sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
EM MAUÁ
Este lugar onde estou é mágico. Quando compramos o sítio em 1975 tudo era pasto , poucas árvores aqui e ali: araucárias, uma grande jabuticabeira, umas quaresmeiras. E só. Plantamos muito nestes quase 40 anos. Mas a verdade é que a floresta se refez. Deixamos a terra em paz e hoje estamos cercados de florestas. Foi morando aqui que publiquei meu primeiro livro. Sinto que a minha poesia se alimenta destas árvores, deste lugar maravilhoso. E o ciclo se completa. Meu filho André fez aqui seu restaurante, o Babel e Guga teve aqui as suas primeiras aulas de música e nos fins de semana vem para cá. Então tenho os filhos e os netos bem juntinho. Numa mesa bem grande nos reunimos todos. Pão e vinho , comida do fogão de lenha e muito amor. Como agradecer tantas dádivas?
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
DIÁRIO
Quando tinha uns onze anos eu tinha um diário, pois adorava escrever. O diário se perdeu, claro, mas adoraria ler alguma daquelas páginas da minha vida de menina. Escrevia também pequenos contos que lia para minhas amigas no colégio Hebreu Brasileiro onde estudava. Elas me ouviam e gostavam. Todos os contos se perderam, claro. O banheiro era um lugar interessante. Ali falávamos dos meninos e nos tornávamos cúmplices. Algumas mais corajosas matavam aula no banheiro. Fui crescendo e escrevendo. Até que me casei com 17 anos e tive um filho com 18. Então saí da adolescência brutalmente e me perdi de mim e parei de escrever por exatos dez anos. Foi a escrita que me recosturou. E meus livros me levaram por aí, me fizeram voar.
Amanhã vou para a montanha . Talvez desapareça por uns dias.
Amanhã vou para a montanha . Talvez desapareça por uns dias.
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
VÍDEO DA CASA AMARELA
Lá pelo meio dos anos noventa conheci o Caó na Bahia. Ele me mostrou seus livros, seus desenhos e fizemos uma parceria. Temos vários livros juntos e as crianças realmente amam o seu trabalho. Um dia ele veio aqui em Saquarema me visitar. Estava por aqui perto. Seus desenhos animados ganham muitos prêmios. Tenho vários poemas animados no meu site, feitos pelo Caó. No dia da visita ele ia nos filmando o tempo todo e me disse que ia fazer um filme sobre a gente. Eu não acreditei. Até que ontem ele me enviou o trailer do filme.que está no yutube e no facebook . Fiquei radiante com este presente inesperado, porque o filme é a minha cara! Não é sério, não é certinho, é bem maluquinho, mistura filme com fotos, com desenhos da cena que passou. E ele mostra o esboço da casa amarela até chegar ao seu resultado final. Adoro quando o artista mostra seu processo de criação. Enfim, estou muito feliz. Acho que a minha casa amarela com seus habitantes e visitantes, já virou personagem.
E lembro que nossa casa está aberta para receber escolas. Basta agendar comigo.
E lembro que nossa casa está aberta para receber escolas. Basta agendar comigo.
domingo, 23 de fevereiro de 2014
ALGUÉM PARA CORRER COMIGO
Nosso
encontro do Clube de Leitura da Casa Amarela, ontem, dia 22-02-14, foi cheio de
alegria e surpresas maravilhosas. Recebemos
gente nova. Jurema e Caroline, professoras, vieram de São Paulo! Viajaram a
noite inteira para estar aqui. Fiquei muito emocionada. Vieram também, pela
primeira vez, José Prado, editor, Miriam,que também foi minha editora e duas
alunas da Estação das Letras. Temos assim, um grupo bem heterogêneo bem variado: Contadores, advogados, um
vereador, professores, uma agente de viagens, uma ex diretora de escola, um
arquiteto e escultor. Talvez seja esta diversidade o que torna o grupo tão
interessante. As primeiras a falar sobre o livro Alguém para Correr Comigo, do
israelense David Grossman, foram Maria Clara e Leila . Maria Clara disse que de todos os livros
lidos no nosso Clube, esse tinha sido o que ela mais gostou. Leila falou que se
viu adolescente, com todas as indagações, questões existenciais, oscilações de
auto-estima próprias desta época. E
acrescentou que achava que todos sentiram o mesmo. Hector leu algumas frases do
livro em hebraico para que todos pudessem ouvir a sonoridade da língua original.
Maria Clara ressaltou o tempo da narrativa, super interessante, os personagens
estão sempre em tempos desencontrados e seus tempos só se encaixam no final.
Várias pessoas leram trechos belíssimos do livro e falaram que é um livro
policial, é um livro de amor ,e principalmente de amizade. Amizade da irmã pelo
irmão, o que leva a personagem Tamar a viver situações limite, colocando várias
vezes sua vida em risco. A cadela Dinka que leva Assaf a conhecer lugares e
pessoas estranhas foi para muitos, a personagem principal. Uma trama toda
picotada, um verdadeiro quebra cabeça onde pouco a pouco as peças vão se
encaixando. Falamos da gruta para onde Tamar leva o irmão como lugar de
renascimento. Falamos da capacidade maravilhosa de Tamar para ouvir.Da sua
capacidade de ser para cada pessoa o que a pessoa precisava que ela fosse.
Todos falaram do ritmo vertiginoso do livro . Todos falaram do começo do livro,
confuso e difícil. Felipe falou que o livro é cheio de silêncios. Caroline
disse que esperava um final mais mágico, menos real, eu discordei e disse que
achava que o final era perfeito. Felipe disse que concordava com ela. E que eu
tinha o péssimo hábito de maltratar as pessoas que vinham pela primeira vez. Ele
disse que com personagens tão bizarros e situações inusitadas ele também queria
um final mágico. Juan disse que a vida sempre supera a ficção e que a história
de cada um é sempre extraordinária. Hélio falou que ficou surpreso de que Jerusalém,
a mítica cidade , tivesse este submundo apresentado no livro. Juan lembrou que
cada cidade tem várias camadas, várias cidades na mesma cidade. César disse que
Tamar lhe parecia um espírito muito iluminado. Todos nos apaixonamos pela
Freira Theodora.
Enfim, todos
amaram o livro. Nossas discussões são feitas com o coração.
Ângela
trouxe para o Samuel, nosso jardineiro e ouvinte assíduo das discussões, de presente
de aniversário, já que era seu aniversário, uma camiseta preta com o desenho da
casa amarela com o título do clube. A camiseta era tão linda que todos morremos
de inveja!
E o almoço
foi servido no fogão de lenha, tudo preparado pela Vanda e sua filha Aline: Salada
verde, maionese de batata, arroz de forno e abóbora com carne seca. Pães com
azeite. Flora trouxe dois pães integrais magníficos Eu fiz um pão branco com a
mão esquerda somente. Tudo regado a espumante, vento do mar e alegria. Brindamos
ao Samuel, que cuida do nosso jardim desde 2002 e prepara a casa para receber o
Clube. Com uma torta maravilhosa cantamos parabéns para ele e nosso próximo
encontro será dia 12 de abril com os
livros A Tempestade de Shakespeare e Anedotas do Destino da Karen Blixen.
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
RACISMO
Leio hoje que uma agência que fornece enfermeiros para idosos pergunta em seu questionário se o idoso (a) tem alguma restrição de cor.
Uma australiana , num Salão de Beleza, não quis fazer a unha com uma manicure negra.
Um jogador negro foi xingado de macaco.
Não há uma palavra adequada para este tipo de atitude abjeta. Racismo é uma palavra fraca. O que faz um ser humano se sentir superior a qualquer outro ser humano? Não existem raças, existe GENTE, a pior espécie do planeta Terra, capaz de destruir todas as outras espécies. Ao mesmo tempo, a única espécie capaz de produzir engenhos e arte, a única espécie capaz de viajar no tempo, imaginar... Com que direito um ser humano se sente superior a outro? Somos todos iguais e todos diferentes. Somos todos mortais.
