Ontem pela tarde, no meu encontro com as crianças, havia um grupo de adolescentes lá no fundo da quadra. Eles eram de outra escola, a E.M Dionísia e este intercâmbio é muito bonito.
Quando as crianças foram embora, me sentei com eles numa roda para conversar. E fiquei sabendo que a escola deles está em obras e inúmeros transtornos atrapalham a vida da escola. Os livros estao encaixotados e eles trabalham apenas com uma apostila didática. Como estavam sentados num belo tapete, eu contei a história das Mil e Uma Noites. E fizemos um exercício lindo, tecemos um tapete imaginário com algum acontecimento maravilhoso da vida deles. Todos falaram de nascimento. Uma menina falou da recuperaçao da mae que ficou em coma por um ano. Falamos de profissoes, uma menina quer estudar gastronomia. Li alguns poemas, contei do meu processo de criaçao. Foi um belo encontro. Eles me ouviam em profunda sintonia e silêncio. Depois o professor me disse que aquilo foi um milagre, pois eles sao muito dificeis. Nao é um milagre, absolutamente. De uma maneira simples cheguei até eles. E os livros deveriam ser desencaixotados com a maior urgência possível. A gente faz uma leitura compartilhada até debaixo de uma árvore. Quando o nosso encontro acabou, uma menina veio me contar que ela escrevia poemas.
Decidi voltar amanha de ônibus, acho que é o caminho mais curto.
Hoje tenho a manha livre. Carmem e Tânia Rita me levarao até alguma praia deslumbrante.
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
UBATUBA
Ontem saí de casa de madrugada e cheguei aqui em Ubatuba quase no final da tarde. Fiz o caminho mais complicado, pois fui de aviao até Sao Paulo e de Guarulhos até aqui gastamos quase 4 horas de carro. Mas subimos uma serra magnífica e entramos em Sao Luis do Paraitinga, cidade belíssima que quase foi totalmente destruída por uma cheia do rio em 2010. É uma cidade histórica realmente linda de morrer com seu casario antigo. por lá eles cultuam o Saci e quem ia gostar era meu neto Luis que anda apaixonado pelo Saci. Fiquei sabendo que por lá as festas folcóricas sao realmente imperdíveis. Nao encontro o til do teclado do computador que nao é meu, perdao!
A E.M Marina Salete foi quem me trouxe junto com a Secretaria de Educacao e ontem falei num teatro lindo para os professores e foi muito bom. Carmem , a diretora da escola e Tânia Rita, a cordenadora, sao sonhadoras, acreditam em amor na escola, em arte na escola, em fala e escuta. Os alunos hoje fizeram lindíssimas apresentaçoes e foi tudo muito bom. A escola recebeu a visita de um coral de outra escola e as crianças cantaram junto com o coral, dançaram, eram pura felicidade.
Agora estou no restaurante do hotel, estou sozinha, um pianista tocando jazz só para mim e vejam só onde a minha sacola de livros me trouxe: a esta cidade magnífica, cheia de florestas, me trouxe até estas lindas pessoas.
A E.M Marina Salete foi quem me trouxe junto com a Secretaria de Educacao e ontem falei num teatro lindo para os professores e foi muito bom. Carmem , a diretora da escola e Tânia Rita, a cordenadora, sao sonhadoras, acreditam em amor na escola, em arte na escola, em fala e escuta. Os alunos hoje fizeram lindíssimas apresentaçoes e foi tudo muito bom. A escola recebeu a visita de um coral de outra escola e as crianças cantaram junto com o coral, dançaram, eram pura felicidade.
Agora estou no restaurante do hotel, estou sozinha, um pianista tocando jazz só para mim e vejam só onde a minha sacola de livros me trouxe: a esta cidade magnífica, cheia de florestas, me trouxe até estas lindas pessoas.
terça-feira, 6 de novembro de 2012
AMIGOS
Amigos são a família escolhida e a felicidade do amigo nos inunda como se fosse nossa: Este é o selo da amizade. Não há limite para o tamanho do sentimento. Um amigo entende, aceita, acolhe.
AMIGO
que um amigo se reconheça
sempre
na face de outro amigo
e nesse espelho descanse
seus olhos
e derrame sua alma
como a crina de um cavalo
levemente pousada no vento
in Poesia Essencial, ed. Manati
Acordo e ainda é noite. Levanto e faço o café. A música do mar, soberana, invade a casa. Preparo a mala para Ubatuba. Meus leitores me esperam.
AMIGO
que um amigo se reconheça
sempre
na face de outro amigo
e nesse espelho descanse
seus olhos
e derrame sua alma
como a crina de um cavalo
levemente pousada no vento
in Poesia Essencial, ed. Manati
Acordo e ainda é noite. Levanto e faço o café. A música do mar, soberana, invade a casa. Preparo a mala para Ubatuba. Meus leitores me esperam.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
LIÇÕES DA COLÔMBIA
Leio que a Colômbia tem muito mais bibliotecas escolares que o Brasil. Uma biblioteca não é uma Sala de Leitura, que é informal , com tapetes, almofadas, um clima descontraído e não está regida pelas regras da biblioteca. A frequencia a uma biblioteca desde cedo ensina exatamente isso: a usá-la , a saber buscar a informação. E a Colômbia faz um trabalho interessante na área de formação de leitores. Faz Rodas de Leitura com professores e pais. E estimula as mães a ler para os seus bebês. A leitura compartilhada , creio, é a melhor ferramenta para a formaçao de leitores. Ou a discussão de um livro em conjunto, como fazemos no nosso Clube de Leitura. Cada escola deveria ter um Clube de Leitura que juntasse professores de todas as disciplinas., Há um clichê horrível que perpetua a idéia de que leitura é com a professora ou o professor de português, como se a professora ou professor de história ou de matemática, ao escolher as suas disciplinas, tivessem banido a leitura de suas vidas, que absurdo!!!
Pensei o Clube de Leitura para professores e para minha surpresa temos gente de muitas áreas. E recebemos gente que nunca havia lido e que já se tornou leitor.
Uma escola que não é leitora está destinada ao fracasso. E com todas as dificuldades há que envolver a família.
Uma vez fiz uma experiência. Duas adolescentes passavam a semana aqui em casa. Dei a elas o livro O Menino do Pijama Listrado de John Boyne e pedi a elas que antes de dormir, cada noite, uma lesse um capítulo em voz alta . No final da semana elas já tinham acabado de ler o livro e amaram e ficaram muito curiosas com o tema da Segunda Guerra. Cada livro se multiplica em mil temas e vai aguçando a curiosidade do jovem leitor.
No meu livro Território de Sonhos, ed. Rocco, criei cada conto com um personagem leitor. Em um dos contos uma menina está esperando a visita de um menino por quem já está apaixonada, tecendo mil fantasias e ao mesmo tempo está lendo o Diário da Anne Frank. O leitor do conto que não leu o Diário pode ter o desejo de buscá-lo . Quando escrevi o livro, nunca tive este retorno, pensei em jogar esta isca. Uma citação pode ser o canto da sereia.
Pensei o Clube de Leitura para professores e para minha surpresa temos gente de muitas áreas. E recebemos gente que nunca havia lido e que já se tornou leitor.
Uma escola que não é leitora está destinada ao fracasso. E com todas as dificuldades há que envolver a família.
Uma vez fiz uma experiência. Duas adolescentes passavam a semana aqui em casa. Dei a elas o livro O Menino do Pijama Listrado de John Boyne e pedi a elas que antes de dormir, cada noite, uma lesse um capítulo em voz alta . No final da semana elas já tinham acabado de ler o livro e amaram e ficaram muito curiosas com o tema da Segunda Guerra. Cada livro se multiplica em mil temas e vai aguçando a curiosidade do jovem leitor.
No meu livro Território de Sonhos, ed. Rocco, criei cada conto com um personagem leitor. Em um dos contos uma menina está esperando a visita de um menino por quem já está apaixonada, tecendo mil fantasias e ao mesmo tempo está lendo o Diário da Anne Frank. O leitor do conto que não leu o Diário pode ter o desejo de buscá-lo . Quando escrevi o livro, nunca tive este retorno, pensei em jogar esta isca. Uma citação pode ser o canto da sereia.
domingo, 4 de novembro de 2012
FICÇÃO
Nos diz Antonio Muñoz Molina, maravilhoso escritor espanhol, autor de SEFARAD:
"Necesitamos relatos para que el flujo de la realidad se nos vuelva inteligible. Unos más y otros menos, todos necesitamos relatos de ficción y de no ficción, fábulas y crónicas, retratos de personas que existen o han existido o que son imaginarias, documentales e historias interpretadas por actores. Necesitamos mirar de cerca la realidad y necesitamos escapar temporalmente de ella, y encontrar en las ficciones donde satisfacemos esa huida claves simbólicas que nos ayuden a entender lo que vemos al abrir los ojos, al apartarlos del libro, al salir de la sala de cine."
Uma vida não basta. E a ficção nos permite viver mil vidas. A literatura nos ajuda a viver a nossa única vida, tão pouca.
Enquanto releio O Carteiro e o Poeta, de Antonio Skármeta, para o nosso encontro do Clube de Leitura da Casa Amarela , no dia 24 de novembro, além de viver intensamente a relação do carteiro Mário com Neruda, o livro me traz de volta o tempo da sua primeira leitura na década de 80 e me traz também de volta o início dos anos 70 , quando hospedei duas chilenas que fugiam do terror no Chile. Muitos tempos se misturam, muitas Roseanas dentro de mim, algumas sobreviveram, outras já não existem mais. Muitos amigos da época em que pela primeira vez li o livro, desapareceram na fumaça do tempo. Este um dos milagres da ficção, ela nos aduba e ao mesmo tempo revira dentro de nós várias camadas de tempo.
"Necesitamos relatos para que el flujo de la realidad se nos vuelva inteligible. Unos más y otros menos, todos necesitamos relatos de ficción y de no ficción, fábulas y crónicas, retratos de personas que existen o han existido o que son imaginarias, documentales e historias interpretadas por actores. Necesitamos mirar de cerca la realidad y necesitamos escapar temporalmente de ella, y encontrar en las ficciones donde satisfacemos esa huida claves simbólicas que nos ayuden a entender lo que vemos al abrir los ojos, al apartarlos del libro, al salir de la sala de cine."
Uma vida não basta. E a ficção nos permite viver mil vidas. A literatura nos ajuda a viver a nossa única vida, tão pouca.
Enquanto releio O Carteiro e o Poeta, de Antonio Skármeta, para o nosso encontro do Clube de Leitura da Casa Amarela , no dia 24 de novembro, além de viver intensamente a relação do carteiro Mário com Neruda, o livro me traz de volta o tempo da sua primeira leitura na década de 80 e me traz também de volta o início dos anos 70 , quando hospedei duas chilenas que fugiam do terror no Chile. Muitos tempos se misturam, muitas Roseanas dentro de mim, algumas sobreviveram, outras já não existem mais. Muitos amigos da época em que pela primeira vez li o livro, desapareceram na fumaça do tempo. Este um dos milagres da ficção, ela nos aduba e ao mesmo tempo revira dentro de nós várias camadas de tempo.
sábado, 3 de novembro de 2012
AS SEREIAS
Hoje o tempo está escuro , meio cinza e o mar também. É o meu tempo predileto. Não faz calor e posso respirar.
Entre todas as notícias da semana , fiquei comovida com a do elefante que fala algumas palavras em coreano. Palavras de delicadeza: "bom dia! Como vai? Obrigado!" Ele é a sensação do seu zoológico.
Abomino desde sempre os zoológicos do mundo inteiro. E amo os elefantes. melhor seria se ele pedisse "liberdade, por favor!".
Não sei se as sereias preferem os dias azuis e ensolarados ou se, como eu, mergulham dentro de suas almas nos dias nublados. E dormem.
AS SEREIAS
Navegar, navegar
pelos sete mares,
atravessar
montanhas de água,
florestas de água,
para encontrar
a pedra azul
onde dormem as sereias.
in O Mar e os Sonhos, ed . Lê, selecionado para o PNBE 2013
Entre todas as notícias da semana , fiquei comovida com a do elefante que fala algumas palavras em coreano. Palavras de delicadeza: "bom dia! Como vai? Obrigado!" Ele é a sensação do seu zoológico.
Abomino desde sempre os zoológicos do mundo inteiro. E amo os elefantes. melhor seria se ele pedisse "liberdade, por favor!".
Não sei se as sereias preferem os dias azuis e ensolarados ou se, como eu, mergulham dentro de suas almas nos dias nublados. E dormem.
AS SEREIAS
Navegar, navegar
pelos sete mares,
atravessar
montanhas de água,
florestas de água,
para encontrar
a pedra azul
onde dormem as sereias.
in O Mar e os Sonhos, ed . Lê, selecionado para o PNBE 2013
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
CAIXA DE PANDORA
Conheci Jorge Vale em 2002 quando cheguei em Saquarema para morar. Ele dava aulas de teatro e pintura numa casa muito simpática. Os anos se passaram. Uma vez ele montou um espetáculo lindíssimo com meu livro Classificados Poéticos. Em setembro ele me chamou para ir até a ONG Educandário do Bem ,que é um Ponto de Cultura, para conversar com as crianças. Lá fui eu sem saber o que me esperava. A casa do Educandário é um encanto total. Lá, 60 crianças fazem aulas de teatro, arte, dança e reforço escolar em dois turnos, manhã e tarde. Ganham um lanche maravilhoso preparado na cozinha sempre perfumada, com cheiro de bolo assando.
Nos sentamos em roda no quintal, com vários dos meus livros espalhados pelo chão e Jorge me explicou : as crianças escolhiam os poemas, os livros estavam todos misturados, para crianças, jovens e adultos. Depois eles costurariam os poemas, tentando dar um sentido. A ONG ganhou dezenas de caixas de sapato vazias, então, o cenário seria feito com as caixas. Das caixas saiu a idéia: CAIXA DE PANDORA.
