de tempo e num mesmo dia posso ter 18 anos ou 92, às vezes 7.
Tenho acordado muito cedo, às 4hs da manhã. Não brigo com a falta de sono, Levanto, é noite, faço o café, o mar ocupa toda a casa e é como se me levasse sempre ao encontro de todas as pessoas que amo e que ainda dormem. Talvez, quem sabe, enquanto tomo café, entre em seus sonhos.
As ilustrações são absolutamente maravilhosas, da Bebel Callage. O livro sai pela Ed. Prumo e é o primeiro de uma grande fornada que vem por aí entre livros novos e reedições. Tenho a impressão de que minha gata Nana, se soubesse ler, adoraria o livro. Bebel conseguiu captar a sua alma!
Enquanto escrevo aqui no blog Nana dorme enrodilhada na cesta de papéis. É uma gata maravilhosa, falante, muito expressiva e eu a entendo como se ela fosse a minha própria poesia.
Escrevo em vários registros e isso é muito bom, é como se eu fosse feita em camadas, nunca me esqueço da criança que eu era , nem da adolescente, nem da jovem mulher. Hoje sou um novelo bem encorpado de todas as vidas que já vivi, muitas. E é assim que escrevo, com tudo o que tenho, com todas as idades.
Não sei porque as pessoas mais velhas às vezes se envergonham das suas idades, pois o tempo é apenas uma convenção. Somos um acúmulo de vida e de tempo e num mesmo dia posso ter 18 anos ou 92, às vezes 7.
Tenho acordado muito cedo, às 4hs da manhã. Não brigo com a falta de sono, Levanto, é noite, faço o café, o mar ocupa toda a casa e é como se me levasse sempre ao encontro de todas as pessoas que amo e que ainda dormem. Talvez, quem sabe, enquanto tomo café, entre em seus sonhos.
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
E.M.IPITANGA
Hoje o professor Ivo veio cedinho me buscar para ir a E.M Ipitanga perto de Araruama. Eu não havia anotado na agenda e confesso que não me lembrava. Estava pedalando a bicicleta ergométrica e ele chegou. Sentou junto comigo para me fazer companhia e enquanto eu terminava já íamos falando de leitura. Tomei um banho rápido e me vestia , surpresa total: chegou na varanda a Secretária de Educação, Ana Paula, belíssima e competentíssima. Ela dispensou o carro oficial e fomos no carro do Ivo. Quebrei o protocolo e sentei na frente, pois caí e machuquei o ombro, dói muito.
Não tenho como descrever a maravilha que foi a nossa manhã poética. A escola é linda de morrer, como todas aqui em Saquarema, cada uma com a sua singularidade.Desde a chegada meus poemas se esparramavam por todas as paredes e no local do nosso encontro, bandeiras com meus poemas escorriam desde o teto. Poemas lindos das crianças a partir dos meus faziam um contraponto.
Foi tudo tão emocionante, as apresentações teatralizadas dos poemas, as curiosidades, o brilho nos olhos de cada um, os beijos que me deram, saí como se tivesse mergulhado numa cachoeira de amor.
Saquarema pode se orgulhar. Já há um grande caminho percorrido até aqui. Saquarema já tem escolas leitoras.
Não tenho como descrever a maravilha que foi a nossa manhã poética. A escola é linda de morrer, como todas aqui em Saquarema, cada uma com a sua singularidade.Desde a chegada meus poemas se esparramavam por todas as paredes e no local do nosso encontro, bandeiras com meus poemas escorriam desde o teto. Poemas lindos das crianças a partir dos meus faziam um contraponto.
Foi tudo tão emocionante, as apresentações teatralizadas dos poemas, as curiosidades, o brilho nos olhos de cada um, os beijos que me deram, saí como se tivesse mergulhado numa cachoeira de amor.
Saquarema pode se orgulhar. Já há um grande caminho percorrido até aqui. Saquarema já tem escolas leitoras.
PRESENTE
Hoje recebi um poema de presente da Maria Clara, poeta, grande leitora e membro do nosso Clube de Leitura Amarela:
Guardar
Antonio Cicero
Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.
Maravilhoso poema , maravilhoso presente e eu o guardo e desdobro como se guarda um entardecer, um cheiro molhado de algas, uma saudade.
terça-feira, 11 de setembro de 2012
SEGREDOS
Releio meu livro O Traço e a Traça" da ed. Scipionne que foi escolhido pelo Governo Federal para fazer parte do Programa Alfabetização na Idade Certa. As ilustrações são maravilhosas, não conheço a ilustradora: Elma, do Recife. Releio:
" O João guardava um segredo
tão bem guardado debaixo
da cama que ninguém
sabia o que era.
Parece que era coisa importante,
pois todo segredo é tesouro".
Outro dia li um artigo muito bom sobre privacidade. Há toda uma discussão sobre o tema. Nossa privacidade acabou?
Vejamos: endereço e telefone são facilmente encontráveis.
Banco, conta do banco, cada vez que passamos um cartão estes dados ficam disponíveis. O mesmo acontece quando se compra algo com cartão de crédito nos estabelecimentos, na rede. Nossa casa está visível no Google.
Nossas preferências também ficam disponíveis a partir do que compramos. Também se pode saber da vida do outro através do seu lixo.
Mas temos muitos segredos . Disponibilizamos nas redes sociais apenas o que nos interessa. O que sinto a cada instante , isso me pertence. Como lido com as minhas emoções mais profundas, com as minhas contradições, isso é meu e não pode ser contabilizado nem roubado nem clonado. É um vento que flutua sobre a minha poesia.
Meu acervo de memória, minhas manias, meus ancestrais, tudo isso é privacidade. O tamanho do meu amor , isso é meu. O medo da morte é meu. A paixão pela vida: minha.
Não tenho medo de que invadam ou roubem a minha privacidade. Eu traço os limites.
" O João guardava um segredo
tão bem guardado debaixo
da cama que ninguém
sabia o que era.
Parece que era coisa importante,
pois todo segredo é tesouro".
Outro dia li um artigo muito bom sobre privacidade. Há toda uma discussão sobre o tema. Nossa privacidade acabou?
Vejamos: endereço e telefone são facilmente encontráveis.
Banco, conta do banco, cada vez que passamos um cartão estes dados ficam disponíveis. O mesmo acontece quando se compra algo com cartão de crédito nos estabelecimentos, na rede. Nossa casa está visível no Google.
Nossas preferências também ficam disponíveis a partir do que compramos. Também se pode saber da vida do outro através do seu lixo.
Mas temos muitos segredos . Disponibilizamos nas redes sociais apenas o que nos interessa. O que sinto a cada instante , isso me pertence. Como lido com as minhas emoções mais profundas, com as minhas contradições, isso é meu e não pode ser contabilizado nem roubado nem clonado. É um vento que flutua sobre a minha poesia.
Meu acervo de memória, minhas manias, meus ancestrais, tudo isso é privacidade. O tamanho do meu amor , isso é meu. O medo da morte é meu. A paixão pela vida: minha.
Não tenho medo de que invadam ou roubem a minha privacidade. Eu traço os limites.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
CINCO ESTUDANTES
Sábado recebemos cinco estudantes da Universidade Rural, curso de Comunicação, aqui em casa para um encontro com o Juan Arias . Vieram de Seropedica. Era uma entrevista e uma gravação de vídeo. Foi um belíssimo encontro. As perguntas claras e inteligentes deram ao Juan espaço para falar sobre o jornalismo ao longo do tempo , sobre a liberdade de imprensa, sobre a função do jornalismo: ser a consciência crítica do poder. Pobre dos jornalistas que se acovardam e se vendem.
Era lindo ver aqueles jovens com as mãos e os olhos tão cheios de esperança e futuro.
Quando era criança eu queria ser astrônoma, pois amava as estrelas. Quando jovem quis ser jornalista. Nem uma coisa nem outra: virei poeta. Acho que conciliei as duas vocações, pois escrevo e contemplo as estrelas.
Era lindo ver aqueles jovens com as mãos e os olhos tão cheios de esperança e futuro.
Quando era criança eu queria ser astrônoma, pois amava as estrelas. Quando jovem quis ser jornalista. Nem uma coisa nem outra: virei poeta. Acho que conciliei as duas vocações, pois escrevo e contemplo as estrelas.
sábado, 8 de setembro de 2012
O EDIFÍCIO YACOBIÁN
Em nosso Clube de Leitura da Casa Amarela tento indicar livros que fiquem para sempre dentro do leitor. É assim que desde nosso último encontro quando indiquei A DAMA DO CACHORRINHO, do Tchekov vasculho meus labirintos e corredores caçando um livro sem saber seu nome.
Havia pensado em Toda a Vida pela Frente de Émile Ajar, pseudônimo do Romain Gary. Li o livro em francês na minha juventude e é um daqueles que eu levaria para uma ilha deserta. Sou completamente apaixonada por ele. Comprei agora num sebo, edição da Rocco e realmente a tradução é tão horrorosa que não tenho coragem de indicá-lo. Continuei caçando então, à espreita. E eis que hoje , como um relâmpago, estava pensando na situação horrível do Oriente Médio e um livro se iluminou dentro de mim e é o meu escolhido: O Edifício Yacobian de Alla Aswany. É um romance que amarra o leitor desde a primeira linha ao mesmo tempo em que nos dá uma visão panorâmica do Egito antes da Primavera Árabe. E é incrível que a decadência do edifício é a decadência da sociedade que acaba ruindo completamente, fato que o autor ainda desconhecia. Foi feito um filme a partir do livro. Espero que a tradução não me decepcione, pois o li em espanhol.
Hoje nossa casa recebe quatro estudantes que virão entrevistar meu marido, Juan Arias, vão filmá-lo.
E o sábado está lindo, fiz um pão que perfuma a casa de alecrim.