O racismo é um crime e uma doença. Se fizermos, dentro de nós, no escurinho dos nossos pensamentos, alguma restrição a qualquer tipo de gente, pela cor da sua pele, religião, etc, etc, há que lutar e vencer este sentimento, como há que arrancar num jardim as pragas e as ervas daninhas.
Uma australiana , num Salão de Beleza, não quis fazer a unha com uma manicure negra.
Um jogador negro foi xingado de macaco.
Não há uma palavra adequada para este tipo de atitude abjeta. Racismo é uma palavra fraca. O que faz um ser humano se sentir superior a qualquer outro ser humano? Não existem raças, existe GENTE, a pior espécie do planeta Terra, capaz de destruir todas as outras espécies. Ao mesmo tempo, a única espécie capaz de produzir engenhos e arte, a única espécie capaz de viajar no tempo, imaginar... Com que direito um ser humano se sente superior a outro? Somos todos iguais e todos diferentes. Somos todos mortais.
O racismo é um crime e uma doença. Se fizermos, dentro de nós, no escurinho dos nossos pensamentos, alguma restrição a qualquer tipo de gente, pela cor da sua pele, religião, etc, etc, há que lutar e vencer este sentimento, como há que arrancar num jardim as pragas e as ervas daninhas.
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
MÃO ESQUERDA
Nunca imaginei que conseguiria fazer tantas coisas com a mão esquerda. Antes da cirurgia do túnel do carpo eu treinava e era um fracasso. Agora o cérebro sabe que não há outro jeito... Digito, hoje fiz um pão, faço café... Faço quase tudo com a mão esquerda e a direita imobilizada até o dia 26.
Recebi para este ano várias agendas lindas, mas a da ed.Rovelle tem sabor de fruta. Para cada data a editora escolheu um livro e para o Dia da Poesia escolheu o meu Abecedário (Poético) de Frutas.
Quando eu era criança minha babá Eunice me levava para feira. Era uma festa. Eu ganhava frutas e doces e a minha paixão eram as bananinhas ouro. Até hoje a minha alegria é ver uma fruteira bem cheia e colorida.
Recebi para este ano várias agendas lindas, mas a da ed.Rovelle tem sabor de fruta. Para cada data a editora escolheu um livro e para o Dia da Poesia escolheu o meu Abecedário (Poético) de Frutas.
Quando eu era criança minha babá Eunice me levava para feira. Era uma festa. Eu ganhava frutas e doces e a minha paixão eram as bananinhas ouro. Até hoje a minha alegria é ver uma fruteira bem cheia e colorida.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
SOBRE O POEMA
Diz Neruda em "Confesso que vivi" que o poema é como um pão ou uma cerâmica. Acho isso lindíssimo, o poema que nos alimenta, o poema que perdura dentro da gente. Tanto o pão quanto a cerâmica precisam ser amassados com as mãos. O corpo participa da feitura do poema, do pão e da cerâmica.
Diz Octavio Paz, no belo livro " A duas vozes", que "o poema promove a intensificação da experiência presente, é uma imersão em camadas mais profundas da temporalidade, nas quais já não há mais a distinção entre o passado, o presente e o futuro." Então, dentro do poema o tempo simplesmente É.Sem divisões. A experiência poética nos leva a um mergulho para dentro de nós mesmos e para dentro do tempo.
Eu tinha uma amiga camponesa em Mauá na minha juventude. Ela tinha a idade da minha mãe. Quando saiu meu livro Fruta no Ponto, levei para ela ver as imagens, ela não sabia ler. Sua cozinha tinha um lindo fogão a lenha mineiro sempre aceso e dois bancos toscos, isso era tudo. Seu marido estava sentado num dos bancos perto da janela enrolando um cigarro com fumo de rolo, a cabeça baixa, na nossa frente, do outro lado da cozinha. D. Maria me pediu para ler o livro em voz alta. Li todos os poemas enquanto o fogo crepitava. Quando terminei, S. Elói se levantou e começou a gesticular e falar e tocava o coração querendo dizer a sua grande emoção e quase não conseguia. Era um homem rude, de mãos calosas e sempre sujas de terra. E ali experimentou algo que nunca havia sentido.
Diz Octavio Paz, no belo livro " A duas vozes", que "o poema promove a intensificação da experiência presente, é uma imersão em camadas mais profundas da temporalidade, nas quais já não há mais a distinção entre o passado, o presente e o futuro." Então, dentro do poema o tempo simplesmente É.Sem divisões. A experiência poética nos leva a um mergulho para dentro de nós mesmos e para dentro do tempo.
Eu tinha uma amiga camponesa em Mauá na minha juventude. Ela tinha a idade da minha mãe. Quando saiu meu livro Fruta no Ponto, levei para ela ver as imagens, ela não sabia ler. Sua cozinha tinha um lindo fogão a lenha mineiro sempre aceso e dois bancos toscos, isso era tudo. Seu marido estava sentado num dos bancos perto da janela enrolando um cigarro com fumo de rolo, a cabeça baixa, na nossa frente, do outro lado da cozinha. D. Maria me pediu para ler o livro em voz alta. Li todos os poemas enquanto o fogo crepitava. Quando terminei, S. Elói se levantou e começou a gesticular e falar e tocava o coração querendo dizer a sua grande emoção e quase não conseguia. Era um homem rude, de mãos calosas e sempre sujas de terra. E ali experimentou algo que nunca havia sentido.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
ARCO-IRIS
Sempre acordo cedo. A manhã estava linda com o céu bem tumultuado e cheio de nuvens. Parecia chover no mar. Mas eu não tinha mais nenhuma esperança de que fosse chover e já me conformava com a umidade sobre as plantas. E de repente a chuva . Sem sudoeste, que é o telegrama do mar. Durou meia hora mais ou menos a linda chuva. E veio o sol enquanto chovia e um arco-íris nasceu no mar.
domingo, 16 de fevereiro de 2014
AQUI E AGORA
Tenho uma deusa na minha vida. Fiz com ela algum tempo de terapia bio energética e ela me ensinou a meditar. Ela me ajudou a aceitar os limites físicos. Ela me passava dever de casa: exercícios de felicidade.
Estar aqui e agora é difícil para nós, ocidentais. A meditação ajuda. O passado é nosso tesouro de experiências, vivências, conhecimento. Mas podemos nos enredar em sua teia e ficar paralisados. O futuro não existe ainda e na verdade será sempre presente e passado. Então o que temos é o aqui e agora. Estar inteira em cada tarefa que faço tampouco é simples. Mas vale a pena o exercício diário.Levo muitos anos me exercitando. Quando conseguimos a paciência aumenta. Esperamos com mais doçura, menos irritação.Ter clareza do que necessitamos de verdade é , para mim, também, um dos caminhos para a felicidade.
Hoje desejo chuva. Ela não chegou a Saquarema. O mar está de ressaca, há uma névoa, mais umidade, mas de chuva nada. Eu a desejo "boa, prazenteira" .Acho que vou chorar quando chover. De felicidade.
Estar aqui e agora é difícil para nós, ocidentais. A meditação ajuda. O passado é nosso tesouro de experiências, vivências, conhecimento. Mas podemos nos enredar em sua teia e ficar paralisados. O futuro não existe ainda e na verdade será sempre presente e passado. Então o que temos é o aqui e agora. Estar inteira em cada tarefa que faço tampouco é simples. Mas vale a pena o exercício diário.Levo muitos anos me exercitando. Quando conseguimos a paciência aumenta. Esperamos com mais doçura, menos irritação.Ter clareza do que necessitamos de verdade é , para mim, também, um dos caminhos para a felicidade.