O espetáculo foi costurado em torno das idéias de esperança, sonho, paz. Os pássaros e o mar percorriam todo o espetáculo. As crianças pintaram as caixas na aula de arte e fabricaram pássaros de origami, que pendiam do teto junto com meus livros. Dentro do espetáculo as crianças estavam quase sempre lendo, ou com um livro nas mãos.A idéia de que a leitura move o mundo. O figurino era belíssimo. E as crianças , de 9 a 12 anos, pareciam atores profissionais. Os efeitos visuais no palco eram magníficos e isso sem tecnologia, tudo com panos e elásticos. As músicas perfeitas , se encaixavam nos poemas.
Caixa de Pandora é um espetáculo que faz a gente chorar de emoção. Tomara que a Secretaria de Educação de Saquarema consiga aproveitá-lo e leve a Caixa de Pandora para uma apresentação nas escolas.
Nos sentamos em roda no quintal, com vários dos meus livros espalhados pelo chão e Jorge me explicou : as crianças escolhiam os poemas, os livros estavam todos misturados, para crianças, jovens e adultos. Depois eles costurariam os poemas, tentando dar um sentido. A ONG ganhou dezenas de caixas de sapato vazias, então, o cenário seria feito com as caixas. Das caixas saiu a idéia: CAIXA DE PANDORA.
O espetáculo foi costurado em torno das idéias de esperança, sonho, paz. Os pássaros e o mar percorriam todo o espetáculo. As crianças pintaram as caixas na aula de arte e fabricaram pássaros de origami, que pendiam do teto junto com meus livros. Dentro do espetáculo as crianças estavam quase sempre lendo, ou com um livro nas mãos.A idéia de que a leitura move o mundo. O figurino era belíssimo. E as crianças , de 9 a 12 anos, pareciam atores profissionais. Os efeitos visuais no palco eram magníficos e isso sem tecnologia, tudo com panos e elásticos. As músicas perfeitas , se encaixavam nos poemas.
Caixa de Pandora é um espetáculo que faz a gente chorar de emoção. Tomara que a Secretaria de Educação de Saquarema consiga aproveitá-lo e leve a Caixa de Pandora para uma apresentação nas escolas.
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
CHEIRO DE ALGAS
Ontem ao chegar em Saquarema fui envolvida por um cheiro de algas, era quase uma teia que me cobria da cabeça aos pés. Era bom. Estava tão exausta , da viagem, do calor, que nem consegui desfazer a mala.
Mas o trabalho de ontem no C.M Antonio Pereira Bruno em Barra Mansa foi maravilhoso. Queria ressaltar o descaso com que a Prefeitura de Barra Mansa trata as suas escolas. É uma vergonha. A escola onde passei a manhã ontem, já não se aguenta em pé, o chão destruído, infiltrações por todos os lados, chove dentro, etc. Mas os professores vão tecendo os seus milagres. A Diretora Rose pediu ao Sesc que eu chegasse uma hora antes para um encontro com os professores. Já ao entrar na escola senti uma lufada de afeto, é uma energia difícil de explicar. Nos sentamos numa roda e fui já falando que não estudei pedagogia e não sou educadora, sou poeta. Mas ao visitar tantas e tantas escolas por todo o Brasil tenho um mapa do que funciona; amor, leitura, arte, esporte. E escuta. E os professores me contaram o que fazem: se a professora de história está ensinando a segunda guerra e lendo trechos do Diário de Anne Frank, a professora de português indica o livro A Menina que Roubava Livros. Uma outra professora trabalha com o conto O Espelho do Machado de Assis junto com um filme cujo nome não consigo lembrar, mas que trata do problema do capitalismo selvagem, de como rouba a nossa verdadeira identidade . O entendimento entre os professores, a camaradagem, carinho, amizade , era visível, palpável. Ficaram maravilhados com o Clube de Leitura da Casa Amarela e vão fazer um Clube de Leitura na escola para os professores.
Depois de um lanche magnífico, com bolos e pães de queijo, o meu encontro com os alunos foi tão bom que nem sei como contar. Fizemos brincadeiras, dançamos! e falamos de coisas muito sérias. Li muitos poemas, contei um pouco do meu jeito de criar e então eles ganharam o livro Caixinha de Música, ed. Manati e depois de autografar todos os livros eu estava plena, cheia de uma felicidade luminosa. Ainda por cima soube que meus livros Carteira de Identidade e O Mar e os Sonhos, ed. Lê, entraram no PNBE.
Hoje é dia de colocar a vida virtual em dia outra vez.
Mas o trabalho de ontem no C.M Antonio Pereira Bruno em Barra Mansa foi maravilhoso. Queria ressaltar o descaso com que a Prefeitura de Barra Mansa trata as suas escolas. É uma vergonha. A escola onde passei a manhã ontem, já não se aguenta em pé, o chão destruído, infiltrações por todos os lados, chove dentro, etc. Mas os professores vão tecendo os seus milagres. A Diretora Rose pediu ao Sesc que eu chegasse uma hora antes para um encontro com os professores. Já ao entrar na escola senti uma lufada de afeto, é uma energia difícil de explicar. Nos sentamos numa roda e fui já falando que não estudei pedagogia e não sou educadora, sou poeta. Mas ao visitar tantas e tantas escolas por todo o Brasil tenho um mapa do que funciona; amor, leitura, arte, esporte. E escuta. E os professores me contaram o que fazem: se a professora de história está ensinando a segunda guerra e lendo trechos do Diário de Anne Frank, a professora de português indica o livro A Menina que Roubava Livros. Uma outra professora trabalha com o conto O Espelho do Machado de Assis junto com um filme cujo nome não consigo lembrar, mas que trata do problema do capitalismo selvagem, de como rouba a nossa verdadeira identidade . O entendimento entre os professores, a camaradagem, carinho, amizade , era visível, palpável. Ficaram maravilhados com o Clube de Leitura da Casa Amarela e vão fazer um Clube de Leitura na escola para os professores.
Depois de um lanche magnífico, com bolos e pães de queijo, o meu encontro com os alunos foi tão bom que nem sei como contar. Fizemos brincadeiras, dançamos! e falamos de coisas muito sérias. Li muitos poemas, contei um pouco do meu jeito de criar e então eles ganharam o livro Caixinha de Música, ed. Manati e depois de autografar todos os livros eu estava plena, cheia de uma felicidade luminosa. Ainda por cima soube que meus livros Carteira de Identidade e O Mar e os Sonhos, ed. Lê, entraram no PNBE.
Hoje é dia de colocar a vida virtual em dia outra vez.
terça-feira, 30 de outubro de 2012
UMA CASINHA DENTRO DO BOSQUE
Cheguei ontem à noite em Resende, de Visconde de Mauá. Passei cinco dias na minha casinha dentro do bosque, desconectada. Na minha casinha não tenho internet e nenhum sinal para celular. É um mergulho total para dentro da natureza. Outubro é o começo da época das chuvas. Choveu granizo depois de um dia lindo de muito calor. Choveu todas as tardes. Li um livro lindíssimo do Hermann Hesse que não conhecia: Pequeno Mundo. São sete contos maravilhosos e não poderia haver lugar mais perfeito para se ler os contos. Passei muitas horas com meu neto. Muitas horas contemplando.
Para este projeto do Sesc Barra Mansa fico sediada em Resende e todos os dias de trabalho, um taxista, André, vem me buscar. Ficamos amigos , ele é um grande lider na sua comunidade em Floriano, luta pela escola municipal, para que não acabe. A idéia é acabar com as escolas rurais, sai mais barato levar as crianças de ônibus para Barra Mansa do que investir nas escolas. Ele foi almoçar conosco no domingo levando sua bela família, pois meu neto já havia se apaixonado pelo seu filho Ian. André e Ione, um lindo casal. Os dois lutam pelo lugar onde vivem. Eles possuem uma padaria e nos contaram que o ofício de padeiro está em extinção, mas felizmente conseguiram um padeiro e confeiteiro maravilhoso que além de pão, faz bolos e tortas e um maravilhoso pão de queijo. Agora, ele nos contou, a massa vem congelada e pronta e não é preciso um padeiro para fabricar a massa. Heresia, horror dos horrores. Felizmente na minha casa não compro pão, eu mesma o fabrico, todos os dias, com as minhas mãos. E a padaria do André tem um padeiro.
Amanhã cedo volto ao trabalho em Barra Mansa e de lá já vou direto para casa. É uma longa estrada.
Para este projeto do Sesc Barra Mansa fico sediada em Resende e todos os dias de trabalho, um taxista, André, vem me buscar. Ficamos amigos , ele é um grande lider na sua comunidade em Floriano, luta pela escola municipal, para que não acabe. A idéia é acabar com as escolas rurais, sai mais barato levar as crianças de ônibus para Barra Mansa do que investir nas escolas. Ele foi almoçar conosco no domingo levando sua bela família, pois meu neto já havia se apaixonado pelo seu filho Ian. André e Ione, um lindo casal. Os dois lutam pelo lugar onde vivem. Eles possuem uma padaria e nos contaram que o ofício de padeiro está em extinção, mas felizmente conseguiram um padeiro e confeiteiro maravilhoso que além de pão, faz bolos e tortas e um maravilhoso pão de queijo. Agora, ele nos contou, a massa vem congelada e pronta e não é preciso um padeiro para fabricar a massa. Heresia, horror dos horrores. Felizmente na minha casa não compro pão, eu mesma o fabrico, todos os dias, com as minhas mãos. E a padaria do André tem um padeiro.
Amanhã cedo volto ao trabalho em Barra Mansa e de lá já vou direto para casa. É uma longa estrada.
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
ADOLESCENTES
Ontem tive dois encontros em Barra Mansa. pela manhã com crianças, na E.M Djair Machado e foi maravilhoso. Brincamos com a poesia, as crianças eram alegres, vibrantes e tudo funcionou.
Pela tarde, na E.M Luiz Amaral eu me encontrei diante de 80 adolescentese rapidamente pensei: tenho que mudar tudo. Então conversamos sobre processo de criaço, identidade, desejos, sobre a vida. Foi emocionante e fui aplaudida de verdade. Eles me reconheceram como alguénm que sabe falar a lingua deles.Fui inundada por uma onda de felicidade. A escola preparou um lanche esplêndido, o bolo de fubá da Diretora Carla vai entrar para a Història.
Hoje vou para a minha casinha do bosque em Visconde de Mauá. Estou bastante cansada e a mata vai me refazer .
Pela tarde, na E.M Luiz Amaral eu me encontrei diante de 80 adolescentese rapidamente pensei: tenho que mudar tudo. Então conversamos sobre processo de criaço, identidade, desejos, sobre a vida. Foi emocionante e fui aplaudida de verdade. Eles me reconheceram como alguénm que sabe falar a lingua deles.Fui inundada por uma onda de felicidade. A escola preparou um lanche esplêndido, o bolo de fubá da Diretora Carla vai entrar para a Història.
Hoje vou para a minha casinha do bosque em Visconde de Mauá. Estou bastante cansada e a mata vai me refazer .
terça-feira, 23 de outubro de 2012
ENCONTRO NA IGREJA
O táxi do André veio me buscar cedinho da manhã aqui em Resende. Fomos para Floriano. Antes paramos na sua padaria e tomamos um café, ainda dava tempo.
Para minha surpresa, o encontro com os alunos seria na Igreja Nossa Senhora dos Remédios, pois a E.M Municipal Bartolomeu Anacleto, que ficou em oitavo lugar no IDEB Rio de Janeiro e primeiro lugar no IDEB Marra Mansa é tão minúscula que não poderia juntar todos os alunos num mesmo espaço. Na escola não há nada material que justifique tanto sucesso. A estante de livros fica no refeitório, pois não há nem Sala de Leitura. A receita é: o esforço dos professores e o envolvimento da família. Os pais gostariam de uma quadra de esportes, uma Sala de Leitura, uma Sala de Informática. Com notas tão altas no IDEB a escola mereceria mais atenção e cuidado por parte da Secretaria de Educação de Barra Mansa.
Pela manhã nosso encontro foi lindo e pela tarde tivemos a participação do meu filho Guga. Minha nora e meu neto também foram. Música, poesia, brincadeiras, e as crianças ainda levaram para casa um livro autografado. Que maravilha.
|Amanhã o projeto FALA LEITOR! estará em Barra Mansa.
Para minha surpresa, o encontro com os alunos seria na Igreja Nossa Senhora dos Remédios, pois a E.M Municipal Bartolomeu Anacleto, que ficou em oitavo lugar no IDEB Rio de Janeiro e primeiro lugar no IDEB Marra Mansa é tão minúscula que não poderia juntar todos os alunos num mesmo espaço. Na escola não há nada material que justifique tanto sucesso. A estante de livros fica no refeitório, pois não há nem Sala de Leitura. A receita é: o esforço dos professores e o envolvimento da família. Os pais gostariam de uma quadra de esportes, uma Sala de Leitura, uma Sala de Informática. Com notas tão altas no IDEB a escola mereceria mais atenção e cuidado por parte da Secretaria de Educação de Barra Mansa.
Pela manhã nosso encontro foi lindo e pela tarde tivemos a participação do meu filho Guga. Minha nora e meu neto também foram. Música, poesia, brincadeiras, e as crianças ainda levaram para casa um livro autografado. Que maravilha.
|Amanhã o projeto FALA LEITOR! estará em Barra Mansa.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
NA ESTRADA OUTRA VEZ
Hoje vou para Resende pois amanhã recomeço o trabalho nas escolas de Barra Mansa e Porto Real junto com o SESC Barra Mansa com o Projeto Fala Autor! O Sesc me ligou dizendo que as escolas estão adorando os encontros e isso me fortalece.