Havia pensado em Toda a Vida pela Frente de Émile Ajar, pseudônimo do Romain Gary. Li o livro em francês na minha juventude e é um daqueles que eu levaria para uma ilha deserta. Sou completamente apaixonada por ele. Comprei agora num sebo, edição da Rocco e realmente a tradução é tão horrorosa que não tenho coragem de indicá-lo. Continuei caçando então, à espreita. E eis que hoje , como um relâmpago, estava pensando na situação horrível do Oriente Médio e um livro se iluminou dentro de mim e é o meu escolhido: O Edifício Yacobian de Alla Aswany. É um romance que amarra o leitor desde a primeira linha ao mesmo tempo em que nos dá uma visão panorâmica do Egito antes da Primavera Árabe. E é incrível que a decadência do edifício é a decadência da sociedade que acaba ruindo completamente, fato que o autor ainda desconhecia. Foi feito um filme a partir do livro. Espero que a tradução não me decepcione, pois o li em espanhol.
Hoje nossa casa recebe quatro estudantes que virão entrevistar meu marido, Juan Arias, vão filmá-lo.
E o sábado está lindo, fiz um pão que perfuma a casa de alecrim.
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
ANIVERSÁRIO
Hoje se meu maravilhoso amigo Latuf não tivesse ido embora do planeta Terra, estaríamos comemorando o seu aniversário. Mas é impressionante como os mortos continuam vivos. Nenhum dia se passa sem a sua presença dentro de mim, sem que ele converse comigo, sem que eu divida com ele as minhas mais profundas emoções. Ele dizia que eu era a sua idiche mama, sua mãe judia, embora ele fosse mais velho do que eu. Mas como toda mãe judia , eu adorava lhe dar de comer, fazia iguarias para ele, eu o mimava. Nosso país era a literatura, país magnífico, onde nunca e sempre somos estrangeiros. E ele , Doutor em tantas coisas, me dizia, a tua poesia é bela. Todos os dias agradeço. Ele , libanês e eu, judia, com certeza resolveríamos a questão do Oriente Médio com amor e poesia. Nós nos amávamos. Nós nos amamos.
Eu o vejo com suas túnicas esvoaçantes. Latuf era um poema andarilho.
Eu o vejo com suas túnicas esvoaçantes. Latuf era um poema andarilho.
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
POESIA DE MANHÃ
Gosto de abrir meu dia com um poema. Depois de ler o jornal no café da manhã.
Hoje o poema do dia:
DOIS CORPOS
Dois corpos frente a frente
são às vezes duas ondas
e a noite é oceano.
Dois corpos frente a frente
são às vezes duas pedras
e a noite deserto.
Dois corpos frente a frente
sâo às vezes raízes
na noite enlaçadas.
Dois corpos frente a frente
são às vezes navalhas
e a noite relâmpago.
Dois corpos frente a frente
são dois astros que caem
em um céu vazio.
Octavio Paz, Obra Poética I, in A Duas Vozes, Eduardo Jardim, ed. Civilização Brasileira
Hoje o poema do dia:
DOIS CORPOS
Dois corpos frente a frente
são às vezes duas ondas
e a noite é oceano.
Dois corpos frente a frente
são às vezes duas pedras
e a noite deserto.
Dois corpos frente a frente
sâo às vezes raízes
na noite enlaçadas.
Dois corpos frente a frente
são às vezes navalhas
e a noite relâmpago.
Dois corpos frente a frente
são dois astros que caem
em um céu vazio.
Octavio Paz, Obra Poética I, in A Duas Vozes, Eduardo Jardim, ed. Civilização Brasileira
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
TODAS AS CORES DENTRO DO BRANCO
Em 2004 publiquei um livo "Todas as Cores dentro do Branco" pela ed. Nova Fronteira com belas edições da Edineuza Bezerril. O livro ficou meio encalhado e decidi desfazer o contrato. Os livros restantes foram doados para a Secretaria de Educação de Duque de Caxias que os distribuiu pelas escolas.
Quando Isa Pessoa me convidou para fazer parte da coleção Poemas para Ler na Escola pela Objetiva, decidimos fazer uma antologia e eu dei os poemas do livro, eles estão misturados na bela colcha de retalhos que Hebe Coimbra arrumou.
Hoje leio que as mulheres enxergam as nuances das cores melhor do que os homens. Achei isso muito curioso.
Dividi o livro original por cores, o que não foi mantido na antologia.
Eis um poema "verde":
ESPERANÇA POUSADA NO UMBRAL DA PORTA
A manhã começa verde:
pulo da cama,
estendo os braços,
para apagar os últimos
vestígios de um sonho,
mordo a maçã,
arrumo o mapa
do meu coração
e parto como um barco
de madeira antiga
para as surpresas do dia.
Pousada no umbral da porta,
a Esperança me olha
como folha verde na água,
como esmeralda encantada.
in Poemas para Ler na Escola, ed. Objetiva
Quando Isa Pessoa me convidou para fazer parte da coleção Poemas para Ler na Escola pela Objetiva, decidimos fazer uma antologia e eu dei os poemas do livro, eles estão misturados na bela colcha de retalhos que Hebe Coimbra arrumou.
Hoje leio que as mulheres enxergam as nuances das cores melhor do que os homens. Achei isso muito curioso.
Dividi o livro original por cores, o que não foi mantido na antologia.
Eis um poema "verde":
ESPERANÇA POUSADA NO UMBRAL DA PORTA
A manhã começa verde:
pulo da cama,
estendo os braços,
para apagar os últimos
vestígios de um sonho,
mordo a maçã,
arrumo o mapa
do meu coração
e parto como um barco
de madeira antiga
para as surpresas do dia.
Pousada no umbral da porta,
a Esperança me olha
como folha verde na água,
como esmeralda encantada.
in Poemas para Ler na Escola, ed. Objetiva
terça-feira, 4 de setembro de 2012
OZIRETES
Ontem tive uma linda surpresa . Fui convidada para um encontro com os alunos da E.M Osiris Palmier da Veiga, aqui em Saquarema.
A escola fica frente da lagoa e tem a vista mais bonita do mundo. Foi toda reformada e ampliada e não parece uma escola, mas sim uma casa acolhedora.
Angela , a professora da Sala de Leitura me levou até este espaço mágico e eu fiquei boquiaberta. A escola antiga não tinha sala de leitura e apenas 150 livros., Agora tem uma sala imensa com 1.500 livros, um tapete mágico com almofadas, estantes lindas, duas mesas redondas com cadeiras e um sofá maravilhoso para as visitas. Pois a idéia é cada vez mais receber a visita dos pais na Sala de Leitura.
Angela me conta: ela criou o CLEO, um Clube de Leitura. São quinze alunos que ficam de meio-dia até às 14hs na escola, com autorização dos pais, para ler na Sala. Ficam duas horas lendo. De fevereiro até agora já leram 280 livros. O objetivo é que leiam TODOS os livros.
Os livros estão catalogados e arrumados de uma maneira genial, pelos membros do clube. Angela me disse: "Roseana, diga um número de 1 a 800." Eu disse "626" . Ela perguntou: "quem quer encontrar o livro? Vários alunos queriam e um deles foi até lá e em segundos trouxe o livro que é arrumado por letras e números. Na seção A ficam os mais difíceis, na B vai facilitando, até chegar aos livros sem texto. Por cada livro lido os alunos da escola inteira recebem uma moeda: a ozirete. É uma anotação num caderno. Cada livro tem um valor. Os mais difíceis valem mais. Os pais que buscam um livro para ler na biblioteca também ganham oziretes. Em novembro a sala de leitura fará um bazar com livros e artigos de papelaria e eles receberão as cédulas oziretes para que possam comprar. Só quem tiver oziretes poderá participar. A professora de matemática está aproveitando a idéia para falar de economia.Eles estão fazendo uma poupança, aprendendo a poupar.
Todos cuidam da Sala de Leitura como se fosse mesmo mágica e ela pode ser usada a QUALQUER HORA. Eles fazem fichas de cada livro lido com uma pequena resenha.
Fiquei muito emocionada com o encontro. Eles eram educadíssimos e muito interessados em tudo. Já sonham em ser engenheiros, veterinários, advogados, escritores.
Que a E.M Oziris e a Angela sirvam de inspiração.
A escola fica frente da lagoa e tem a vista mais bonita do mundo. Foi toda reformada e ampliada e não parece uma escola, mas sim uma casa acolhedora.
Angela , a professora da Sala de Leitura me levou até este espaço mágico e eu fiquei boquiaberta. A escola antiga não tinha sala de leitura e apenas 150 livros., Agora tem uma sala imensa com 1.500 livros, um tapete mágico com almofadas, estantes lindas, duas mesas redondas com cadeiras e um sofá maravilhoso para as visitas. Pois a idéia é cada vez mais receber a visita dos pais na Sala de Leitura.
Angela me conta: ela criou o CLEO, um Clube de Leitura. São quinze alunos que ficam de meio-dia até às 14hs na escola, com autorização dos pais, para ler na Sala. Ficam duas horas lendo. De fevereiro até agora já leram 280 livros. O objetivo é que leiam TODOS os livros.
Os livros estão catalogados e arrumados de uma maneira genial, pelos membros do clube. Angela me disse: "Roseana, diga um número de 1 a 800." Eu disse "626" . Ela perguntou: "quem quer encontrar o livro? Vários alunos queriam e um deles foi até lá e em segundos trouxe o livro que é arrumado por letras e números. Na seção A ficam os mais difíceis, na B vai facilitando, até chegar aos livros sem texto. Por cada livro lido os alunos da escola inteira recebem uma moeda: a ozirete. É uma anotação num caderno. Cada livro tem um valor. Os mais difíceis valem mais. Os pais que buscam um livro para ler na biblioteca também ganham oziretes. Em novembro a sala de leitura fará um bazar com livros e artigos de papelaria e eles receberão as cédulas oziretes para que possam comprar. Só quem tiver oziretes poderá participar. A professora de matemática está aproveitando a idéia para falar de economia.Eles estão fazendo uma poupança, aprendendo a poupar.