Hoje desejo chuva. Ela não chegou a Saquarema. O mar está de ressaca, há uma névoa, mais umidade, mas de chuva nada. Eu a desejo "boa, prazenteira" .Acho que vou chorar quando chover. De felicidade.
sábado, 15 de fevereiro de 2014
SÁBADO
Vinicius cantou o sábado. O sábado é sagrado para os judeus. Desde a minha adolescência que não cumpro nenhum rito religioso. Para mim o sagrado está no cotidiano sem diferenciar dias e horas. O sagrado se manifesta no meu amor pelo outro, na minha maneira de me relacionar com as pessoas, na minha maneira de criar harmonia e beleza ao me redor, mas quando era criança adorava ver a minha avó preparar o shabat, acender as velas para os seus mortos. Eu adorava a sua figua miúda, sempre rezando, sempre com um xale de renda cobrindo a cabeça de lindos cabelos brancos. Volta e meia ela volta, eu a vejo, fazia parte da minha infância.
Hoje é sábado e vamos comer com amigos , há sempre que celebrar a amizade, fonte inesgotável de água limpa.
Acordei às 3.30h da madrugada sem sono nenhum. Fui para o jardim totalmente iluminado pelo luar.
Hoje é sábado e vamos comer com amigos , há sempre que celebrar a amizade, fonte inesgotável de água limpa.
Acordei às 3.30h da madrugada sem sono nenhum. Fui para o jardim totalmente iluminado pelo luar.
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
TRES MULHERES
Ontem reli alguns relatos do Neruda em Confesso que Vivi.
Sou apaixonada perdidamente pela história das tres mulheres. Neruda foi convidado para uma festa da debulha do milho. E vai sozinho pelas cordilheiras A noite começa a cair e horrorizado ele se dá conta de que está perdido. Felizmente um índio cruza o seu caminho e ele explica a sua situação. O índio lhe indica uma trilha escondida que vai dar na casa de tres francesas madeireiras que vivem ali e são acolhedoras. Neruda consegue chegar e é recebido por uma linda senhora. Ao dizer que é estudante seu rosto se ilumina. As outras duas irmãs aparecem. A casa é feérica. Quando Neruda fala de Beaudelaire, elas explodem de felicidade. Uma criada índia avisa que o jantar está servido. A mesa, profusamente iluminada com velas, está repleta das mais maravilhosas iguarias, dos vinhos franceses mais esplendidos , guardados para ocasiões especiais, suas garrafas empoeiradas, como qualquer tesouro que se preze. Elas contam que para cada visitante que receberam fizeram um cardápio diferente nos 30 anos que já se passaram ali, naquele fim de mundo.
Neruda dorme dentro de um sonho e ao acordar um pouco antes do amanhecer sai sem se despedir. Tinha medo de quebrar o encantamento.
Sou apaixonada perdidamente pela história das tres mulheres. Neruda foi convidado para uma festa da debulha do milho. E vai sozinho pelas cordilheiras A noite começa a cair e horrorizado ele se dá conta de que está perdido. Felizmente um índio cruza o seu caminho e ele explica a sua situação. O índio lhe indica uma trilha escondida que vai dar na casa de tres francesas madeireiras que vivem ali e são acolhedoras. Neruda consegue chegar e é recebido por uma linda senhora. Ao dizer que é estudante seu rosto se ilumina. As outras duas irmãs aparecem. A casa é feérica. Quando Neruda fala de Beaudelaire, elas explodem de felicidade. Uma criada índia avisa que o jantar está servido. A mesa, profusamente iluminada com velas, está repleta das mais maravilhosas iguarias, dos vinhos franceses mais esplendidos , guardados para ocasiões especiais, suas garrafas empoeiradas, como qualquer tesouro que se preze. Elas contam que para cada visitante que receberam fizeram um cardápio diferente nos 30 anos que já se passaram ali, naquele fim de mundo.
Neruda dorme dentro de um sonho e ao acordar um pouco antes do amanhecer sai sem se despedir. Tinha medo de quebrar o encantamento.
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
DÁDIVAS
A vida é feita de tantas dádivas. Hoje fui até a Vila de Saquarema fazer algumas coisas. Fui ao cartório reconhecer a firma do contrato do meu novo livro com a ed. Moderna. Com o braço direito enfaixado até quase o cotovelo e na tipoia. Todos perguntam o que houve e me desejam melhoras. Idem no correio. E no bar onde me sentei para tomar café de frente para a lagoa. Saboreio o azul do dia e da lagoa junto com o café. Bebo com os olhos o verde das árvores e na volta para casa flamboaiãs floridos incendeiam de beleza meus pensamentos. O táxi, ao entrar na rua do mar me oferece o mar. Viver é bom e como disse Freud num texto maravilhoso que li (não me lembro do título) a nossa mortalidade, sermos finitos, deve fazer com que a vida seja muito preciosa, pois um dia ela acaba.
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
LINDA IDEIA
Li e vi no facebook uma ideia belíssima. Crianças lendo para gatos. A relação das crianças com os animais é de igual para igual. Crianças que amam os animais possuem uma grande chance de lidar melhor com o outro,com o diferente. Os bichinhos são um exercício de amor. E são grandes mestres.
A ideia de crianças lendo para gatos é absolutamente deliciosa. Com certeza gatos gostam de histórias.
A ideia de crianças lendo para gatos é absolutamente deliciosa. Com certeza gatos gostam de histórias.
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
GUERRA
Juan, meu marido jornalista me conta: 52.000 pessoas são assassinadas por ano no Brasil. A maioria negros, jovens e pobres. Trata-se de uma guerra civil. O primeiro jornalista é morto numa manifestação. Jornalistas não são respeitados no Brasil. A imprensa livre incomoda. A polícia no Brasil mata. Os índices de violência são assustadores. A corrupção é avassaladora. A corrupção mata. Há uma sensação generalizada de insegurança. É tudo muito triste.
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
TECNOLOGIA
Antigamente escrevia a mão. Depois passava a limpo na máquina de escrever, uma Ollivetti vermelha que eu amava. Agora não consigo mais escrever a mão, é muito raro que eu o faça. Mas para mim a tela do computador continua sendo o papel em branco.
Não gosto de ler no computador, na verdade , não suporto, fico irritada, perco a paciência. Preciso do livro no papel.
Não tenho agenda no celular. Gosto de escrever a mão os nomes das pessoas. Gosto do meu caderno de telefone de papel reciclado, meio áspero. Dá um trabalho danado, não tem lógica, mas o que posso fazer?
Há uma overdose de fotos. Não tiro fotos, enjoei.
Não tenho internet no telefone, odeio.
Acho que estou virando elefante.
Não gosto de ler no computador, na verdade , não suporto, fico irritada, perco a paciência. Preciso do livro no papel.
Não tenho agenda no celular. Gosto de escrever a mão os nomes das pessoas. Gosto do meu caderno de telefone de papel reciclado, meio áspero. Dá um trabalho danado, não tem lógica, mas o que posso fazer?
Há uma overdose de fotos. Não tiro fotos, enjoei.
Não tenho internet no telefone, odeio.
Acho que estou virando elefante.
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
A PALAVRA
A palavra é a nossa matéria prima, nosso osso, cimento, pedra, com que construímos mundos e emoções. Uma palavra de desdobra em outra, em outra, uma palavra nunca se esgota, ela sempre nos remete a alguma outra coisa, num jogo quase infinito, se quero voar.
E amo este poema do Drummond:
A PALAVRA MÁGICA
Certa palavra dorme na sombra
de um livro raro.
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo, vu pocurá-la.
Vou procurá-la a vida inteiera
no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
procuro sempre.
Procuro sempre, e minha procura
ficará sendo
minha palavra.
E amo este poema do Drummond:
A PALAVRA MÁGICA
Certa palavra dorme na sombra
de um livro raro.
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo, vu pocurá-la.
Vou procurá-la a vida inteiera
no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
procuro sempre.
Procuro sempre, e minha procura
ficará sendo
minha palavra.