Tenho me sentido verdadeiramente artista e cigana, com a minha mala de livros para lá e para cá e este sentimento me traz de volta os anos do Proler, quando viajávamos em bando e que guardo como um tesouro inestimável, pepitas de ouro puro. Conheci as pessoas mais maravilhosas e muitas ficaram na minha vida para sempre. E muitas estão de volta através do facebook, mesmo que apenas virtualmente me trazem uma lufada de alegria. Na verdade queria ter todas ao redor da minha mesa, mas mesmo que a mesa seja virtual, sintam-se , os que viajaram comigo (encontrei o Gregório no Acre, o nosso maravilhoso patrão) completamente abraçados e amados. O Proler foi a melhor escola da minha vida e que pena que passou, mas foi como um vento mágico que varreu e transtornou as nossas vidas e quem viajou pelo Proler nos anos 90 levando leitura e arte pelo país sabe do que estou falando.
Tenho me sentido verdadeiramente artista e cigana, com a minha mala de livros para lá e para cá e este sentimento me traz de volta os anos do Proler, quando viajávamos em bando e que guardo como um tesouro inestimável, pepitas de ouro puro. Conheci as pessoas mais maravilhosas e muitas ficaram na minha vida para sempre. E muitas estão de volta através do facebook, mesmo que apenas virtualmente me trazem uma lufada de alegria. Na verdade queria ter todas ao redor da minha mesa, mas mesmo que a mesa seja virtual, sintam-se , os que viajaram comigo (encontrei o Gregório no Acre, o nosso maravilhoso patrão) completamente abraçados e amados. O Proler foi a melhor escola da minha vida e que pena que passou, mas foi como um vento mágico que varreu e transtornou as nossas vidas e quem viajou pelo Proler nos anos 90 levando leitura e arte pelo país sabe do que estou falando.
domingo, 21 de outubro de 2012
CAFÉ DA MANHÃ
Saquarema tem tesouros escondidos na sua zona rural. Hoje tomamos café da manhã no sítio de uns amigos muito queridos e me sentia numa fazenda do século XIX. Conto algumas coisas que vi:
Um pavão maravilhoso, logo na chegada. Uma galinha chocando no fogão de lenha, dentro de uma cesta, em cima de quinze ovos. Uma mangueira carregada de mangas e flores e dezenas de vasos de orquídeas floridos, cada um de um tamanho, fazendo uma dança em torno da árvore, uma dança mágica. Uma árvore de lima da pérsia toda carregada e florida. Acabávamos de ler um poema do Neruda na mesa do café e eu perguntei ao Juan: _O que é azahar? e ele me respondeu: _ É a flor da laranjeira. Depois do café, ao passarmos pela árvore o Juan apontou as flores: _ Veja, isto é azahar! As flores da laranjeira sairam do poema (literalmente).
No café da manhã havia uma salada de fruta em taças individuais e maravilhosas, coberta com lascas de coco fresco, linda! Um bolo de fubá com coco, salgado e bem molhado, devem ter copiado a receita do paraíso. Um bolo cheio de nozes e passas, um pão integral caseiro, geléias da casa, ovo frito com tomate, tudo isso olhando a mata luxuriante e a lagoa. Lugar mais lindo não há, tão virgem, tão bem cuidado. Falamos da vida, eles acabavam de voltar do Uruguai e estavam encantados com o país e a simplicidade do seu presidente que mora numa casa comum e dirige seu próprio carro, ao contrário dos nossos políticos que ao chegarem ao poder se lambuzam. Falamos de livros, de poesia. Vimos fotos da Isla Negra, da casa do Neruda, pois nosso próximo livro do Clube de Leitura é O Carteiro e o Poeta.
Um pavão maravilhoso, logo na chegada. Uma galinha chocando no fogão de lenha, dentro de uma cesta, em cima de quinze ovos. Uma mangueira carregada de mangas e flores e dezenas de vasos de orquídeas floridos, cada um de um tamanho, fazendo uma dança em torno da árvore, uma dança mágica. Uma árvore de lima da pérsia toda carregada e florida. Acabávamos de ler um poema do Neruda na mesa do café e eu perguntei ao Juan: _O que é azahar? e ele me respondeu: _ É a flor da laranjeira. Depois do café, ao passarmos pela árvore o Juan apontou as flores: _ Veja, isto é azahar! As flores da laranjeira sairam do poema (literalmente).
No café da manhã havia uma salada de fruta em taças individuais e maravilhosas, coberta com lascas de coco fresco, linda! Um bolo de fubá com coco, salgado e bem molhado, devem ter copiado a receita do paraíso. Um bolo cheio de nozes e passas, um pão integral caseiro, geléias da casa, ovo frito com tomate, tudo isso olhando a mata luxuriante e a lagoa. Lugar mais lindo não há, tão virgem, tão bem cuidado. Falamos da vida, eles acabavam de voltar do Uruguai e estavam encantados com o país e a simplicidade do seu presidente que mora numa casa comum e dirige seu próprio carro, ao contrário dos nossos políticos que ao chegarem ao poder se lambuzam. Falamos de livros, de poesia. Vimos fotos da Isla Negra, da casa do Neruda, pois nosso próximo livro do Clube de Leitura é O Carteiro e o Poeta.
sábado, 20 de outubro de 2012
SEREIAS
Para o sábado um haicai do livro O Xale Azul da Sereia, ed. Larousse Júnior :
sereias costuram
com fios de horizonte
seus xales azuis
sereias costuram
com fios de horizonte
seus xales azuis
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
MEMÓRIA
Voltar a um lugar depois de certo tempo e reconhecer uma loja, uma padaria, uma livraria, um restaurante, nos dá uma sensação de conforto e segurança. A marca da nossa época é a fluidez, tudo nos escapa das mãos e dos olhos. Então , voltar a uma cidade e reconhecer lugares que nos marcaram é maravilhoso.
Sou aventureira e conservadora ao mesmo tempo. Adoro o meu bairro que muda tão pouco desde que cheguei aqui. O Seu Teixeira sempre na porta do mercado da esquina, mercado péssimo, não tem nada e assim me obriga a comer frugalmente e a economizar, o Moisés da farmácia , sempre com um sorriso e uma delicadeza para nos oferecer como caramelos. Ele melhorou a farmácia, está linda, mas continua ali, no mesmo lugar. As duas pensões de comida caseira. Uma mudou de um lugar para outro a cinco passos de distância. O bar da esquina que muito amavelmente coloca cadeiras na calçada para que os passageiros irritados com a demora dos ônibus possam esperar sentados e na sombra. Todas estas coisas que estão sempre ali, todos os dias, me dão uma sensação de continuidade, parece que irei viver para sempre. E já fazem parte do meu acervo de memórias.
MEMÓRIA
Há pouco tempo,
aqui havia uma padaria.
Pronto - não há mais.
Há pouco tempo
aqui havia uma casa,
cheia de cantos, recantos,
corredores impregnados
de infância e encanto.
Pronto - não há mais.
Uma farmácia,
uma quitanda.
Pronto - não há mais.
A cidade destrói, constrói,
reconstrói.
Uma árvore, um bosque.
Pronto - nunca mais.
in Paisagens, ed. Lê.
Sou aventureira e conservadora ao mesmo tempo. Adoro o meu bairro que muda tão pouco desde que cheguei aqui. O Seu Teixeira sempre na porta do mercado da esquina, mercado péssimo, não tem nada e assim me obriga a comer frugalmente e a economizar, o Moisés da farmácia , sempre com um sorriso e uma delicadeza para nos oferecer como caramelos. Ele melhorou a farmácia, está linda, mas continua ali, no mesmo lugar. As duas pensões de comida caseira. Uma mudou de um lugar para outro a cinco passos de distância. O bar da esquina que muito amavelmente coloca cadeiras na calçada para que os passageiros irritados com a demora dos ônibus possam esperar sentados e na sombra. Todas estas coisas que estão sempre ali, todos os dias, me dão uma sensação de continuidade, parece que irei viver para sempre. E já fazem parte do meu acervo de memórias.
MEMÓRIA
Há pouco tempo,
aqui havia uma padaria.
Pronto - não há mais.
Há pouco tempo
aqui havia uma casa,
cheia de cantos, recantos,
corredores impregnados
de infância e encanto.
Pronto - não há mais.
Uma farmácia,
uma quitanda.
Pronto - não há mais.
A cidade destrói, constrói,
reconstrói.
Uma árvore, um bosque.
Pronto - nunca mais.
in Paisagens, ed. Lê.
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
MICROONDAS
Hoje leio que falta o básico em mais de 27 milhões de moradias. Água e esgoto. Ou seja, saúde. Mas leio na mesma ,matéria que a família de um gari pernambucano gasta 42% do seu orçamento mensal para pagar uma moto que usa apenas nos finais de semana pois morrem de medo de que a moto seja roubada.Ela fica guardada na sala. E ainda pagam a prestação de uma TV de LCD de 32 polegadas e um forno de microondas.Não sei o que sobra para comprar comida e assim usar o microondas. E também não sei o nome disso.
Quanto mais somos leitores criticos mais podemos resistir ao apelo de uma sociedade de consumo que faz os menos favorecidos consumirem seus tostões em televisões espalhafatosas e microondas inúteis.Com este dinheiro poderiam construir uma fossa. Melhorar a casa. Fazer um curso.
Saber que a sociedade de consumo é uma imensa teia de aranha e nós somos os insetos nos ajuda a resistir. Resistir é não ser engolido pelo sistema que tritura o ser humano com desejos que não são reais.
Aqui em casa não temos carro nem microondas. Tudo o que possuimos é modesto , básico e se não for necessário não compramos. Com o dinheiro de alguma prestação de alguma coisa inútil eu pago um curso técnico e de música para um autista que "adotei".
O Brasil precisa mesmo de leitores. É a única maneira de adquirirmos consciência e valores invisíveis que não são encontrados em lojas.
Quanto mais somos leitores criticos mais podemos resistir ao apelo de uma sociedade de consumo que faz os menos favorecidos consumirem seus tostões em televisões espalhafatosas e microondas inúteis.Com este dinheiro poderiam construir uma fossa. Melhorar a casa. Fazer um curso.
Saber que a sociedade de consumo é uma imensa teia de aranha e nós somos os insetos nos ajuda a resistir. Resistir é não ser engolido pelo sistema que tritura o ser humano com desejos que não são reais.
Aqui em casa não temos carro nem microondas. Tudo o que possuimos é modesto , básico e se não for necessário não compramos. Com o dinheiro de alguma prestação de alguma coisa inútil eu pago um curso técnico e de música para um autista que "adotei".
O Brasil precisa mesmo de leitores. É a única maneira de adquirirmos consciência e valores invisíveis que não são encontrados em lojas.
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
LANÇAMENTO EM SAQUAREMA
Ontem a casa estava em festa. Era o lançamento do meu livro Diário da Montanha, ed. Manati e do Juan, O Grande Segredo de Jesus.
Preparamos os pães, a mesa dos vinhos, os queijos, o lugar onde os músicos iriam tocar: encostados no fogão de lenha.
Os músicos marcaram às 16hs em nossa casa, o lançamento começaria às 19hs. Às 18hs me telefonaram que estavam engarrafados em Maricá. Às 19h estavam descendo a serra. A partir de então perdemos o contato com eles.
As pessoas chegava em ondas coloridas. Minhas novas editoras da Rovelle, Carolina e Miriam, vieram do Rio apenas para me dar um abraço. E professoras e professores de todas as escolas. E o Maestro Moisés e meu querido Robledo e o Ivo e o Jorge Vale. E nada dos músicos. E a Secretária de Educação com toda a sua equipe. E o Camilo Mota e os participantes da Terça Poética e a Telma do Cacs. Nada dos músicos. O celular deles dava fora de área. Leila, minha amiga que veio do Rio me consolava. Mariana, minha leitora, na mesa vendendo livros , me consolava.
E então, depois que muita gente já havia ido embora, eles chegaram às 20:30hs. Eles se perderam horrivelmente, foram parar quase em Rio Bonito, pois em Maricá se enfiaram num caminho errado.
Nunca vi músicos arrumarem o som com tanta rapidez e logo a casa voava e logo todos dançavam ao som do violino cigano. Mariana deu um show de dança árabe, dançamos em roda, uma linda mulher dançou flamenco, Aline, a filha da Vanda , nossa caseira, entrou na roda dançando com a Mariana mostrando a sua verdadeira vocação. Foi maravilhoso!!!
Hoje estou como um bicho preguiça, saboreando os ecos da festa inesquecível, graças aos amigos, aos professores, ao grupo da Secretaria de Educação , Ana Paula e Valdinei puxando a roda.
Agradeço.
Preparamos os pães, a mesa dos vinhos, os queijos, o lugar onde os músicos iriam tocar: encostados no fogão de lenha.
Os músicos marcaram às 16hs em nossa casa, o lançamento começaria às 19hs. Às 18hs me telefonaram que estavam engarrafados em Maricá. Às 19h estavam descendo a serra. A partir de então perdemos o contato com eles.
As pessoas chegava em ondas coloridas. Minhas novas editoras da Rovelle, Carolina e Miriam, vieram do Rio apenas para me dar um abraço. E professoras e professores de todas as escolas. E o Maestro Moisés e meu querido Robledo e o Ivo e o Jorge Vale. E nada dos músicos. E a Secretária de Educação com toda a sua equipe. E o Camilo Mota e os participantes da Terça Poética e a Telma do Cacs. Nada dos músicos. O celular deles dava fora de área. Leila, minha amiga que veio do Rio me consolava. Mariana, minha leitora, na mesa vendendo livros , me consolava.
E então, depois que muita gente já havia ido embora, eles chegaram às 20:30hs. Eles se perderam horrivelmente, foram parar quase em Rio Bonito, pois em Maricá se enfiaram num caminho errado.
Nunca vi músicos arrumarem o som com tanta rapidez e logo a casa voava e logo todos dançavam ao som do violino cigano. Mariana deu um show de dança árabe, dançamos em roda, uma linda mulher dançou flamenco, Aline, a filha da Vanda , nossa caseira, entrou na roda dançando com a Mariana mostrando a sua verdadeira vocação. Foi maravilhoso!!!
Hoje estou como um bicho preguiça, saboreando os ecos da festa inesquecível, graças aos amigos, aos professores, ao grupo da Secretaria de Educação , Ana Paula e Valdinei puxando a roda.
