terça-feira, 11 de abril de 2017

VISCONDE DE MAUÁ

Amanhã subo a montanha bem cedo. Vou ao encontro da família.
É uma longa viagem, mas devagar se vai ao longe.
Enquanto isso outras viagens vão sendo tramadas, trançadas. Nenhuma está fechada ainda, mas tenho vários esboços.Numa delas há uma possibilidade de um encontro com Gloria Kirynus em Curitiba, como já fizemos uma vez na Bienal do Rio. Duas amigas poetas que juntas dão certo.
Mas agora quero mesmo é chegar na entrada do Vale do Pavão, serpentear montanha acima, abrir a porta da minha casinha e respirar toda a saudade acumulada.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

NATAL E BIBLIOTECA

Em Natal, na I Jornada Pedagógica Potiguar, tive momentos de muita emoção. Marly Amarilha fez uma das falas mais lindas que já ouvi sobre literatura.
A garra e paixão dos professores era visível, saía pelos poros de cada um.
Meu mais novo editor, Rilder Medeiros, é um construtor de sonhos. Ele faz, concretiza.
Tive depoimentos belíssimos como o de Paula Belmino, que com apenas um livro na mão é capaz de fazer 1001 mágicas no interior do Rio Grande do Norte.
Tive o poeta José de Castro como anfitrião, incansável em seu envolvimento com a literatura e especialmente com a poesia.
E a inauguração da Biblioteca da E.M Sadi Mendes com meu nome. A escola fica num bairro complicado. E a literatura é o rio de águas maravilhosas por onde irão passar os peixes azuis de todos os sonhos.
Meu agradecimento maior do que o mundo a todos os professores que me escolheram e um cheiro especial para Vera Vilela de Mendonça que fez o primeiro contato comigo.
Meu coração agora pulsa nesta biblioteca.
Pulsa aqui em Saquarema na E.M. Clotilde que também tem uma vigorosa Sala de Leitura com meu nome. E em Olaria, com a Sala de Leitura Nos Caminhos de Murray, na E.M.Brasil, em Duque de Caxias com a Sala de Leitura da E.M.Pedro Paulo e no interior do Pará na E.M.Francisco Guillon e em S.Bernardo do Campo ( eu me esqueci o nome da escola).
Um dia irei virar estrela ou poeira cósmica, mas por enquanto sou além de gente, árvore, flor e biblioteca.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

NATAL

Faço a mala para Natal. Saio de casa amanhã às 5.35 da manhã.
Por que o Brasil é um país sem trens?
Queria ir pro aeroporto de trem, num vagão restaurante, tomando café e lendo. Haveria uma estação no terminal do Galeão.
Não posso ler no ônibus, pois fico enjoada.
A minha viagem para Natal é um embrulho de presente. Ganho um novo livro, Sete Sonhos e Um Amigo e uma Sala de Leitura com meu nome na E.M.Sadi Mendes.
Adoro fazer a mala para acontecimentos mágicos.

domingo, 2 de abril de 2017

DOMINGO

Aqui em casa, fora de temporada, parece que vivemos numa ilha. Não há nenhum movimento , nenhum barulho, só o silêncio feito com a música do mar, passarinhos, cachorros latindo e às vezes ao longe, um galo.
Aos domingos o isolamento se acentua. E eu me aconchego dentro dessa concha.
Sempre amei o silêncio e preciso de silêncio para conseguir viver e às vezes escrever.
Ao silêncio associo sempre um livro. Um sofá, uma cadeira de balanço, uma poltrona e pronto.
Para mim a felicidade está ao alcance da mão. Basta me perder dentro de um livro. Basta que uma história me apanhe em sua rede e não preciso de mais nada.
Lembro que numa fase muito difícil da minha vida, num daqueles momentos em que não vemos nenhuma saída, o Memorial do Convento veio parar nas minhas mãos.
E posso dizer que Blimunda me salvou. Tirei dela a sua força e então aquela força era minha. Quando conheci Saramago eu lhe disse que Blimunda para mim era um arquétipo.
Posso reler muitas vezes um livro que amo. É como voltar para casa  depois de uma viagem. Um prazer semelhante.Ser leitor nos salva. É uma dádiva. Como alguém pode afirmar que não gosta de ler? Será que não sabe que é um perdedor de mundos?