quarta-feira, 23 de maio de 2012

CASAS

Recebo mais uma edição do meu livro CASAS que sai como pão do forno.A editora diz que é a quarta tiragem da nona edição e eu não sei o que quer dizer isso. Só sei que os poemas do livro viajam por todo o Brasil. Hoje mesmo uma escola me escreve contando que os alunos fizeram uns decalques maravilhosos sobre um dos poemas do livro. É um livro muito antigo e sei direitinho como aconteceu dentro de mim. Foi em 1994. Eu estava me separando e teria que mudar de casa. Pensei então em todos os tipos de casa,  fiz uma lista, casa de amigo, de avó, casa mal-assombrada, etc.E comecei a fabricar os poemas. E um dos poemas era como um recado que eu me mandava:

MUDANÇA
Mudar de casa
é coisa
muito complicada,
porque uma casa
não cabe
em outra casa:
sempre fica faltando,
sempre fica sobrando.

O caminhão de mudanças,
bicho cruel,
engole mesas, cadeiras, lembranças,
e lá se vai mundo abaixo.

Na casa nova o caminhão
despeja
mesas, cadeiras, lembranças,

e a casa vai criando asas,
criando vida,
já se pode forrar o teto
de sonhos.

E em quantas casas morei depois do livro pronto! Em cada uma forrei tetos e paredes de sonhos.

5 comentários:

  1. O bom da sua poesia é que é poesia, é para todas as idades.

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  2. Puxa Roseana, hoje, eu é que fiquei emocionada, pois foi esse seu poema que encontrei escrito em um livro quando estava arrumando a minha estante, que me fez entrar em contato com você.
    Olha, foi um trabalho de pesquisa encontrar você. Isso aconteceu em 07 de abril de 2010 quando li no seu BLOG esse texto que repito agora. Para mim ele um dos mais lindos e emocionantes que você escreveu.
    Aí vai para os seus leitores se lembrarem.

    Mensagem..: "Durante muitos anos Visconde de Mauá foi a minha casa. Em 1974 a família comprou um sítio e a minha poesia está impregnada dos seus vales , rios, neblinas, montanhas. Minha casa não tinha luz . Aprendi a enxergar no escuro.
    Em 1980 quando publiquei meu primeiro livro, o Fardo de Carinho, eu morava em Mauá. Uma vez por semana eu contava histórias na Escola da Terra e foi uma experiência maravilhosa. A escola ficava no Vale da Santa Clara, numa casa redonda e os alunos tinham aula de circo, de horta, aprendiam a construir, tinham aula de música. Os pais ajudavam, cada um com sua habilidade. Até hoje, os que estudaram na Escola da Terra continuam amigos, uma espécie de família, há entre eles um elo inquebrantável.
    Como no sítio não havia luz, eu passava horas , durante a noite, olhando o céu. Assim nasceu uma coletânea de poemas que publiquei em 1985, Lições de Astronomia, pela extinta editora Memórias Futuras. Era um livro todo azul, cheio de estrelinhas. A minha idéia era relacionar as coisas do céu com sentimentos. Uma vez, fui a Recife fazer um lançamento estranho: dentro de um supermercado. Pois bem, no meio de todo aquele movimento, uma mulher parou na frente da minha mesinha, apanhou o livro e abriu numa página qualquer. Muito emocionada ela me disse, você sabe o que a sua poesia faz com as pessoas? Se ela faz as pessoas se emocionarem dentro de um supermercado eu fico feliz! A editora Memórias Futuras fechou, o livro ficou esgotado e eu consegui reeditá-lo em 2004 pela ed. Miguilim , que também fechou. Agora, novamente consigo uma reedição com a ed. Paulinas. Ficou lindo o livro com as ilustrações da Mari Ines Piekas, os poemas ganharam muito, ficaram mais sonoros.
    Agora o sítio tem luz mas a casa é iluminada de uma maneira tão natural que o céu continua maravilhosamente intenso. Não moro mais lá, mas sim, meu filho André com seu Babel Restaurante e a Dani Keiko, minha nora. Quando vou, me reencontro pela casa, há uma confusão de tempos verbais, o passado é presente e o futuro é presente também".

    Hoje quero brindar a esse encontro e a esse poema maravilhoso que me fez conhecer uma escritora de carne e osso. Ha!Ha!Ha!
    Beijinhos,
    Angela

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  3. Angela Maria, que texto bonito que eu escrevi! Nem lembrava. Obrigada, não me lembrava... E adorei reler

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  4. Angela Carneiro, estou muito feliz com nosso próximo encontro em Mauá!!!

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  5. Querida poetisa, Roseana! Busco seu livro Casas, em Curitiba, e não encontro, nem em livrarias nem em sebos. Nem a Biblioteca Pública do Paraná o tem.Quero sugerir o poema Sem casa, para um plano de aula, preciso indicar a página exata do poema, não encontro. Podes me ajudar?

    Grata, Fabíola, professora da rede municipal de Curitiba, freelancer na autoria de material didático.

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