Agradeço.
terça-feira, 16 de outubro de 2012
LONGEVIDADE
Qual o segredo da longevidade? Hoje leio uma linda matéria sobre a população de uma cidadezinha do sul onde a maior parte das pessoas tem mais de 60 anos. Todos trabalham nos seus pomares e jardins e vivem a vida com alegria, os amigos são cultivados como plantas urgentes e necessárias. Alguns falam que a receita é a alimentação e o vinho, outros dizem é isso ou aquilo, mas todos são unânimes: não se deve parar de trabalhar no que se ama.
Eu, com 61 anos, aproveito todas as benesses da minha idade: não pago o banheiro na rodoviária, entro em filas especiais, sou a primeira a entrar no avião. No mais trabalho muito e por dentro tenho todas as idades. Ontem passei o dia muito triste e me senti com mil anos, pois afinal , na minha idade, vamos perdendo pessoas muito queridas. Mas hoje acordei com vinte e dois, pois estamos preparando o nosso lançamento e há um rio de alegria correndo pela casa. Cada lançamento é uma inauguração. A nossa casa é uma fábrica de poesia.
Eu, com 61 anos, aproveito todas as benesses da minha idade: não pago o banheiro na rodoviária, entro em filas especiais, sou a primeira a entrar no avião. No mais trabalho muito e por dentro tenho todas as idades. Ontem passei o dia muito triste e me senti com mil anos, pois afinal , na minha idade, vamos perdendo pessoas muito queridas. Mas hoje acordei com vinte e dois, pois estamos preparando o nosso lançamento e há um rio de alegria correndo pela casa. Cada lançamento é uma inauguração. A nossa casa é uma fábrica de poesia.
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
TIA CECÍLIA
No belíssimo livro Luzes Acesas da Bella Chagall , Bella diz que tenta salvar para o Chagall alguns dias e acontecimentos da sua infância.
Ontem minha tia Cecília foi sepultada e eu tambem tento salvar seu retrato dentro de mim. Não quero que se apague nunca. Ela morreu com 92 anos e sua mente partiu antes dela.Mas quando fui visitá-la pela última vez ela me disse "não me lembro de você, mas que bom que veio me ver!".
Ela era gordinha, linda, com as faces rosadas de pura alegria de viver e a mais velha das três irmãs. Eu me lembro da sua casa cheia de comidas maravilhosas. Ela adorava cozinhar, seu reino era a cozinha.Nós morávamos no bairro do Grajaú, a família inteira, todos moravam perto uns dos outros. E como não havia violência no Rio de Janeiro daquela época, na minha infância, eu visitava cada casa, uma por uma. A casa da Tia Cecília ficava num prédio antigo e um pouco feio e escuro na praça Malvino Reis. Mas quando a gente entrava na casa havia sempre um cheiro de bolo, de doce,de amor. Eu amava as taças de pudim de duas cores.
Estar perto dela fazia bem. Seu sorriso iluminava qualquer ambiente,a gente ficava feliz, ela era como um passarinho cantando com qualquer tempo.
As três irmãs eram muito unidas, inseparáveis. Minha mãe, Bertha, foi embora primeiro , agora a Cecília partiu e tia Alice ficou tomando conta da memória das duas, como guardiã de uma cristaleira antiquíssima que guardasse os objetos mais frágeis e preciosos .
Ontem minha tia Cecília foi sepultada e eu tambem tento salvar seu retrato dentro de mim. Não quero que se apague nunca. Ela morreu com 92 anos e sua mente partiu antes dela.Mas quando fui visitá-la pela última vez ela me disse "não me lembro de você, mas que bom que veio me ver!".
Ela era gordinha, linda, com as faces rosadas de pura alegria de viver e a mais velha das três irmãs. Eu me lembro da sua casa cheia de comidas maravilhosas. Ela adorava cozinhar, seu reino era a cozinha.Nós morávamos no bairro do Grajaú, a família inteira, todos moravam perto uns dos outros. E como não havia violência no Rio de Janeiro daquela época, na minha infância, eu visitava cada casa, uma por uma. A casa da Tia Cecília ficava num prédio antigo e um pouco feio e escuro na praça Malvino Reis. Mas quando a gente entrava na casa havia sempre um cheiro de bolo, de doce,de amor. Eu amava as taças de pudim de duas cores.
Estar perto dela fazia bem. Seu sorriso iluminava qualquer ambiente,a gente ficava feliz, ela era como um passarinho cantando com qualquer tempo.
As três irmãs eram muito unidas, inseparáveis. Minha mãe, Bertha, foi embora primeiro , agora a Cecília partiu e tia Alice ficou tomando conta da memória das duas, como guardiã de uma cristaleira antiquíssima que guardasse os objetos mais frágeis e preciosos .
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
DURANTE A NOITE
Durante a noite a chuva percorria meu sono. Choveu sem parar a noite inteira aqui em Saquarema. Chuva boa prazenteira , como disse Tom Jobim. Pela manhã o jardim agradecia em todos os tons de verde. A chuva se ausentara e a sua volta faz a gente pular de alegria junto com as flores e provoca um surto de fertilidade: comecei hoje um livro novo de poemas, embora meu livro de contos ainda se arraste. Mas assim como leio sem nenhum problema vários livros ao mesmo tempo, posso escrever vários textos diferentes ao mesmo tempo e quem sabe o novo trabalho me forneça alento para continuar os contos.
Lá fora, atrás de mim, pois escrevo voltada para as montanhas, o mar , furioso, envolve a casa em seu rumo a lugar nenhum, não gostaria de estar agora em um barco. Ainda bem que estou firmemente amarrada , junto com minhas memórias, aqui na casa, e hoje é dia de ler, de ver um filme, de sonhar.
Lá fora, atrás de mim, pois escrevo voltada para as montanhas, o mar , furioso, envolve a casa em seu rumo a lugar nenhum, não gostaria de estar agora em um barco. Ainda bem que estou firmemente amarrada , junto com minhas memórias, aqui na casa, e hoje é dia de ler, de ver um filme, de sonhar.
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
MEU FILHO MÚSICO
Meu filho Guga Murray chegou da Espanha para viver em Resende com a família. Temos um livro juntos, o Caixinha de Música da ed. Manati. Na Espanha Guga trabalhou para o governo da Andaluzia com concertos didáticos e quer fazer algo parecido aqui no Brasil. Já vai participar de dois eventos no Paixão de Ler no Rio de Janeiro e se alguma escola se interessar aqui estão as ementas . Há uma Oficina e um Concerto:
"Caixinha de Música" é um concerto didático (concerto comentado) com a participação do público. O músico vai retirando da sua "caixinha de música" livros de poemas de varios poetas tais como Drummond, Quintana, Arnaldo Antunes, Neruda, Roseana Murray e os poemas lidos desembocam em canções em versão instrumental. Temas transversais como o amor, a separação, a memoria e o tempo, são sublinhados numa releitura musical e discutidos com a platéia. O concerto tem uma duração aproximada de 50 minutos e é dirigido ao público jovem/adulto.
A Oficina Caixinha de Música, a partir do livro Caixinha de Música, Ed. Manati, ,de Roseana Murray com partituras de Guga Murray, propõe para cada poema uma dinâmica musical com a plateia interagindo. São brincadeiras, canções, sons produzidos com o próprio corpo. A Oficina também trabalha com lembranças e memórias, com a escuta e o olhar.
A Oficina pode ser realizada num só encontro ou pode ser desdobrada em vários encontros com a construção de instrumentos utilizando materiais bem simples.
A Oficina pode ser realizada com públicos variados, desde crianças e adolescentes até a terceira idade.
Contato: (24) 8839-2605
(24) 3359-0785
(22) 9944-5874
gugamurray@hotmail.com
Pequena biografia de Guga Murray:
Nasceu no Rio de Janeiro em 1973. É musicista e transita entre a música popular e erudita. Lançou dois discos com o conjunto musical Um Trio Viralata. Trabalhou no Projeto de integração cultural Terra Musical junto ao governo da Bretanha, França. Viajou com seus Concertos Didáticos por toda a Andaluzia , dentro do premiado projeto ABECEDÁRIA do governo Andaluz., durante três anos.
Trabalhou como professor de música em São Paulo, por nove anos, na Escola de Música Companhia das Cordas . É especialista em formação de bandas com crianças e jovens.
Viveu na Espanha de 2004 até 2012 e agora reside em Resende, R.J.
"Caixinha de Música" é um concerto didático (concerto comentado) com a participação do público. O músico vai retirando da sua "caixinha de música" livros de poemas de varios poetas tais como Drummond, Quintana, Arnaldo Antunes, Neruda, Roseana Murray e os poemas lidos desembocam em canções em versão instrumental. Temas transversais como o amor, a separação, a memoria e o tempo, são sublinhados numa releitura musical e discutidos com a platéia. O concerto tem uma duração aproximada de 50 minutos e é dirigido ao público jovem/adulto.
A Oficina Caixinha de Música, a partir do livro Caixinha de Música, Ed. Manati, ,de Roseana Murray com partituras de Guga Murray, propõe para cada poema uma dinâmica musical com a plateia interagindo. São brincadeiras, canções, sons produzidos com o próprio corpo. A Oficina também trabalha com lembranças e memórias, com a escuta e o olhar.
A Oficina pode ser realizada num só encontro ou pode ser desdobrada em vários encontros com a construção de instrumentos utilizando materiais bem simples.
A Oficina pode ser realizada com públicos variados, desde crianças e adolescentes até a terceira idade.
Contato: (24) 8839-2605
(24) 3359-0785
(22) 9944-5874
gugamurray@hotmail.com
Pequena biografia de Guga Murray:
Nasceu no Rio de Janeiro em 1973. É musicista e transita entre a música popular e erudita. Lançou dois discos com o conjunto musical Um Trio Viralata. Trabalhou no Projeto de integração cultural Terra Musical junto ao governo da Bretanha, França. Viajou com seus Concertos Didáticos por toda a Andaluzia , dentro do premiado projeto ABECEDÁRIA do governo Andaluz., durante três anos.
Trabalhou como professor de música em São Paulo, por nove anos, na Escola de Música Companhia das Cordas . É especialista em formação de bandas com crianças e jovens.
Viveu na Espanha de 2004 até 2012 e agora reside em Resende, R.J.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
DIA DA AVÓ
Estou em Resende e hoje é Dia da Avó na escola do Luis, meu neto. Tenho que contar uma história. Mas não vou ler nenhum dos meus livros. Vou contar a história da Dona Baratinha que o Luis, que tem 3 anos, ama de paixão perdida.
Amanhã estarei em Barra Mansa, manhã e tarde e quarta-feira volto para casa. Eu e Juan prepararemos o lançamento dos nossos livros Diário da Montanha, ed. Manati e O Grande Segredo de Jesus, ed. Objetiva. no dia 16 . Há que fazer os pães, preparar as pastas, as tortilhas , etc, etc. Gosto da adrenalina da produção. A Secretaria de Educação, sob a batuta do Valdinei, é quem está distribuindo os convites para os professores. Sempre morro de medo de não aparecer ninguém no lançamento. É um terror infantil que tenho. E do músico, o violinista cigano Dino Guterrez , se esquecer. São meus pesadelos. Mas acaba dando tudo certo e é uma grande alegria abrir a nossa casa . E o violino, embrulhado nas ondas do mar, trará a todos os presentes recordações maravilhosas.
Amanhã estarei em Barra Mansa, manhã e tarde e quarta-feira volto para casa. Eu e Juan prepararemos o lançamento dos nossos livros Diário da Montanha, ed. Manati e O Grande Segredo de Jesus, ed. Objetiva. no dia 16 . Há que fazer os pães, preparar as pastas, as tortilhas , etc, etc. Gosto da adrenalina da produção. A Secretaria de Educação, sob a batuta do Valdinei, é quem está distribuindo os convites para os professores. Sempre morro de medo de não aparecer ninguém no lançamento. É um terror infantil que tenho. E do músico, o violinista cigano Dino Guterrez , se esquecer. São meus pesadelos. Mas acaba dando tudo certo e é uma grande alegria abrir a nossa casa . E o violino, embrulhado nas ondas do mar, trará a todos os presentes recordações maravilhosas.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
PORTO REAL OUTRA VEZ
Já estou aqui esperando o motorista que me levará a Porto Real. Um porto sem mar, adoro estes nomes poéticos que não se sabe de onde nasceram. Algum Rei terá chegado num outro tempo, num tempo do Era uma Vez em seu barco voador?
Vou para a E.M Cruz e Souza e penso que as paredes da escola deveriam estar cobertas com seus poemas.
Estes dias com meus dois filhos e neto aqui em Resende estão sendo muito bonitos. Nunca imaginei que estaríamos todos juntos outra vez.
Esta casa onde estou hospedada é bela e interessante. No primeiro andar funciona uma escola de cozinha e será também uma escola de música. No segundo andar é uma casa mágica por causa das cinco gatas que a habitam. Da janela do escritório de onde escrevo vejo lindas árvores, vejo um ipê amarelo todo florido. Resende tem uma beleza toda especial, o rio que serpenteia, as Agulhas Negras que parecem uma cordilheira.
Hoje subo para Visconde de Mauá, para a minha casinha da montanha.
Vou para a E.M Cruz e Souza e penso que as paredes da escola deveriam estar cobertas com seus poemas.
Estes dias com meus dois filhos e neto aqui em Resende estão sendo muito bonitos. Nunca imaginei que estaríamos todos juntos outra vez.
Esta casa onde estou hospedada é bela e interessante. No primeiro andar funciona uma escola de cozinha e será também uma escola de música. No segundo andar é uma casa mágica por causa das cinco gatas que a habitam. Da janela do escritório de onde escrevo vejo lindas árvores, vejo um ipê amarelo todo florido. Resende tem uma beleza toda especial, o rio que serpenteia, as Agulhas Negras que parecem uma cordilheira.
Hoje subo para Visconde de Mauá, para a minha casinha da montanha.
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
PRIMAVERA
Na escola de Barra Mansa perguntei se alguém poderia me dizer o que era um poema. Uma aluna se levantou e disse: "O poema é um pêndulo que vai e vem no espaço".