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
ANJOS
Adoro a figura dos anjos desde criança. Porque são lindos, são etéreos, voam, são mensageiros de alegria.Amo os poetas que escrevem sobre os anjos, Rafael Alberti, Rilke."Quem se eu gritasse, entre a Legião dos Anjos me ouviria"? pergunta o poeta em Elegias de Duíno. Todas as vezes em que gritei, um anjo me ouviu.Todas as vezes em que gritei um anjo me ouviu, disfarçado de humano.
Cada um de nós é o anjo de alguém.
Juan é meu anjo. Ele me acolhe, me aceita, participa das minhas maluquices, me protege.
Quem é o teu anjo?
Cada um de nós é o anjo de alguém.
Juan é meu anjo. Ele me acolhe, me aceita, participa das minhas maluquices, me protege.
Quem é o teu anjo?
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
FANTASMAS
Ontem , na aula de Pilates, um senhor nos contou:
Estava numa pequenina cidade em Portugal, num castelo que se transformara em Pousada. A gente sabe que na Europa, basta virar a esquina do tempo e já se passaram 800 anos para trás. O castelo era muito, muito antigo.
No meio da sua última noite ele acordou com uma luz violeta, uma luz mortiça no quarto. Olhou para o lustre e não havia nenhuma luz acesa. Para a lâmpada de cabeceira: apagada. Sua mulher dormia profundamente. Olhou para o fundo do quarto e viu pessoas como sombras que se moviam. Tentou olhar para seus rostos e não era possível. Como se os rostos estivessem apagados. Só via os corpos. Quis chamar sua mulher e a voz não lhe saía da garganta. Depois de um tempo paralisado conseguiu acender a luz e tudo desapareceu.
Débora, nossa professora, não acredita em fantasmas , então disse que certamente havia sido uma sugestão. Eu acredito em tudo o que existe e em tudo o que não existe . E adorei a história.
Estava numa pequenina cidade em Portugal, num castelo que se transformara em Pousada. A gente sabe que na Europa, basta virar a esquina do tempo e já se passaram 800 anos para trás. O castelo era muito, muito antigo.
No meio da sua última noite ele acordou com uma luz violeta, uma luz mortiça no quarto. Olhou para o lustre e não havia nenhuma luz acesa. Para a lâmpada de cabeceira: apagada. Sua mulher dormia profundamente. Olhou para o fundo do quarto e viu pessoas como sombras que se moviam. Tentou olhar para seus rostos e não era possível. Como se os rostos estivessem apagados. Só via os corpos. Quis chamar sua mulher e a voz não lhe saía da garganta. Depois de um tempo paralisado conseguiu acender a luz e tudo desapareceu.
Débora, nossa professora, não acredita em fantasmas , então disse que certamente havia sido uma sugestão. Eu acredito em tudo o que existe e em tudo o que não existe . E adorei a história.
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
MOINHO DO MUNDO
Apesar da gente ter a sensação de que a vida começa na segunda-feira com o moinho do mundo voltando a funcionar depois do final de semana, a morte não tira férias, só no livro do Saramago mesmo, "As Intermitências da Morte". Morreu Eduardo Coutinho e eu tinha visto não faz muito tempo o seu belíssimo "Edifício Master". E morreu Philip Seymour Hoffman, ator do maravilhoso "Capote". O cinema fica órfão de dois monstros. As duas mortes foram tristíssimas, uma dor que dá na gente. Amo o filme "Ninguém é perfeito".
sábado, 1 de fevereiro de 2014
CAFÉ COM PÃO E TEXTO
Hoje o Instituto Paulo Montenegro e a Ong Ação Educativa , no jornal O GLOBO, nos dizem que 38% dos estudantes universitários são analfabetos funcionais, são pessoas que não compreendem um texto.São alunos que já passaram pelo Ensino Fundamental e Segundo Grau. Isso quer dizer falta de leitura, falta de literatura. As Rodas de Leitura teriam que ser obrigatórias em todas as escolas. A escola teria que formar seres pensantes. O pensamento também é um hábito. Questionar, olhar as coisas sob vários pontos de vista, saber ler o que não foi dito explicitamente, buscar nas entrelinhas, isso faz parte da formação de um leitor. E também a paixão pelas palavras, a paixão pela maneira com que um texto fala.
Por isso estou tão feliz com o meu recomeço: dia 13 próximo receberei em minha casa 40 jovens para um "Café com Pão e Texto". Vou ler um conto do meu livro Pequenos Contos de Leves Assombros que está à venda na Amazon, é meu primeiro livro apenas digital. Como as jovens fazem parte do coral Escola que Canta, do Maestro Moisés, são alunas de três escolas de Saquarema, no final, antes do café com pão, o coral vai cantar, ou depois do café, não sei, vai depender da fome.
Aguardo a próxima escola que se aventure para o mês de abril.
Por isso estou tão feliz com o meu recomeço: dia 13 próximo receberei em minha casa 40 jovens para um "Café com Pão e Texto". Vou ler um conto do meu livro Pequenos Contos de Leves Assombros que está à venda na Amazon, é meu primeiro livro apenas digital. Como as jovens fazem parte do coral Escola que Canta, do Maestro Moisés, são alunas de três escolas de Saquarema, no final, antes do café com pão, o coral vai cantar, ou depois do café, não sei, vai depender da fome.
Aguardo a próxima escola que se aventure para o mês de abril.
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
CONVITE
Durante dois anos rcebi em minha casa, em Saquarema , alunos e professores para um Café da Manhã Literário. Era uma das maiores alegrias da minha vida. Infelizmente a atividade acabou e eu fiquei órfã dos meus cafés e da presença maravilhosa das crianças e adolescentes.
Pensei muito e decidi convidar as escolas que estiverem por perto e que possam se locomover até a minha casa para reiniciarmos esta atividade regularmente, uma vez por mês. Já recebi escolas de Duque de Caxias e de Nova Iguaçu e foi maravilhoso.
Fica então o convite. Os interessados podem fazer contato comigo através do facebook para marcarmos uma data e preciso de todos os dados da escola.
Pensei muito e decidi convidar as escolas que estiverem por perto e que possam se locomover até a minha casa para reiniciarmos esta atividade regularmente, uma vez por mês. Já recebi escolas de Duque de Caxias e de Nova Iguaçu e foi maravilhoso.
Fica então o convite. Os interessados podem fazer contato comigo através do facebook para marcarmos uma data e preciso de todos os dados da escola.
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
PARA PENSAR
Tenho 63 anos. Impossível apagar as marcas da minha vida. Já tive que fazer tantas cirurgias por motivos sérios, que quase me benzo quando passo pela porta de um hospital.
Na época da minha mãe, as mulheres simplesmente envelheciam. No máximo pintavam o cabelo. O que faz com que nós mulheres tenhamos que perseguir a forma perfeita, a juventude eterna? Os padrões de beleza são inventados pelas indústrias da moda e dos cosméticos. Peço paz e saúde em meu envelhecimento. Cada dia é único e é menos um dia na minha vida, por isso tenho que viver consciente do tesouro que tenho. Claro, quero ser uma velhinha bem bonitinha e agradável aos olhos alheios e ao meu próprio espelho, mas não devemos nos mutilar para atingir um ideal imaginário.Quantas mulheres morrem ao fazer uma cirurgia plástica! Cada vez que desobedecemos a um padrão imposto ganhamos um voo maior.
Quero sim, ficar cada vez mais intuitiva, mais sensível, quero ler cada vez mais, quero escrever cada vez melhor. Quero cada vez mais receber meus amigos com alegria . E nunca me esquecer de agradecer a dádiva de estar viva.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
MAUÁ COM INTERNET
O Babel Restaurante do meu filho, a 150 metros da minha casinha do bosque, agora tem internet. Desde domingo. Uma grande surpresa para mim, o que facilita a minha vida e muito, para qualquer mensagem tudo era tão complicado.
Já sei que talvez vá a Friburgo fazer um encontro. Não quero mais viajar para longe, minha coluna sofre muito e depois me manda uma conta alta.