Todos cuidam da Sala de Leitura como se fosse mesmo mágica e ela pode ser usada a QUALQUER HORA. Eles fazem fichas de cada livro lido com uma pequena resenha.
Fiquei muito emocionada com o encontro. Eles eram educadíssimos e muito interessados em tudo. Já sonham em ser engenheiros, veterinários, advogados, escritores.
Que a E.M Oziris e a Angela sirvam de inspiração.
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
POESIA ESSENCIAL
Meu livro Poesia Essencial é uma mistura de quatro livros. Quando morei em Madrid me propus escrever um livro que falasse das cidades e da casa, já que viajávamos muito e eu estava numa cidade estrangeira. Ficou muito bonito. Eu já tinha o Paredes Vazadas, Pássaros do Absurdo, e Caravana, inédito, que ganhou um concurso nacional de poesia, com muito prestígio , mas sem publicação. Mostrei o original As Cidades e a Casa para a Bia-Hetzel e Silvia Negreiros e elas quiseram ver outros trabalhos (para adultos) e quando leram tudo , decidiram fazer uma antologia dirigida pela Hebe Coimbra.
O livro, para nossa surpresa, recebeu resenhas lindas , foi muito bem acolhido e foi conquistando leitores desde a sua publicação em 2002. No ano passado ele entrou num projeto, o Portal do Saber e vendeu quase 500.000 exemplares que foram distribuidos para os alunos do Ensino Médio. Ele começou com uma capa verde, mas agora tem uma belíssima e discretíssima capa azul. Seus poemas possuem muita força e continuam impulsionando o livro como um vento bom.
CÁLICE
nem ao menos sei
se soletras meu nome
com a água da chuva
se misturas meu nome
às sombras que habitam
vez por outra
o teu coração
se derramas meu nome
no cálice da noite
como um cavalo que amoroso
com suas patas possuísse
a terra
in Poesia Essencial, ed. Manati
O livro, para nossa surpresa, recebeu resenhas lindas , foi muito bem acolhido e foi conquistando leitores desde a sua publicação em 2002. No ano passado ele entrou num projeto, o Portal do Saber e vendeu quase 500.000 exemplares que foram distribuidos para os alunos do Ensino Médio. Ele começou com uma capa verde, mas agora tem uma belíssima e discretíssima capa azul. Seus poemas possuem muita força e continuam impulsionando o livro como um vento bom.
CÁLICE
nem ao menos sei
se soletras meu nome
com a água da chuva
se misturas meu nome
às sombras que habitam
vez por outra
o teu coração
se derramas meu nome
no cálice da noite
como um cavalo que amoroso
com suas patas possuísse
a terra
in Poesia Essencial, ed. Manati
domingo, 2 de setembro de 2012
LUNA
Luna, minha gata, se mudou para a lavanderia, uma casinha que fica no fundo do quintal. Ela não gostava mais da casa, talvez porque já tenha 12 anos e a Nana, nossa outra gata, ainda criança, quer sempre brincar. Luna deu vários avisos: fazia xixi e cocô fora da caixinha, em vários lugares da casa e já não queria mais comer nem entrar em casa. Tive a idéia de arrumar um apartamentozinho para ela na lavanderia e deu certíssimo. Abri mão de uma esteira onde fazia ginástica que era o seu sonho de consumo e agora ela tem a esteira, um tapetinho em cima da esteira, a sua comida, água, e o banheirinho. A porta da lavanderia fica aberta e ela entra e sai quando quer. Fechamos quando anoitece e ela já está lá na sua cama esperando a porta ser fechada. Passa o dia no jardim , às vezes vem até aqui dentro visitar a casa e volta para a lavanderia. Agora come, está feliz, dá para notar. É uma gata-ermitã.
sábado, 1 de setembro de 2012
O LAGO E A LUA
Ontem a lua estava linda. O mar prateado. A igrejinha no alto do morro iluminada de azul. Um cenário onírico. Fazia frio e eu adoro o frio. Era bom.
O LAGO E A LUA
Na pele da água
do lago
onde a noite flutua
como um barco,
a Lua é tatuagem
de prata.
Se balança a Lua
feito um gato,
equilibrida num fio
de vento.
Vai e vem
vem e vai
cai não cai...
A Lua do firmamento.
in Caixinha de Música, ed. Manati
O LAGO E A LUA
Na pele da água
do lago
onde a noite flutua
como um barco,
a Lua é tatuagem
de prata.
Se balança a Lua
feito um gato,
equilibrida num fio
de vento.
Vai e vem
vem e vai
cai não cai...
A Lua do firmamento.
in Caixinha de Música, ed. Manati
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
ARCO-ÍRIS
Ao levantar bem cedinho para preparar o café da manhã encontro o jardim molhado. Durante a noite choveu, que maravilha, o jardim molhado falava comigo baixinho. Busco o jornal na caixa do correio. E na primeira página encontro uma foto linda do Rio com um imenso arco-íris. Diz o jornal que ontem houve uma chuva de arco-íris e recebo a imagem ao pé da letra e vejo as cores caindo do céu.
OURO NO FUNDO DO POTE
No final do arco-íris
brilha o ouro no fundo do pote.
Para alcançá-lo basta
caminhar sem rumo
em tardes de chuva e sol.
Basta olhar o céu
e deixar o pensamento
virar nuvem, água, estrela,
cavalo comendo relva
úmida e fresca
nos imensos campos da memória,
onde cada instante
vira ouro no fundo do pote.
in Poemas para Ler na Escola, ed. Objetiva
OURO NO FUNDO DO POTE
No final do arco-íris
brilha o ouro no fundo do pote.
Para alcançá-lo basta
caminhar sem rumo
em tardes de chuva e sol.
Basta olhar o céu
e deixar o pensamento
virar nuvem, água, estrela,
cavalo comendo relva
úmida e fresca
nos imensos campos da memória,
onde cada instante
vira ouro no fundo do pote.
in Poemas para Ler na Escola, ed. Objetiva
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
LÁ VEM O LUIS
Quando meu neto Luis nasceu fiz um livro para ele: Lá vem o Luis, que a ed. Leya publicou. Hoje o Luis faz 3 anos e ainda está em Granada. Mas lá vem o Luis morar no Brasil no final de setembro e realmente a minha felicidade é imensa. Perder o cotidiano do neto é muito triste . Eu o vejo pelo skype, maravilha, mas não posso sentir o seu cheiro, nem beijar, nem morder, nem apertar.
Lá vem o Luis pra vovó mimar, estragar e nem adianta reclamação de pai e de mãe. Coração de avó é uma cadeira de balanço! É bicicleta, é pipa no ar.
A rua onde o Luis mora em Granada termina numa pracinha cheia de crianças e brinquedos e ontem foi a festa do Luis. De manhã cedo ele já me contou tudo e tenho a sua voz tão linda em meus ouvidos.
Lá vem o Luis!
Luis dança o dia inteiro
toca cavaquinho ,
violão e pandeiro.
Do quarto para a sala,
lá vem o Luis de avião,
a lingua que fala
não cabe na boca,
é enrolada
feito macarrão.
Luis gosta do sol
e gosta da lua,
às vezes chora, às vezes ri
e sapateia e pula
quando quer ir
pro meio da rua.
Todos os dias
Luis descobre o mundo,
faz uma pirueta
bota as mãos na cabeça
e joga coloridos beijos.
in Lá Vem o Luis, ed. Leya
Lá vem o Luis pra vovó mimar, estragar e nem adianta reclamação de pai e de mãe. Coração de avó é uma cadeira de balanço! É bicicleta, é pipa no ar.
A rua onde o Luis mora em Granada termina numa pracinha cheia de crianças e brinquedos e ontem foi a festa do Luis. De manhã cedo ele já me contou tudo e tenho a sua voz tão linda em meus ouvidos.
Lá vem o Luis!
Luis dança o dia inteiro
toca cavaquinho ,
violão e pandeiro.
Do quarto para a sala,
lá vem o Luis de avião,
a lingua que fala
não cabe na boca,
é enrolada
feito macarrão.
Luis gosta do sol
e gosta da lua,
às vezes chora, às vezes ri
e sapateia e pula
quando quer ir
pro meio da rua.
Todos os dias
Luis descobre o mundo,
faz uma pirueta
bota as mãos na cabeça
e joga coloridos beijos.
in Lá Vem o Luis, ed. Leya
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
ESCOLA LITERÁRIA
Ontem vi um vídeo maravilhoso que me fez chorar: um israelense postou no facebook um vídeo que gravou no youtube onde se dirige aos iranianos para dizer que não tem nada contra eles, que nunca nenhum iraniano lhe fez nenhum mal , que não quer nenhuma guerra, que sente por eles apenas amor. E para sua surpresa, os iranianos responderam nos mesmos termos.
Sempre pensei que as mulheres, os artistas, os seres sensíveis deveriam decidir os problemas numa mesa de negociação. Não haveria guerra. Que mãe quer ver seu filho morto na guerra? As guerras existem para vender armas. Mas a paz é mais lucrativa, deveriam pensar nestes termos os senhores da guerra.E investir este dinheiro em arte e educação.
E leio hoje um artigo magnífico do escritor espanhol Gustavo Martin Garzo onde diz que as escolas teriam que ser literárias, seria uma mudança radical. Só a literatura nos conduz ao nosso centro. E o professor seria um contador de histórias, o condutor da aventura.