Achei a definição belíssima.
Ontem, conversando com meu filho Guga Murray que fará duas apresentações do nosso livro Caixinha de Música, Ed. Manati, no Projeto Paixão de Ler em novembro, ele me disse: "Para mim o poema é uma instalação no espaço e no tempo."
E hoje, aqui em Resende, o dia explode de tanta primavera:
MEL
Na curva da primavera,
no alto da montanha,
abelhas fabricam mel.
Zumbem, dançam, rodopiam,
cantam para as flores
o azul do dia.
in Poemas e Comidinhas, ed. Paulus
Achei a definição belíssima.
Ontem, conversando com meu filho Guga Murray que fará duas apresentações do nosso livro Caixinha de Música, Ed. Manati, no Projeto Paixão de Ler em novembro, ele me disse: "Para mim o poema é uma instalação no espaço e no tempo."
E hoje, aqui em Resende, o dia explode de tanta primavera:
MEL
Na curva da primavera,
no alto da montanha,
abelhas fabricam mel.
Zumbem, dançam, rodopiam,
cantam para as flores
o azul do dia.
in Poemas e Comidinhas, ed. Paulus
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
PORTO REAL
De Porto Real tenho uma linda lembrança sem conhecer a cidade: de lá saíram os tijolos de argila, feitos manualmente , um por um, na olaria do seu Zezinho.
Ontem passei a tarde na E.M Cruz e Souza em Porto Real, mas não conheci a cidade.
Foi um encontro maravilhoso , fiz uma dinâmica linda com cada poema do livro Caixinha de Música e me contaram que a escola tem um projeto de leitura super original: o PARADÃO: a escola inteira para por quinze minutos para ler. Todos, desde os professores, até as merendeiras, faxineiras, passando pelos alunos. Pode ser uma revista, um artigo de jornal, um romance, a Bíblia, o que for.
Quando as crianças receberam seus livros , na linda Sala de Leitura, foi lá que aconteceu o nosso encontro, pude presenciar uma cena emocionante: elas abriram o livro e TODAS AS CRIANÇAS começaram a ler os poemas em voz alta ao mesmo tempo! Fiquei muito impactada.
Hoje fui até a Praça do Tobogã com meu neto, praça linda, cheia de brinquedos maravilhosos e cheia de micos. Há uma escola municipal dentro da praça e as crianças estavam tendo aula de trânsito sentadas na terra, era lindo de se ver.
Hoje e amanhã tenho o dia livre aqui em Resende. Estou hospedada na Escola de Cozinha do meu filho André Murray e minha nora Dani Keiko e hoje tem aula de cozinha de botequim: galinha com quiabo e costelinha de porco com feijão tropeiro, escondidinho de camarão, bolinho de bacalhau e brigadeirão de sobremesa. Aos interessados: 24 99770152.
Ontem passei a tarde na E.M Cruz e Souza em Porto Real, mas não conheci a cidade.
Foi um encontro maravilhoso , fiz uma dinâmica linda com cada poema do livro Caixinha de Música e me contaram que a escola tem um projeto de leitura super original: o PARADÃO: a escola inteira para por quinze minutos para ler. Todos, desde os professores, até as merendeiras, faxineiras, passando pelos alunos. Pode ser uma revista, um artigo de jornal, um romance, a Bíblia, o que for.
Quando as crianças receberam seus livros , na linda Sala de Leitura, foi lá que aconteceu o nosso encontro, pude presenciar uma cena emocionante: elas abriram o livro e TODAS AS CRIANÇAS começaram a ler os poemas em voz alta ao mesmo tempo! Fiquei muito impactada.
Hoje fui até a Praça do Tobogã com meu neto, praça linda, cheia de brinquedos maravilhosos e cheia de micos. Há uma escola municipal dentro da praça e as crianças estavam tendo aula de trânsito sentadas na terra, era lindo de se ver.
Hoje e amanhã tenho o dia livre aqui em Resende. Estou hospedada na Escola de Cozinha do meu filho André Murray e minha nora Dani Keiko e hoje tem aula de cozinha de botequim: galinha com quiabo e costelinha de porco com feijão tropeiro, escondidinho de camarão, bolinho de bacalhau e brigadeirão de sobremesa. Aos interessados: 24 99770152.
terça-feira, 2 de outubro de 2012
ENCONTRO EM BARRA MANSA
Depois de alguns dias em Visconde de Mauá, na minha casinha do bosque, fui ao encontro dos meus leitores ontem em Barra Mansa.
O Projeto Fala Autor! do Sesc é belíssimo, pois além de um grupo de contadores de histórias, uma pessoa com uma Oficina da Palavra, um encontro com o autor, os alunos recebem o livro trabalhado, no meu caso o Caixinha de Música com o Guga Murray, meu filho , como autor das partituras musicais.
Pela manhã Rita me levou para o C.M.Prof.Marcello Drable. Eram oitenta e cinco crianças e adolescentes.
Inventei dinâmicas com os poemas. O resultado foi incrível, emocionante.
Num dos poemas, o do tapete voador, sugeri a construção de um tapete mágico só com acontecimentos maravilhosos da vida de cada um. A primeira menina que levantou a mão para contar nos disse:
" O dia mais maravilhoso da minha vida foi quando fui adotada." E ela é uma atleta premiada com o sorriso mais lindo do mundo. Fiquei muito impactada.
A professora Sirlene, da Sala de Leitura, é uma professora apaixonada e ficou de nos visitar em Saquarema. À tarde fui para a E.D.Cecília Monteiro de Barros. A escola tem um projeto bastante especial: 100 meninas passam a tarde no colégio com aulas de música, teatro, bordado, leitura. As Irmãs Franciscanas são amorosas e dedicadas ao extremo. A sala de leitura é tão linda que dá vontade de morar lá. Há uma arara cheia de roupas para teatralização dos livros. Achei ótimo, além do belo visual .
A nossa tarde foi cheia de música e alegria e nunca recebi tantos abraços e beijos. Cada criança, no final, com o livro Caixinha de Música nas mãos, era música para os olhos!
E já em Resende fui ao encontro do meu neto Luis.
E hoje passarei a tarde em Porto Real.
O Projeto Fala Autor! do Sesc é belíssimo, pois além de um grupo de contadores de histórias, uma pessoa com uma Oficina da Palavra, um encontro com o autor, os alunos recebem o livro trabalhado, no meu caso o Caixinha de Música com o Guga Murray, meu filho , como autor das partituras musicais.
Pela manhã Rita me levou para o C.M.Prof.Marcello Drable. Eram oitenta e cinco crianças e adolescentes.
Inventei dinâmicas com os poemas. O resultado foi incrível, emocionante.
Num dos poemas, o do tapete voador, sugeri a construção de um tapete mágico só com acontecimentos maravilhosos da vida de cada um. A primeira menina que levantou a mão para contar nos disse:
" O dia mais maravilhoso da minha vida foi quando fui adotada." E ela é uma atleta premiada com o sorriso mais lindo do mundo. Fiquei muito impactada.
A professora Sirlene, da Sala de Leitura, é uma professora apaixonada e ficou de nos visitar em Saquarema. À tarde fui para a E.D.Cecília Monteiro de Barros. A escola tem um projeto bastante especial: 100 meninas passam a tarde no colégio com aulas de música, teatro, bordado, leitura. As Irmãs Franciscanas são amorosas e dedicadas ao extremo. A sala de leitura é tão linda que dá vontade de morar lá. Há uma arara cheia de roupas para teatralização dos livros. Achei ótimo, além do belo visual .
A nossa tarde foi cheia de música e alegria e nunca recebi tantos abraços e beijos. Cada criança, no final, com o livro Caixinha de Música nas mãos, era música para os olhos!
E já em Resende fui ao encontro do meu neto Luis.
E hoje passarei a tarde em Porto Real.
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
AVÓ E NETO
Ontem no fim da tarde fui ao encontro do meu neto em sua escola, Fomos até a sua sala. Eles estavam numa rodinha ouvindo histórias e quando Luis me viu se levantou correndo e veio me abraçar. Nove meses depois. desde a última vez em que estivemos juntos. Foi um longo abraço.
Hoje passamos a manhã inteira juntos. É um amor monumental.
Agora subo para Visconde de Mauá onde ficarei alguns dias sem internet.
Até a volta!
Hoje passamos a manhã inteira juntos. É um amor monumental.
Agora subo para Visconde de Mauá onde ficarei alguns dias sem internet.
Até a volta!
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
CONVERSAS SOBRE O INVISÍVEL
A alegria de recuperar um livro que foi emprestado e perdido: "Conversaciones sobre lo invisible" de Jean Audouze, Michel Cassé e Jean-Claude Carrière.
Leio, ou melhor, releio, vinte anos depois :
Michel Cassé, astrofísico, diz:
" Sim, somos todos filhos das estrelas, esta é hoje nossa mais elevada afirmação. Inclusive é a descoberta mais essencial dos últimos vinte anos. Nosso olho está formado pela mesma matéria que constitui o sol. Foi formada pelo sol e é por isso que vemos. Entre o olho e o sol o contato é constante, íntimo. O mesmo fala com o mesmo. O átomo da estrela fala com o átomo do nosso olho a linguagem da luz."
E assim, maravilhada, sabendo que também sou estrela, fecho a porta de casa e inicio a minha viagem .
Leio, ou melhor, releio, vinte anos depois :
Michel Cassé, astrofísico, diz:
" Sim, somos todos filhos das estrelas, esta é hoje nossa mais elevada afirmação. Inclusive é a descoberta mais essencial dos últimos vinte anos. Nosso olho está formado pela mesma matéria que constitui o sol. Foi formada pelo sol e é por isso que vemos. Entre o olho e o sol o contato é constante, íntimo. O mesmo fala com o mesmo. O átomo da estrela fala com o átomo do nosso olho a linguagem da luz."
E assim, maravilhada, sabendo que também sou estrela, fecho a porta de casa e inicio a minha viagem .
terça-feira, 25 de setembro de 2012
A MALA DO VIAJANTE
Já tenho a mala aberta em cima da cama. Levo muitos livros, presentes para o Luis, meu neto (livros) e roupa para 15 dias.
Vou amanhã cedo para Resende. Dia 1 começo meu trabalho no com o Projeto Fala Autor do Sesc Barra Mansa. Serão muitos encontros. Estou feliz.
Houve uma época na minha vida em que viajei muito com o Proler. Estava sempre na estrada. Parece que esta época voltou. Todos aqueles que viajam sem parar sabem que em terra firme somos habitantes provisórios. Parece que já fazemos parte da estrada:
"Ay, viajero!
No vas y no regresas:
eres en los caminos."
fragmento de Pablo Neruda, Antologia General, Real Academia Española.
Não poderei escrever todos os dias, mas farei o possível.
Notícias da minha gata Nana: enlouqueceu. Pensa que é pássaro. Vive pendurada nas árvores, na trave de madeira que atravessa a sala, com quatro metros de altura. Fica horas aí, empoleirada como uma galinha.
Ficamos em pânico. Esta noite dormiu aí . Como, por favor, entender os gatos?
Vou amanhã cedo para Resende. Dia 1 começo meu trabalho no com o Projeto Fala Autor do Sesc Barra Mansa. Serão muitos encontros. Estou feliz.
Houve uma época na minha vida em que viajei muito com o Proler. Estava sempre na estrada. Parece que esta época voltou. Todos aqueles que viajam sem parar sabem que em terra firme somos habitantes provisórios. Parece que já fazemos parte da estrada:
"Ay, viajero!
No vas y no regresas:
eres en los caminos."
fragmento de Pablo Neruda, Antologia General, Real Academia Española.
Não poderei escrever todos os dias, mas farei o possível.
Notícias da minha gata Nana: enlouqueceu. Pensa que é pássaro. Vive pendurada nas árvores, na trave de madeira que atravessa a sala, com quatro metros de altura. Fica horas aí, empoleirada como uma galinha.
Ficamos em pânico. Esta noite dormiu aí . Como, por favor, entender os gatos?
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
VENTO
O vento percorre toda a minha poesia como se fosse a sua coluna vertebral. Amo o vento, as tempestades.
Amo o mar em sua fúria. Não sei explicar o que sinto, parece que meu corpo se desmancha, parece que me dissolvo , que volto a um tempo primordial.
Hoje, aqui em Saquarema, faz frio, venta muito, o mar está imenso, esplêndido.
Releio Madame Bovary, tenho uma ternura imensa por esta mulher perdida, sempre fui apaixonada por ela. Releio Madame Bovary 38 anos depois e como mudou a minha leitura, como melhorei como leitora. Um dia, no passado, também estive perdida de mim. Mas ao contrário da Bovary, os livros me salvaram, a escrita me salvou. Hoje habito meu centro. Minha mandala está bem costurada.
Amo o mar em sua fúria. Não sei explicar o que sinto, parece que meu corpo se desmancha, parece que me dissolvo , que volto a um tempo primordial.
Hoje, aqui em Saquarema, faz frio, venta muito, o mar está imenso, esplêndido.
Releio Madame Bovary, tenho uma ternura imensa por esta mulher perdida, sempre fui apaixonada por ela. Releio Madame Bovary 38 anos depois e como mudou a minha leitura, como melhorei como leitora. Um dia, no passado, também estive perdida de mim. Mas ao contrário da Bovary, os livros me salvaram, a escrita me salvou. Hoje habito meu centro. Minha mandala está bem costurada.
domingo, 23 de setembro de 2012
POESIA DO ACRE
Na mesa em Rio Branco dividi o espaço com Gloria Kirinus e a poeta Francis Mary, conhecida como Bruxinha. Ela faz uma poesia cheia de referências locais, ao mundo mágico da floresta. Ela foi companheira de luta de Chico Mendes . A sua apresentação foi linda. Ela projetou imagens da floresta enquanto lia seus poemas e trouxe alguns amigos músicos para acompanhá-la. Aliás, a fala da Gloria foi tão envolvente que ninguém queria ir embora nunca mais. O público ficou. A mediadora dizia, então acabou, e nada. Ninguém se levantava.