Estou em Visconde de Mauá desde o dia 16 e já perdi a noção do tempo completamente. Vim com a Mariana, minha grande leitora que mora em São Paulo e apesar da grande diferença de idade, somos muito amigas. Meditamos juntas. Estou tão feliz que nem sei o que escrever, é felicidade em estado puro. Amo o barulhinho do rio ao lado da minha casinha, amo cada segundo do dia , amo a mata e suas vidas e todos os tons de verde. Hoje o lagarto teiú voltou e eu fiquei radiante, ele mora dentro de um grande canteiro de hortênsias, num buraco . Ano passado era meu companheiro e havia sumido.
Por outro lado, os esquilos estão de férias, não os vi nenhuma vez. Eles moram numa árvore imensa na frente da varanda. Já os jacus são tão íntimos, chegam quase até a porta da casinha.
Hoje minha irmã Evelyn Kligerman faz dois anos de casada e viemos almoçar no BABEL. Um delírio absoluto. E agora vou para a casinha ler. O paraíso foi inventado aqui.
Já sei que talvez vá a Friburgo fazer um encontro. Não quero mais viajar para longe, minha coluna sofre muito e depois me manda uma conta alta.
Estou em Visconde de Mauá desde o dia 16 e já perdi a noção do tempo completamente. Vim com a Mariana, minha grande leitora que mora em São Paulo e apesar da grande diferença de idade, somos muito amigas. Meditamos juntas. Estou tão feliz que nem sei o que escrever, é felicidade em estado puro. Amo o barulhinho do rio ao lado da minha casinha, amo cada segundo do dia , amo a mata e suas vidas e todos os tons de verde. Hoje o lagarto teiú voltou e eu fiquei radiante, ele mora dentro de um grande canteiro de hortênsias, num buraco . Ano passado era meu companheiro e havia sumido.
Por outro lado, os esquilos estão de férias, não os vi nenhuma vez. Eles moram numa árvore imensa na frente da varanda. Já os jacus são tão íntimos, chegam quase até a porta da casinha.
Hoje minha irmã Evelyn Kligerman faz dois anos de casada e viemos almoçar no BABEL. Um delírio absoluto. E agora vou para a casinha ler. O paraíso foi inventado aqui.
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
CAFÉ DA MANHÃ
O café da manhã é a minha hora mais preciosa. Ainda está bem fresco, pois acordo muito cedo e o dia amanhecendo é de tirar o fôlego. Eu e Juan conversamos um pouco sobre tudo. Quem acorda primeiro faz o café primeiro. Quando meus caseiros chegam encontram uma linda mesa posta para eles, às vezes ainda estamos na mesa conversando. Às vezes desço para fazer companhia quando já estou aqui em cima , no estúdio trabalhando e Juan já está andando. Eles são nossos amigos e colaboradores . Participamos da vida deles e Juan os levou ao Cristo, ao Pão de Açúcar, ao Rio Sul, ao Museu de Niterói, ao Jardim Botânico e às vezes vão a Mauá e os colocamos numa pousadinha bem camponesa perto do sitio.Eles se sentem incluídos. Inclusão é o que falta no Brasil, oportunidade para todos. Quando a auto estima está alta, o ser humano fica forte e consegue sempre ir além. Um primeiro passo foi dado com a Bolsa Família, mas uma professora me relata que às vezes alunos vão para a escola desinteressados completamente de tudo,apenas para não perder o que recebem.A Bolsa deveria exigir boas notas, como qualquer bolsa. Para que possam libertar-se da ajuda num futuro próximo. Mas agora, com o rolezinho, estamos vendo que os jovens querem mais, querem um espaço digno, com os mesmos direitos que os outros, que não são da periferia. Aqui em Saquarema observo o seguinte: a classe média não anda de ônibus , então, com uma passagem custando 2,80, é oferecido um ônibus cheio, com muitas janelas travadas neste calor, sem ar condicionado, viaja-se sem nenhuma dignidade. E se fosse a classe média alta que estivesse andando de ônibus? Todo o tempo vejo os menos favorecidos serem muito maltratados. Estamos a séculos luz de alguma igualdade .
Hoje viajo. Escreverei quando estiver em algum lugar com internet, pois na montanha , na minha casinha do bosque, não pega nem celular. Até.
Hoje viajo. Escreverei quando estiver em algum lugar com internet, pois na montanha , na minha casinha do bosque, não pega nem celular. Até.
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
ORAÇÃO
Regina Campana me conta que usa meu poema Oração, (que escrevi para um espetáculo do José Mauro Brant, escrevi em sua casa, para o lindo espetáculo de canções de ninar que montou), em todos os lugares. Já soube que o poema é lido em hospitais, presídios, fico muito emocionada!
Oração
A todos os ventos eu peço coragem.
A cada estrela, estrada.
Ao mar que não morre nunca, eu peço coragem.
E ao sol e à lua e a todo firmamento.
A cada pássaro, a cada pedra, a cada bicho da terra e do ar.
Peço coragem a tudo o que vive agora e ainda viverá.
Coragem para cavalgar os dias, navegar nas horas
E a cada minuto e segundo sonhar.
Oração
A todos os ventos eu peço coragem.
A cada estrela, estrada.
Ao mar que não morre nunca, eu peço coragem.
E ao sol e à lua e a todo firmamento.
A cada pássaro, a cada pedra, a cada bicho da terra e do ar.
Peço coragem a tudo o que vive agora e ainda viverá.
Coragem para cavalgar os dias, navegar nas horas
E a cada minuto e segundo sonhar.
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
PARA MUDAR O MUNDO
Um post no facebook me diz: Não fique calma. Mude o mundo.
Como não se desesperar com todas as cenas de fome, guerra, violência, injustiças que vemos e lemos diariamente? A questão é : O que posso fazer?
Posso ter esperança, pois o mundo já foi pior. Pouco a pouco se vai tomando consciência de muitas coisas. Mas a guerra é lucrativa e não vivemos imersos numa cultura de paz. Os filmes violentos prevalecem, os jogos violentos também. Mas eu posso, além de ter esperança, esticar os braços para os lados e para cima. E este pequeno espaço que me pertence posso mudar. Posso fazer alguma coisa por alguém, mudar alguma vida para melhor. Posso respeitar o outro, pisar com cuidado para não machucar seu coração. Ás vezes sou bruta e impaciente, tento melhorar. Então, ao invés de reservar uma passagem para Marte, eu tento sempre ter esperança. Os ditadores e os que amam a guerra não são eternos. O ser humano é o pior predador do nosso planeta, mas existem pessoas maravilhosas, doadoras, cuidadoras, incríveis. E o ser humano faz arte, cria beleza.
Como não se desesperar com todas as cenas de fome, guerra, violência, injustiças que vemos e lemos diariamente? A questão é : O que posso fazer?
Posso ter esperança, pois o mundo já foi pior. Pouco a pouco se vai tomando consciência de muitas coisas. Mas a guerra é lucrativa e não vivemos imersos numa cultura de paz. Os filmes violentos prevalecem, os jogos violentos também. Mas eu posso, além de ter esperança, esticar os braços para os lados e para cima. E este pequeno espaço que me pertence posso mudar. Posso fazer alguma coisa por alguém, mudar alguma vida para melhor. Posso respeitar o outro, pisar com cuidado para não machucar seu coração. Ás vezes sou bruta e impaciente, tento melhorar. Então, ao invés de reservar uma passagem para Marte, eu tento sempre ter esperança. Os ditadores e os que amam a guerra não são eternos. O ser humano é o pior predador do nosso planeta, mas existem pessoas maravilhosas, doadoras, cuidadoras, incríveis. E o ser humano faz arte, cria beleza.
domingo, 12 de janeiro de 2014
ALGUÉM PARA CORRER COMIGO
Acabei ontem de ler pela segunda vez o livro Alguém Para Correr Comigo, de David Grossman, Cia das Letras, que será discutido no nosso encontro do Clube de Leitura da Casa Amarela dia 22 de fevereiro. Gostei ainda mais do que da primeira vez. Segundas leituras são maravilhosas pois nos aproximamos do texto de uma outra maneira. E como um arquiteto quando olha uma casa, percebemos todos os andaimes que foram utilizados, a estrutura para amarrar aquilo tudo.Que coisa magnífica deve ser escrever um romance, eu, que sou poeta e às vezes me atrevo a escrever uns contos curtíssimos, não tenho nenhum fôlego para narrativas longas e minha admiração por estes construtores de histórias e vidas é imensa.