Transcrevo um pedaço, peço um esforço para que leiam em espanhol:
"...Por eso la escuela debe ser literaria y el maestro, antes que nada, alguien que cuenta cosas. Un maestro no necesita para esta tarea que los niños le entiendan, debe arreglárselas para que le sigan, para que vayan donde él va. Como el flautista de Hamelin, debe contagiar a los niños su felicidad y su arma para lograrlo son las palabras. No las palabras de las creencias, que le dicen al niño cómo debe pensar y vivir; sino las palabras libres del relato, que le animan a encontrar su propio camino. Sherezade encanta al sultán con sus historias y así logra salvar la vida; la Pequeña Cerillera ilumina el mundo con sus frágiles fósforos, y en un cuento de Las mil y una noches un muchacho ve cómo un grupo de ladrones hace abrirse la montaña donde guardan sus tesoros con una palabra. Las palabras de la escuela deben ser ese ¡ábrete Sésamo! capaz de abrir las piedras y llevar al niño a la cueva donde se guardan los tesoros del corazón humano. Pero también, como las llamas de la cerillera, deben ayudarle a ver el mundo. No sólo a ver mejor, sino a ver lo mejor, como quería Juan de Mairena.
Rainer Maria Rilke escribió que la verdadera patria del hombre es la infancia. Frente a la idea de la infancia como un mero estadio de transición hacia el estado adulto, el poeta alemán postula la autonomía radical de la infancia. Aún más, la ve como un estadio superior de la vida, como esa patria a la que antes o después es necesario volver. George Bataille dijo que la literatura es la infancia recuperada; George Braque, que cuando dejamos de ser niños estamos muertos; y J. M. Barrie, el autor de Peter Pan, que los dos años son el principio del fin. No se trata de que el niño no deba crecer, sino de valorarle por eso que es en sí mismo y que le hace ser soberano de un reino del que solo él tiene la llave.
Las palabras de la literatura hablan de esa patria perdida. Hacen vivir las preguntas, nos enseñan a ponernos en lugar de los demás y tienden puentes entre realidades separadas: el mundo del sueño y el mundo real, el de los vivos y los muertos, el de los animales y los hombres. Las palabras de la escuela deben seguir esta senda. ¿Cómo podría ponerse en contacto un maestro o una maestra, que son adultos, con un niño si no es con palabras así?
La educación debe tener un contenido romántico. Se educa al niño para decirle que en este mundo, por muy raro que pueda parecer, es posible la felicidad. Educar es ayudar al niño a encontrar lugares donde vivir, donde encontrarse con los otros y aprender a respetarles. Lugares, a la vez, de dicha y de compromiso. Donde ser felices y hacernos responsables de algo. Blancanieves huye al bosque, se encuentra con la casa de los enanitos y pasa a ser una más en su pequeña comunidad; Ricitos de oro, al utilizar los platos, sillas y camas de los osos se está preguntando sin saberlo por su lugar entre los otros. Una casa hecha para escuchar a los demás y estar pendiente de sus deseos y sueños, donde hacernos cargo incluso de lo que no entendemos, así deberían ser todas las escuelas."
Gustavo Martin Garzo
Sempre pensei que as mulheres, os artistas, os seres sensíveis deveriam decidir os problemas numa mesa de negociação. Não haveria guerra. Que mãe quer ver seu filho morto na guerra? As guerras existem para vender armas. Mas a paz é mais lucrativa, deveriam pensar nestes termos os senhores da guerra.E investir este dinheiro em arte e educação.
E leio hoje um artigo magnífico do escritor espanhol Gustavo Martin Garzo onde diz que as escolas teriam que ser literárias, seria uma mudança radical. Só a literatura nos conduz ao nosso centro. E o professor seria um contador de histórias, o condutor da aventura.
Transcrevo um pedaço, peço um esforço para que leiam em espanhol:
"...Por eso la escuela debe ser literaria y el maestro, antes que nada, alguien que cuenta cosas. Un maestro no necesita para esta tarea que los niños le entiendan, debe arreglárselas para que le sigan, para que vayan donde él va. Como el flautista de Hamelin, debe contagiar a los niños su felicidad y su arma para lograrlo son las palabras. No las palabras de las creencias, que le dicen al niño cómo debe pensar y vivir; sino las palabras libres del relato, que le animan a encontrar su propio camino. Sherezade encanta al sultán con sus historias y así logra salvar la vida; la Pequeña Cerillera ilumina el mundo con sus frágiles fósforos, y en un cuento de Las mil y una noches un muchacho ve cómo un grupo de ladrones hace abrirse la montaña donde guardan sus tesoros con una palabra. Las palabras de la escuela deben ser ese ¡ábrete Sésamo! capaz de abrir las piedras y llevar al niño a la cueva donde se guardan los tesoros del corazón humano. Pero también, como las llamas de la cerillera, deben ayudarle a ver el mundo. No sólo a ver mejor, sino a ver lo mejor, como quería Juan de Mairena.
Rainer Maria Rilke escribió que la verdadera patria del hombre es la infancia. Frente a la idea de la infancia como un mero estadio de transición hacia el estado adulto, el poeta alemán postula la autonomía radical de la infancia. Aún más, la ve como un estadio superior de la vida, como esa patria a la que antes o después es necesario volver. George Bataille dijo que la literatura es la infancia recuperada; George Braque, que cuando dejamos de ser niños estamos muertos; y J. M. Barrie, el autor de Peter Pan, que los dos años son el principio del fin. No se trata de que el niño no deba crecer, sino de valorarle por eso que es en sí mismo y que le hace ser soberano de un reino del que solo él tiene la llave.
Las palabras de la literatura hablan de esa patria perdida. Hacen vivir las preguntas, nos enseñan a ponernos en lugar de los demás y tienden puentes entre realidades separadas: el mundo del sueño y el mundo real, el de los vivos y los muertos, el de los animales y los hombres. Las palabras de la escuela deben seguir esta senda. ¿Cómo podría ponerse en contacto un maestro o una maestra, que son adultos, con un niño si no es con palabras así?
La educación debe tener un contenido romántico. Se educa al niño para decirle que en este mundo, por muy raro que pueda parecer, es posible la felicidad. Educar es ayudar al niño a encontrar lugares donde vivir, donde encontrarse con los otros y aprender a respetarles. Lugares, a la vez, de dicha y de compromiso. Donde ser felices y hacernos responsables de algo. Blancanieves huye al bosque, se encuentra con la casa de los enanitos y pasa a ser una más en su pequeña comunidad; Ricitos de oro, al utilizar los platos, sillas y camas de los osos se está preguntando sin saberlo por su lugar entre los otros. Una casa hecha para escuchar a los demás y estar pendiente de sus deseos y sueños, donde hacernos cargo incluso de lo que no entendemos, así deberían ser todas las escuelas."
Gustavo Martin Garzo
terça-feira, 28 de agosto de 2012
CHEGADA
Cheguei em Saquarema . São dois mundos tão diferentes que parece que fiz uma viagem interplanetária.
Aqui em Saquarema, mal chego o mar já assume o comando.
Foi maravilhoso estar alguns dias na montanha. Meus filhos precisavam de mim e eu precisava deles. Minha irmã dormiu uma noite na minha casinha junto com sua amiga de adolescência que é minha amiga também e que veio de Boston. Conversamos horas com o fogão de lenha aceso.
Li muito e escrevi muitos haicais. Pretendo publicar um terceiro livro destes pequenos e singelos poemas . São como vaga lumes.
Aqui em Saquarema, mal chego o mar já assume o comando.
Foi maravilhoso estar alguns dias na montanha. Meus filhos precisavam de mim e eu precisava deles. Minha irmã dormiu uma noite na minha casinha junto com sua amiga de adolescência que é minha amiga também e que veio de Boston. Conversamos horas com o fogão de lenha aceso.
Li muito e escrevi muitos haicais. Pretendo publicar um terceiro livro destes pequenos e singelos poemas . São como vaga lumes.
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
MONTANHA
Amanhã vou muito cedo para Visconde de Mauá. É longa a viagem, como diz minha neta Kira, dois ônibus e um carro. Decidi de um minuto para o outro, passou um vento e a mala já está aberta em cima da cama.
Em Mauá não tenho internet e na minha casinha nem o celular pega. Para falar com alguém preciso ir até o Babel Restaurante, do meu filho André e da minha nora Dani Keiko. O caminho da minha casinha até o Babel é completamente mágico. E perfumado. De vez em quando preciso ir, a montanha me chama.
Mas hoje vou ao encontro de crianças do Educandário do Bem aqui em Saquarema, uma ONG, dirigida pela Fátima, que faz arte com crianças. Jorge Vale está montando uma peça com meus poemas e quer me mostrar o que já foi feito. Será um lindo encontro, com certeza. Ele já fez uma belíssima montagem do meu livro Classificados Poéticos com estas mesmas crianças.
Ficarei alguns dias sem escrever aqui no blog. Volto no dia 28. Por favor, não me esqueçam!
Em Mauá não tenho internet e na minha casinha nem o celular pega. Para falar com alguém preciso ir até o Babel Restaurante, do meu filho André e da minha nora Dani Keiko. O caminho da minha casinha até o Babel é completamente mágico. E perfumado. De vez em quando preciso ir, a montanha me chama.
Mas hoje vou ao encontro de crianças do Educandário do Bem aqui em Saquarema, uma ONG, dirigida pela Fátima, que faz arte com crianças. Jorge Vale está montando uma peça com meus poemas e quer me mostrar o que já foi feito. Será um lindo encontro, com certeza. Ele já fez uma belíssima montagem do meu livro Classificados Poéticos com estas mesmas crianças.
Ficarei alguns dias sem escrever aqui no blog. Volto no dia 28. Por favor, não me esqueçam!
terça-feira, 21 de agosto de 2012
PRESENTE
Hoje recebo um presente tão imenso que precisaria de uma galáxia para guardá-lo. O poeta Salgado Maranhão escreveu sobre meu livro Diário da Montanha:
A poética de Roseana Murray flui tão genuinamente em sua harmonia verbal, que se instaura em nós como uma conversa iluminada.