Eu tentei falar sobre o tempo. Se não se pode dividir o tempo ,então, todos , desde a pré-história, são meus contemporâneos. Talvez tenha me enrolado um pouco. Li um texto magnífico do Galeano onde ele nos fala de quem são seus contemporâneos e vai ao encontro do que penso. A poesia habita todos os tempos e seu lugar é sempre.
DESCONVERSA
O Kaxinauá disse assim:
você já bebeu voo de tucano
com sangue de açaí?
Eu desconversei
e saí caçando meus passos
guardados no saco
de sernambí.
Isso aconteceu
num dia de chuva
quati, quati...
Francis Mary
Eu tentei falar sobre o tempo. Se não se pode dividir o tempo ,então, todos , desde a pré-história, são meus contemporâneos. Talvez tenha me enrolado um pouco. Li um texto magnífico do Galeano onde ele nos fala de quem são seus contemporâneos e vai ao encontro do que penso. A poesia habita todos os tempos e seu lugar é sempre.
DESCONVERSA
O Kaxinauá disse assim:
você já bebeu voo de tucano
com sangue de açaí?
Eu desconversei
e saí caçando meus passos
guardados no saco
de sernambí.
Isso aconteceu
num dia de chuva
quati, quati...
Francis Mary
sábado, 22 de setembro de 2012
CLUBE DE LEITURA DA CASA AMARELA
Nosso encontro de hoje do Clube de Leitura da Casa Amarela foi marcado por ausências. Não vieram, Felipe, Andrea e Cris, de Duque de Caxias. Leila não veio . Messias não veio.
Mas vieram todos os outros: Hélio e Fernando, Maria Clara, Chico, Gil, as duas Ângelas, e Ivo, pela primeira vez.
Lemos A DAMA DO CACHORRINHO de Anton Tchékhov. Cada um falou do seu conto predileto, daquele que mais tocou seu coração. O conto Vanka, do menino que escreve a carta para o avô foi uma paixão geral. Hélio se debruçou sobre o coração do menino. Todos nos emocionamos com a história tão triste do menino que quer voltar para junto do seu avô. Falamos do conto nas suas minúcias. Maria Clara identifica o avô com o Papai Noel, é um conto de natal.
Gil escolheu como seu o conto da Corista e fez uma leitura belíssima . Falou da bondade da corista, da sua sensibilidade e era apenas uma prostituta.
Juan falou do conto A Irrequieta e de como o nosso tesouro está quase sempre ao nosso lado e não o vemos .
Todos concordamos que o autor nos leva a um desfile impressionante de personagens e conhece conmo poucos a alma humana. A Russia dos tzares hoje esteve em nossa sala.
Todos amaram o pequeno livro imenso. Todos ressaltaram a abertura dos contos, nenhum final é fechado.
E esse tempo, único, que não existe mais, existe. Basta abrir o livro em qualquer conto e já estaremos instalados numa troika, numa casa de um nobre, de um camponês, um burguês. E a manivela do tempo, a literatura, com todas as suas engrenagens , trará até nós , estas cenas de um passado tão rico, tão denso.
Celebramos com pão, vinho e uma comida maravilhosa preparada pela Vanda, nossa caseira de nome russo, a alegria de discutirmos um belo livro. E cantamos parabéns com uma torta maravilhosa de nozes e chocolate branco, pois Vanda fez 50 anos.
Mas vieram todos os outros: Hélio e Fernando, Maria Clara, Chico, Gil, as duas Ângelas, e Ivo, pela primeira vez.
Lemos A DAMA DO CACHORRINHO de Anton Tchékhov. Cada um falou do seu conto predileto, daquele que mais tocou seu coração. O conto Vanka, do menino que escreve a carta para o avô foi uma paixão geral. Hélio se debruçou sobre o coração do menino. Todos nos emocionamos com a história tão triste do menino que quer voltar para junto do seu avô. Falamos do conto nas suas minúcias. Maria Clara identifica o avô com o Papai Noel, é um conto de natal.
Gil escolheu como seu o conto da Corista e fez uma leitura belíssima . Falou da bondade da corista, da sua sensibilidade e era apenas uma prostituta.
Juan falou do conto A Irrequieta e de como o nosso tesouro está quase sempre ao nosso lado e não o vemos .
Todos concordamos que o autor nos leva a um desfile impressionante de personagens e conhece conmo poucos a alma humana. A Russia dos tzares hoje esteve em nossa sala.
Todos amaram o pequeno livro imenso. Todos ressaltaram a abertura dos contos, nenhum final é fechado.
E esse tempo, único, que não existe mais, existe. Basta abrir o livro em qualquer conto e já estaremos instalados numa troika, numa casa de um nobre, de um camponês, um burguês. E a manivela do tempo, a literatura, com todas as suas engrenagens , trará até nós , estas cenas de um passado tão rico, tão denso.
Celebramos com pão, vinho e uma comida maravilhosa preparada pela Vanda, nossa caseira de nome russo, a alegria de discutirmos um belo livro. E cantamos parabéns com uma torta maravilhosa de nozes e chocolate branco, pois Vanda fez 50 anos.
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
BIBLIOTECA DA FLORESTA E SAQUAREMA
Cheguei agora em Saquarema. Foi uma longa viagem, uma longa estadia em Rio Branco. Não pude escrever depois do primeiro dia, não tive tempo de ir até a Biblioteca Estadual usar o computador.
Estou exausta mas conto: entendi o Acre a partir da visita que fiz à Biblioteca da Floresta, a única Biblioteca temática do mundo.
É lindíssima e impressionante. Um mergulho profundo na alma e na história do Acre, seu povo, suas lutas, revoluções.
Há dez grupos de estudos interdisciplinares que se se reúnem na Biblioteca. Há cinema, vídeo, instalações maravilhosas, exposições. Há um grupo de filósofos que faz uma imersão na floresta para estudar o tempo e o espaço dos índios e raz este saber de volta para a biblioteca.. Há um espaço indígena no andar de cima, tão forte e emocionante que o visitante fica com falta de ar. Há documentos originais incríveis, por exemplo a carta escrita por Galvez declarando a independência do Acre. Na Biblioteca estão representados todos os povos que habitam o Acre. Há uma carta na entrada que diz isso:
" NOSSA CASA
Nós somos os povos da floresta. Somos pessoas, animais e árvores convivendo na maior biodiversidade do planeta.
Ainda procuramos nos descobrir e descobrir o mundo que nos acolhe e nos cerca.
Esta casa é nossa luz. Nosso espírito mora e trabalha dentro dela."
Há um painel belíssimo com os rostos do Acre: seringueiros, índios, descendentes de sírios , libaneses, nordestinos, etc, etc.
Há uma carta original do Chico Mendes para os habitantes de 2120, onde ele fala dos seus sonhos. E então a Biblioteca fez uma caixa fechada com 5.000 cartas de pessoas que falam dos seus sonhos. Esta caixa será aberta em 2120 . Não estaremos aqui para ouvir a leitura das cartas.
O trabalho em Rio Branco foi bonito, foi emocionante. Estou em casa e amanhã é o nosso encontro do Clube de Leitura da Casa Amarela.
Estou exausta mas conto: entendi o Acre a partir da visita que fiz à Biblioteca da Floresta, a única Biblioteca temática do mundo.
É lindíssima e impressionante. Um mergulho profundo na alma e na história do Acre, seu povo, suas lutas, revoluções.
Há dez grupos de estudos interdisciplinares que se se reúnem na Biblioteca. Há cinema, vídeo, instalações maravilhosas, exposições. Há um grupo de filósofos que faz uma imersão na floresta para estudar o tempo e o espaço dos índios e raz este saber de volta para a biblioteca.. Há um espaço indígena no andar de cima, tão forte e emocionante que o visitante fica com falta de ar. Há documentos originais incríveis, por exemplo a carta escrita por Galvez declarando a independência do Acre. Na Biblioteca estão representados todos os povos que habitam o Acre. Há uma carta na entrada que diz isso:
" NOSSA CASA
Nós somos os povos da floresta. Somos pessoas, animais e árvores convivendo na maior biodiversidade do planeta.
Ainda procuramos nos descobrir e descobrir o mundo que nos acolhe e nos cerca.
Esta casa é nossa luz. Nosso espírito mora e trabalha dentro dela."
Há um painel belíssimo com os rostos do Acre: seringueiros, índios, descendentes de sírios , libaneses, nordestinos, etc, etc.
Há uma carta original do Chico Mendes para os habitantes de 2120, onde ele fala dos seus sonhos. E então a Biblioteca fez uma caixa fechada com 5.000 cartas de pessoas que falam dos seus sonhos. Esta caixa será aberta em 2120 . Não estaremos aqui para ouvir a leitura das cartas.
O trabalho em Rio Branco foi bonito, foi emocionante. Estou em casa e amanhã é o nosso encontro do Clube de Leitura da Casa Amarela.
terça-feira, 18 de setembro de 2012
RIO BRANCO
Estou neste momento na Biblioteca Pública do Acre, belíssima, deslumbrante. Um espaço onde se pode estar durante horas. Aqui foi uma escola. Da antiga escola nada restou , apenas a cópia do piso hidráulico. A biblioteca tem vários andares e todos nos convidam a relaxar e ler. E um cinema que é um luxo total. Todos os dias há várias sessões. Agora está acontecendo o Festival Jorge Amado.
Na sala de leitura para crianças há uma Arca das Letras para a área rural. Ela viaja e faz pouso na casa de alguma família, então é uma arca mágica.
Cheguei no meio da madrugada. Exausta. A viagem é longa. Passei a manhã meio tonta, mas à tarde já estava recuperada e fui ao encontro da Helena Carloni de quem recebi o convite para estar aqui.
André, um menino muito gentil, foi designado como meu guia e lá fomos nós para a Gameleira onde nasceu Rio Branco, na beira do Rio Acre. O rio, ele me conta, já foi muito maior e muito navegável, mas agora ... já sabemos.
Fui até a Casa da Leitura da Gameleira. O bairro homenageia com seu nome a belíssima gameleira, marco do começo da cidade. A cidade recebeu um enorme contingente de sírios e libaneses. A Casa da leitura é antiga e lindíssima, parece saída das páginas de um conto de fadas. Mas estava vazia e acho, fiquei com a impressão, de quem tem que ser mais ágil na captura de leitores.
Depois visitamos o Cine Teatro Recreio, o primeiro teatro de Rio Branco, lindo. Na entrada há um projetor enorme e antigo fabricado pela Empresa Cinematográfica TRIUMPHO, assim, com ph .
Na Rua da beira do Rio, no Calçadão da Gameleira, as casinhas coloridas possuem uma placa om a memória da casa, assim: aqui viveu fulano no ano de... como na Europa.
À noite fui para a praça do Mercado Velho e assisti a uma dupla maravilhosa, bolivianos, poetas, cantores fantásticos, seu conjunto se chama Negro y Blanco. Foi emocionante.
E hoje de manhã já tomei café com a minha amiga querida Gloria Kirinus.
Hoje falo às 5hs da tarde e me deram uma pergunta de presente:
"Há espaço para a poesia no século XXI?"
Na sala de leitura para crianças há uma Arca das Letras para a área rural. Ela viaja e faz pouso na casa de alguma família, então é uma arca mágica.
Cheguei no meio da madrugada. Exausta. A viagem é longa. Passei a manhã meio tonta, mas à tarde já estava recuperada e fui ao encontro da Helena Carloni de quem recebi o convite para estar aqui.
André, um menino muito gentil, foi designado como meu guia e lá fomos nós para a Gameleira onde nasceu Rio Branco, na beira do Rio Acre. O rio, ele me conta, já foi muito maior e muito navegável, mas agora ... já sabemos.
Fui até a Casa da Leitura da Gameleira. O bairro homenageia com seu nome a belíssima gameleira, marco do começo da cidade. A cidade recebeu um enorme contingente de sírios e libaneses. A Casa da leitura é antiga e lindíssima, parece saída das páginas de um conto de fadas. Mas estava vazia e acho, fiquei com a impressão, de quem tem que ser mais ágil na captura de leitores.
Depois visitamos o Cine Teatro Recreio, o primeiro teatro de Rio Branco, lindo. Na entrada há um projetor enorme e antigo fabricado pela Empresa Cinematográfica TRIUMPHO, assim, com ph .
Na Rua da beira do Rio, no Calçadão da Gameleira, as casinhas coloridas possuem uma placa om a memória da casa, assim: aqui viveu fulano no ano de... como na Europa.
À noite fui para a praça do Mercado Velho e assisti a uma dupla maravilhosa, bolivianos, poetas, cantores fantásticos, seu conjunto se chama Negro y Blanco. Foi emocionante.
E hoje de manhã já tomei café com a minha amiga querida Gloria Kirinus.
Hoje falo às 5hs da tarde e me deram uma pergunta de presente:
"Há espaço para a poesia no século XXI?"
domingo, 16 de setembro de 2012
BIENAL DOS POVOS DA FLORESTA
Hoje vou para o Acre. É uma longa viagem em todos os sentidos, já que vou ao encontro do que não conheço e esta perspectiva é sempre maravilhosa.
Conhecerei lugares que meus olhos nunca viram, pessoas que aumentarão a dose de afeto em minhas veias.
Não tenho nenhum preparo acadêmico, vou apenas com o que sou , com a minha poesia , a minha bagagem de vida, os meus leitores ecoando dentro de mim. Não tenho verdades, apenas dúvidas e assombros. Para mim, a vida é aventura. Nunca sabemos o que cada dia deixará em nossas portas.
Meu passaporte para a vida é a poesia e o amor.
Conhecerei lugares que meus olhos nunca viram, pessoas que aumentarão a dose de afeto em minhas veias.
Não tenho nenhum preparo acadêmico, vou apenas com o que sou , com a minha poesia , a minha bagagem de vida, os meus leitores ecoando dentro de mim. Não tenho verdades, apenas dúvidas e assombros. Para mim, a vida é aventura. Nunca sabemos o que cada dia deixará em nossas portas.