Ontem vi um documentário belíssimo na TV 5 sobre a Mongólia. Todos os aspectos do país foram mostrados, a Mongólia está em pleno desenvolvimento e sua cultura milenar, a dos nômades, talvez em breve acabe, pois os filhos dos nômades já querem estudar nas universidades, ir para as cidades. E me apaixonei por um gato da Mongólia, lindo de morrer, um gato selvagem, totalmente peludo por causa da neve e do gelo e que infelizmente foi caçado e morto e meu coração se partiu, desliguei a TV antes do documentário acabar.
Ontem vi um documentário belíssimo na TV 5 sobre a Mongólia. Todos os aspectos do país foram mostrados, a Mongólia está em pleno desenvolvimento e sua cultura milenar, a dos nômades, talvez em breve acabe, pois os filhos dos nômades já querem estudar nas universidades, ir para as cidades. E me apaixonei por um gato da Mongólia, lindo de morrer, um gato selvagem, totalmente peludo por causa da neve e do gelo e que infelizmente foi caçado e morto e meu coração se partiu, desliguei a TV antes do documentário acabar.
sábado, 11 de janeiro de 2014
VERDADE
O que é a verdade? Ela existe? Ou é um ponto de vista?
JOGO DA VERDADE
A verdade é um labirinto.
Se digo a verdade inteira,
se digo tudo o que penso,
se digo com todas as letras,
com todos os pingos nos is,
seria um deus-nos-acuda,
entraria um sudeste
pela janela da sala.
Então eu digo
a verdade possível,
e o resto guardo
a sete chaves
no meu cofre de silêncios.
in Pêra, Uva ou Maçã, ed Scipione.
JOGO DA VERDADE
A verdade é um labirinto.
Se digo a verdade inteira,
se digo tudo o que penso,
se digo com todas as letras,
com todos os pingos nos is,
seria um deus-nos-acuda,
entraria um sudeste
pela janela da sala.
Então eu digo
a verdade possível,
e o resto guardo
a sete chaves
no meu cofre de silêncios.
in Pêra, Uva ou Maçã, ed Scipione.
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
VISITA
Recebi a visita de uma professora de Xerem, Duque de Caxias, que adoro. Ela fazia parte do Clube de Leitura, fugiu, mas agora vai voltar, a Andrea de Souza.
O entusiasmo com que fala dos seus meninos e meninas, a sua paixão, como os seus olhos brilham, foi um grande presente receber tudo isso.
É uma comunidade muito pobre, ela me diz e a escola não tem internet. Então ela os seduz com livros. Saiu daqui de casa abarrotada de livros que mandei de presente.
Foi uma manhã esplêndida. Eu cozinhava enquanto ela ia me contando seus projetos. Que esta chama nunca se apague, Andrea de Souza!
O entusiasmo com que fala dos seus meninos e meninas, a sua paixão, como os seus olhos brilham, foi um grande presente receber tudo isso.
É uma comunidade muito pobre, ela me diz e a escola não tem internet. Então ela os seduz com livros. Saiu daqui de casa abarrotada de livros que mandei de presente.
Foi uma manhã esplêndida. Eu cozinhava enquanto ela ia me contando seus projetos. Que esta chama nunca se apague, Andrea de Souza!
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
AVISO
Abro o computador e o Google me avisa: hoje Simone de Beauvoir faria 106 anos.
Algumas mulheres foram fundamentais para dar dignidade a muitas mulheres. Quando tinha uns 15 anos li O Segundo Sexo. Não devo ter entendido quase nada, mas minha mãe sempre trabalhou fora de casa e era uma mulher forte, nem um pouco submissa. Na verdade, ela levava a casa, as contas e meu pai obedecia.
Mas devemos pensar nas mulheres que ainda estão acorrentadas, que são obrigadas, como em muitos países, a sofrer todo tipo de humilhação, nas mulheres que sofrem violência física, nas estupradas, nas que trabalham tanto quanto os homens e ganham muito menos, nas que trabalham fora de casa e ainda fazem todo o trabalho da casa, nas que são vendidas, traficadas. Se Simone de Beauvoir fosse viva continuaria lutando pelas mulheres.
Algumas mulheres foram fundamentais para dar dignidade a muitas mulheres. Quando tinha uns 15 anos li O Segundo Sexo. Não devo ter entendido quase nada, mas minha mãe sempre trabalhou fora de casa e era uma mulher forte, nem um pouco submissa. Na verdade, ela levava a casa, as contas e meu pai obedecia.
Mas devemos pensar nas mulheres que ainda estão acorrentadas, que são obrigadas, como em muitos países, a sofrer todo tipo de humilhação, nas mulheres que sofrem violência física, nas estupradas, nas que trabalham tanto quanto os homens e ganham muito menos, nas que trabalham fora de casa e ainda fazem todo o trabalho da casa, nas que são vendidas, traficadas. Se Simone de Beauvoir fosse viva continuaria lutando pelas mulheres.
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
NETOS
Gabriela fará dois meses dia 12. Na última vez em que estivemos juntas, no Natal, ela mal abria os olhos. Ontem recebi uma foto nova. Gabriela de olhos bem abertos, já olhando o mundo com assombro e bastante diferente , com ares de mocinha. É por este motivo que semana que vem arrumo novamente meu tapete voador para aterrissar no sítio em Mauá. Não quero perder suas transformações intensas. Quero guardar os primeiros sorrisos da minha neta.
Luis, meu neto de 4 anos, totalmente bilingue me diz:
-Vovó, quando você fala espanhol eu entendo, mas você fala mal. Quase engasguei.
Luis passou uma semana aqui em casa com seu amigo Igor, neto da Vanda, nossa caseira. O amor dos dois é comovente. Na despedida Luis chorou muito e dizia:
-Estou muito triste, muito triste, estou chateado. E chorava baixinho, as lágrimas escorriam.
Temos um encontro marcado, na sua casa da árvore. Em abril levaremos o Igor, já está prometido.
Luis, meu neto de 4 anos, totalmente bilingue me diz:
-Vovó, quando você fala espanhol eu entendo, mas você fala mal. Quase engasguei.
Luis passou uma semana aqui em casa com seu amigo Igor, neto da Vanda, nossa caseira. O amor dos dois é comovente. Na despedida Luis chorou muito e dizia:
-Estou muito triste, muito triste, estou chateado. E chorava baixinho, as lágrimas escorriam.
Temos um encontro marcado, na sua casa da árvore. Em abril levaremos o Igor, já está prometido.
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
PRESENTE
A temperatura ontem e hoje aqui na minha casa em Saquarema , trouxe um presente inesperado: há um vento suave e fresco na beira do mar e a pele não é mais um polvo pegajoso e eu renasço e posso trabalhar. Aquela onda de calor terrível deu uma trégua.Tenho dois livros em andamento e acima dos 32 graus não consigo pensar nem escrever, mal posso respirar ou ler. Eu e meu marido temos uma grande incompatibilidade meteorológica, enquanto ele ama o calor de paixão perdida, eu amo o frio. Eu ligo o ventilador e ele desliga. Eu abro a janela e ele fecha. Estou de camiseta e ele de manga comprida. Eu quase desmaio acima dos 30 graus e ele pula de alegria. E assim vamos vivendo até o final do verão .