Há nela uma densidade que não é de pedra nem de fúria, mas de brisa, porque porosa em nos aconchegar.
Neste seu Diário da Montanha, fala de pedras com palavras-nuvens; fala de vento com palavras-lume.
Desata os sentidos e as camadas por onde o mistério das coisas se oculta. Trata-se de uma poesia inaugural em que as costuras
conceituais não se exibem para denunciar citações. Sua voz sopra de uma paisagem sintática unicamente sua, como uma fonte que só para ela brotasse.
Daí a sua enorme aceitação junto ao leitor, semelhante aos ancestrais da sua família poética,
como Manoel Bandeira, Cecília Meirelles, Mário Quintana e Manoel de Barros.
Salgado Maranhão.
A poética de Roseana Murray flui tão genuinamente em sua harmonia verbal, que se instaura em nós como uma conversa iluminada.
Há nela uma densidade que não é de pedra nem de fúria, mas de brisa, porque porosa em nos aconchegar.
Neste seu Diário da Montanha, fala de pedras com palavras-nuvens; fala de vento com palavras-lume.
Desata os sentidos e as camadas por onde o mistério das coisas se oculta. Trata-se de uma poesia inaugural em que as costuras
conceituais não se exibem para denunciar citações. Sua voz sopra de uma paisagem sintática unicamente sua, como uma fonte que só para ela brotasse.
Daí a sua enorme aceitação junto ao leitor, semelhante aos ancestrais da sua família poética,
como Manoel Bandeira, Cecília Meirelles, Mário Quintana e Manoel de Barros.
Salgado Maranhão.
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
ABIDJAN
Por ter passado dois dias aqui em casa, meu ex cunhado Jesus me trouxe de volta Abidjan onde morava com a minha irmã no começo da década de 80 quando fui visitá-los. Sempre fui louca para ir a África e quando minha irmã foi morar na Costa do Marfim decidi fazer tudo o que estivesse ao meu alcance para ir. O apelo que sentia era grande demais. Vendi um colar de ouro, presente da minha mãe, peguei emprestado algum dinheiro com a minha tia e lá fui eu via Dakar. Já em Dakar, no aeroporto , o meu susto foi grande demais: as cores, os cheiros, a beleza estonteante de homens e mulheres.
Nosso avião para Abidjan era uma lata enferrujada toda amarrada com arame. Dentro do avião os africanos não paravam quietos, todos se levantavam e iam visitar alguém lá do outro lado. Mas chegamos são e salvos.
Ao sair do avião, uma lufada de ar quente foi como um soco e embaçou meus óculos. Era a umidade da floresta. Minha irmã me esperava com o Jesus. Já na saída do aeroporto compramos banana da terra frita em rodelas que se chama aloko, ainda me lembro, assim como me lembro do nome de um frango preparado com um molho incrível e servido com cuscuz: kedjenu. Banana socada no pilão ou o inhame também desmanchado no pilão e cozido era servido com molho de peixe e se chamava futu.
Minha irmã morava perto de um mercado e não há nada mais incrível do que um mercado africano com seus quilômetros de tecidos coloridos no chão . Caminhávamos muito e eu pensava: estou dentro de uma noite africana e a emoção era intensa.
Nesta época Abidjan era calma, não havia guerra, todas as dezenas de etnias com suas linguas conviviam em paz. E havia a lingua do mercado , o djula, que todos falavam. E depois veio a guerra civil, a mais tenebrosa invenção humana .
Nosso avião para Abidjan era uma lata enferrujada toda amarrada com arame. Dentro do avião os africanos não paravam quietos, todos se levantavam e iam visitar alguém lá do outro lado. Mas chegamos são e salvos.
Ao sair do avião, uma lufada de ar quente foi como um soco e embaçou meus óculos. Era a umidade da floresta. Minha irmã me esperava com o Jesus. Já na saída do aeroporto compramos banana da terra frita em rodelas que se chama aloko, ainda me lembro, assim como me lembro do nome de um frango preparado com um molho incrível e servido com cuscuz: kedjenu. Banana socada no pilão ou o inhame também desmanchado no pilão e cozido era servido com molho de peixe e se chamava futu.
Minha irmã morava perto de um mercado e não há nada mais incrível do que um mercado africano com seus quilômetros de tecidos coloridos no chão . Caminhávamos muito e eu pensava: estou dentro de uma noite africana e a emoção era intensa.
Nesta época Abidjan era calma, não havia guerra, todas as dezenas de etnias com suas linguas conviviam em paz. E havia a lingua do mercado , o djula, que todos falavam. E depois veio a guerra civil, a mais tenebrosa invenção humana .
domingo, 19 de agosto de 2012
AMIGOS
O final de semana foi para os amigos. Preparei ontem um arroz espanhol que se chama arroz caldoso, muito bom, com açafrão e frutos do mar. Hoje comemos o que sobrou de ontem mas fiz umas batatas ao forno absolutamente divinas. Celebramos o circuito do Salgado Maranhão , grande poeta, por 50 universidades americanas falando sobre a sua poesia. Salgado, premiadíssimo, nos enche de orgulho. E Jesus, meu ex cunhado, que não é ex, pois cunhado é para sempre, que dá um show de cultura e conhecimento me traz memórias antigas. Suas histórias são fantásticas. Ele me conta uma delas. Voltava para casa e no Flamengo viu uma jovem muito bem vestida sentada ao lado de um mendigo. Ficou esperando a jovem se levantar meio assustado e então lhe perguntou o que estava acontecendo, se ela precisava de alguma coisa, e ela respondeu: _Não, está tudo bem, eu apenas me sentei ao lado dele para ler um poema do Fernando Pessoa. Ele adorou. Faço isso às vezes.
Hoje passamos horas no jardim falando sobre a vida e me sinto grata, foi muito bom. Ele me aconselhou o livro "A Duas Vozes" de Octavio Paz e Hannah Arendt. Vou comprar agora. E o que ainda tenho de horas neste domingo, para ler e saborear uma justa preguiça.
Hoje passamos horas no jardim falando sobre a vida e me sinto grata, foi muito bom. Ele me aconselhou o livro "A Duas Vozes" de Octavio Paz e Hannah Arendt. Vou comprar agora. E o que ainda tenho de horas neste domingo, para ler e saborear uma justa preguiça.
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
A VOZ DE DENTRO
Recebi uma entrevista de um amigo psicanalista falando sobre a paternidade. Ele toca num tema doloroso: hoje os pais dão objetos para os filhos, ao invés de palavras.
Ele diz ainda que para ser pai e mãe precisamos nos "lembrar", o insconsciente sabe. Um dia , quando nascemos, fomos tocados, embalados, acariciados. Então ninguém precisa nos ensinar: sabemos.
E quem foi abandonado ao nascer ? Ao se transformar em pai e mãe terá que ouvir uma voz muito longinqua, será mais difícil lembrar. Mas não impossível. Guardamos nossa ancestralidade em nossa memória. Mas com todo o barulho reinante em nosso mundo, com o tempo tão acelerado, fica difícil ouvir a voz de dentro.
Hoje um arco-íris nascia do mar. A imagem maravilhosa ainda lateja em meu corpo.
Ele diz ainda que para ser pai e mãe precisamos nos "lembrar", o insconsciente sabe. Um dia , quando nascemos, fomos tocados, embalados, acariciados. Então ninguém precisa nos ensinar: sabemos.
E quem foi abandonado ao nascer ? Ao se transformar em pai e mãe terá que ouvir uma voz muito longinqua, será mais difícil lembrar. Mas não impossível. Guardamos nossa ancestralidade em nossa memória. Mas com todo o barulho reinante em nosso mundo, com o tempo tão acelerado, fica difícil ouvir a voz de dentro.
Hoje um arco-íris nascia do mar. A imagem maravilhosa ainda lateja em meu corpo.
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
DUAS CARTAS
Hoje falo sobre duas cartas que recebí. A primeira, de uma professora de Itabira me pede ajuda para trabalhar com poesia com suas crianças. Ela tem nas mãos meu livro Fábrica de Poesia, ed. Scipionne e eu pedi que me mandasse o poema que quer trabalhar. Ela me enviou cinco poemas e escolhi o Moinho de Palavras que reproduzi acima. Sugeri o seguinte exercício:
As crianças teriam nas mãos revistas coloridas. Elas recortariam apenas palavras. Depois, num papel elas colariam as palavras escolhidas e ao lado de cada palavra tentariam fabricar outras partindo da palavra original. Pode ser um jogo, quem fabricar mais palavras ganha.
A outra carta, também de Minas, da cidadezinha de Estiva, me pedia algumas palavras para seus alunos e um poema. Enviei a mensagem pedida e o poema e ela me mandou um agradecimento tão lindo que reproduzo aqui:
"Roseana estou muito emocionada não acredito que você me respondeu você é maravilhosa te adoramos ai Roseana quem sabe você consegue um espacinho em sua agenda e vem nos visitar vou estar te enviando algumas fotos de nosso festival de poesias nosso mural com sua fotos e poemas. Roseana gostaria muito de ter um livro de poemas seu autografado por você o que devo fazer para conseguir você é nossa inspiração e motivação e de muita alegria para nossos trabalhos e para essa geraçao de pequeninos maravilhosos que são nossas crianças te adoro muitooooooo! Roseana muito obrigada por ter me enviado seu poema essa mensage...m linda para meus alunos você é demais! Aguardo seu retorno qualquer coisa me de um endereço seu mandarei o livro que tenho de você para autografar ou você me manda e me manda um boleto com o valor do livro mas por favor não me deixe sem um livro seu sem ser autografado por você por favor atende o pedido de uma super fã sua! que Deus te aben çoe muito e que você tenha muita inspiraçao para continuar nos emocionando , alegrando com seus poemas maravilhosos e que você continue bem proxima de nós nos dando essa honra de estarmos proximas de uma pessoa iluminada e maravilhosa! Obrigada por tudo! Super abraços e muitos beijos de meus aluninhos les disseram que você é a melhor poetisa de todo o mundo eles estão apaixonados e entusiasmado por você mandar o poema para eles e mandar um recado muito lindo para eles! muitos beijos para você!"