Meu passaporte para a vida é a poesia e o amor.
sábado, 15 de setembro de 2012
PEDRA SÓ
Como tem acontecido nos últimos dias, me levantei às 4hs da manhã. A casa oscilava em seu silêncio entre as ondas do mar. Fiz meu café, abri o livro de poemas PEDRA SÓ, ed. Escrituras, de José Inácio Vieira de Melo , que o correio me trouxe ontem. E levei um susto.
A sua poesia é bela . José escreve desde a fazenda Pedra Só em Alagoas , escreve desde a seca. Mas a sua poesia é torrencial e nos arrasta, é , dentro da seca, cheia de água, cheia de imagens lindíssimas e emoção. José escreve desde um lugar : o começo do mundo, o começo do tempo. José escreve a saga do homem: os sonhos.
Separo alguns fragmentos :
........................................
"É da natureza do poeta
sonhar a essência do vento
e soprar na harpa os outros nomes
da pedra e da água."
pg 97
.............................................
"A arte da pedra é ser o silêncio que cresce"
pg 29
............................................
Na Pedra Só,
as formigas tecem as escrituras
no abismo da noite tão enorme
e o espantalho veste a seda do orvalho
para receber de braços abertos,
o sabor das auroras, o sagrado.
pg 25
.......................................................
Eu chego no silêncio que acende
as quatro ferraduras do tempo
e encontro a inesgotável jazida,
catedral do rubi que me habita.
pg 73
...........................................................
E a sua poesia, água, seca, pedra, rubi, vento, silêncio, ficou latejando no resto da noite que ainda havia e quando vi, a manhã havia chegado.
A sua poesia é bela . José escreve desde a fazenda Pedra Só em Alagoas , escreve desde a seca. Mas a sua poesia é torrencial e nos arrasta, é , dentro da seca, cheia de água, cheia de imagens lindíssimas e emoção. José escreve desde um lugar : o começo do mundo, o começo do tempo. José escreve a saga do homem: os sonhos.
Separo alguns fragmentos :
........................................
"É da natureza do poeta
sonhar a essência do vento
e soprar na harpa os outros nomes
da pedra e da água."
pg 97
.............................................
"A arte da pedra é ser o silêncio que cresce"
pg 29
............................................
Na Pedra Só,
as formigas tecem as escrituras
no abismo da noite tão enorme
e o espantalho veste a seda do orvalho
para receber de braços abertos,
o sabor das auroras, o sagrado.
pg 25
.......................................................
Eu chego no silêncio que acende
as quatro ferraduras do tempo
e encontro a inesgotável jazida,
catedral do rubi que me habita.
pg 73
...........................................................
E a sua poesia, água, seca, pedra, rubi, vento, silêncio, ficou latejando no resto da noite que ainda havia e quando vi, a manhã havia chegado.
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
NANA
Recebo como um presente meu novo livro para crianças bem pequenas: NANA
As ilustrações são absolutamente maravilhosas, da Bebel Callage. O livro sai pela Ed. Prumo e é o primeiro de uma grande fornada que vem por aí entre livros novos e reedições. Tenho a impressão de que minha gata Nana, se soubesse ler, adoraria o livro. Bebel conseguiu captar a sua alma!
Enquanto escrevo aqui no blog Nana dorme enrodilhada na cesta de papéis. É uma gata maravilhosa, falante, muito expressiva e eu a entendo como se ela fosse a minha própria poesia.
Escrevo em vários registros e isso é muito bom, é como se eu fosse feita em camadas, nunca me esqueço da criança que eu era , nem da adolescente, nem da jovem mulher. Hoje sou um novelo bem encorpado de todas as vidas que já vivi, muitas. E é assim que escrevo, com tudo o que tenho, com todas as idades.
Não sei porque as pessoas mais velhas às vezes se envergonham das suas idades, pois o tempo é apenas uma convenção. Somos um acúmulo de vida e de tempo e num mesmo dia posso ter 18 anos ou 92, às vezes 7.
Tenho acordado muito cedo, às 4hs da manhã. Não brigo com a falta de sono, Levanto, é noite, faço o café, o mar ocupa toda a casa e é como se me levasse sempre ao encontro de todas as pessoas que amo e que ainda dormem. Talvez, quem sabe, enquanto tomo café, entre em seus sonhos.
As ilustrações são absolutamente maravilhosas, da Bebel Callage. O livro sai pela Ed. Prumo e é o primeiro de uma grande fornada que vem por aí entre livros novos e reedições. Tenho a impressão de que minha gata Nana, se soubesse ler, adoraria o livro. Bebel conseguiu captar a sua alma!
Enquanto escrevo aqui no blog Nana dorme enrodilhada na cesta de papéis. É uma gata maravilhosa, falante, muito expressiva e eu a entendo como se ela fosse a minha própria poesia.
Escrevo em vários registros e isso é muito bom, é como se eu fosse feita em camadas, nunca me esqueço da criança que eu era , nem da adolescente, nem da jovem mulher. Hoje sou um novelo bem encorpado de todas as vidas que já vivi, muitas. E é assim que escrevo, com tudo o que tenho, com todas as idades.
Não sei porque as pessoas mais velhas às vezes se envergonham das suas idades, pois o tempo é apenas uma convenção. Somos um acúmulo de vida e de tempo e num mesmo dia posso ter 18 anos ou 92, às vezes 7.
Tenho acordado muito cedo, às 4hs da manhã. Não brigo com a falta de sono, Levanto, é noite, faço o café, o mar ocupa toda a casa e é como se me levasse sempre ao encontro de todas as pessoas que amo e que ainda dormem. Talvez, quem sabe, enquanto tomo café, entre em seus sonhos.
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
E.M.IPITANGA
Hoje o professor Ivo veio cedinho me buscar para ir a E.M Ipitanga perto de Araruama. Eu não havia anotado na agenda e confesso que não me lembrava. Estava pedalando a bicicleta ergométrica e ele chegou. Sentou junto comigo para me fazer companhia e enquanto eu terminava já íamos falando de leitura. Tomei um banho rápido e me vestia , surpresa total: chegou na varanda a Secretária de Educação, Ana Paula, belíssima e competentíssima. Ela dispensou o carro oficial e fomos no carro do Ivo. Quebrei o protocolo e sentei na frente, pois caí e machuquei o ombro, dói muito.
Não tenho como descrever a maravilha que foi a nossa manhã poética. A escola é linda de morrer, como todas aqui em Saquarema, cada uma com a sua singularidade.Desde a chegada meus poemas se esparramavam por todas as paredes e no local do nosso encontro, bandeiras com meus poemas escorriam desde o teto. Poemas lindos das crianças a partir dos meus faziam um contraponto.
Foi tudo tão emocionante, as apresentações teatralizadas dos poemas, as curiosidades, o brilho nos olhos de cada um, os beijos que me deram, saí como se tivesse mergulhado numa cachoeira de amor.
Saquarema pode se orgulhar. Já há um grande caminho percorrido até aqui. Saquarema já tem escolas leitoras.
Não tenho como descrever a maravilha que foi a nossa manhã poética. A escola é linda de morrer, como todas aqui em Saquarema, cada uma com a sua singularidade.Desde a chegada meus poemas se esparramavam por todas as paredes e no local do nosso encontro, bandeiras com meus poemas escorriam desde o teto. Poemas lindos das crianças a partir dos meus faziam um contraponto.
Foi tudo tão emocionante, as apresentações teatralizadas dos poemas, as curiosidades, o brilho nos olhos de cada um, os beijos que me deram, saí como se tivesse mergulhado numa cachoeira de amor.
Saquarema pode se orgulhar. Já há um grande caminho percorrido até aqui. Saquarema já tem escolas leitoras.
PRESENTE
Hoje recebi um poema de presente da Maria Clara, poeta, grande leitora e membro do nosso Clube de Leitura Amarela:
Guardar
Antonio Cicero
Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.
Maravilhoso poema , maravilhoso presente e eu o guardo e desdobro como se guarda um entardecer, um cheiro molhado de algas, uma saudade.
terça-feira, 11 de setembro de 2012
SEGREDOS
Releio meu livro O Traço e a Traça" da ed. Scipionne que foi escolhido pelo Governo Federal para fazer parte do Programa Alfabetização na Idade Certa. As ilustrações são maravilhosas, não conheço a ilustradora: Elma, do Recife. Releio:
" O João guardava um segredo
tão bem guardado debaixo
da cama que ninguém
sabia o que era.
Parece que era coisa importante,
pois todo segredo é tesouro".
Outro dia li um artigo muito bom sobre privacidade. Há toda uma discussão sobre o tema. Nossa privacidade acabou?
Vejamos: endereço e telefone são facilmente encontráveis.
Banco, conta do banco, cada vez que passamos um cartão estes dados ficam disponíveis. O mesmo acontece quando se compra algo com cartão de crédito nos estabelecimentos, na rede. Nossa casa está visível no Google.
Nossas preferências também ficam disponíveis a partir do que compramos. Também se pode saber da vida do outro através do seu lixo.
Mas temos muitos segredos . Disponibilizamos nas redes sociais apenas o que nos interessa. O que sinto a cada instante , isso me pertence. Como lido com as minhas emoções mais profundas, com as minhas contradições, isso é meu e não pode ser contabilizado nem roubado nem clonado. É um vento que flutua sobre a minha poesia.
Meu acervo de memória, minhas manias, meus ancestrais, tudo isso é privacidade. O tamanho do meu amor , isso é meu. O medo da morte é meu. A paixão pela vida: minha.
Não tenho medo de que invadam ou roubem a minha privacidade. Eu traço os limites.
" O João guardava um segredo
tão bem guardado debaixo
da cama que ninguém
sabia o que era.
Parece que era coisa importante,
pois todo segredo é tesouro".
Outro dia li um artigo muito bom sobre privacidade. Há toda uma discussão sobre o tema. Nossa privacidade acabou?
Vejamos: endereço e telefone são facilmente encontráveis.
Banco, conta do banco, cada vez que passamos um cartão estes dados ficam disponíveis. O mesmo acontece quando se compra algo com cartão de crédito nos estabelecimentos, na rede. Nossa casa está visível no Google.
Nossas preferências também ficam disponíveis a partir do que compramos. Também se pode saber da vida do outro através do seu lixo.
Mas temos muitos segredos . Disponibilizamos nas redes sociais apenas o que nos interessa. O que sinto a cada instante , isso me pertence. Como lido com as minhas emoções mais profundas, com as minhas contradições, isso é meu e não pode ser contabilizado nem roubado nem clonado. É um vento que flutua sobre a minha poesia.
Meu acervo de memória, minhas manias, meus ancestrais, tudo isso é privacidade. O tamanho do meu amor , isso é meu. O medo da morte é meu. A paixão pela vida: minha.
Não tenho medo de que invadam ou roubem a minha privacidade. Eu traço os limites.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
CINCO ESTUDANTES
Sábado recebemos cinco estudantes da Universidade Rural, curso de Comunicação, aqui em casa para um encontro com o Juan Arias . Vieram de Seropedica. Era uma entrevista e uma gravação de vídeo. Foi um belíssimo encontro. As perguntas claras e inteligentes deram ao Juan espaço para falar sobre o jornalismo ao longo do tempo , sobre a liberdade de imprensa, sobre a função do jornalismo: ser a consciência crítica do poder. Pobre dos jornalistas que se acovardam e se vendem.
Era lindo ver aqueles jovens com as mãos e os olhos tão cheios de esperança e futuro.
Quando era criança eu queria ser astrônoma, pois amava as estrelas. Quando jovem quis ser jornalista. Nem uma coisa nem outra: virei poeta. Acho que conciliei as duas vocações, pois escrevo e contemplo as estrelas.
Era lindo ver aqueles jovens com as mãos e os olhos tão cheios de esperança e futuro.
Quando era criança eu queria ser astrônoma, pois amava as estrelas. Quando jovem quis ser jornalista. Nem uma coisa nem outra: virei poeta. Acho que conciliei as duas vocações, pois escrevo e contemplo as estrelas.
sábado, 8 de setembro de 2012
O EDIFÍCIO YACOBIÁN
Em nosso Clube de Leitura da Casa Amarela tento indicar livros que fiquem para sempre dentro do leitor. É assim que desde nosso último encontro quando indiquei A DAMA DO CACHORRINHO, do Tchekov vasculho meus labirintos e corredores caçando um livro sem saber seu nome.
Havia pensado em Toda a Vida pela Frente de Émile Ajar, pseudônimo do Romain Gary. Li o livro em francês na minha juventude e é um daqueles que eu levaria para uma ilha deserta. Sou completamente apaixonada por ele. Comprei agora num sebo, edição da Rocco e realmente a tradução é tão horrorosa que não tenho coragem de indicá-lo. Continuei caçando então, à espreita. E eis que hoje , como um relâmpago, estava pensando na situação horrível do Oriente Médio e um livro se iluminou dentro de mim e é o meu escolhido: O Edifício Yacobian de Alla Aswany. É um romance que amarra o leitor desde a primeira linha ao mesmo tempo em que nos dá uma visão panorâmica do Egito antes da Primavera Árabe. E é incrível que a decadência do edifício é a decadência da sociedade que acaba ruindo completamente, fato que o autor ainda desconhecia. Foi feito um filme a partir do livro. Espero que a tradução não me decepcione, pois o li em espanhol.
Hoje nossa casa recebe quatro estudantes que virão entrevistar meu marido, Juan Arias, vão filmá-lo.
E o sábado está lindo, fiz um pão que perfuma a casa de alecrim.
Havia pensado em Toda a Vida pela Frente de Émile Ajar, pseudônimo do Romain Gary. Li o livro em francês na minha juventude e é um daqueles que eu levaria para uma ilha deserta. Sou completamente apaixonada por ele. Comprei agora num sebo, edição da Rocco e realmente a tradução é tão horrorosa que não tenho coragem de indicá-lo. Continuei caçando então, à espreita. E eis que hoje , como um relâmpago, estava pensando na situação horrível do Oriente Médio e um livro se iluminou dentro de mim e é o meu escolhido: O Edifício Yacobian de Alla Aswany. É um romance que amarra o leitor desde a primeira linha ao mesmo tempo em que nos dá uma visão panorâmica do Egito antes da Primavera Árabe. E é incrível que a decadência do edifício é a decadência da sociedade que acaba ruindo completamente, fato que o autor ainda desconhecia. Foi feito um filme a partir do livro. Espero que a tradução não me decepcione, pois o li em espanhol.