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
UMA CRIANÇA NO CORAÇÃO
Apadrinhei ou amadrinhei uma criança em Moçambique pela ActionAid. Eles escolheram o país e me mandaram a foto . É uma menina, ela é linda e se chama Amissina. Tem 5 anos. Usa uma roupa africana: saia verde estampada e blusa com aqueles padrões africanos bem coloridos. Está descalça. Num primeiro plano vejo lixo no chão. Um pouco mais longe vejo uns telhados de sapê e três árvores. Meu coração se enche de amor. Enviarei um livro para que ela veja as ilustrações e minha foto também. Sua comunidade é muito pobre e espero que alguém possa ler meus poemas para Amissina.
domingo, 5 de janeiro de 2014
JANEIRO
Janeiro é um barco azul e quente (aqui em Saquarema). No último dia do ano fizemos promessas, balanços, traçamos metas. Vamos fiando a vida , pensando que somos capitães, mas às vezes é a vida quem nos fia em sua roca que pode nos espetar, como no conto da Bela Adormecida. Melhor que tentar controlar a vida é soltar a alma e o corpo. A partitura vai se desenhando. Há que fazer sempre o melhor possível, isso sim e com amor e alegria.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
GAIVOTAS
Depois de um temporal de madrugada o céu está lavado e limpo e penduradas no vento gaivotas dançam. Meu corpo gostaria de se livrar de seu peso e flutuar como as gaivotas por uma rota assim toda azul. Em alguns momentos especiais criamos asas. Que este ano que começa nos deixe voar.
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
SOL E FELICIDADE
A casa está cheia. Sobrinhos do meu marido vieram da Espanha com seus filhos e meu filho, sua mulher , meu neto. O sol se derrama pela casa e de longe escuto vozes de criança na praia. Estão todos na praia e da cozinha cheiros maravilhosos sobem até o estúdio onde trabalhamos. Então, embora eu não goste de calor, sol e felicidade se entrelaçam. Amanhã é o último dia do ano mas no dia primeiro de janeiro de 2014, tudo continuará igual: nossa construção diária do cotidiano, da harmonia entre todos os que amamos, das pequenas felicidades que são como borboletas em trânsito, há que sorvê-las.
domingo, 29 de dezembro de 2013
EM SAQUAREMA OUTRA VEZ
Aqui estou , em Saquarema outra vez. Sair da montanha , sem internet, sem telefone na minha casinha, é passar de um planeta para outro. Lá, o mercadinho mais perto está a 3km da casa. Sendo assim há que pensar bem nas compras porque não basta ir até a esquina. Passamos dias lindíssimos com filhos e netos e sobrinhos que vieram da Espanha. Passamos meu aniversário com um almoço num hotel tradicional , o primeiro de Mauá, O Hotel Buller. Há no Hotel um museu da memória de Mauá e é emocionante. Foram muitas vivências cheias de emoção. E chego e o mar já me invade com seu cheiro maravilhoso mas o calor é grande e eu na verdade não gosto de calor. Mas minha sobrinha espanhola me pergunta: _você não tem um leque? Digo que sim , mas não me lembro de usar, não tenho a cultura do leque. E ela me diz: _ pois todas nós, mulheres, na Andaluzia usamos. E passo a usar meu belíssimo leque espanhol, que todo feliz, radiante, me diz vento.
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
ENCONTRO EM DUQUE DE CAXIAS
Foi lindíssimo ontem o encontro em Duque de Caxias. Encontros. Roger Mello e Carolina, minha editora da Rovelle, José Prado, Andrea do nosso Clube de Leitura e conheci Fábio Sombra.
Crianças e adolescentes fizeram apresentações que comoveram a todos. Regina Crivano , que na chegada nos levou a um restaurante ótimo, estava brilhando, radiante. Arnaldo, o taxista que me levou , e depois me trouxe até Resende, disse que nunca teve um dia melhor nas ua vida de taxista.
E uma escola de Caxias já vai agendar um dia na minha casa em Saquarema em janeiro.
Depois do almoço vou para Mauá. Chove muito aqui em Resende e soube que ontem o Rio ficou debaixo da água. É muito triste.Espero que todos os cariocas , amigos do face , estejam bem.
Crianças e adolescentes fizeram apresentações que comoveram a todos. Regina Crivano , que na chegada nos levou a um restaurante ótimo, estava brilhando, radiante. Arnaldo, o taxista que me levou , e depois me trouxe até Resende, disse que nunca teve um dia melhor nas ua vida de taxista.
E uma escola de Caxias já vai agendar um dia na minha casa em Saquarema em janeiro.
Depois do almoço vou para Mauá. Chove muito aqui em Resende e soube que ontem o Rio ficou debaixo da água. É muito triste.Espero que todos os cariocas , amigos do face , estejam bem.
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
AUSÊCIA
Vou agora cedinho para Duque de Caxias, um Encontro de Leitura e de lá vou para Resende e amanhã para Mauá. Na minha casinha da montanha não tenho internet, portanto ficarei ausente por um tempo. Escreverei quando puder, quando for até o ateliê da minha irmã, pois lá sim, há internet.
Não se esqueçam de mim!
E para me despedir , mais um poema do livro Rios de Alegria:
Alfabeto
É muito útil estudar
o alfabeto das flores miúdas
esquecidas na beira dos caminhos.
Pequenas florezinhas amarelas
como mensagens perdidas.
Elas dizem sim à vida, ao Sol,
à chuva, sim ao amor que nasce
todos os dias, invisível,
e com sua luz ilumina a Terra.
Não se esqueçam de mim!
E para me despedir , mais um poema do livro Rios de Alegria:
Alfabeto
É muito útil estudar
o alfabeto das flores miúdas
esquecidas na beira dos caminhos.
Pequenas florezinhas amarelas
como mensagens perdidas.
Elas dizem sim à vida, ao Sol,
à chuva, sim ao amor que nasce
todos os dias, invisível,
e com sua luz ilumina a Terra.
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
RIOS DA ALEGRIA
Ainda do meu livro Rios da Alegria da ed. Moderna:
FELICIDADES
Pequenas felicidades
passeiam por nossos dias
como joaninhas na palma
da mão,
como um desenho de orquídea
trazido pelo vento.
Para não desperdiçá-las
há que estar sempre atento,
caminhar vagarosamente
pelos contornos da tarde,
encher os bolsos com a areia
dourada do tempo.
Amanhã viajo bem cedinho, vou para Duque de Caxias e de lá para Resende-Mauá ao encontro dos meus filhos e netos.
FELICIDADES
Pequenas felicidades
passeiam por nossos dias
como joaninhas na palma
da mão,
como um desenho de orquídea
trazido pelo vento.
Para não desperdiçá-las
há que estar sempre atento,
caminhar vagarosamente
pelos contornos da tarde,
encher os bolsos com a areia
dourada do tempo.
Amanhã viajo bem cedinho, vou para Duque de Caxias e de lá para Resende-Mauá ao encontro dos meus filhos e netos.
domingo, 8 de dezembro de 2013
TRIBO
Uma vez, numa conferência do Saramago estava presente, ele disse que no mundo há uma tribo da sensibilidade e essa tribo se reconhece sempre. Achei a ideia linda e fiaz um poema que está no livro Rios da Alegria, ed. Moderna:
TRIBO
Há uma tribo que sonha
e nunca esqueceu as asas.
E acredita em coisas simokes,
sol, pão, chuva, beijo, lua.
E mesmo quando o sangue
tinge as tardes e os rios,
e as palavras se transformam
em veneno, pedras e facas,
alimenta as sementes da esperança
com lágrimas e pequenos gestos limpos
para que virem árvore.
TRIBO
Há uma tribo que sonha
e nunca esqueceu as asas.
E acredita em coisas simokes,
sol, pão, chuva, beijo, lua.