As crianças teriam nas mãos revistas coloridas. Elas recortariam apenas palavras. Depois, num papel elas colariam as palavras escolhidas e ao lado de cada palavra tentariam fabricar outras partindo da palavra original. Pode ser um jogo, quem fabricar mais palavras ganha.
A outra carta, também de Minas, da cidadezinha de Estiva, me pedia algumas palavras para seus alunos e um poema. Enviei a mensagem pedida e o poema e ela me mandou um agradecimento tão lindo que reproduzo aqui:
"Roseana estou muito emocionada não acredito que você me respondeu você é maravilhosa te adoramos ai Roseana quem sabe você consegue um espacinho em sua agenda e vem nos visitar vou estar te enviando algumas fotos de nosso festival de poesias nosso mural com sua fotos e poemas. Roseana gostaria muito de ter um livro de poemas seu autografado por você o que devo fazer para conseguir você é nossa inspiração e motivação e de muita alegria para nossos trabalhos e para essa geraçao de pequeninos maravilhosos que são nossas crianças te adoro muitooooooo! Roseana muito obrigada por ter me enviado seu poema essa mensage...m linda para meus alunos você é demais! Aguardo seu retorno qualquer coisa me de um endereço seu mandarei o livro que tenho de você para autografar ou você me manda e me manda um boleto com o valor do livro mas por favor não me deixe sem um livro seu sem ser autografado por você por favor atende o pedido de uma super fã sua! que Deus te aben çoe muito e que você tenha muita inspiraçao para continuar nos emocionando , alegrando com seus poemas maravilhosos e que você continue bem proxima de nós nos dando essa honra de estarmos proximas de uma pessoa iluminada e maravilhosa! Obrigada por tudo! Super abraços e muitos beijos de meus aluninhos les disseram que você é a melhor poetisa de todo o mundo eles estão apaixonados e entusiasmado por você mandar o poema para eles e mandar um recado muito lindo para eles! muitos beijos para você!"
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
MÚSICA E CARTA DE UMA LEITORA
Hoje recebo uma carta lindíssima de uma leitora de Natal:
"Olá Roseana, sou natalense semana passada tive a imensa satisfação de te conhecer pessoalmente,já a conhecia um pouco através de seus lindos poemas e através do seu blog.
sou aquela que pediu para tirar uma foto sua qd parou ao meu lado no seminário prazer em ler. (Já mostrei a foto para muitos alunos)
trabalho como mediadora de leitura na Escola municipal Emmanuel Bezerra e amo muito o que faço! procuro passar para os alunos todo a minha paixão pela literatura.Essa escola foi uma das vencedoras no concurso Escolas de leitoras com seu projeto de leitura. Nossas principais ações: mediações(1 x por semana para cada turma) Empréstimos de livros, Cantinho de Leitura na hora do recreio, Concerto Literário( na rádio da escola, no momento cívico, nas reuniões de pais, eventos, qd os pais estão aguardando os toque para pegar seus filhos), Corredor Literário(exposição de novos acervos de livros), Aperitivo Literário(são textos espalhados pelo corredor de vários Gêneros Literários(no momento há dois poemas seus no corredor) É gratificante quando vejo algum aluno parar diante de um destes textos e depois me perguntar se a biblioteca possui o livro que foi extraído aquele texto ou outro do mesmo autor (comportamento leitor!)Ah, fazemos também, mensalmente, ações fora da escola como: leitura na feira livre, leitura para os que estão em abrigos de idosos, ou nas paradas de ônibus. É isso.
Um abraço Vera Lúcia"
E leio no Segundo Caderno do O Globo sobre todas as orquestras que estão sendo formadas pelo Brasil afora e seus efeitos maravilhosos, mágicos, na vidas das crianças e jovens envolvidos nos respectivos projetos, já que são muitos projetos diferentes. São crianças pobres, muitas vezes com problemas familiares dramáticos e o seu abandono seria o seu fim: a rua, o crime, as drogas. A música os reconduziu a um ninho de afeto. Música e poesia salvam vidas.
terça-feira, 14 de agosto de 2012
ARDOR GUERREIRO
Termino de ler pela quarta vez um livro que me emociona até a medula: Ardor Guerrero de Antonio Muñoz Molina por quem sou apaixonada. Acho que este livro não existe em português.
Ele narra, é uma memória pessoal, os catorze meses em que passou confinado no exército. A sua fragilidade, a insegurança, o terror, as injustiças que sofreu, as humilhações, as amizades, a violência sempre prestes a explodir.A estrutura absurda daquele universo irreal, paralelo, onde as leis do mundo do lado de fora não vigoram. A arbitrariedade dos superiores.
Eu me identifico tanto, eu viro aquele menino-quase-homem que ainda não é escritor mas sabe que quer escrever. Como ele eu também quando menina nunca gostei de esportes, meu refúgio eram os livros. Para aguentar as horas em que tinha que passar no pátio, imóvel, em formação, ele decorava poemas do Borges e recitava para dentro.
Penso que um eco da estrutura militar ressoa nas escolas. A campainha estridente. Por que ? Não poderiam dividir o tempo com música? Com um poema ? Aquela campainha destrói qualquer harmonia interior.
Os uniformes. Acho que cada criança deveria pintar os seu uniforme para que ele deixasse de ser... uniforme e fosse único. Cada aluno deveria "enlouquecer" o seu unifrome.Um aluno sentado atrás do outro, José Pacheco, o fundador da Escola da Ponte em Portugal,em sua palestra falou sobre isso, o que o aluno vê é a nuca do outro. E isso faria melhorar o aprendizado? Acho que sim. A mente fica alerta quando cria, quando pensa.
Transformar as escolas em ambientes não agressivos, acolhedores onde cada aluno e aluna se sinta único(a) e criativo(a) é um sonho possível. Então uma escola não lembrará um quartel.
Ele narra, é uma memória pessoal, os catorze meses em que passou confinado no exército. A sua fragilidade, a insegurança, o terror, as injustiças que sofreu, as humilhações, as amizades, a violência sempre prestes a explodir.A estrutura absurda daquele universo irreal, paralelo, onde as leis do mundo do lado de fora não vigoram. A arbitrariedade dos superiores.
Eu me identifico tanto, eu viro aquele menino-quase-homem que ainda não é escritor mas sabe que quer escrever. Como ele eu também quando menina nunca gostei de esportes, meu refúgio eram os livros. Para aguentar as horas em que tinha que passar no pátio, imóvel, em formação, ele decorava poemas do Borges e recitava para dentro.
Penso que um eco da estrutura militar ressoa nas escolas. A campainha estridente. Por que ? Não poderiam dividir o tempo com música? Com um poema ? Aquela campainha destrói qualquer harmonia interior.
Os uniformes. Acho que cada criança deveria pintar os seu uniforme para que ele deixasse de ser... uniforme e fosse único. Cada aluno deveria "enlouquecer" o seu unifrome.Um aluno sentado atrás do outro, José Pacheco, o fundador da Escola da Ponte em Portugal,em sua palestra falou sobre isso, o que o aluno vê é a nuca do outro. E isso faria melhorar o aprendizado? Acho que sim. A mente fica alerta quando cria, quando pensa.
Transformar as escolas em ambientes não agressivos, acolhedores onde cada aluno e aluna se sinta único(a) e criativo(a) é um sonho possível. Então uma escola não lembrará um quartel.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
SUBSTÂNCIA
Somos humanos . Precisamos trocar, tocar, abraçar o outro. É no espelho dos olhos do outro que nos vemos, é no som da sua voz que afinamos as nossas cordas vocais, a nossa harpa. Sem um outro humano que confirme a minha existência, perco minha substância :
SUBSTÂNCIA
Dividirmos isso:
essa substância humana
esse líquido que habita
nossos ossos
como se divide um pão
o sol e a sombra
no mesmo prato
como se divide uma alucinação
no deserto
os sonhos boiando num fio
de água
como se divide a água
a noite e o dia no mesmo leito
como se divide o ar
in Pássaros do Absurdo, ed. Tchê, 1990
SUBSTÂNCIA
Dividirmos isso:
essa substância humana
esse líquido que habita
nossos ossos
como se divide um pão
o sol e a sombra
no mesmo prato
como se divide uma alucinação
no deserto
os sonhos boiando num fio
de água
como se divide a água
a noite e o dia no mesmo leito
como se divide o ar
in Pássaros do Absurdo, ed. Tchê, 1990
domingo, 12 de agosto de 2012
A VOZ DA POESIA
Hoje, no café da manhã, lendo o jornal O Globo, no meio das habituais notícias terríveis que nos chegam de todos os lados, encontro uma clareira mágica : um artigo belíssimo do Affonso Romano de Sant"anna sobre poesia e silêncio. Seu artigo é poesia em estado puro, labareda e deveria ocupar a primeira página inteira do jornal, deveria ser leitura obrigatória em todas as escolas, repartições públicas, supermercados, em todos os lugares onde as pessoas circulassem.
Affonso nos diz: " A poesia exige um silêncio abismal. E isto pode levar à vertigem.
Ou: A poesia é quando se está à beira de si mesmo."
E no final do artigo nos diz: "Repito: poesia exige um silêncio abismal.
Ler, escrever ou ouvir poesia é abismar-se."
Indico, por favor, a leitura do artigo completo para que o domingo adquira outro significado. E agradeço.
Affonso nos diz: " A poesia exige um silêncio abismal. E isto pode levar à vertigem.
Ou: A poesia é quando se está à beira de si mesmo."