Hoje nossa casa recebe quatro estudantes que virão entrevistar meu marido, Juan Arias, vão filmá-lo.
E o sábado está lindo, fiz um pão que perfuma a casa de alecrim.
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
ANIVERSÁRIO
Hoje se meu maravilhoso amigo Latuf não tivesse ido embora do planeta Terra, estaríamos comemorando o seu aniversário. Mas é impressionante como os mortos continuam vivos. Nenhum dia se passa sem a sua presença dentro de mim, sem que ele converse comigo, sem que eu divida com ele as minhas mais profundas emoções. Ele dizia que eu era a sua idiche mama, sua mãe judia, embora ele fosse mais velho do que eu. Mas como toda mãe judia , eu adorava lhe dar de comer, fazia iguarias para ele, eu o mimava. Nosso país era a literatura, país magnífico, onde nunca e sempre somos estrangeiros. E ele , Doutor em tantas coisas, me dizia, a tua poesia é bela. Todos os dias agradeço. Ele , libanês e eu, judia, com certeza resolveríamos a questão do Oriente Médio com amor e poesia. Nós nos amávamos. Nós nos amamos.
Eu o vejo com suas túnicas esvoaçantes. Latuf era um poema andarilho.
Eu o vejo com suas túnicas esvoaçantes. Latuf era um poema andarilho.
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
POESIA DE MANHÃ
Gosto de abrir meu dia com um poema. Depois de ler o jornal no café da manhã.
Hoje o poema do dia:
DOIS CORPOS
Dois corpos frente a frente
são às vezes duas ondas
e a noite é oceano.
Dois corpos frente a frente
são às vezes duas pedras
e a noite deserto.
Dois corpos frente a frente
sâo às vezes raízes
na noite enlaçadas.
Dois corpos frente a frente
são às vezes navalhas
e a noite relâmpago.
Dois corpos frente a frente
são dois astros que caem
em um céu vazio.
Octavio Paz, Obra Poética I, in A Duas Vozes, Eduardo Jardim, ed. Civilização Brasileira
Hoje o poema do dia:
DOIS CORPOS
Dois corpos frente a frente
são às vezes duas ondas
e a noite é oceano.
Dois corpos frente a frente
são às vezes duas pedras
e a noite deserto.
Dois corpos frente a frente
sâo às vezes raízes
na noite enlaçadas.
Dois corpos frente a frente
são às vezes navalhas
e a noite relâmpago.
Dois corpos frente a frente
são dois astros que caem
em um céu vazio.
Octavio Paz, Obra Poética I, in A Duas Vozes, Eduardo Jardim, ed. Civilização Brasileira
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
TODAS AS CORES DENTRO DO BRANCO
Em 2004 publiquei um livo "Todas as Cores dentro do Branco" pela ed. Nova Fronteira com belas edições da Edineuza Bezerril. O livro ficou meio encalhado e decidi desfazer o contrato. Os livros restantes foram doados para a Secretaria de Educação de Duque de Caxias que os distribuiu pelas escolas.
Quando Isa Pessoa me convidou para fazer parte da coleção Poemas para Ler na Escola pela Objetiva, decidimos fazer uma antologia e eu dei os poemas do livro, eles estão misturados na bela colcha de retalhos que Hebe Coimbra arrumou.
Hoje leio que as mulheres enxergam as nuances das cores melhor do que os homens. Achei isso muito curioso.
Dividi o livro original por cores, o que não foi mantido na antologia.
Eis um poema "verde":
ESPERANÇA POUSADA NO UMBRAL DA PORTA
A manhã começa verde:
pulo da cama,
estendo os braços,
para apagar os últimos
vestígios de um sonho,
mordo a maçã,
arrumo o mapa
do meu coração
e parto como um barco
de madeira antiga
para as surpresas do dia.
Pousada no umbral da porta,
a Esperança me olha
como folha verde na água,
como esmeralda encantada.
in Poemas para Ler na Escola, ed. Objetiva
Quando Isa Pessoa me convidou para fazer parte da coleção Poemas para Ler na Escola pela Objetiva, decidimos fazer uma antologia e eu dei os poemas do livro, eles estão misturados na bela colcha de retalhos que Hebe Coimbra arrumou.
Hoje leio que as mulheres enxergam as nuances das cores melhor do que os homens. Achei isso muito curioso.
Dividi o livro original por cores, o que não foi mantido na antologia.
Eis um poema "verde":
ESPERANÇA POUSADA NO UMBRAL DA PORTA
A manhã começa verde:
pulo da cama,
estendo os braços,
para apagar os últimos
vestígios de um sonho,
mordo a maçã,
arrumo o mapa
do meu coração
e parto como um barco
de madeira antiga
para as surpresas do dia.
Pousada no umbral da porta,
a Esperança me olha
como folha verde na água,
como esmeralda encantada.
in Poemas para Ler na Escola, ed. Objetiva
terça-feira, 4 de setembro de 2012
OZIRETES
Ontem tive uma linda surpresa . Fui convidada para um encontro com os alunos da E.M Osiris Palmier da Veiga, aqui em Saquarema.
A escola fica frente da lagoa e tem a vista mais bonita do mundo. Foi toda reformada e ampliada e não parece uma escola, mas sim uma casa acolhedora.
Angela , a professora da Sala de Leitura me levou até este espaço mágico e eu fiquei boquiaberta. A escola antiga não tinha sala de leitura e apenas 150 livros., Agora tem uma sala imensa com 1.500 livros, um tapete mágico com almofadas, estantes lindas, duas mesas redondas com cadeiras e um sofá maravilhoso para as visitas. Pois a idéia é cada vez mais receber a visita dos pais na Sala de Leitura.
Angela me conta: ela criou o CLEO, um Clube de Leitura. São quinze alunos que ficam de meio-dia até às 14hs na escola, com autorização dos pais, para ler na Sala. Ficam duas horas lendo. De fevereiro até agora já leram 280 livros. O objetivo é que leiam TODOS os livros.
Os livros estão catalogados e arrumados de uma maneira genial, pelos membros do clube. Angela me disse: "Roseana, diga um número de 1 a 800." Eu disse "626" . Ela perguntou: "quem quer encontrar o livro? Vários alunos queriam e um deles foi até lá e em segundos trouxe o livro que é arrumado por letras e números. Na seção A ficam os mais difíceis, na B vai facilitando, até chegar aos livros sem texto. Por cada livro lido os alunos da escola inteira recebem uma moeda: a ozirete. É uma anotação num caderno. Cada livro tem um valor. Os mais difíceis valem mais. Os pais que buscam um livro para ler na biblioteca também ganham oziretes. Em novembro a sala de leitura fará um bazar com livros e artigos de papelaria e eles receberão as cédulas oziretes para que possam comprar. Só quem tiver oziretes poderá participar. A professora de matemática está aproveitando a idéia para falar de economia.Eles estão fazendo uma poupança, aprendendo a poupar.
Todos cuidam da Sala de Leitura como se fosse mesmo mágica e ela pode ser usada a QUALQUER HORA. Eles fazem fichas de cada livro lido com uma pequena resenha.
Fiquei muito emocionada com o encontro. Eles eram educadíssimos e muito interessados em tudo. Já sonham em ser engenheiros, veterinários, advogados, escritores.
Que a E.M Oziris e a Angela sirvam de inspiração.
A escola fica frente da lagoa e tem a vista mais bonita do mundo. Foi toda reformada e ampliada e não parece uma escola, mas sim uma casa acolhedora.
Angela , a professora da Sala de Leitura me levou até este espaço mágico e eu fiquei boquiaberta. A escola antiga não tinha sala de leitura e apenas 150 livros., Agora tem uma sala imensa com 1.500 livros, um tapete mágico com almofadas, estantes lindas, duas mesas redondas com cadeiras e um sofá maravilhoso para as visitas. Pois a idéia é cada vez mais receber a visita dos pais na Sala de Leitura.
Angela me conta: ela criou o CLEO, um Clube de Leitura. São quinze alunos que ficam de meio-dia até às 14hs na escola, com autorização dos pais, para ler na Sala. Ficam duas horas lendo. De fevereiro até agora já leram 280 livros. O objetivo é que leiam TODOS os livros.
Os livros estão catalogados e arrumados de uma maneira genial, pelos membros do clube. Angela me disse: "Roseana, diga um número de 1 a 800." Eu disse "626" . Ela perguntou: "quem quer encontrar o livro? Vários alunos queriam e um deles foi até lá e em segundos trouxe o livro que é arrumado por letras e números. Na seção A ficam os mais difíceis, na B vai facilitando, até chegar aos livros sem texto. Por cada livro lido os alunos da escola inteira recebem uma moeda: a ozirete. É uma anotação num caderno. Cada livro tem um valor. Os mais difíceis valem mais. Os pais que buscam um livro para ler na biblioteca também ganham oziretes. Em novembro a sala de leitura fará um bazar com livros e artigos de papelaria e eles receberão as cédulas oziretes para que possam comprar. Só quem tiver oziretes poderá participar. A professora de matemática está aproveitando a idéia para falar de economia.Eles estão fazendo uma poupança, aprendendo a poupar.
Todos cuidam da Sala de Leitura como se fosse mesmo mágica e ela pode ser usada a QUALQUER HORA. Eles fazem fichas de cada livro lido com uma pequena resenha.
Fiquei muito emocionada com o encontro. Eles eram educadíssimos e muito interessados em tudo. Já sonham em ser engenheiros, veterinários, advogados, escritores.
Que a E.M Oziris e a Angela sirvam de inspiração.
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
POESIA ESSENCIAL
Meu livro Poesia Essencial é uma mistura de quatro livros. Quando morei em Madrid me propus escrever um livro que falasse das cidades e da casa, já que viajávamos muito e eu estava numa cidade estrangeira. Ficou muito bonito. Eu já tinha o Paredes Vazadas, Pássaros do Absurdo, e Caravana, inédito, que ganhou um concurso nacional de poesia, com muito prestígio , mas sem publicação. Mostrei o original As Cidades e a Casa para a Bia-Hetzel e Silvia Negreiros e elas quiseram ver outros trabalhos (para adultos) e quando leram tudo , decidiram fazer uma antologia dirigida pela Hebe Coimbra.
O livro, para nossa surpresa, recebeu resenhas lindas , foi muito bem acolhido e foi conquistando leitores desde a sua publicação em 2002. No ano passado ele entrou num projeto, o Portal do Saber e vendeu quase 500.000 exemplares que foram distribuidos para os alunos do Ensino Médio. Ele começou com uma capa verde, mas agora tem uma belíssima e discretíssima capa azul. Seus poemas possuem muita força e continuam impulsionando o livro como um vento bom.
CÁLICE
nem ao menos sei
se soletras meu nome
com a água da chuva
se misturas meu nome
às sombras que habitam
vez por outra
o teu coração
se derramas meu nome
no cálice da noite
como um cavalo que amoroso
com suas patas possuísse
a terra
in Poesia Essencial, ed. Manati
O livro, para nossa surpresa, recebeu resenhas lindas , foi muito bem acolhido e foi conquistando leitores desde a sua publicação em 2002. No ano passado ele entrou num projeto, o Portal do Saber e vendeu quase 500.000 exemplares que foram distribuidos para os alunos do Ensino Médio. Ele começou com uma capa verde, mas agora tem uma belíssima e discretíssima capa azul. Seus poemas possuem muita força e continuam impulsionando o livro como um vento bom.
CÁLICE
nem ao menos sei
se soletras meu nome
com a água da chuva
se misturas meu nome
às sombras que habitam
vez por outra
o teu coração
se derramas meu nome
no cálice da noite
como um cavalo que amoroso
com suas patas possuísse
a terra
in Poesia Essencial, ed. Manati
domingo, 2 de setembro de 2012
LUNA
Luna, minha gata, se mudou para a lavanderia, uma casinha que fica no fundo do quintal. Ela não gostava mais da casa, talvez porque já tenha 12 anos e a Nana, nossa outra gata, ainda criança, quer sempre brincar. Luna deu vários avisos: fazia xixi e cocô fora da caixinha, em vários lugares da casa e já não queria mais comer nem entrar em casa. Tive a idéia de arrumar um apartamentozinho para ela na lavanderia e deu certíssimo. Abri mão de uma esteira onde fazia ginástica que era o seu sonho de consumo e agora ela tem a esteira, um tapetinho em cima da esteira, a sua comida, água, e o banheirinho. A porta da lavanderia fica aberta e ela entra e sai quando quer. Fechamos quando anoitece e ela já está lá na sua cama esperando a porta ser fechada. Passa o dia no jardim , às vezes vem até aqui dentro visitar a casa e volta para a lavanderia. Agora come, está feliz, dá para notar. É uma gata-ermitã.
sábado, 1 de setembro de 2012
O LAGO E A LUA
Ontem a lua estava linda. O mar prateado. A igrejinha no alto do morro iluminada de azul. Um cenário onírico. Fazia frio e eu adoro o frio. Era bom.
O LAGO E A LUA
Na pele da água
do lago
onde a noite flutua
como um barco,
a Lua é tatuagem
de prata.
Se balança a Lua
feito um gato,
equilibrida num fio
de vento.
Vai e vem
vem e vai
cai não cai...
A Lua do firmamento.
in Caixinha de Música, ed. Manati
O LAGO E A LUA
Na pele da água
do lago
onde a noite flutua
como um barco,
a Lua é tatuagem
de prata.
Se balança a Lua
feito um gato,
equilibrida num fio
de vento.
Vai e vem
vem e vai
cai não cai...
A Lua do firmamento.
in Caixinha de Música, ed. Manati
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