E mesmo quando o sangue
tinge as tardes e os rios,
e as palavras se transformam
em veneno, pedras e facas,
alimenta as sementes da esperança
com lágrimas e pequenos gestos limpos
para que virem árvore.
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
MERGULHO
Dizem que um mês antes do aniversário a gente entra num inferno astral, não sei bem o que isso quer dizer, mas neste dezembro mergulhei profundamente para dentro , refiz percursos da minha vida, senti falta de amigos que se foram, senti falta dos pais. De certa maneira fiz uma viagem sujeita a ventos e tempestades. Saber o que realmente é vital para mim, o que realmente quero, é muito importante para que eu não mande sinais trocados para o Universo. Quero todos os meses passar uns 10 dias na minha casinha da montanha, perto dos netos e filhos. Quero viajar menos a trabalho e que meus filhos Guga Murray e Patricia de Arias levem o Livro-Concerto que tão maravilhosamente fazem juntos, em meu lugar. Quero cada vez mais consumir menos e chegar o mais perto possível do essencial.
E Nelson Mandela nos deixa órfãos de paz e beleza.
E Nelson Mandela nos deixa órfãos de paz e beleza.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
HUMANOS
Ossos de 400.000 anos nos falam de outros humanos que não são os neandertais. Muitos humanos, diferente de nós, de uma maneira que nunca saberemos, habitaram este planeta e desapareceram deixando-nos em nossa solidão barulhenta e destruidora. Por que sobrevivemnos e os outros não? Será que por sermos tão violentos? Fantasio: eles, os outros, eram mais dóceis, mais compassivos, menis assassinos e então se foram , deixando para os cientistas um quebra-cabeças de DNAS. Imagino um grupo destes outros, reunidos, contando histórias dentro da noite escura e perigosa. Não sei se já havia fogo, sou muito ignorante, mas se houvesse, a fogueira estaria acesa, e uma mãe tão jovem amamentaria o seu bebê, sem saber que sua espécie desaparecia.
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
NOITE
Acordo ainda dentro da noite. Abro as portas do estúdio para que entrem as estrelas, a música do mar. A temperatura é perfeita. Nem os galos acordaram ainda. E não se adivinha a gestação da manhã. Gosto tanto deste momento único quando todos dormem, a rua inteira, o bairro, a cidade.E eu tão pequena existindo dentro da noite, carregando meus sonhos
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
AINDA DEZEMBRO
Ainda dezembro: Que cada um construa o seu dezembro e não se deixe sugar pelos shoppings , não se deixe abduzir pela histeria coletiva, mas saboreie as flores vermelhas, os amigos, os filhos, netos, os amados, os amantes, as lembranças, o Peru de Natal do Mário de Andrade, recheado com farofa. Que uma surpresa espreite em cada esquina e curva de dezembro. Para mim o nome do mês é tão sonoro que enche minha boca de castanhas e frutas raras.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
A ESCOLHA DE SOFIA
A Escolha de Sofia é um grande filme. Faz muitos anos que o vi num cinema, eu era jovem, a Meryl Streep também, lindíssima. Eu me lembrava de cada mínimo detalhe. Mas quando suas confissões ao jovem escritor a levam para Aushwitz, tive que desligar, não aguentei ver.
Ontem, num debate sobre política internacional a pergunta crucial era : " O mundo está menos perigoso?"
Deixo a pergunta no ar.
Ontem, num debate sobre política internacional a pergunta crucial era : " O mundo está menos perigoso?"
Deixo a pergunta no ar.
sábado, 30 de novembro de 2013
TÚNEL DO TEMPO
Entro no túnel do tempo. Eu morava numa chácara na Tijuca, R.J, no começo da década de 70. No porão tínhamos um estúdio. Nesta noite tínhamos dois convidados: Vitor Assis Brasil e um americano chamado Kenny. Franklin da Flauta chegou com sua namorada, Monica, uma mulher interessantíssima, linda, que me cativou desde o primeiro momento. Talvez eu estivesse grávida do meu filho Guga. Monica ficou minha amiga-irmã até que a vida fez uma curva e nos perdemos. Ontem ela me achou e me diz: "Minha memória é feita de flashes e sensações". Mas eu me lembro até das roupas que ela vestia, dos seus trejeitos de 40 anos atrás, e tenho que contar para ela.Ela me diz: _"Eu fiquei muito esquisita." E eu retruco: _"Ficou, não, sempre fomos esquisitas, por isso nos amamos." Dentro de alguns dia nos encontraremos. E o tempo será abolido.
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
GAIVOTAS
Gaivotas
Gaivotas em sua rota de sal e ar.
Gaivotas mergulham,
abre-te-sésamo
e abrem o mar.
in O Mar e os Sonhos, ed Lê
Fui bem cedo ao mar. Por pura contemplação. Até virar espuma, até virar voo, até virar gaivota.
Gaivotas em sua rota de sal e ar.
Gaivotas mergulham,
abre-te-sésamo
e abrem o mar.
in O Mar e os Sonhos, ed Lê
Fui bem cedo ao mar. Por pura contemplação. Até virar espuma, até virar voo, até virar gaivota.
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
LIVROS NOVOS
Alguns livros novos estão entrando em produção. Hora da escolha dos ilustradores.Meu livro de contos , Exercícios de Amor, para jovens e adultos, que sairá pela Lê, não terá ilustrações. Ainda não vi a capa, não vi nada. O livro sairá em janeiro.
Poço dos Desejos, que sairá pela Moderna, foi avaliado por mim como um livro infantil e parece que a editora o está considerando um livro juvenil e quer ilustrá-lo em preto e branco. Não digo nada, a poesia não tem fronteiras, apenas surpresas.
E o livro de poesia que entreguei ontem para a Lê, para jovens e adultos, me diz claramente que Elvira Vigna deveria ilustrar, é o meu desejo.
Será que estou de férias? Tenho vários originais já começados , mas aguardo o sinal verde das editoras.Então estou de férias! Mas não é bem assim. Escrever é o que me coloca em meu centro. Sem escrever eu quase me estilhaço. A poesia me amarra em mim mesma. É absolutamente necessária, ser poeta é meu ofício.
Poço dos Desejos, que sairá pela Moderna, foi avaliado por mim como um livro infantil e parece que a editora o está considerando um livro juvenil e quer ilustrá-lo em preto e branco. Não digo nada, a poesia não tem fronteiras, apenas surpresas.
E o livro de poesia que entreguei ontem para a Lê, para jovens e adultos, me diz claramente que Elvira Vigna deveria ilustrar, é o meu desejo.
Será que estou de férias? Tenho vários originais já começados , mas aguardo o sinal verde das editoras.Então estou de férias! Mas não é bem assim. Escrever é o que me coloca em meu centro. Sem escrever eu quase me estilhaço. A poesia me amarra em mim mesma. É absolutamente necessária, ser poeta é meu ofício.
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
DEZEMBRO
Nós, humanos, precisamos fazer marcas no tempo para suportar a imensidão do tempo e nossa estadia tão breve na Terra. Inventamos datas, festejamos aniversários, Natais, formaturas. E ao chegar dezembro refletimos sobre o ano que acaba , sobre nossos desejos para o próximo ano. Farei 63 anos em dezembro e tenho bem claro o que quero. Cada vez mais necessito de silêncio e valorizo o ouro puro das amizades. O que me faz mais feliz é doar felicidade a quem está perto de mim. A felicidade que posso dar ao outro é meu maior tesouro. Preparo todos os dias uma linda mesa de café da manhã para minha caseira e meu jardineiro. Eles que limpam minha casa e cuidam do meu jardim, ao chegar encontram um belo desjejum. Cuido muito de todos os que me cercam. A minha casa está aberta para os amigos, as escolas, professores, a quem quiser vir me visitar e conversar. Não quero nada além do que tenho. E gostaria muito que no ano que vem houvesse mais paz, menos desperdício, menos hipocrisia.E já estou pronta para receber dezembro que me traz tantas alegrias e flores.
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