E no final do artigo nos diz: "Repito: poesia exige um silêncio abismal.
Ler, escrever ou ouvir poesia é abismar-se."
Indico, por favor, a leitura do artigo completo para que o domingo adquira outro significado. E agradeço.
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
CASA DE SABERES
Ontem de manhã, em Natal, fui até a Casa de Saberes E.E Hegésippo Reis. A escola é uma casinha muito fofa, a sala de leitura é super acolhedora, adorável, mas o que acontece lá dentro é que faz toda a diferença. Ao chegar me encontrei com crianças que são agentes de leitura. Eles possuem uma mala cheia de livros e uma vez por mês visitam uma família com um bule mágico para chá de chocolate e abrem a mala, contam histórias. A mala fica na casa da família até o próximo chá em outra casa.
Eles também levam uma caixa de livros para locais públicos do bairro, supermercados, farmácias, açougues e fazem performances, lendo alguns livros, o bairro então é chamado de Bairro Leitor.
Na Sala de Leitura acontecem muitas coisas :Concursos, Piqueniques Literários, Formação de Crianças, Jovens e Adultos Mediadores e Mediadoras de Leitura, etc. As salas de aula também são diferentes, são oficinas e as crianças vão trocando de sala: oficina de números, oficina de linguagem...
Em cada mês é trabalhado um valor, por exemplo, em agosto , este mês, estão trabalhando a solidariedade.
Como a escola só vai até a quinta série, os ex alunos que quiserem podem trabalhar como voluntários na escola e encontrei alguns com o lindo avental de agentes de leitura.
Como a comunidade está inteiramente envolvida com a escola, todos amam a escola.
As crianças definem e desenvolvem junto com os professores temas de estudo e pesquisa.
Fiquei muito emocionada com a bela apresentação das crianças .Elas me entregaram uma carta onde me contam a leitura incrível que fizeram dos meus poemas e como meus poemas agiram neles.
Claudia, que foi quem me levou para Natal (ela passou sete meses na Escola da Ponte em Portugal ), me conta que Natal tem 180 Escolas Leitoras, cada uma com seus projetos de leitura.
QUE MARAVILHA!!!
Eles também levam uma caixa de livros para locais públicos do bairro, supermercados, farmácias, açougues e fazem performances, lendo alguns livros, o bairro então é chamado de Bairro Leitor.
Na Sala de Leitura acontecem muitas coisas :Concursos, Piqueniques Literários, Formação de Crianças, Jovens e Adultos Mediadores e Mediadoras de Leitura, etc. As salas de aula também são diferentes, são oficinas e as crianças vão trocando de sala: oficina de números, oficina de linguagem...
Em cada mês é trabalhado um valor, por exemplo, em agosto , este mês, estão trabalhando a solidariedade.
Como a escola só vai até a quinta série, os ex alunos que quiserem podem trabalhar como voluntários na escola e encontrei alguns com o lindo avental de agentes de leitura.
Como a comunidade está inteiramente envolvida com a escola, todos amam a escola.
As crianças definem e desenvolvem junto com os professores temas de estudo e pesquisa.
Fiquei muito emocionada com a bela apresentação das crianças .Elas me entregaram uma carta onde me contam a leitura incrível que fizeram dos meus poemas e como meus poemas agiram neles.
Claudia, que foi quem me levou para Natal (ela passou sete meses na Escola da Ponte em Portugal ), me conta que Natal tem 180 Escolas Leitoras, cada uma com seus projetos de leitura.
QUE MARAVILHA!!!
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
ENCONTRO
Ontem foi belíssimo o meu encontro com a platéia pela manhã. Houve um entendimento total. A energia era linda. Falei de vida, leitura, poesia, formação de leitores. Depois autografei uns 300 livros, nunca passei por nada igual.Recebí toneladas de amor.
Estou com uma gripe horrível, muito forte, febril e não me sinto nada bem. Com todo este mar nordestino na minha frente, ficarei deitada num quarto de hotel em Natal! Mas acontece.
Almoçarei com a minha sobrinha e irei conhecer a sua casa.
Estou com uma gripe horrível, muito forte, febril e não me sinto nada bem. Com todo este mar nordestino na minha frente, ficarei deitada num quarto de hotel em Natal! Mas acontece.
Almoçarei com a minha sobrinha e irei conhecer a sua casa.
terça-feira, 7 de agosto de 2012
NATAL
Cheguei a Natal ontem às 14hs e a temperatura amena, o perfume do nordeste, o sotaque cantante já me abraçaram.
Da janela do meu quarto tenho uma vista esplêndida:o mar e um belo casario entrecortado por arranha-céus .
Jantamos num restaurante chamado Camarões, o nome já diz tudo, com o pessoal do Seminário que é financiado pela C&A. Estava presente uma psicanalista, ainda não sei o que faz no Seminário e a coincidência: ela tem casa em Saquaremna e vai todois os fins de semana .Ao meu lado estava sentada Lucília Helena do Carmo Garcez que mora em Brasília, é escritora e tb tem um Clube de Leitura. Passamos horas falando de livros. Conheci José de Castro, mineiro que vive aqui desde a década de 80. E outra escritora, Salizete, minha leitora apaixonada . Estava presente um silencioso Senhor José que trabalhou 35 anos na Escola da Ponte em Portugal e vai abrir uma Escola da Ponte no Brasil.
Agora pela manhã é a minha fala. Depois conto. Torçam por mim.
Da janela do meu quarto tenho uma vista esplêndida:o mar e um belo casario entrecortado por arranha-céus .
Jantamos num restaurante chamado Camarões, o nome já diz tudo, com o pessoal do Seminário que é financiado pela C&A. Estava presente uma psicanalista, ainda não sei o que faz no Seminário e a coincidência: ela tem casa em Saquaremna e vai todois os fins de semana .Ao meu lado estava sentada Lucília Helena do Carmo Garcez que mora em Brasília, é escritora e tb tem um Clube de Leitura. Passamos horas falando de livros. Conheci José de Castro, mineiro que vive aqui desde a década de 80. E outra escritora, Salizete, minha leitora apaixonada . Estava presente um silencioso Senhor José que trabalhou 35 anos na Escola da Ponte em Portugal e vai abrir uma Escola da Ponte no Brasil.
Agora pela manhã é a minha fala. Depois conto. Torçam por mim.
domingo, 5 de agosto de 2012
DOMINGO
Já arrumei a mala para Natal. Levo alguns exemplares do Diário da Montanha, meu novo livro, já que terei um encontro com leitores e um momento de autógrafos. Se alguém quiser o livro terei para vender, se for permitido. Afinal desisti do meu conceito de mala pequena pois só os livros ocupam mais de metade da mala e contra os meus próprios princípios levo uma mala grande.
Hoje li uma entrevista maravilhosa na Revista de Domindo do O Globo com um menino de 19 anos que levou um projeto de bibliotecas para a Ilha de Marajó em Belém . O projeto se chama Casas de Papel, que é um nome lindíssimo. Os efeitos, os desdobramentos ,as consequencias maravilhosas do projeto fazem a gente acreditar na humanidade. Ele se chama Luti e é um exemplo magnífico. Para aitudes assim tão belas não há contra indicação.
Escreverei de Natal.
Hoje li uma entrevista maravilhosa na Revista de Domindo do O Globo com um menino de 19 anos que levou um projeto de bibliotecas para a Ilha de Marajó em Belém . O projeto se chama Casas de Papel, que é um nome lindíssimo. Os efeitos, os desdobramentos ,as consequencias maravilhosas do projeto fazem a gente acreditar na humanidade. Ele se chama Luti e é um exemplo magnífico. Para aitudes assim tão belas não há contra indicação.
Escreverei de Natal.
sábado, 4 de agosto de 2012
NATAL
Segunda-feira vou para Natal . Participarei do Sexto Seminário Potiguar Prazer em Ler.
Vou falar no dia 7 às 8:30hs da manhã sobre Livros, Poesia e Formação de Leitores no Centro Aluízio Alves - CEMURE.
A minha felicidade é tamanha que não cabe nesta página. Eu amo o nordeste, sua luz e seu vento, suas pessoas, suas comidas. Além disso vou ver minha sobrinha Julia que agora mora em Natal.
Fui a Natal na década de 90 por duas vezes, uma vez me hoispedei na casa de uma pessoa maravilhosa, a dona de uma livraria, não lembro seu nome e ela me levou até Pipa e me recebeu como uma flor delicada. Outra vez com o Proler e eu e José Mauro Brant ficamos mais um dia para passear, foi maravilhoso, inesquecível. Andamos de jipe pelas dunas.Sou nordestina de coração.
Vou falar no dia 7 às 8:30hs da manhã sobre Livros, Poesia e Formação de Leitores no Centro Aluízio Alves - CEMURE.
A minha felicidade é tamanha que não cabe nesta página. Eu amo o nordeste, sua luz e seu vento, suas pessoas, suas comidas. Além disso vou ver minha sobrinha Julia que agora mora em Natal.
Fui a Natal na década de 90 por duas vezes, uma vez me hoispedei na casa de uma pessoa maravilhosa, a dona de uma livraria, não lembro seu nome e ela me levou até Pipa e me recebeu como uma flor delicada. Outra vez com o Proler e eu e José Mauro Brant ficamos mais um dia para passear, foi maravilhoso, inesquecível. Andamos de jipe pelas dunas.Sou nordestina de coração.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
LINGUAGEM
Em setembro vou para o Recife falar sobre leitura e fui presenteada com um título lindo para a minha fala:
"Os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo"
Quero partir de um poema inédito. E do que diz o filósofo espanhol Savater: a diferença entre um pobre e um rico está no número de palavras que eles possuem.
Quanto menos palavras possuo menos posso entender o mundo. Não posso me defender.
LINGUAGEM
Como nasceu a primeira palavra,
de um rio que corria
dentro da garganta?
veio antes ou junto do gesto,
de que linhagem,
das estrelas, dos caramujos,
de um susto ou de um eclipse
veio a linguagem?
Para dizer o indizível, caçada,
amor, vida, morte, nascimento?
Para nomear tudo o que existe,
o que já existiu,
o que ainda existirá,
assim nasceu a palavra?
Se digo árvore não preciso carregar
a própria árvore debaixo do braço
e também digo a sua sombra,
seus frutos, raízes e o pássaro azul
que faz ninho em seus galhos
e voa sobre a página em que escrevo
e pousa no teu olhar.
"Os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo"
Quero partir de um poema inédito. E do que diz o filósofo espanhol Savater: a diferença entre um pobre e um rico está no número de palavras que eles possuem.
Quanto menos palavras possuo menos posso entender o mundo. Não posso me defender.
LINGUAGEM
Como nasceu a primeira palavra,
de um rio que corria
dentro da garganta?
veio antes ou junto do gesto,
de que linhagem,
das estrelas, dos caramujos,
de um susto ou de um eclipse
veio a linguagem?
Para dizer o indizível, caçada,
amor, vida, morte, nascimento?
Para nomear tudo o que existe,
o que já existiu,
o que ainda existirá,
assim nasceu a palavra?
Se digo árvore não preciso carregar
a própria árvore debaixo do braço
e também digo a sua sombra,
seus frutos, raízes e o pássaro azul
que faz ninho em seus galhos
e voa sobre a página em que escrevo
e pousa no teu olhar.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
ESTRADA
Não gosto de falar de política aqui. Mas torço para que a partir de hoje com o julgamento do Mensalão, o Brasil escolha um novo caminho. Todos nós, brasileiros de bem, que trabalhamos e pagamos nossos impostos e vemos estarrecidos a situação de tantas coisas, o que se poderia fazer com todo o dinheiro desviado, escolas, hospitais, trens, bibliotecas,gostaríamos de ver poderosos corruptos sendo punidos. Acho que o julgamento do Mensalão toca a cada um de nós, porque escolheremos o Brasil em que vamos viver. Se dinheiro público, que deve ser sagrado, é usado sem nenhuma cerimônia para outros fins que não sejam o do bem estar da população, as próximas gerações receberão um cheque em branco para o roubo e o cinismo.
Torço por um julgamento onde culpados sejam punidos.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
PROFESSORA FABRÍCIA
Recebo um pacote de cartas dos alunos da Professora Fabrícia da escola Casinha Feliz de Bom Jesus da Lapa. As crianças me escrevem cartas lindas, algumas com fotos. E Fabrícia, a professora, me escreve uma carta onde conta que seus alunos se apaixonaram pelo meu conto "Sete Sonhos e Um Amigo" de tal maneira, que não querem mais parar de ler, o livro os deixou transtornados. Um aluno chegou a me dizer que eu teria que ir até lá conhecê-los já que fui eu que criei o livro que fez com que eles se apaixonassem por livros!
Dia 6 vou para Natal falar sobre leitura e tenho mais esta bela história para contar.
Hoje muito cedinho o mar estava todo rosa e vi golfinhos!
terça-feira, 31 de julho de 2012
PERGAMINHO DE MEMÓRIAS
Meu filho Guga que voltará para o Brasil em setembro depois de oito anos vivendo na Espanha, me telefona hoje de manhã:
_Mãe, achei a escola pro Luis.
A família viverá em Resende onde Guga fará uma Escola de Música.
A escola se chama Artes e Manhas e fica ao lado de onde vai morar. Tem capoeira, judô, aula de espanhol, belo espaço físico,e, milagres da tecnologia, ele conversou com a diretora enquanto falava comigo pelo skype e foi muito bem recebido.
Luis começa as aulas dia 24 de setembro e entrará na escola sem falar português. Mas certamente aprenderá em uma semana, já que entende tudo.Patrícia, minha nora, oferecerá aulas de flamenco para as crianças.
Não parece verdade que terei meu neto perto de mim. E a escola tem todo mês o Dia das Avós que deveria ser matéria obrigatória em todas as escolas. As avós são um pergaminho de memórias e já me vejo contando histórias para a turma do Luis.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
MOMENTO
Uma fotografia do momento:
Da minha mesa que dá para as montanhas ouço o mar rugir atrás de mim. A casa vibra, quase balança, me sinto em alto-mar. Bastaria um par de velas e a casa se transformaria em barco. Um sudoeste envolve o cenário.
Nana, minha gata, dorme em cima de uma cadeira dourada, herança da minha mãe, é a sua última paixão. Escuto Cazuza e cachorros latem na casa ao lado.
domingo, 29 de julho de 2012
JORGE AMADO EM PRAGA
Hoje o jornal O GLOBO publica um lindo caderno sobre Jorge Amado que faria 100 anos dia 10 de agosto.
É impressionante como antes da internet, antes da globalização, Jorge Amado já levava o Brasil para o mundo.
Em 2001 fui a Praga. Fiquei hospedada num apartamento num prédio incrível, na frente da Ponte Carlos. A dona do apartamento se chamava Zdena e ficamos amigas. Ela alugava o apartamento e nós o encontramos por acaso. Era aconchegante, maravilhoso, queria ter ficado aí por alguns meses, mas infelizmente só tinhamos uma semana. Zdena falava um inglês horroroso, como o meu, mas nos entendemos maravilhosamente. Ela me contou que o prédio era muito antigo, talvez do ano 1200 e tinha uma passagem subterrânea que levava ao Castelo. Ela me contou que o prédio era da sua sogra e que o devolveram quando mudou o regime.
No dia da nossa partida finalmente ela me convidou para ir até a sua casa e ela já tinha internet, pude mostrar meu site. O seu escritório tinha uma estante cheia de livros e ela foi até a estante , retirou um volume e me mostrou: Jorge Amado. Era um livro bem antigo e gasto. Ela também me presenteou com um livro de um amado poeta tcheco de nome impronunciável.
Logo depois Roger Mello iria a Praga, acho que era no ano seguinte. Então consegui uma tradutora através do Consulado, paguei a tradução do meu livro Tantos Medos e Outras Coragens e Roger levou para Zdena.
Depois nos perdemos. Que pena.Tentei muitas vezes encontrá-la. Em vão.
sábado, 28 de julho de 2012
UM DIA ESPECIAL
Hoje eu e Juan fazemos 12 anos de casamento. Em 1994, ao ir para a Europa para receber meu prêmio, entrar na lista de honra do I.B.B.Y, no aeroporto Tom Jobim sentei ao lado de um homem. Começamos a conversar. Ele era jornalista , o fundador do caderno Babelia, do El País. Falei que era poeta e que ia a Sevilha. Ele me perguntou se eu passaria por Madrid. Respondi que sim, ficaria 3 dias em Madrid. Ele me convidou para conhecer o seu jornal e levar algum livro de poesia, quem sabe ele pudesse publicar algum poema . Fui ao seu jornal com uma amiga. Fiquei muito impactada com a sua cultura, a sua força. De lá fui para Paris e lhe mandei um cartão agradecendo a acolhida. Recebi um exemplar do jornal, em um atigo ele havia publicado um pedaço de um poema do livro Classificados Poéticos. Começamos a trocar poemas , numa longa correspondência . Ele se apaixonou pela minha poesia.
Em 1997 ele veio ao Brasil para me ver. Em 1998 fui morar com ele em Madrid. Em 1999 viemos para o Brasil, ele já como correspondente. Em 2000, no dia 28 de julho, nos casamos num cartório no Estácio, no Rio de Janeiro. Chegamos no cartório e havia uma fila de gente bem simples esparramada pela rua. Com suas melhores roupas. Os meus filhos foram nossos padrinhos. O Juiz nos casou em segundos, não fez nenhum discurso , acho que ele estava com muita pressa.
Nunca nestes 12 anos comemoramos a data, quase nunca nos lembrávamos. Mas este ano tenho vontade de comemorar. De relembrar as 1001 viagens que fizemos juntos, os livros que publicamos, as árvores que plantamos, só não fizemos filhos porque eu já não podia mais.Passamos o dia inteiro juntos, trabalhamos no mesmo espaço, eu leio o que ele escreve, ele também lê o que escrevo.
Um almoço só para nós dois, uma bela pasta italiana,pão fresco feito em casa, vinho espanhol.Comemorar o milagre de estarmos vivos e apaixonados.
sexta-feira, 27 de julho de 2012
A AVENTURA DO CONTO PERDIDO
Estou escrevendo um livro de contos. Já tenho 50 páginas. Assim como escrever poesia para mim é simples como respirar, a poesia é o sangue que corre em minhas veias, escrever ficção é outra história. Primeiro preciso inventar uma história e as pessoas precisam acreditar nela. Depois tenho que encontrar a escrita para a história. É bastante complicado quando não nascemos com este talento. Mas vou mastigando pedras e acabo conseguindo. Pois bem, estava rearrumando os contos, mudando alguns de lugar, quando o conto que eu estava querendo trocar de lugar, simplesmente desapareceu, ficou invisível. Sumiu. Eu não tinha cópia. Isso aconteceu quando estava em Mauá.Revirei o computador pelo lado do avesso e não encontrei meu conto. Voltei para Saquarema com o conto desaparecido ocupando um lugar imenso dentro de mim. Ele assumiu a forma de uma tristeza difusa. O Valdinei, o menino que me ajuda nas horas cruciais estava viajando e só voltou ontem. Ele também virou e revirou o computador, espremeu, quase fez um suco de letras e ... achou o conto bem escondidinho num desvão , atrás de alguma escada.
O alívio, a felicidade, eu jamais conseguiria escrever meu conto outra vez!
Ah, diria a minha avó, habitante das estrelas, isso não aconteceria se você fizesse cópias...
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